Ecos do meu patio

?Manual de Instintos Assassinos?, poesia de Eduardo Roseira - 10Mai2015 22:59:00




 LOCAIS DE VENDA

 PORTO

- Livraria Europa-América ? Rua 31 de Janeiro

 

- UNICEPE ? Praça de Carlos Alberto (esquina com a Praça dos Leões)

 LISBOA

- Livraria Barata-Leya ? Av.ª de Roma

 

- Livraria Ler ? (Campo de Ourique)

PODE TAMBÉM ADQUIRIR ATRAVÉS DO SITE DA EDITORA EM:

 


 

(a 9 euros com portes incluídos)


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2015/05/manual-de-instintos-assassinos-poesia_17.html

MUEDA! QUEM ÉS TU? - 14Abr2015 17:34:00

- Eu sou o fulcro dessa balança,

a que chamam terrorismo.

 

- Sou o terror dos metropolitanos,

dos ?coca-colas? e até dos turras.

 

- Porque o pó que se respira,

é o pó da pólvora queimada.

 

- Porque a água que se bebe,

é a água manchada de sangue.

 

- Porque as quietudes das noites,

são quebradas pela incerteza.

 

- Porque os dias que passam,

são dias que não mais passam.

 

- Tenho o meu ventre inchado,

pronto a parir maquinismos

e homens que são títeres,

para semearem a morte.

 

- Tenho um grande hospital,

para dar aquilo

que nos obrigam a roubar,

impelindo-nos para o abismo

da morte ou da invalidez?

e como indeminização?...

- Uma medalha?

Algumas a titulo póstumo,

daqueles que eram o sustento das viúvas

e até dos próprios pais.

 

- 10 de Junho.

Dia da Raça.

Mas que raça?...

Raça de autómatos sorridentes.

Bem vestidos. A desempenharem a sua   função:

- Medalhar! Medalhar! Medalhar!

 

- Onde estão eles que não nos vem visitar?

 

- Honrai a Pátria, que a Pátria vos contempla.

 

Como?

 

 Assim!...

Não!... - Dizem eles.

 

- Mais vale viver desonrado,

do que morrer ou ficar aleijado.

 

Luís Jorge

1 de Agosto de 1969

Mueda ? Moçambique

África Oriental Portuguesa

 

- Post Scriptum: Dia do meu 24.º aniversário

(Será que alguém vai ler isto?)

 

Luís Jorge (Ferreirinha Júnior)


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2015/04/mueda-quem-es-tu.html

ESTOU... - 16Abr2013 22:33:00

estou com pressa?.
deixem-me passar?
estou com pressa
de ir para o emprego?
? que não tenho!

estou com apetite
para saborear o almoço
que não está na mesa!

estou com pressa?
para ir perder a viagem
que não me leva a qualquer lugar?
porque estou preso
num apeadeiro chamado desemprego!

estou com água na boca,
pelo jantar lá em casa?
onde me espera?
uma posta de ?filet??nenhum
acompanhada de pão seco
e muita, muita água!

estou com pressa?
e dou todo o meu tempo
p?ra ver o fim
desta minha e cruel mágoa!!!

eduardo roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2013/04/estou.html


...e quando estiver a morrer - 01Abr2013 00:58:00

... e quando estiver a morrer,
antes de partir, seja para onde for...
quero que ponhas nos meus lábios
uma pequena amêndoa de licor.

se não a tiveres à mão...
não te importes, não.

encosta os teus doces lábios
aos meus, 
meu amor!

eduardo roseira



Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2013/04/e-quando-estiver-morrer.html

PASSATEMPO - 11Dez2012 19:08:00

 Em 2013, possívelmente em Fevereiro, o "Palavras Vivas - stand-up Poetry", vai disponibilizar a todos os seus seguidores, uma surpresa, no âmbito das suas actividades.
O que será?
Os dois primeiros que acertarem vão ter direito a um prémio?
ACEITAM-SE PALPITES a partir deste momento!

Boa sorte!

Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/12/passatempo.html

CONVITE à participação em colectânea de Poética do lavra...Boletim de Poesia - 09Nov2012 19:00:00

 
 
PARTICIPA NA Colectânea Poética -?DOCES LOUCURAS ? Louvor aos sorrisos?,do lavra?Boletim de Poesia
 
A primeira colectânea que lançamos, foi a ?Correntes? Louvor aos Rios?, em 2003, a qual terminava em jeito de repto com um poema de Luís Nogueira: ?Soltem as amarras enaveguem://abracem o mar e voltem.// - Se puderem?, e foi assim que os nossos poetas, em 2004regressaram e participaram na colectânea ?azul(v)ejo ? Louvor ao Planeta Terra?, a qual também em jeito de repto de continuação terminava com o poema de António Luia: ?Juntos//percorremos//caminhos   veredas//qual   eco//novos passos//ditarão o regresso//com sabor a prazer??, e mais uma vez os nossos poetas e amigos responderam ao apelo do retorno e juntaram-se em 2005 na colectânea poética ?Valsa da Vida ? Louvor à Vida e aos seus Prazeres?, a qual terminava com um poema de Mariana Oliveira, também ao jeito de novo desafio, a estarem presentes na próxima colectânea, que dizia: ?Foi suave a Valsa?//que entre graves e agudos sons,//contigo dancei?//De prazer em prazer//tu e eu sentimos Vida//no ritmo das palavras?//- Promete-me meu louco, que voltas com o teu sorriso doce??.
Pois bem, demorou, mas aqui estamos para vos lançar o desafio de participarem na quarta colectânea poética, que se intitula ?Doces Loucuras ? Louvor aos sorrisos?.
Contamos com as vossas participações, uns em jeito de regresso às nossas edições e outros pela primeira vez, mas TODOS a bem da causa que nos une e move, a Poesia.
As condições para a participação neste nosso projecto são as seguintes:
 
1. ? Cada autor terá 3 (três) páginas e 5 (cinco) exemplares da obra;
1.1. - Cada página tem 30 linhas; cada linha até 45 caracteres (incluindo espaços) e deverão ser enviados, preferencialmente em suporte informático, em ?Arial ? 12?;
2. - A data limite de inscrição e entrega de trabalhos é até ao dia 15 de dezembro de 2012; através do e-mail: lavra.poesi@gmail.comou para a nossa redacção ? Rua Pereira da Costa, 156 ? 2.º  4400 ? 245   Vila Nova de Gaia;
3 ? O valor de participação é de: ? 30,00 (trinta euros), o qual deverá ser liquidado até 30 de dezembro de 2012;
4 - Na eventualidade dos autores desejarem mais exemplares, terão um desconto, de 10% (dez por cento), para não assinantes e de 20% (vinte por cento) para os nossos assinantes, sobre o P.V.P. (preço de venda ao público);
5 ? Esta edição far-se-á com o número mínimo de 10 autores.
6 ? Os livros serão entregues a todos os participantes, no dia do lançamento, que terá lugar em 2013, em dia e local a anunciar nas cidades de Porto e/ou Gaia.
7 ? No caso dos autores não levantarem os livros no dia do lançamento, os mesmos serão enviados a expensas dos autores.
8 ? A participação estende-se a TODOS, independentemente de serem ou não assinantes do lavra?Boletim de Poesia
A todos, desde já a nossa gratidão pela aceitação e colaboração na continuidade deste nosso projecto.



Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/11/convite-participacao-em-colectanea-de.html

Fernando Peixoto - 4 anos de saudade... - 03Out2012 13:51:00

Onde estarás?

por ?Maria Helena Peixoto? a ??Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012? às ?3:17? ·?
Sabes Pai,
A solidão é uma noite longa e escura...
E a tua ausência,
O calor e o brilho dos teus olhos,
São quebranto gelado...
Pergunto onde estarás...
E antes que respondas
Já a tua voz,
Quente carinhosa e forte,
Na minha mente se acendeu...
E escuto-te...
Sob a forma de poema,
Vejo-te nas tábuas do palco da Vida,
Ou no calor do raio de Sol...
Descubro-te entre as gotas de chuva...
Ou no cheiro intenso da terra molhada...
E eis que a resposta surge...
Doce pergunta feita saudade...
Onde estarás, Pai?
Estás em mim!
03.10.2012
HELENA PEIXOTO


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/10/fernando-peixoto-4-anos-de-saudade.html

A VISITA DA SAUDADE... - 11Set2012 23:43:00



Aos meus Pais, Maria Helena e Eduardo Roseira

 

um dia, sem bater à porta, aconteceu a visita da saudade?

a casa ficou com mãos de nada?

as paredes, vestiram-se de nudez?

o ranger da porta deixou de cantar?

de tristeza, as molduras, ficaram vazias?

as cortinas, outrora bordeaux, viraram cor da palidez?

o gato, esse, deixou de connosco falar?

as paredes, nuas?frias?

os móveis prontos a partir?

o silêncio das noites, invadiu os dias nesta casa solidão?

por detrás dos armários, as teias, agora são rugas?

o que antes falava da história da casa, é agora velha tralha?

as prateleiras, plenas de cultura, estão ocas?nuas?

o tapete, primeira serventia da casa, já só atrapalha?

num canto, esquecida, uma jarra de rosas murchas, solta um lamento?

do velho relógio, ainda na parede, o cuco já não sorri?

é a invasão da tristeza em lume brando e tempo lento?

o piano, agora desafinado, em desafio toca um dó, em lugar dum si?

a ferrugenta gaiola de vazia, emudeceu?

num constante martelar a saudade, apenas o ?ping?pang?ping?pang??

da torneira do lavatório, como que reclamando o seu eterno adiado arranjar?

perdido neste silêncio,  ecoa um fado saudade, tocado no avariado gira-discos ?

colado na parede do escritório, o amarelecido mapa?da geografia da vida,

já não nos seduz para qualquer destino?

a carunchosa credência, junto à entrada, aguarda a chegada do lixeiro,

e ironicamente, na sua gaveta conserva uma velha cautela que a vida não premiou?

 

...eis a história do dia em que dentro da casa a saudade se instalou?

 

Eduardo Roseira

 


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/09/a-visita-da-saudade.html

RIO DA MINHA SAUDADE... - 28Ago2012 19:16:00

 
Foto tirada às 17 HORAS num dia de Agosto de 2012
 
 
olhando as imagens
deste meu rio douro,
o meu coração chora
saudosamente
"...a sua beleza a qualquer hora..."
vejo e sinto:
"...os ocres e amarelos
que se esbatem na névoa...
o branco e a história que se beijam..."
imagens do rio
das gentes
da cidade
lembranças
"...das cores, dos cheiros...
...das neblinas..."
deste
"...rio da minha saudade!..."
 
eduardo roseira
(Escrito em 27 de Agosto de 2012, com base nas frases,
que estão "entre aspas", que são da autoria de Marta Cordeiro,
em comentários às minhas fotos, postadas no Facebook)
 
 
Foto tirada às 07 HORAS num dia de Agosto de 2012?

 
 
 
?


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/08/rio-da-minha-saudade.html

Festas da Sr.ª do Amparo - 2012 - 07Ago2012 00:11:00


lágrimas fogo
pendem em cachos d'ouro
das faces negras do céu.
nuvens de fumo
escondem o rubro-verde
de cintinlantes cordões
que se abraçam
ao brilho anil
que vem beijar
docemente as águas
calmas do tua.
olhares mil
mil olhares
agradecem sem reparo
as bençãos
da nossa senhora do amparo.

eduardo roseira
5/Agosto/2012
Mirandela


Fotografia de: Maria José Roseira?


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/08/festas-da-sr-do-amparo-2012.html

O Carnaval da Estupidez - 02Ago2012 20:13:00


Só a indumentária mudaram os algozes.
Insolente dicurso sobe ao púlpito
para democratizar o medo onde festejam
as incongruências desde tempo incelebrável.

Pátria ainda chamamos em comum a este lugar
onde acoitamos as ind´zíveis ânsias dos eleitos.
Desengravatados para o carnaval da estupidez
os néscios não cabem na tribuna do riso insufragado.

Nelson Saúte (Moçambique)
In: "A Viagem Profana"


Imagem: Google.com

Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/08/o-carnaval-da-estupidez.html

ESCREVO-ME - 03Abr2012 21:24:00


?na dor do meu sorriso
levo a vida a cantar
?no sofrer do meu sorrir
engano a dor
do sentir
o gosto amargo do sorriso

e em cada nova dor
descubro um novo sorriso
porque conservo em mim
uma alma cheia de sorrisos
e sorrindo
escrevo-me
escrevendo

eduardo roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/04/escrevo-me.html

frente a frente... - um poema do real escrito no Dia Mundial da Poesia - 25Mar2012 17:28:00


frente a frente
tu de Ipad na mão
lês um e-book.
eu, folheio um livro.

tecnologicamente
sorris para mim.
eu, faço de conta
que não sinto o teu olhar
e viro mais uma página
do livro que me deixa
na mão rastos de tinta.
tu, sorris orgulhoso
exibes o Ipad, com pinta
que tem o tal e-book.
estás no virtual.
o meu livro tem gralhas,
defeito de ser tão real.
além disso o meu livro
não tem truques
e está isento de vírus
e cooquies?
tu continuas de Ipad na mão,
todo prazenteiro.
eu, página a página
disfruto o livro
e feliz sinto
o seu cheiro!

eduardo roseira
VNGaia
21-3-12
Dia Mundial da Poesia
(História verdadeira de um frente a frente, 
entre um livro e um Ipad, durante uma 
viagem de metro.)


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/frente-frente-um-poema-do-real-escrito.html

"O Poema Pode Ser", de Aristides Silva, no DIA MUNDIAL DA POESIA - 21Mar2012 01:03:00












Aristides Silva a dizer poesia na Biblioteca Municipal de Gaia


Antes de mais, o poema
é sentido e pensado
e só depois é escrito.
Pode ser lido ou dito,
cantado e até musicado.
Mas, muito mais do que isto,
o poema deve ser
divulgado e vivido!
Não só por quem o sentiu
mas também por quem o disse,
cantou, leu,
ou apenas o escreveu.
O poema, para o ser,
deve mudar, transformar
em ser o que é parecer!
Não necessita rimar.
O poema pode ser
um triste fado ou canção.
Hino ou balada.
Tudo ou nada.
Pode ser soneto ou quadra,
com refrão, sem estribilho.
O poema, após nascer,
é para o poeta um filho
que, embora escrito à mão,
saiu do seu coração!

Façamos versos, pois então!...

Aristides Silva


Imagem de: José Mário Roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/o-poema-pode-ser-de-aristides-silva-no.html

NO RITMO DAS PALAVRAS - 15Mar2012 01:24:00


À Fernanda Cardoso


entrar no ritmo das palavras
e sequiosamente
absorvê-las.

ouvir atentamente
o cantar
sílaba a sílaba
dos versos que dizes.

entrar no ritmo das palavras
quando em tom ternura
falas amor
e em voz tremura
dizes horror.

perceber em tudo,
até no silêncio
das tuas deixas
a mensagem
que da tua voz
emana?.

e permanecer
no ritmo das palavras?

Eduardo Roseira
Porto
15 de Março de 2012

Imagem: retirada com a devida vénia de:  http://poesianagaleria.blogspot.com


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/no-ritmo-das-palavras.html

O MENINO - ou a saudade não tem horário - 12Mar2012 18:34:00




ao meu filho Sérgio Filipe
à Cândida Nunes com carinho

um dia o menino?
(será sempre o nosso menino)
cansou-se de estar no retrato
e (como sempre) sorridente
saíu da moldura?

sem licença, nem passaporte
(que os bons não precisam de tal),
partiu a caminho da lua
e de nova sorte,
com breves paragens
em muitas estrelas.

na bagagem
levou milhões de sorrisos
para,  aos amigos do céu dar.
e de estrela em estrela
continua a sua viagem,
sempre a sorrisos distribuir.

meia volta
volta e meia,
ao olharmos para o céu,
mesmo com sol a raiar,
lá está ele sentado numa
estrela, a sorrir
e a acenar, dizendo:
?- olá, ando aqui a viajar??
- para logo baixinho, acrescentar -
??e a fazer cócegas às estrelas,
ensinando-as a sorrir?
a sorrir?
sorrir?
sorrir??

  eduardo roseira
8 de março de 2012


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/o-menino-ou-saudade-nao-tem-horario.html

NA PARTIDA DE ZECA AFONSO - (poema escrito há 25 anos) - 22Fev2012 19:12:00


não..não choro!
(não quero dar-lhes essa alegria.)
não?não escrevo com saudade!
(isso é para quem parte?
e tu continuas connosco!)

que fique de ti
a lembrança
de um zeca
num ?bairro negro?
sentado numa ?pedra filosofal?
à sombra de um embondeiro?
cantando para um ?menino d?oiro?
ensinando-lhe a esperança
dos dias felizes,
com que sonhaste?
porque lutaste?
e nos cantaste?

na luta foste persistência
e coragem na resistência.
descansas agora a canseira
?à sombra (da tua) azinheira?,
cantando ?eles comem tudo??
(mas nós sabemos, que nem no ?entrudo?,
eles comeram as papas na tua cabeça).
?e a luta, só agora começa!

não serás para nós
um símbolo qualquer.
serás, isso sim!
aos olhos de filhos, pais e avós.
o homem que sabe o que quer!
o companheiro que resiste até ao fim!

connosco estarás sempre presente!
serás, companheiro zeca, eternamente!...

    eduardo roseira
  Fanzeres/Gondomar
23 de fevereiro de 1987

Nota: Escrito poucos minutos após a notícia
da morte de José Afonso (23/fev/1987) e
lido à 01h10, para o programa ?È de noite já
se vê?, da Rádio Comercial.


Imagem: Logotipo do Projecto Amigos Maiores que o Pensamento


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/na-partida-de-zeca-afonso.html

Eis aqui, o meu tributo... - 21Fev2012 23:20:00


Eis aqui, o meu tributo
ao contributo
feito generosamente
pelo nosso nobre povo
ao mui endividado
e cavacado presidente.

Nem as plurireformas
lhe chegam para as despesas
pois estas são tão amorfas
que não lhe aquecem
as incertezas.

Vai ter que ir comer
onde come qualquer indigente
e muito dignamente
dá uma sopa melhorada
ao nosso presidente.

Kim Berlusa

Imagem: google.com


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/eis-aqui-o-meu-tributo.html

põe a máscara, tira a máscara... - 20Fev2012 19:36:00


põe a máscara, tira a máscara,
põe a máscara, tira a máscara.
soltou o cabelo e olha-se ao espelho.
- sou eu ou a máscara?
já não se conhecia. ninguém naquela casa se preocupa com o que ela faz ou deixa de fazer, com o que sente ou deixa de sentir. quantas páginas da sua vida desmembradas em silêncio. sempre a viram sorrir.
mulher, mãe, amante, irmã e amiga!
desgastada, estende-se no leito e seu marido com brutalidade aperta-a contra o peito.
um esgar de dor é substituído por um sorriso.
pôs a máscara?a última do dia.

tira a máscara, põe a máscara,
tira a máscara, põe a máscara.
aproxima-se a hora do frente a frente na televisão
em directo. endireita o nó da gravata e ensaia várias expressões em frente ao espelho. a sua boca abre-se num sorriso aberto. sorrir agrada ao povo, mais do que se faz ou do que se promete. prometer não custa nada? até é de graça.
tem de vencer os adversários. passar a mensagem só com a sua imagem.
fazem-lhe um sinal. chegou a hora.
pela décima vez repete o ensaio sorri e pensa para si: está perfeita?esta sim?foi mesmo feita para mim!...

põe a máscara, tira a máscara,
põe a máscara, tira a máscara.
a estrada desta vida é um palco de teatro!
nela, alguns de nós somos actores,
alguns de nós somos palhaços.
tira a máscara, põe a máscara,
tira a máscara, põe a máscara.
proliferam pelo mundo inteiro, cordeiros com máscara de lobos e muitos mais lobos mascarados de cordeiros. sem máscara?existem biliões de capuchinhos vermelhos!.


Teresa Gonçalves
in: "Pleno Verbo - olhar interior?


Imagem: óleo de Miguel Barros


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/poe-mascara-tira-mascara.html

Dedicado às crianças moçambicanas. - 13Fev2012 18:51:00

contemplando morros de mochem
e palhotas e palhotas de amor
embalei um sonho para acordar realidade.
não ver mais cinzas negras da morte
nem meninos de olhos magoados.
meninos iguais ao meu, ao teu
iguais aos filhos de todos os nós.
alguma vez te perguntaste se eram felizes?
meninos de olhos tristes.
brinquedos de armas e catanas.
embalei o meu sonho no berço da esperança
contemplando morros de mochem e palhotas de amor
vi um povo irmão, livre, com um futuro melhor.
em vez de armas e catanas, brinquedos e livros.
um sorriso nos olhos, um coração verde.

Teresa Gonçalves
In: "Pleno Verbo", Edium Editores,
S. Mamede de Infesta, Maio de 2011


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/dedicado-as-criancas-mocambicanas.html

A(s) BONECA(s) - 20Jan2012 13:49:00


(memórias do Jardim de S. Lázaro,
Bonfim, Porto aos meus 5 anos)

foi a boneca mais bonita
que eu vi na minha,
até então,
curta vida.
ia bem segura na mão
de uma linda menina.

foi tal o meu deslumbre,
que, tonto,
ainda hoje não sei
se p?rá boneca mais bonita
eu olhei?
ou se p?rá linda menina,
ainda petiz, os meus olhos
e a cara voltei?

segui prazenteiro
envolto no meu fascínio?
?até que contra um candeeiro,
parti o nariz
e perdi o raciocínio?

eduardo roseira

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/01/as-bonecas.html

OUTRA VEZ E SEMPRE ANTÓNIO GEDEÃO - 19Jan2012 20:54:00



saber-se-á lá porquê
ou suspeitar porque não
ocorreu-me ao rés da voz
o António Gedeão
e a sua pedra lioz

não só por Álvaro Góis
ou por algum Rui Mamede
filhos de António Brandão
naturais de Cantanhede
mas pela graça infinita
contra a secura maldita
de viver sempre com sede
sede brava
sede bruta
que só com arte se educa
nem que seja ritmada
por pancada bem marcada
numa pedra
truca-truca

e vale de tanto esse encanto
que não cabe dor nem pranto
nem traz a gente maluca
truca-truca
truca-truca?

ah bravíssimo Gedeão
que de martelo e cinzel
base
fuste ou capitel
escopro de outra afeição
nos trouxe ao viver medonho
algo assim maior que o pão
por saber viver o sonho

pois dessa pedra lioz
tangida em artes de gente
lá tem anjos
lá tem sóis
tem um diabo demente
tem cometas
girassóis
meninas de caracóis
e algum deus omnipotente

e na planura terrestre
ingente
um rumor se escuta
que vai de leste a oeste
do chão à abóbada celeste
truca-truca
truca-truca?
trocando as voltas à vida
na espiral apetecida
de ser Vida que nos preste

ah meu caro Gedeão
quão imensa a gratidão
pelo alento que nos deste
de erguer os olhos do chão
enquanto a pedra se educa
truca-truca
truca-truca
e a pedra bruta afinal
cresce ao céu
é catedral
porque entre o bem e o mal
um homem simples
normal
truca-truca
truca-truca
truca-truca
truca-truca? 

Jorge Castro
16 de Janeiro de 2012



Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/01/outra-vez-e-sempre-antonio-gedeao.html

À TARDE... - 27Dez2011 21:12:00




à tarde
há homens velhos
pousados em mesas de granito
por baixo da árvore tão gasta
como eles,
baralhando ouros e paus
dando copas e espadas.

à tarde
há homens velhos
que em imenso bluf
vão enganando o tempo
e os seus gastos alicerces.

à tarde
há homens velhos
que inventam trunfos
para dourar os dias
riscando no papel
traço a traço
as suas poucas alegrias.

à tarde
há homens velhos?
à tarde
há homens?
à tarde
há velhos?
à tarde
há?
tarde?


eduardo roseira
VNGaia
27-dez-2011

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/12/tarde.html


Eduardo Roseira
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