Ecos do meu patio

ESCREVO-ME - 03Abr2012 21:24:00


?na dor do meu sorriso
levo a vida a cantar
?no sofrer do meu sorrir
engano a dor
do sentir
o gosto amargo do sorriso

e em cada nova dor
descubro um novo sorriso
porque conservo em mim
uma alma cheia de sorrisos
e sorrindo
escrevo-me
escrevendo

eduardo roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/04/escrevo-me.html

frente a frente... - um poema do real escrito no Dia Mundial da Poesia - 25Mar2012 17:28:00


frente a frente
tu de Ipad na mão
lês um e-book.
eu, folheio um livro.

tecnologicamente
sorris para mim.
eu, faço de conta
que não sinto o teu olhar
e viro mais uma página
do livro que me deixa
na mão rastos de tinta.
tu, sorris orgulhoso
exibes o Ipad, com pinta
que tem o tal e-book.
estás no virtual.
o meu livro tem gralhas,
defeito de ser tão real.
além disso o meu livro
não tem truques
e está isento de vírus
e cooquies?
tu continuas de Ipad na mão,
todo prazenteiro.
eu, página a página
disfruto o livro
e feliz sinto
o seu cheiro!

eduardo roseira
VNGaia
21-3-12
Dia Mundial da Poesia
(História verdadeira de um frente a frente, 
entre um livro e um Ipad, durante uma 
viagem de metro.)


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/frente-frente-um-poema-do-real-escrito.html

"O Poema Pode Ser", de Aristides Silva, no DIA MUNDIAL DA POESIA - 21Mar2012 01:03:00












Aristides Silva a dizer poesia na Biblioteca Municipal de Gaia


Antes de mais, o poema
é sentido e pensado
e só depois é escrito.
Pode ser lido ou dito,
cantado e até musicado.
Mas, muito mais do que isto,
o poema deve ser
divulgado e vivido!
Não só por quem o sentiu
mas também por quem o disse,
cantou, leu,
ou apenas o escreveu.
O poema, para o ser,
deve mudar, transformar
em ser o que é parecer!
Não necessita rimar.
O poema pode ser
um triste fado ou canção.
Hino ou balada.
Tudo ou nada.
Pode ser soneto ou quadra,
com refrão, sem estribilho.
O poema, após nascer,
é para o poeta um filho
que, embora escrito à mão,
saiu do seu coração!

Façamos versos, pois então!...

Aristides Silva


Imagem de: José Mário Roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/o-poema-pode-ser-de-aristides-silva-no.html

NO RITMO DAS PALAVRAS - 15Mar2012 01:24:00


À Fernanda Cardoso


entrar no ritmo das palavras
e sequiosamente
absorvê-las.

ouvir atentamente
o cantar
sílaba a sílaba
dos versos que dizes.

entrar no ritmo das palavras
quando em tom ternura
falas amor
e em voz tremura
dizes horror.

perceber em tudo,
até no silêncio
das tuas deixas
a mensagem
que da tua voz
emana?.

e permanecer
no ritmo das palavras?

Eduardo Roseira
Porto
15 de Março de 2012

Imagem: retirada com a devida vénia de:  http://poesianagaleria.blogspot.com


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/no-ritmo-das-palavras.html

O MENINO - ou a saudade não tem horário - 12Mar2012 18:34:00




ao meu filho Sérgio Filipe
à Cândida Nunes com carinho

um dia o menino?
(será sempre o nosso menino)
cansou-se de estar no retrato
e (como sempre) sorridente
saíu da moldura?

sem licença, nem passaporte
(que os bons não precisam de tal),
partiu a caminho da lua
e de nova sorte,
com breves paragens
em muitas estrelas.

na bagagem
levou milhões de sorrisos
para,  aos amigos do céu dar.
e de estrela em estrela
continua a sua viagem,
sempre a sorrisos distribuir.

meia volta
volta e meia,
ao olharmos para o céu,
mesmo com sol a raiar,
lá está ele sentado numa
estrela, a sorrir
e a acenar, dizendo:
?- olá, ando aqui a viajar??
- para logo baixinho, acrescentar -
??e a fazer cócegas às estrelas,
ensinando-as a sorrir?
a sorrir?
sorrir?
sorrir??

  eduardo roseira
8 de março de 2012


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/03/o-menino-ou-saudade-nao-tem-horario.html

NA PARTIDA DE ZECA AFONSO - (poema escrito há 25 anos) - 22Fev2012 19:12:00


não..não choro!
(não quero dar-lhes essa alegria.)
não?não escrevo com saudade!
(isso é para quem parte?
e tu continuas connosco!)

que fique de ti
a lembrança
de um zeca
num ?bairro negro?
sentado numa ?pedra filosofal?
à sombra de um embondeiro?
cantando para um ?menino d?oiro?
ensinando-lhe a esperança
dos dias felizes,
com que sonhaste?
porque lutaste?
e nos cantaste?

na luta foste persistência
e coragem na resistência.
descansas agora a canseira
?à sombra (da tua) azinheira?,
cantando ?eles comem tudo??
(mas nós sabemos, que nem no ?entrudo?,
eles comeram as papas na tua cabeça).
?e a luta, só agora começa!

não serás para nós
um símbolo qualquer.
serás, isso sim!
aos olhos de filhos, pais e avós.
o homem que sabe o que quer!
o companheiro que resiste até ao fim!

connosco estarás sempre presente!
serás, companheiro zeca, eternamente!...

    eduardo roseira
  Fanzeres/Gondomar
23 de fevereiro de 1987

Nota: Escrito poucos minutos após a notícia
da morte de José Afonso (23/fev/1987) e
lido à 01h10, para o programa ?È de noite já
se vê?, da Rádio Comercial.


Imagem: Logotipo do Projecto Amigos Maiores que o Pensamento


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/na-partida-de-zeca-afonso.html

Eis aqui, o meu tributo... - 21Fev2012 23:20:00


Eis aqui, o meu tributo
ao contributo
feito generosamente
pelo nosso nobre povo
ao mui endividado
e cavacado presidente.

Nem as plurireformas
lhe chegam para as despesas
pois estas são tão amorfas
que não lhe aquecem
as incertezas.

Vai ter que ir comer
onde come qualquer indigente
e muito dignamente
dá uma sopa melhorada
ao nosso presidente.

Kim Berlusa

Imagem: google.com


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/eis-aqui-o-meu-tributo.html

põe a máscara, tira a máscara... - 20Fev2012 19:36:00


põe a máscara, tira a máscara,
põe a máscara, tira a máscara.
soltou o cabelo e olha-se ao espelho.
- sou eu ou a máscara?
já não se conhecia. ninguém naquela casa se preocupa com o que ela faz ou deixa de fazer, com o que sente ou deixa de sentir. quantas páginas da sua vida desmembradas em silêncio. sempre a viram sorrir.
mulher, mãe, amante, irmã e amiga!
desgastada, estende-se no leito e seu marido com brutalidade aperta-a contra o peito.
um esgar de dor é substituído por um sorriso.
pôs a máscara?a última do dia.

tira a máscara, põe a máscara,
tira a máscara, põe a máscara.
aproxima-se a hora do frente a frente na televisão
em directo. endireita o nó da gravata e ensaia várias expressões em frente ao espelho. a sua boca abre-se num sorriso aberto. sorrir agrada ao povo, mais do que se faz ou do que se promete. prometer não custa nada? até é de graça.
tem de vencer os adversários. passar a mensagem só com a sua imagem.
fazem-lhe um sinal. chegou a hora.
pela décima vez repete o ensaio sorri e pensa para si: está perfeita?esta sim?foi mesmo feita para mim!...

põe a máscara, tira a máscara,
põe a máscara, tira a máscara.
a estrada desta vida é um palco de teatro!
nela, alguns de nós somos actores,
alguns de nós somos palhaços.
tira a máscara, põe a máscara,
tira a máscara, põe a máscara.
proliferam pelo mundo inteiro, cordeiros com máscara de lobos e muitos mais lobos mascarados de cordeiros. sem máscara?existem biliões de capuchinhos vermelhos!.


Teresa Gonçalves
in: "Pleno Verbo - olhar interior?


Imagem: óleo de Miguel Barros


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/poe-mascara-tira-mascara.html

Dedicado às crianças moçambicanas. - 13Fev2012 18:51:00

contemplando morros de mochem
e palhotas e palhotas de amor
embalei um sonho para acordar realidade.
não ver mais cinzas negras da morte
nem meninos de olhos magoados.
meninos iguais ao meu, ao teu
iguais aos filhos de todos os nós.
alguma vez te perguntaste se eram felizes?
meninos de olhos tristes.
brinquedos de armas e catanas.
embalei o meu sonho no berço da esperança
contemplando morros de mochem e palhotas de amor
vi um povo irmão, livre, com um futuro melhor.
em vez de armas e catanas, brinquedos e livros.
um sorriso nos olhos, um coração verde.

Teresa Gonçalves
In: "Pleno Verbo", Edium Editores,
S. Mamede de Infesta, Maio de 2011


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/02/dedicado-as-criancas-mocambicanas.html

A(s) BONECA(s) - 20Jan2012 13:49:00


(memórias do Jardim de S. Lázaro,
Bonfim, Porto aos meus 5 anos)

foi a boneca mais bonita
que eu vi na minha,
até então,
curta vida.
ia bem segura na mão
de uma linda menina.

foi tal o meu deslumbre,
que, tonto,
ainda hoje não sei
se p?rá boneca mais bonita
eu olhei?
ou se p?rá linda menina,
ainda petiz, os meus olhos
e a cara voltei?

segui prazenteiro
envolto no meu fascínio?
?até que contra um candeeiro,
parti o nariz
e perdi o raciocínio?

eduardo roseira

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/01/as-bonecas.html

OUTRA VEZ E SEMPRE ANTÓNIO GEDEÃO - 19Jan2012 20:54:00



saber-se-á lá porquê
ou suspeitar porque não
ocorreu-me ao rés da voz
o António Gedeão
e a sua pedra lioz

não só por Álvaro Góis
ou por algum Rui Mamede
filhos de António Brandão
naturais de Cantanhede
mas pela graça infinita
contra a secura maldita
de viver sempre com sede
sede brava
sede bruta
que só com arte se educa
nem que seja ritmada
por pancada bem marcada
numa pedra
truca-truca

e vale de tanto esse encanto
que não cabe dor nem pranto
nem traz a gente maluca
truca-truca
truca-truca?

ah bravíssimo Gedeão
que de martelo e cinzel
base
fuste ou capitel
escopro de outra afeição
nos trouxe ao viver medonho
algo assim maior que o pão
por saber viver o sonho

pois dessa pedra lioz
tangida em artes de gente
lá tem anjos
lá tem sóis
tem um diabo demente
tem cometas
girassóis
meninas de caracóis
e algum deus omnipotente

e na planura terrestre
ingente
um rumor se escuta
que vai de leste a oeste
do chão à abóbada celeste
truca-truca
truca-truca?
trocando as voltas à vida
na espiral apetecida
de ser Vida que nos preste

ah meu caro Gedeão
quão imensa a gratidão
pelo alento que nos deste
de erguer os olhos do chão
enquanto a pedra se educa
truca-truca
truca-truca
e a pedra bruta afinal
cresce ao céu
é catedral
porque entre o bem e o mal
um homem simples
normal
truca-truca
truca-truca
truca-truca
truca-truca? 

Jorge Castro
16 de Janeiro de 2012



Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2012/01/outra-vez-e-sempre-antonio-gedeao.html

À TARDE... - 27Dez2011 21:12:00




à tarde
há homens velhos
pousados em mesas de granito
por baixo da árvore tão gasta
como eles,
baralhando ouros e paus
dando copas e espadas.

à tarde
há homens velhos
que em imenso bluf
vão enganando o tempo
e os seus gastos alicerces.

à tarde
há homens velhos
que inventam trunfos
para dourar os dias
riscando no papel
traço a traço
as suas poucas alegrias.

à tarde
há homens velhos?
à tarde
há homens?
à tarde
há velhos?
à tarde
há?
tarde?


eduardo roseira
VNGaia
27-dez-2011

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/12/tarde.html


ORAÇÃO... - 25Dez2011 14:55:00


para agradar à educadora infantil?
bajulemos irmãos.
para agradar ao senhor padre e à catequista?
bajulemos irmãos.
para ser chefe dos escuteiros?
bajulemos irmãos.
para obter as melhores notas?
bajulemos irmãos.
para ser chefe de turma?
bajulemos irmãos.
para liderar a juventude partidária?
bajulemos irmãos.
para arranjar emprego?
bajulemos irmãos.
para agradar ao chefe?
bajulemos irmãos.
para atingir o lugar do chefe?
bajulemos irmãos.
para agradar ao sogro rico?
bajulemos irmãos.
para obter os agrados da amante?
bajulemos irmãos.
?e também da amada esposa?
bajulemos irmãos.
para ser vereador?
bajulemos irmãos.
para ir para deputado?
bajulemos irmãos.
?e também para euro-deputado?
bajulemos irmãos.
para liderar o partido?
bajulemos irmãos.
para chefiar o governo?
bajulemos irmãos.
para ser administrador da cgd?
bajulemos irmãos.
para ser presidente  da república?
bajulemos irmãos.
?ou na pior das hipóteses, líder da união europeia?
bajulemos irmãos.
?ou da onu?
bajulemos irmãos.
para assim que alcançado o topo dos nossos interesses,
poder dizer-vos sinceramente que em todos vós?
cagaremos irmãos!

eduardo roseira
VNGaia - 24dezembro2011

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/12/oracao.html

RIMAS SACÂNICAS - 23Nov2011 20:31:00

Neste pedaço à beira mar entalado,
vive um povo de massa pouca.
País de futuro sempre adiado
e de mandantes com cérebro de vaca louca.

Terra de lusos costumes perdidos,
em troca de modas europeístas.
Os pobres estão cada vez mais lixados,
por culpa dos novos golpistas.

O dinheiro é tão pouco, tão pouco,
Que mal dá p?rá bucha de pão.
Quem não se desenrasca, dá em louco,
ou acaba a fazer hamburguer?s do cão.

Democracia sem rei, nem roque,
onde o Presidente vai a festas reais.
Há já mesmo até quem troque,
a casaca aos novos ideais.

Os polícias vão p?rá prisão.
Os ladrões passeiam na rua.
É enorme a confusão.
A democracia vai nua.

A Deus, o povo suplica,
numa sentida prece.
Porque o governo multiplica
a taxa do I.R.S..

Engorda a entidade patronal,
enquanto o ?Zé? continua mal.
Alimenta-se a central sindical,
com mais uma greve geral.

Abril deu-nos a democracia.
Agora querem a regionalização.
É ver quem mais se avia,
a ocupar os tachos desta Nação.

Juntinhos para todo o sempre,
andam os ?boys? desta Nação.
Assim haja ?job?s? p?ra toda a gente,
pois não lhes falta bajulação.

Assim são os ?boys? da Nação,

a pedir ?job?s? para todos.
Pouco lhes importa a corrupção,
assim corra a ?massa? a rodos.

Vai nú, o rei Cavaco,
neste País sem roque.
Mal se ganha p?ró tabaco
e da caixa não sai toque.

È geral a confusão,
graças à democracia.
É tanta a corrupção,
nesta Cleptocracia.

Eduardo Roseira
        23-11-11

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/11/rimas-sacanicas.html

AS MINHAS PÁTRIAS... - 23Out2011 21:48:00

nasci em portugal mas são seis as minhas pátrias:

I
bonfim, do porto coração, pátria da minha infância e do meu ser;
II
beira, moçambique, áfrica, pátria do meu amanhecer para a vida e da minha construção humana;
III
mirandela, pátria do meu renascer?;
IV
vila nova de milfontes, pátria do ressurgir de nova aurora;
V
florença, pátria dos meus sonhos de poeta;
VI
rio douro, pátria de todas as minhas pátrias, lugar/escolha do meu repouso final.

eduardo roseira

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/as-minhas-patrias.html

AO RIO QUE NÃO CONSIGO VER - 15Out2011 13:51:00

                                                             
Desce o nevoeiro sobre o rio,
qual olhar toldado pelo pranto,
queda-se em minh'alma este vazio
da azul ausência do teu manto.

Vanda Sôlho, (Setúbal)
In: "Poemas para ti"
Chiado Editora, 2011

Fotografia de: eduardo roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/ao-rio-que-nao-consigo-ver.html

ORÇAMENTO DE ESTADO - 14Out2011 16:15:00

...é tão grande o apertar
que o estômago já não sinto
resta-me no pescoço colocar
este meu velho e negro cinto.


eduardo roseira


Fotografia de: José Mário Roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/orcamento-de-estado.html

FUSÃO DE LOUCURAS - 10Out2011 18:05:00

afogo-me
na doçura
do teu beijo      sedução

enforco-me
na força suave
do teu abraço      emoção

encontro-me
no brilho s. o. s.
dos teus olhos      perdição

enlouqueço
em doces tonturas
de anseio
duma fusão
das nossas loucuras...

eduardo roseira

Imagem: sapo.pt

Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/fusao-de-loucuras.html

PERDIDO... - 05Out2011 15:21:00

do alimento    pão
só um naco

como aconchego
o relento    frio

como vestes    agasalho
apenas um trapo

nas mãos    bagagem
um saco cheio de    vazio

voga sem leste
nem norte
qual navio sem rumo

a esperança
em si já não mora

perdido...
sem sol, nem aprumo
a caminho da má sorte
a fé ignora
por falta de pão
e ausência de nova aurora.

eduardo roseira

Imagem: Foto de eduardo roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/perdido.html

PASSAGEM DE (des)NÍVEL - 03Out2011 19:41:00

vai no carro
último modelo
elegante
porte fino
bem vestida
apresentável
parecia a caminho
de um desfile de moda.
...de repente
ao telemóvel desatenta,
bate no da frente
e foge-lhe a boca
p'ró vernáculo
tão em voga.
dizendo-se com pressa
...talvez...
por ter que ir fazer
uma passagem de...
des...nível!

eduardo roseira
Nota: um retrato da vida real
Imagem: "Street Art", foto de eduardo roseira


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/passagem-de-desnivel.html

ANSEIO - 02Out2011 18:07:00

...de madrugada
em madrugada
anseio nova canção
que anuncie
outra alvorada
de libertação...

eduardo roseira

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/anseio.html

As janelas da casa - 01Out2011 20:33:00



À Maria de Lourdes dos Anjos


a tua poesia 
é uma casa com janelas
abertas noite e dia.

uma janela para a amizade
outra para a alegria
mais uma para a solidariedade.
por outra espreitam os sonhos dos meninos
outra é a do amor
há também uma especial
para os sorrisos dos velhinhos
tem a janela da esperança
e a da liberdade.

a tua casa/poesia
tem uma grande varanda
cuja vista todos encanta
ela mostra o teu tesouro
- o nosso porto
que nos contas em poéticas palavras/imagem
com a tua voz d?ouro.

eduardo roseira
Porto
1 de outubro de 2011
                                                            





NOTA: Desenho de eduardo roseira, feito em ?paint?


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/10/v-behaviorurldefaultvmlo.html

NUNCA... - 26Set2011 22:04:00



nunca fui "...ista"
nem tão pouco
me guiei por "...ismos"
sou ave que sempre reneguei
a envenenada "alpista"

das "modas" me alhe-ei
nunca quis o "in"
e muito menos o "dependente"
construí a liberdade
dentro de mim
de modo livre,
solidário
e independente...
aceitando todos os pensares,
epítetos e custos,
por me querer solitário - eu!

...sempre a sorrir
dos "cegos" - injustos
dos quais nunca aceitei
o que me prometiam...

...e já era meu!


eduardo roseira

Imagem: sapo.pt

Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/09/nunca.html

EU SOU O BOND, O EUROBOND - 14Set2011 17:45:00


- Truz?truz.. ? ? Abre a porta, não tenhas medo! Eu venho para ajudar os que precisam como tu, em nome da solidariedade europeia!...Confia em mim!?

Eu, país, acreditando nos comuns e solidários, abri a porta e aceitei a ajuda, porque queria dar aos meus o futuro de prosperidade e crescimento. Dar-lhes o progresso e o bem estar que eu nunca tive.
Depois deram-me um bonito cartão de crédito, dos Gold, ao qual sem eu pedir, foram aumentando o plafond, até que um belo (?) dia, mesmo sem fraque e sem bater à porta, ou pedir licença, entraram-me dentro de casa e disseram-me que: ? Acabou, já não damos mais ajuda! Tens que pagar tudo, e rapidinho, senão mandamos chamar o Bond.? (?)

Como eu, país, não tinha o que me pediam, assim de um dia para o outro, disseram-me que não havia problema, pois emprestavam-me mais uns cobres para eu dar de comer aos meus e ir atenuando os juros da divida, adiantando que o faziam na melhor atitude solidária, só com uns jurozitos na ordem dos 95%!!!
Entre a espada e o cofre? vazio, lá aceitei.

Afinal a ajuda não passou de uma esmola dada com uma mão fechada e a outra a fazer figas atrás das costas, por um grupo de agiotas da pior espécie, que em simultâneo com os empréstimos me iam impingindo os carros que fabricam, os velhos autocarros que já não usam, o material de guerra que fabricam, com submarinos incluídos e tudo o mais?e também por via disso, foi um acumular de juro sobre juro para eu pagar e os solidários a amealhar lucros, muitos lucros para novas solidariedades.

Como se não me bastasse, ameaçaram-me de novo com o Bond!? ? dizendo-me que não era nenhum agente secreto, era o Eurobond, que vinha aí e nacionalizava-me a divida e mesmo até o país.

Razão tinha o meu avô ao avisar: ?- Tem cuidado rapaz, se te oferecerem um presunto, é porque te vão exigir um porco!? ? realmente ao lembrar-me deste ditado, perante a calamitosa situação a que levaram o país, temo que mais dia, menos dia, me nacionalizem e apareçam de novo á porta com uma qualquer bandeira na mão dizendo:
? ? Eu sou o Bond, o Eurobond!...?

Eduardo Roseira

Imagem: sapo.pt


Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2011/09/eu-sou-o-bond-o-eurobond.html

Eduardo Roseira
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