Ecos do meu patio
TODOS PELA LIBERDADE - 09Fev2010 09:55:00
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/todos-pela-liberdade.html
MOÇAMBIQUE - 08Fev2010 11:44:00
traz futuro no olhar.
no peito guarda a esperança.
seus sonhos são imenso mar,
numa alma de criança.
de figura escultural
e bela.
com uma cintura delgada,
porte senhoril
e altaneiro.
corpo bem torneado
e de elegância divinal.
plena d?encantos,
rica e amável.
simples e de riso prazenteiro
na sua face rosácea.
forte como o embondeiro.
seu perfume,
mescla de caju e acácia.
sempre ?chunguila?(1) de chique!
de seu nome :
- moçambique
(1) ? Bonita; linda
eduardo roseira
In: osorrisodedeus.blogspot.com
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/mocambique.html
AO ABOMIN(hábil...) - 07Fev2010 11:16:00
abomino
estes pedantes
senhores,
que tal como o cão
usa a trela,
passeiam a sua gravata,
sempre de ar risonho.
enquanto nós,
que caímos na esparrela
de ouvirmos a ?cantata?
ao voto que não
conhece dono.
abomino
estas novas
reumáticas elites
do marketing da potassa.
que abusam no
discursar,
para a opinião
calar
com uma tele-mordaça.
abomino
estes hábeis
senhores,
que em ?demo??cráticas
orgias,
de forma astuta,
tornaram a liberdade
numa grotesca
e reles prostituta.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/ao-abomnhabil.html
"HOMO AGACHADINHUS" - 06Fev2010 15:53:00
este é o drama
da influência
mais os favores
que montam o trama
da nossa falência
e do adeus aos valores.
tudo em nome do santo cifrão,
a par de muita usura,
levam-nos o dinheiro,
numa imensa corrupção,
que aliada à vil censura
nos leva p'ró atoleiro.
reina assim a confusão
a par da teimosia.
roubam-nos o pão
nesta cleptocracia.
Portugal dos pequenos seres mansos
e eternamente servis.
os "zés", povo, viraram tansos,
porque perderam a cerviz.
país travestido em lodaçal,
onde os pulhíticos só dão pus.
tornando o nosso Portugal
no país do "Homo agachadinhus"!!!
eduardo roseira
(imagem: "Subservient", de Sue Wickham/sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/homo-agachadinhus.html
TIRO AO CALENDÁRIO - 05Fev2010 10:50:00
início do mês
pagar contas
com dinheiro
que não vês?
meio do mês
e eu teso
sem cheta
mais uma vez?
final do mês
pouco dinheiro
outra e?
mais uma vez?
é assim mês após mês
em verdadeiro suplício
invento o meu salário
sempre e mais uma vez
num constante exercício
de tiro ao calendário?
eduardo roseira
(Imagens: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/tiro-ao-calendario.html
ECO...ECo...Eco...eco... - 04Fev2010 11:34:00
...esta voz
que do meu pensar
é foz!
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/ecoecoecoeco.html
CALHANDRICES - Agradecimento ao Ministro Jorge Lacão - 03Fev2010 10:57:00
Estava eu a pensar cá com os meus botões, sobre o que é que este governo, já com cem dias, nos tinha oferecido que fosse digno de ser tido como coisa boa.
Pensei?pensei e já quase a desistir, por falta de encontrar algo de bom, quando de repente ouvi o Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares, referindo-se à crónica de Opinião do Mário Crespo, como sendo uma ?calhandrice?.
E eu já a afiar a ?pena? para desancar no governo por em cem dias não ter tido nada de bom, quando graças ao Senhor Ministro, eu, e pela certa muitos milhares de portugueses, desatamos a correr para as estantes a pegar nos dicionários para procurar o significado de tal palavra.
Esta é uma das coisas mais significativas oferecida por este governo a todos os portugueses, pois aprendemos mais um termo, que vai de certeza, entrar no léxico de muitos discursos na Assembleia da República e irá também ser ?esmiuçado? pelos ?Gatos Fedorentos? e logo passar a ser usado, por tudo e por nada pelo Zé Povinho.
Obrigado, querido Ministro! Fui ao dicionário por causa de uma só palavra que Vossa Excelência disse, sendo você o primeiro político que com uma única palavra mexeu comigo. Mais uma vez obrigado!
Mas já agora quero partilhar com todos vós a descoberta que fiz acerca da palavra ?calhandrice?. A mesma vem de ?calhandra?, o mesmo que ?calandra?, e o seu significado, no entendimento do Ministro Jorge Lacão, é segundo o ?tira-teimas?, a seguinte: Calhandra ou Calandra ? Espécie de grande Cotovia de bico forte e voo rasteiro.
É bom de ver, onde é que o senhor Jorge Lacão pretendia chegar, só que quando falou de ?calhandrice?, não olhou para si e para os seus pares de governação, pois juntamente com o Primeiro Ministro José Socrates, são parte integrante da ?calhandrice?, que tem sido levada a cabo por uma bem montada máquina, designada de: CALANDRA, que segundo os dicionários é, nem mais nem menos do que uma:
- Máquina própria para ALISAR, lustrar ou acetinar PAPEL e tecido.
Pelo que concluí, graças ao Senhor Ministro, que calhandeiros é o que mais abunda neste Governo, muito especialmente nas diversas atitudes que tem tomado para ALISAR o PAPEL que tem tido alguns jornalistas e meios de comunicação social.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/calhandrices-agradecimento-ao-ministro.html
CROATAS E GRAVATAS - 02Fev2010 11:47:00
Já todos estamos, pela negativa e pela positiva, mais ao menos informados através da Comunicação Social, dos conflitos e de alguns ecos de notícias menos tristes que nos chegam da e sobre a Croácia.
Contudo devem ser poucos os que são sabedores que foi a partir da deturpação da palavra ?croata?, que resultou a palavra ?gravata?.
- No século XVII muitos croatas ?alugaram-se? à França como soldados mercenários. Os parisienses, não só homens como também mulheres, acharam de tão bom gosto o lenço que aqueles soldados traziam amarrado ao pescoço, que começaram também a usá-los ? de linho; renda; crochet e musselina ? variando-lhes o formato.
O novo acessório recebeu, em francês o nome de cravate. A palavra assumiu em inglês a forma cravat (cuja variante é neck-tie, nó de pescoço), em espanhol corbata, em italiano cravatta e em português gravata.
Voltando à Comunicação Social, pena é que de tempos a tempos, tenha que nos dar notícias sobre a Croácia, que em vez de nos contar histórias como esta, que ?usa gravata?, nos dê ecos que ?vestem? camuflado e morte?
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/croatas-e-gravatas.html
ENTRE A CENSURA E A MANIPULAÇÃO - 01Fev2010 20:02:00
O ?Jornal de Notícias? de hoje (1 de Fevereiro de 2010) deveria trazer numa das suas páginas a habitual crónica de opinião do Jornalista da SIC, Mário Crespo, contudo a mesma não foi publicada pois segundo a ?Nota da Direcção? do referido jornal?:??Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante. ??
No final desta minha crónica de opinião transcrevo com a devida vénia, a crónica de Opinião do Mário Crespo, que entretanto se demitiu, para que os leitores do ?Ecos do meu Pátio? possam fazer o seu juízo.
Eu da minha parte, já andava para deixar de comprar o ?JN?, mas com esta atitude censória, e enquanto não houver mudanças no referido jornal, NUNCA mais o comprarei.
Relativamente à Nota da Direcção do ?JN?, entendo a mesma como uma boa desculpa, para de certo modo ninguém poder acusar a mesma de acto de CENSURA.
Só que a meu ver, se não existiu CENSURA, houve uma coisa bem pior, que se chama de MANIPULAÇÃO. É caso para dizer, venha o diabo e escolha.
Termino, repetindo o que referi anteriormente, ?a partir de hoje deixo de comprar o ?Jornal de Notícias?!
E permito-me finalizar com uma frase proferida num Colóquio sobre a Censura de antes do 25/4/74, que teve lugar no Porto, no Museu da Imprensa, no dia 9 de Novembro de 1998, (já lá vão quase doze anos), da autoria de um Jornalista de referência daquele periódico, referindo-se à actualidade das atitudes de alguns jornalistas e direcções, no pós 25/4/74, e que pelos vistos continuam actuais e refinadas, disse ele:
?Pior que a censura, só a manipulação?, José Saraiva.
eduardo roseira
-------------------------------------------------------------------------
De seguida a crónica que foi censurada pelo JN:
?O Fim da Linha?, por Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (?um louco?) a necessitar de (?ir para o manicómio?). Fui descrito como ?um profissional impreparado?. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como ?um problema? que teria que ter ?solução?. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): ?(?) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (?)?. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser ?um problema? que exige ?solução?. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos ?problemas? nos media como tinha em 2009.
O ?problema? Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi ?solucionado?.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser ?um problema?.
Foi-se o ?problema? que era o Director do Público.
Agora, que o ?problema? Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais ?um problema que tem que ser solucionado?. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. "
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) no ?Jornal de Notícias?.
NOTÍCIA DA PÁGINA DA INTERNET DO SEMANÁRIO ?SOL?:
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/entre-censura-e-manipulacao.html
NO RITMO DAS PALAVRAS - 01Fev2010 11:53:00
Aos
dizedores, declamadores
e outros animadores da palavra.
entrar no ritmo das palavras
e sequiosamente
absorvê-las.
ouvir atentamente
o cantar
sílaba a sílaba
dos versos que dizes.
entrar no ritmo das palavras
quando em tom ternura
falas amor
e em voz tremura
dizes horror.
perceber em tudo,
até no silêncio
das tuas deixas
a mensagem
que da tua voz
emana.
e permanecer
no ritmo das palavras?
eduardo roseira
(imagem:sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/02/aos-dizedores-declamadores-e-outros.html
O PAPEL SORRI - 31Jan2010 14:42:00
silenciosamente,
de forma quase inaudível
o lápis sussurra palavras ao papel.
e o papel sorri.
letra após letra,
o lápis acaricia
a alva folha
que de felicidade sorri.
do lápis
as ideias brotam
sobre o papel
e ambos fazem nascer
a poesia.
lápis e papel
trocam afagos com letras.
dão abraços com palavras.
são sentimentos
através das ideias
e em conjunto constroem o poema
até à palavra fim.
(?o lápis cansado
deita-se em merecido descanso?
?enquanto de alma preenchida
o papel sorri.)
eduardo roseira
In: ?o sorriso de deus?
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/o-papel-sorri.html
RETRATO DE UM VENDEDOR DE ÁGUA (d)ESTILADA - 30Jan2010 22:38:00
Tem ideias
coladas com cuspe
num cérebro feito
de papel mata-borrão.
De projectos incapaz,
funciona a sabão-macaco,
lixívia e água ráz.
Seus sonhos
são com grude
e palha de aço.
É perito em passeatas
e carrascão.
Constante figura de palhaço
no seu papel de morcão.
Dos sovacos
a cheirar a criolina,
sai-lhe a inspiração poética.
No ?estar? nunca atina
pois é isento de toda a ética.
Mestre em cagadas sem consciência,
ele é um verdadeiro às no?
que respeita à inteligência
António Lima
(imagem: sapo.pt)
Porto
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/retrato-de-um-vendedor-de-agua.html
CONTAS À MODA DO pORTO... - 29Jan2010 11:08:00
? já sei, está neste momento a pensar que eu me enganei e provoquei uma gralha no título colocando no mesmo um ?p? minúsculo, quando todas as outras letras são todas maiúsculas, mas engana-se, pois não é gralha ou engano no processamento de texto que acontece na maior parte das vezes, por causa da rapidez com que teclamos o mesmo.
Fique sabendo que é mesmo assim, que resolvi escrever, ou seja, a palavra PORTO com ?p? minúsculo, isto porque ao contrário daquilo que muita gente pensa é errado dizer-se: ?Contas à moda do Porto?, referindo-se à ?Mui Nobre e sempre Leal cidade Invicta?.
Na verdade, este termo era aplicado há muitos anos, quando um navio ao fim de largos meses no mar, atracava a um porto e assim que era colocada a prancha para o cais, logo começavam a descer por ela os impacientes marinheiros, que na sua sofreguidão se dirigiam para o mundo proibido, durante meses e meses no mar, a caminho das tabernas onde encontravam o delírio de mulheres sonhadas noite após noite de vigília nocturna; das rixas sem motivo e das apetecidas bebidas, ingeridas em um ou dois rápidos tragos, tudo isto com um sabor de exotismo e diferença das paragens por onde o seu barco aportava ao longo da viagem.
Depois, nos ruidosos e escuros bares e tabernas, os recem desembarcados, mastigavam uma refeição saborosa, pelo menos, porque isenta do baloiçar do navio, e emborcavam copo atrás de copo de cerveja ou vinho, o que aliás pouco importava, desde que de álcool se tratasse.
Entretanto, era chegada a altura do pagamento, e cada um deles atirava um ?amarrotado? de notas ou um punhado de moedas, para o meio da mesa ou cimo do balcão, em quantias certas relativas à despesa de cada um. Sem que de qualquer deles, houvesse um gesto que fosse de gentilmente se oferecer a suportar o consumo de um dos amigos ou companheiros de bordo.
É que contas são contas e entre os marinheiros existia uma lei tácita, a que todos obedeciam sem quaisquer contemplações, que era:
- Contas à moda do porto!!!
E tal como referi no início desta crónica, quando escrevi a palavra porto com ?p? minúsculo, estava correcto, só que há pessoas que ignorando esta tradição entre os marítimos, penso que de todo o mundo, digam que é um hábito austero que é originário da cidade do Porto e escrevam, digam e logo pensem com um ?P? maiúsculo porto, que o é, mas sim um dos muitos que existem por esses mares que são cruzados por um sem número de navios.
A finalizar, e para que se desfaça o engano aqui fica o registo, para que se saiba também que no mundo, há pouca gente com franqueza e generosidade igual à dos tripeiros?(1)
(1) - Designação que se dá aos naturais da cidade do Porto.
eduardo roseira
(baseado no texto ?Contas à Moda do Porto?,
de António Manuel Couto Viana)
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/contas-moda-do-porto.html
ESTA NOITE - 28Jan2010 10:25:00
fomos abraço em abraço.
ternura na ternura.
beijo no beijo.
esta noite
fomos embaraço sem embaraço.
tremura na tremura.
desejo no desejo.
esta noite
fomos anseio do anseio.
carícia em carícia.
olhar no olhar.
esta noite
fomos receio no receio.
malícia sem malícia.
amor no amar.
esta noite
fomos língua na língua.
regaço no regaço.
calma no calor.
esta noite
fomos trégua à míngua.
esforço sem esforço
e corpos em ardor.
esta noite
dos sós que éramos
e já não somos.
fizemos um só.
esta noite
que guardarei em mim
por toda a vida,
fui sabor do teu sabor.
sabor
que trarei sempre em mim,
como lembrança querida.
do teu, do meu, do nosso amor!
(?e?esta noite?
ainda não foi a nossa noite!!!)
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/esta-noite.html
UM POEMA AOS MEUS AMIGOS - sms de Vitor Carvalhais e resposta de eduardo roseira - 27Jan2010 10:55:00
solitário e estendido sobre o leito
acolho a luz branca que entra da janela
e escuto o canto das aves lá fora
dentro de mim
a música é só silêncio
que canta, no meu coração
a alegria da vida.
Vítor Carvalhais, em sms enviado em 27 de Junho de 2007, às 21h29
RESPOSTA DE eduardo roseira, via sms escrito na Beira Rio de Gaia, às 21h45 do mesmo dia:
Ao
Vitor Carvalhais.
de súbito
solitáriamente
rompendo o silêncio
do cair da noite
sobre este
rio águas ouro
por entre luminosas
e alvas estrelas
o poema surgiu
intrometido
no cantar das gaivotas
que poéticamente
mudas
voam ao encontro
de um hino à alegria
e à vida.
eduardo roseira
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/um-poema-aos-meus-amigos-sms-de-vitor.html
NAS MARGENS DA NOITE - 26Jan2010 10:22:00
acorda a noite
a cidade adormece
o rio aquietasse
nas suas margens
os barcos abraçam-se
ao cais
na estreiteza da viela
o brilhar frio
da lâmina
duma manhosa naifa
aguarda o próximo
tardio
nas ruínas da casa
soltam-se perfumes
que endoidecem
um casal
envolto em fumos
herbáceos
na tasca
contabilizam-se calotes
entre a garrafa e a viola
que em desafinada desgarrada
são eco dum fado
solitário que esmola
nalguns lares tremelicam
luzes que alumiam
o caldo e o pão pouco
o amor?
ficou nas amarguras
da velha porta
nas margens da noite
o pouco e o vazio
já não estranham
nem de nada importam?
talvez seja por isso,
que à noite?nem...
...as gaivotas cantam!!!!
eduardo roseira
(Imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/nas-margens-da-noite.html
BEIRA (Moçambique) - 25Jan2010 10:37:00
recordo com saudade
o teu corpo rectilíneoà beira-mar estendido.
recordo o odor
do teu corpo
acácia em flor.
recordo como tu
com os teus braços
afagavas como se fosse um menino?
o macúti?matacuane?
ponta gêa?o maquinino?(1)
eduardo roseira
in: "a colheita íntima"
(1) Bairros da cidade da Beira (Moçambique)
(imagem: sapo.pt - Piscina do Grande Hotel)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/beira-mocambique.html
VIDA DE CÃO - 24Jan2010 17:32:00
vida de cão!
ai não?
ai é tão bom!
barriguinha p?ró ar
p?rá dona,
a ?pulguinha?
coçar!
vida de cão!
ai não?
é do melhor!
sempre com água
e papinha no comedor.
vida de cão!
ai não?
é tão bom!
e na horinha d?ir
à rua chichi verter,
na relva onde
tu te deitas,
poder cagar.
vida de cão!
ai não?
é o qu?está a dar!
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/vida-de-cao.html
EU VOTO ALEGRE - 23Jan2010 12:53:00
Entendam o título como muito bem quiserem, mas eu não me canso de repetir:
- EU VOTO ALEGRE!
Sim! ?ainda me lembro da fenomenal, mas alegre seca que tivemos nas intermináveis filas para aguardar a nossa vez de votar. Foi no dia 25 de Abril de 1975, a primeira de muitas vezes (e eu nunca falhei nenhum acto eleitoral) que votei ALEGRE.
E especialmente nas Eleições dessa Sexta-Feira, Feriado Nacional, evocativo de um dos dias mais significativos para os portugueses que se dizem livres, isto porque, para os mais esquecidos, especialmente aos que se apresentam pela direita, ou os mais novos, aos quais as diversas reformas no Ensino, não souberam ou não quiseram contar o 25 DE ABRIL, é preciso recordar que a Revolução dos Cravos, foi feita a pensar na Liberdade e na Igualdade para todo o povo.
O que é certo, é que tal como eu, tem sido imensos os que de Eleição em Eleição, tem depositado nas urnas um voto ALEGRE, porque consciente, isto pelo menos na altura de o fazermos, que depois?bem, depois tem sido o mau que a gente sabe, mas apesar disso nunca me arrependi de ter praticado o acto de votar ALEGRE e livremente em quem muito bem entendi.
Nesta coisa de votos, entendo que não temos que nos arrepender de ter votado, mas sim de castigar numa próxima altura quem nos faltou à palavra, e em próximo Acto Eleitoral, mais uma vez de forma consciente, ir civicamente às urnas e votar ALEGRE.
Se os que me estão a ler pensam que estou a fazer uma apologia encapotada ao voto em Manuel Alegre, enganam-se, apesar de vos garantir que nas próximas Eleições Presidenciais eu irei votar ALEGRE e mais uma vez, de forma consciente.
De qualquer das formas confesso que nas últimas Presidenciais votei ALEGRE em Manuel Alegre, não me arrependi e estou pronto para repetir a dose.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/eu-voto-alegre.html
VESTÍGIOS DA MADRUGADA - 22Jan2010 11:50:00
nasce um novo dia.
o velho sol mostra
de novo os raios.
aos poucos a sua luz
vai revelando
o que da noite resta.
numa outrora parede alva
nasceu um multicolor
e disforme grafite
que reclama
ingenuamente,
paz amor.
de cá para lá,
uma puta de mini-saia,
passeia a celulite.
o tempo ronda as seis
e ainda continua no engate,
a ver se esfola mais um pastor.
nos passeios
junto a montras ricas,
vêem-se vómitos/álcool
espalhados pelo chão.
aqui e mais além,
pequenos montículos
de merda de cão,
garrafas partidas,
latas calcadas,
pedaços de papel e cartão,
seringas,
restos de pratas e limão.
um sem abrigo
engana o sono num can
t
o.
um ébrio de gatas,
em hálito/fel
lança um enorme
arroto de desencanto.
mais além,
cabisbaixo,
um tipo com cara
de foda mal dada,
regressa a casa
ao encontro da sua
querida mulher,
como se não fosse nada...
aos poucos,
a cidade nasce
para mais um dia
de vida apressada.
das estações.
das paragens.
das posturas.
surgem pessoas...
pessoas...
muitas pessoas!...
que passam sem dar conta
dos vestígios da madrugada.
eduardo roseira
(imagens: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/vestigios-da-madrugada.html
PALAVRAS VIVAS - stand-up Poetry - um blog a visitar - 21Jan2010 10:35:00
JÁ ESTÁ PRONTO A SER VISITADO O BLOG DO(s) ESPECTÁCULOS(s)
PALAVRAS VIVAS - Stand-up Poetry, do animador da palavra, eduardo roseira.
NELE PODEM VER TODA UMA SÉRIE DE IMAGENS DOS ESPECTÁCULOS, AS DESCRIÇÕES DOS MESMOS, A PAR DE ALGUNS TESTEMUNHOS.
(fotos de: Júlia Meireles)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/palavras-vivas-stand-up-poetry-um-blog.html
...CERTAS NOITES... - 21Jan2010 10:16:00
?certas noites?
?certas noites
dormindo
recordo
e acordo.
?certas noites?
?certas noites
sonho o medo
que não tive.
?certas noites?
?certas noites
sofro silêncios
de tempos que não quis
e conservo.
?certas noites?
?certas noites
despertam em mim
memórias sofridas
de adormecidas guerras.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/certas-noites.html
PRISÃO SOCIAL - 20Jan2010 11:10:00
filhos de preconceitos
e de regras sociais
que nos castram.
assim (sobre)vivemos
(in)satisfeitos
envolvidos em ancestrais
pensamentos que nos matam
os ideais?..
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/prisao-social.html
RECADO... - 19Jan2010 12:11:00
......
... e se um qualquer dia
entenderem que é entulho,
toda a minha poesia.
dela façam papel de embrulho.

(imagem: sapo.pt
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/recado.html
ARY DOS SANTOS - 26 anos de saudade... - 18Jan2010 15:27:00
POEMA POVO...
?Ser poeta é escolher as palavras que o povo merece!?
J. C. Ary dos Santos
ser palavra
na pena
do poeta
ser escolha
do poema
sempre novo
ser voz
que nunca
emudece
dar ao povo
as palavras
que merece.
eduardo roseira
(imagem: sapo.pt)
Fonte: http://ecosdomeupatio.blogspot.com/2010/01/ary-dos-santos-26-anos-de-saudade.html























