Chave da poesia

- 24Dez2012 19:44:00

Depois de longa inatividade, uma surpresa:
o blog alterado, sem opção de escolha, e a
certeza de que a cada dia somos menos livres
para querer e escolher, fazer e desfazer...
Coisas dos "sistemas". Regras do jogo.
Resta refletir e optar por aquilo que nos pareça
menos invasivo, castrador ou inconveniente.
Agora, mais que se justifica o "Christmas Blessings"!
E que nasça DE NÓS este Natal, e não das máquinas!
Sylvia Cohin
24.12.2012  


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2012/12/depois-de-longa-inatividade-uma.html

- 21Fev2012 17:46:00


« Desconfianças »

(Para Vera Mussi)


Desconfio
Que vivemos fases semelhantes por vertentes distintas, mas não ousamos confessar porque admitir machuca.

Desconfio
Que poucos, muito poucos, entenderiam o contorcer de um coração a gritar, no âmago, sem, contudo, conseguir extravasar.

Desconfio
Que ficamos paralisados, enquanto os pés querem fugir. Que ficamos mudos, porque não sabemos dizer, e, ainda que conseguíssemos, de nada valeria porque seria NADA para o mundo, e guardado no peito, é TUDO.

Desconfio
Que estamos em xeque-mate, sem tabuleiro. Em confronto, sem guerra. Entre o silêncio das certezas e o alarido das dúvidas.

Campeando raios de Lucidez, deixamo-nos levar sem emoção, sem apegos, rumo a outra dimensão, bravamente serenos, singrando o horizonte das Revelações.

Desconfio
Que já não há poesias porque somos a Poesia feita história, rastro de trajetória, e com a coerência de quem não sabe, mas pressente, desconfio que paramos numa encruzilhada, a escolher um rumo:
Passado? Futuro? Presente?

Desconfio
Apenas desconfio dessa vida, sempre um desafio, desse cansaço estéril, e ainda que essa longa estrada acene Auroras que não se cansam de apagar as noites, cumprimos mansamente cada etapa da viagem que nos cabe...

Em 12 de fevereiro de 2012.
SYLVIA COHIN





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2012/02/desconfiancas-para-vera-mussi-desconfio.html

- 10Jan2012 02:32:00


« Trocando em Miúdos »

Sylvia Cohin

Um olho que olha, o outro que vê.
No mato cerrado, a fera desliza.
Com ajuda do olfato, a presa à mercê
do faro apurado e o sopro da brisa.

O instinto felino ataca certeiro.
Duelo de instante, a presa se faz
oferta que jaz no altar traiçoeiro,
macabro festim da morte voraz...

Resta o silêncio com cheiro de medo,
e a vida alimenta a Vida na Terra.
Um guincho no ar completa o enredo,
no instante seguinte o drama se encerra.

No mato é assim, quem pega, consome,
licença não pede e não há tribuna.
Na mata se mata pra matar a fome.
Pecado não há... e não há quem puna.

Lá não há reza, nem pobre, nem rei,
porém dos Limites, todos dependem.
Da Língua que falam, juro, nem sei,
só sei que ela é Lei e todos se entendem!

E num ritual que é quase solene,
quem urra, faz hurras, quem silva, sibila!
Sem chip, HD, memória é o gene
do reles bacilo, ao maior gorila.

A Raça que sobra, (nem Fauna, nem Flora),
e reza contrita uma Ave Maria,
faz glosa, faz rima pra Nossa Senhora,
mas vive pra Guerra de noite e de dia.
Da Paz faz pretexto e a alma penhora...
Que a lei desta 'Selva'... é só Utopia.

SYLVIA COHIN
Porto-Pt, 20.08.2008




Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2012/01/trocando-em-miudos-sylvia-cohin-um-olho.html

- 18Dez2011 19:18:00

« ENTRE LAÇOS »
Sylvia Cohin

Quando o elo de um abraço
rodeia o corpo da gente,
faz-se um nó que tece o laço
da ternura que se sente...

Abraço é um gesto que enleia,
faz do abstrato, concreto;
agita o sangue na veia,
sinal que revela afeto.

Que não falte em nossa vida
esse rito (que anda escasso),
que o bem-querer consolida
e abranda tanto o cansaço!

Entre presentes e laços
- sofreguidão natalina ?
que o calor de mil abraços
seja a única rotina...

E entregues ao Entrelaço
duma amplitude global,
descansemos no regaço
dessa Noite de Natal.

SYLVIA COHIN
Brasil, Natal de 2011



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2011/12/entre-lacos-sylvia-cohin-quando-o-elo.html

- 17Nov2010 01:54:00


« A Dimensão do Tempo »


Fernando Peixoto


Porque não pára o tempo

quando estás ao meu lado?

É tão curto o tempo para te ouvir ...

Depois há os teus olhos

em que paro

nesta longa viagem ao interior da tua sedução

e de onde não me apetece partir...

Ah se eu pudesse suster os relógios

ficaríamos assim

de mãos dadas por toda a eternidade

um período demasiado exíguo

para a dimensão enorme do tempo deste amor.


FERNANDO PEIXOTO


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/11/dimensao-do-tempo-fernando-peixoto.html

- 16Nov2010 04:47:00


« Só sou feliz »


Fernando Peixoto

Só sou feliz

quando quero,

quero saber algo mais,

e pergunto e pergunto-me

sempre

e tento estar lúcido

dando conta de tudo

dos outros, do mundo

para me encontrar e me reconhecer

Sou feliz se procuro

se tenho dúvidas

e me inquieto.

FERNANDO PEIXOTO


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/11/so-sou-feliz-fernando-peixoto-so-sou.html

- 16Nov2010 03:40:00


« Meu Mistério »


Sylvia Cohin


Eu sou Centelha fugaz
O Fruto de uma alquimia
Capricho de leva-e-traz
Do Tempo, dia após dia...
Sou Força que me conduz
E desconheço a medida
De toda Treva e da Luz
Que me acompanham na vida...

Não tenho eira nem beira
Eu sou Pó que meus pés pisam
Do Cosmos sou a poeira
E Adubo pros que precisam...

Sou Visão antecipada
Do olho cego do Homem
A cada curva da Estrada,
Repasto que os chacais comem...
Eu sou Símbolo conciso
Do Concreto e do Abstrato
Sou Tormento e Paraíso,
Tudo e Nada, um entreato.

Sou Elo dessa corrente
Que começa e não tem Fim,
Sou Embrião e Semente,
Nasço, morro e vivo em mim.

Eu não sou dona de nada,
Também ninguém me possui
Se de mim sou a morada,
De alguém, serei ou já fui...

Trago o Bem e o Mal comigo
Cavalgo as Dores da Cruz
Se às vezes sou um castigo,
Noutro momento eu sou Luz...

Sou daqui, mas Longe fica
O Segredo que me explica.

Eu vim do Ventre que orbita
Nas entranhas do Lugar
De uma Harmonia infinita
Que nem tem Rei pra reinar...
Eu sou apenas um Ponto
Na vastidão desse Império
E a Grandeza que me aponto,
Não existe, é um Mistério.

SYLVIA COHIN


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/11/meu-misterio-sylvia-cohin-eu-sou.html

- 19Set2010 21:27:00


« Cativa-me »

Sylvia Cohin


Invade meu coração,
derruba essas bastilhas,
deixa-me exposta, assim, nua
e indefesa,
entregue à tua sedução...
Desfaz com o toque mais suave
a resistência de meus músculos
e cobre com teu beijo, na surdina,
a lassidão que aos poucos me domina...

Cativa-me...
Aquieta essa agonia, essa premência,
essa dúvida constante
e segreda ao meu ouvido a essência
de um amor quase divino,
as confissões do menino,
os desejos do amante...

Cativa
meus sentimentos e mansamente,
sob o manto dessa intimidade,
prende-me em teu laço...
Dá-me o calor de um abraço
onde repouse toda minha ansiedade...

Cativa-me...
Afugenta meus temores, dores,
arrebata-me!
Liberta-me de mim, acorda-me!
Quero a embriaguez dos insensatos,
a alforria dos pudores, a ruptura dos liames...

Cativa-me!
E no calor que nos invade, lúbrico,
amemos, sem limite, a consagrar num rito,
cada momento como se fosse único.

SYLVIA COHIN



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/09/cativa-me-sylvia-cohin-invade-meu.html

- 03Ago2010 15:49:00


« O Mercador de Fantasia »
sylvia cohin

O bom Poeta que jamais se cansa,
Até dormindo cria um Canto novo.
Entre os anelos e um passo de dança,
Acena aos deuses e serena o povo.

Essa figura não raro bizarra
Que empunha a lira e canta seu cordel,
Oculta o pejo e solta a voz na marra
Para a platéia tanta vez cruel...

Se escuta apupo, finge que não viu
E faz mesura para o aplauso ameno
Enquanto enxuga a lágrima sutil
E morre um pouco do próprio veneno.

Pobre mambembe tão cheio de brio,
Que boquirroto, conta seus segredos,
Fecunda versos com seu melhor cio,
Chuleia rimas em seus tolos medos.

Mascateando suas libações,
O Mercador caminha e faz pregão;
Em seu varejo, invoca até Camões,
Entre as coxias, guarda o coração!

SYLVIA COHIN
Porto, 24.05.2008



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/08/o-mercador-de-fantasia-sylvia-cohin-o.html

- 05Jun2010 21:39:00


« Um Breve Suspiro »


Sylvia Cohin


Tão sábio o Tempo que não se repete,
guarda consigo o ciclo dos encantos
que de vividos,
fazem-se tantos,
sem que com isso a alma se aquiete.


É que no peito há sempre bem guardado
algum amor que já se fez passado
e de tão forte,
mesmo embaçado,
mantém-se vivo até depois da morte.


Tão sábio o Tempo, não lhe dá ouvido.
Caminha alheio, tão despercebido
que sem aparte,
sem alarido,
é mero palco, onde destarte,


Tudo é apenas um breve suspiro
dum Tempo que ofegante, eu transpiro.
E não importa
se descortino
quanto é fugaz, e sigo quase absorta,
enquanto o Tempo escreve meu destino.

SYLVIA COHIN
Brasil, 05 de junho de 2010

Imagem: Gustavo Fernandes ? Pt



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/06/um-breve-suspiro-sylvia-cohin-tao-sabio.html

- 19Mai2010 17:28:00


« BEIJO VIRTUAL »
Sylvia Cohin


E quando meu silêncio perceberes,
quando meu olhar distante e ausente
não te encantar como antigamente,
ainda assim me sentirás presente.


E quando eu frígida te ignorar,
quando sentires ao tocar-me, o arrepio,
a indiferença do meu corpo frio,
ainda assim, não te faças arredio...


E quando me abraçares carinhoso,
quando eu calada parecer zangada,
teimosa, não te disser nada,
ainda assim, diz que sou tua amada...


Fala baixinho e bem devagar,
as coisas que sempre disseste pra mim,
cola tua boca em minha boca, assim...
Eu te darei um doce beijo carmim
e tu serás o mais feliz mortal.


Nem sentirás
que o beijo que te dou é virtual.
Eu te farei sorrir, feliz, de tanta sorte,
que nunca saberás
de quem te beija, a própria morte.

SYLVIA COHIN

[Arte gráfica: Rivkah Cohen]

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Poeta é exatamente isso,
nada é impossível!
Afinal, está vivenciando,
sentindo, amando e por esse
amor é capaz de enfrentar o mundo,
mudar de partido, apoiar outro País,
afinal, é o que o amado sente e se
está tão dentro desse ser, dessas
células!
Ah, mas de repente ele lhe falta,
é como que lhe tirasse o chão, escondesse o ar,
estirpasse o coração a ponto de
se sentir morta, como escreveste no último verso!

Sim, amiga minha! Quantas vezes
morremos!

Mas Hoje, exatamente hoje, onde
o Sol em trânsito faz conjunção
com teu Sol Natal, começa mais
um Ano para você e que ele lhe
Seja Doce! Muitas Alegrias chegando!
Outras tantas esquecendo e o mais
importante, MUITAS FELICIDADES!

Beijo meu,
Rivkah Cohen



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/05/beijo-virtual-sylvia-cohin-e-quando-meu.html

- 07Mai2010 03:18:00


« AMAR »


[Diálogo Olímpico]


»» CLIO ««
amar desenha n'alma a tatuagem
que não se apaga, inda que esmaeça,
inda que o tempo arranhe na passagem,
permanece, sem que a alma esqueça!


»» EROS ««
amar é sobretudo essa ciência
que não integra nenhum dos manuais
é como equação da existência
ou sonho dividido em radicais


»» CLIO ««
amar é pólen fecundando o ar,
semente fértil que se reproduz
é primavera prenha a voar
gestando Vida num parto de luz


»» EROS ««
é código indecifrável e complexo
biologia de toques animais
é a certeza de que o próprio nexo
vem dos instintos mais irracionais


»» CLIO ««
o amar governa acima dos sentidos
regido por anseios inconfessos...
liberta os desejos omitidos
santificado até por seus excessos!


»» EROS ««
é onírica viagem partilhada
por tangentes que se tocam, tão iguais
que se tornam em curva prolongada
e se fundem em sonhos divinais.

Sylvia Cohin & Fernando Peixoto


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/05/amar-dialogo-olimpico-clio-amar-desenha.html

- 02Mai2010 19:03:00


« À DERIVA... »


Sylvia Cohin


Flanar imune à voz d'alguns conceitos
- algemas e mordaças tão mesquinhas -
que vendem por aí como ?insuspeitos?,
e destapar ?verdades? tão daninhas.


Avanço, e sem temer, trespasso grades,
liberta como quem o Céu devassa.
- Que bem longe esteja do Reino de Hades! -
E resoluta, eu nego o que é fumaça.


Quero no leito manso do Confim,
o coito co'essa Luz que tanto exalto!
E a salvo das ?premissas de festim?,
ouvir a voz serena de outro Arauto.


Buscar essa Verdade, mesmo crua,
que a dormitar me instiga, tão esquiva,
e assim difusa, incita seminua,
caminha por aí... solta... à deriva...


Gestar certezas é tarefa dura,
bosque de erros que me desafia,
portanto, eu flano sempre à procura,
como quem caça... a caça que porfia!

Sylvia Cohin




Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/05/deriva.html

- 20Mar2010 21:51:00


« A Loucura do Poeta »


Fernando Peixoto & Sylvia Cohin



Que a voz do Poeta não se cale
Que os olhos do Poeta não se fechem

Deixe o mundo que o Poeta fale
Com palavras que n?alma remexem



Que os seus versos sejam a sirene
Que alerta toda a gente à sua volta

Que o seu canto seja voz perene
e ao ser humano empreste sua escolta



Que o poema seja o grito inconformado
Dos braços que se erguem na revolta

Que ecoa em retumbante desagrado
E obriga a injustiça à contravolta



Contra os braços curvados e a cerviz
Submissa ao peso da opressão.

Que acorde o direito a ser feliz
Oculto sob o peso da coação.



Que o poema seja sempre vertical
Um relâmpago enorme em noite escura.

O lume da palavra universal
Que rebenta o grilhão de toda agrura.



Que o Poema seja uma canção
E rasgue o medo em mil pedaços

Que seja um alento ao coração
Semente medrando nos regaços



Com versos de amor e de ternura
Espalhados por mil bocas e mil braços

Seja o Poema um Verbo de candura
E um elo de união em doces laços



Que o Poeta seja mais que um ser humano
E se transforme no fogo de Vulcano
E que tanja a lira do seu canto
Com a magia do maior encanto
Elevando a Poesia até ao céu.
Que ele seja da vida o menestrel
E que entregue aos homens o seu Fogo
Na coragem destemida de seu rogo
Assumindo o papel de Prometeu
Ao sabor do caminho que escolheu


Quando o Poeta escreve por Amor
A palavra torna-se a armadura

Que o defende da tragédia e do temor
E faz do verso um bálsamo que cura!



O Homem só vence a própria dor
E destrói o vírus da amargura,

Com a imensa força que é o Amor
mesclado co?a semente da Loucura



É louco, o Poeta? Deixem lá:
Loucura de Poeta é lucidez que não se tolhe!

Que a Poesia seja uma aventura
e que os versos saibam mergulhar
no mar da Verdade e da Loucura!
E o Poema seja a seara onde se colhe
o trigo da Justiça com fartura.

Fernando Peixoto
e Sylvia Cohin
Porto-Pt, 27.01.2005



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/03/loucura-do-poeta-fernando-peixoto.html

- 12Jan2010 18:50:00



« Quando o Silêncio Fala... »
Sylvia Cohin

Quando o silêncio fala, é isso...
Luz a fazer-se pensamento decantado e mudo.
Vasto como a solidão, nasce no imo e deságua em mim, clareza súbita a brotar da imensidão de minha galáxia.

Quando o Silêncio fala, ecoa.
Murmúrio impreciso, pleno de lampejos,
fala comigo no espanto de descobertas, enquanto
reverbera martelando em mim, os seus sinais.

Quando o silêncio devaneia...
É Lucidez a me atirar nos braços da Razão.
É bússola que me aponta o Norte, Mão que me arrasta, Chão que não me deixa despencar.

Quando o silêncio fala...
Aguça minha consciência e me estremece o coração.
Sua presença maciça me invade como onda em
quebra-mar, sua voz a latejar! Inúteis as mordaças.

Quando o silêncio fala... eu calo.
Deixo que me penetre sem opor resistência, e como um rio, abraço a afluência que me inunda, ou me encolho como água de barragem, contida na garganta das comportas...

E no Aceite de minhas incoerências, mansamente,
enquanto sorvo Respostas, escuto enfim!

Sylvia Cohin
Publicado em 12.01.2010


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/01/quando-o-silencio-fala.html

- 09Nov2009 16:50:00


« Homenagem a Fernando Peixoto »

Fernando, julgo que foi contigo e com o Zé Manel, que uma tarde lemos um texto de Victor Hugo, o Zé Manel havia desenhado uma bela capa para um livro que reunia textos do dramaturgo e pensador francês. Encontrei um apontamento de um texto de Hugo, o que se segue é uma paráfrase roubada nocturnamente ao poeta.

?¿A qué misteriosa llamada no ha podido resistir tu aun joven destino?

La noche no dejó que el alba diera a luz el día. El tiempo es corto entre la sonrisa de ayer, y tu mirada ausente.

Tu río, el que sigue cruzando tu calle día a día, no hallará nada de aquello que le prometían tus sueños: la caricia ruda de las rocas, los gestos suaves de las hierbas y las hojas, el galopar por la cumbre descendiendo la montaña, el paso rudo sobre los prados.
-Apenas nacido, el océano ya lo ha tragado.

Los que parten con la aurora nos dejan perdidos con el peso de nuestro cariño inútil. Nos dejan con esa ausencia de amor que nos tritura arrastrando sus cruces y pesares.

Y se nos dice:
«La vida sigue y sigue. Tenemos que seguir también con ella».
Pero sabemos, con la obstinación del que nada entiende al medio del fragor de un futuro aniquilado; ¡ Qué importa el camino que lleva hasta la tarde si hemos de marchar ahora solitarios!?

Roberto Merino M/Setembro de 2009

(tradução)

?A que misteriosa chamada não pôde resistir teu ainda jovem destino?

A noite não deixou que a alvorada desse à luz o dia. O tempo é curto entre o sorriso de ontem, e teu olhar ausente.

Teu rio, o que segue cruzando tua rua dia a dia, não encontrará nada daquilo que lhe prometiam teus sonhos: a carícia rude das rochas, os gestos suaves das ervas e as folhas, o galopar pelo cume descendo a montanha, o passo rude sobre os prados.
Apenas nascido, o oceano já o engoliu.

Os que partem com a aurora, nos deixam perdidos com o peso de nosso carinho inútil. Nos deixam com essa ausência de amor que nos tritura arrastando suas cruzes e pesares.

E nos diz:
«A vida segue e segue. Temos que seguir também com ela».
Mas sabemos, com a obstinação do que nada entende ao meio do fragor dum futuro aniquilado; Que importa o caminho que leva até a tarde se temos que marchar agora solitários!?

Roberto Merino M/Setembro de 2009

ROBERTO MERINO MERCADO (chileno - 1952, naturalizado português em 2000, está em Portugal desde Janeiro de 1975, tendo acompanhado a Revolução de Abril quase toda).
Na ESAP (Escola Superior Artística do Porto),
ocupa o cargo de Director do Curso Superior de Teatro desde 1982.
É professor de Interpretação, Direcção Teatral, encenação, teatro e Educação, e também Dramaturgo, quando lhe permitem as múltiplas atividades.





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/11/homenagem-fernando-peixoto-fernando.html

- 14Out2009 18:35:00

« Trabalho Infantil »

Fernando Peixoto

Tem apenas doze anos o miúdo!
Doze séculos, já, de frustração,
Doze séculos inteiros de absurdo
E poucos, muito poucos de ilusão.

Doze anos num rosto de graúdo
E tantos, já, na luta pelo pão!
Meu menino lindo a quem falta tudo!
Meu menino, meu filho, meu irmão!

Teu corpo frágil move-se na dança
Horripilante dum trabalho duro
C'o a música das máquinas por fundo.

As tuas mãos, pequenas, de criança,
Ganham calos brincando c'o Futuro
Enquanto esperas que melhore o mundo.

FERNANDO PEIXOTO



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/trabalho-infantil-fernando-peixoto-tem.html

- 14Out2009 17:40:00

« SILÊNCIO »
às nossas crianças...
Sylvia Cohin

Faz de conta que o tempo parou
Em sua tela há tantas crianças
São embrião das aventuranças
Soltas ao léu, são tempo que passou
Quimeras que a brisa esfuma
Fragmentos, alegres e tristonhos
Dessa vida gestante de sonhos
De devaneios perdidos na bruma...

Silêncio...
É hora de ajuntar pedaços,
Trazer de novo ao coração vazio
A criancinha que a estender os braços
Espera um colo por anos a fio

Silêncio!
Ouça-se o grito dessas crianças
Deixem-nas VIR A SER
Sob o olhar de tênues Esperanças
Nossas crianças pedem pra Viver!

SYLVIA COHIN





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/silencio-as-nossas-criancas.html

- 03Out2009 14:42:00

« Neste Céu Onde me Embalo »
Sylvia Cohin & Fernando Peixoto

Não imaginas ainda que te conte
o peso da saudade atormentando,
a falta que me faz um horizonte
sorrindo, braços abertos, chamando...

Mas sei que mesmo assim tu me adivinhas
pois és esse horizonte de que falo
que tento inutilmente ver em linhas...
que eu risco neste céu onde me embalo...


Eu sou um horizonte? Sou, talvez...
uma linha que se perde no espaço...
a linha que procuras e só vês
quando ela se esconde em teu regaço.

Eu sou aquela linha indefinida,
tímida, indecisa e recortada
por névoas constantes escondida
e apenas nos teus olhos revelada.

Mas eu quero ser mais que um horizonte:
eu quero ser o ponto de chegada
para tu beberes na minha fonte
a água do amor purificada.


SYLVIA COHIN & FERNANDO PEIXOTO
Portugal





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/neste-ceu-onde-me-embalo-sylvia-cohin.html

- 03Out2009 12:34:00

« O Passar do Tempo »

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin


Passa o tempo por nós e nem pensamos
que viramos a folha ao calendário,
nem mesmo nesse tempo que gastámos
correndo contra o tempo e sem horário.
Passa a vida correndo bem depressa,
tão ligeira que até nem percebemos,
quanta vida se queda na promessa!
Que valioso o tempo que perdemos!
Passa tudo tão depressa, voando...
Nem lembramos, sequer, que está passando!
Vendo o fio do tempo que se esvai,
erguemos no Passado a nossa História
retomando um caminho, que se vai
aliar no Futuro, c'o a Memória.

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin




Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/o-passar-do-tempo-fernando-peixoto.html

- 21Set2009 01:10:00

« Superação II »

Fernando Peixoto - Sylvia Cohin


O rio corre por si mesmo,
e as margens em que querem limitar-nos
são elas mesmas limitadas.
Jamais alguém pode aprisionar-nos...

Caminha o rio, inexorável...
Os escolhos contorna com destreza;
Entre margens, serpenteia confortável
como nós, faz o seu curso com firmeza...

Nós temos horizontes bem mais largos,
nós somos a espiral dessa vontade
que parte de nós e vai por aí fora,
escorre como leito vagabundo
para um mar de sonhos que se estende
pela Terra inteira.

Nós somos o desenho no infinito,
do Ontem, do Amanhã e do Agora
vontade que, tão forte, faz-se grito
e o outro alcança sem demora...
Um oceano sorrateiro que invade
essa aridez da realidade.

Nós somos a indómita vontade
que alguém jamais pode algemar,
nós somos essa liberdade
que ninguém pode aprisionar

Nos somos a coragem obstinada,
a nau do navegante que a remar,
vê um farol no vulto de sua amada
e em sua direção, enfrenta o mar

nós somos olhos bem abertos
que jamais alguém pode fechar,
nós somos neurónios bem despertos
que jamais alguém pode calar,
somos seres humanos, seres concretos
com o inegável direito de sonhar.

somos oásis no deserto,
teimosa esperança a verdejar,
somos o sonho mais concreto
que alguém jamais pôde imaginar,
e a ninguém é dado usar o veto
a esta liberdade basilar.

Nenhuma mágoa é já bastante
p'ra tirar-nos o direito de cantar
porque nós vemos sempre mais distante
do que os outros podem alcançar.

Nem é bastante a tristeza a cercear
os passos que nos levam adiante,
nem há vento que impeça o velejar
da nau desse sonho navegante!

Nosso canto é um grito que se estende,
um apelo, talvez, lançado ao vento...
Mas é superação de quem entende
que a vida é mais do que um momento
e que não se restringe ao sentimento
da mágoa por quem nunca nos entende...

Nosso canto se alastra em movimento,
rumo ao céu que nos acaricia
ora a rir de prazer, ora lamento,
enquanto nós vivemos a magia
de superar o anseio e a utopia,
e «eternizar» enfim, nosso momento...

Nós somos ainda a consciência
lúcida, desperta, irrefreável,
que nos dá, dia-a-dia, a coerência
pra seguirmos um rumo incontornável.

Nós somos, de dois, a pura essência,
o ardor de um querer inexorável
e seiva a sustentar essa existência
no enlace mais íntimo e inviolável!

Nós sabemos o que somos e o que queremos
mesmo quando choramos e sofremos,
mas somos, sobretudo seres humanos
donos de nós mesmos, soberanos!

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin
13.01.2005 - 01.02.2005



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/09/superacao-ii-fernando-peixoto-sylvia.html

- 09Ago2009 05:33:00

« SAUDADE »

Sylvia Cohin

Hoje havia uma saudade
fazendo pouco de mim
Daquelas que o peito invade
numa ousadia sem fim...

Me atiçava e se escondia
entre as bordas da memória
Vendo-me aflita, sorria,
com seu ar de grande glória!

Oh tirana, és impiedosa,
trituras meu coração,
Por quê insistes, tão teimosa,
em tanta perseguição?

Quero ao menos respirar
na ilusão de que partiste
E já não pairas no ar
com meus ais na mão em riste!

Prometo que te conservo
porque sei que ninguém há-de
Escapar de ser teu servo,
pois quem ama, tem saudade!

Na verdade eu te confesso,
não posso viver sem ti...
Porque na saudade eu meço,
todo amor que já vivi...

SYLVIA COHIN


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/08/saudade-sylvia-cohin-hoje-havia-uma.html

- 23Jul2009 21:25:00

« SEGREDANDO »

Fernando Peixoto

Sugo-te, sereia, o doce néctar,
o mel com que sempre me inebrias
e espalho no teu ventre esta saliva
que me escorre do sabor dos teus cabelos.
Teus olhos me iluminam
e fascinam
Teu hálito em meus lábios me segreda
volúpias que entontecem
e tuas mãos arpejam meus sentidos
como um eco de delícias nos ouvidos.
Vem, meu amor, vem de mansinho
passear teus pés na curva do caminho
onde deitado me quedo à tua espera.

FERNANDO PEIXOTO


Portugal, 05.01.2005


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/07/segredando-fernando-peixoto-sugo-te.html

- 23Jul2009 20:00:00

« DIVAGANDO »

Sylvia Cohin

Pelas mãos de Urano ungida
E abençoada por Geia,
Eu sigo o Aceno da Vida
Rumo à minha Odisseia...

Sob o enlevo da emoção
Que me arrepia de espanto,
Dispara meu coração
E embarga a voz o meu canto

Nos olhos reflito a lua
Dividida em hemisférios
Que sorrindo seminua,
Me assombra com seus mistérios

Os alísios que me embalam
Rumo ao Norte a flutuar,
Para o amor, alas me abram
Sobre o galeio do mar!

Na aflição que me domina,
Mal consigo esvoaçar
E entre bacante e menina,
Prossigo, quero avançar!

E assim tecido meu Céu,
O Arco-íris minha estrada
E essa coragem fiel,
Pelo Olimpo bem-fadada

Pra seguir como encantada,
Afinal, ao lado teu...
E o mundo não era nada.
Éramos nós... Tu e Eu!

Se foi sonho ou se vivi,
Na verdade pouco importa;
No arcobaleno eu me vi,
Quando o Amor abriu a porta.

SYLVIA COHIN

Brasil, 12.02.2004


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/07/divagando-sylvia-cohin-pelas-maos-de.html

- 18Mai2009 05:04:00

« UM NOVO DIA »

Fernando Peixoto


Em Portugal são 39 minutos do dia 18 de Maio de 2005. Há largos anos nascia algures, em terras brasileiras, Clio, a musa da História, mas também aquela que deu a volta à sempre apaixonada cabeça de Eros.
Mais tarde, Clio acabou por dedicar-se às Letras, tendo mesmo produzido alguns dos mais belos poemas de amor escritos na língua de Camões. A sua arte poética é tão ornada de efeitos literários e de tão intensas cargas emotivas, que o deus do Amor acabou mergulhando nas águas límpidas e cristalinas dos versos de Clio. Hoje é possível encontrá-los ambos, de mãos dadas nos jardins de Apolo, com os corpos inundados do hidromel da Poesia, cantando em uníssono fascinantes ditirambos ao mesmo tempo que saúdam o reencontro com a Vida !

Como dói este amar-te sem te ver,
Guardar-te, mesmo assim, no coração.
É duro desejar-te sem te ter
Calar no silêncio esta paixão.

Como é duro, Amor, ter de sofrer
Da presença de ti a privação,
Esforçando-me, Amor, por esquecer
As agruras de tanta solidão.

Moído de saudade, eu acalento
O sonho de viver esse momento
Em que há-de terminar a nostalgia.

Sonharemos, então, de olhos abertos,
De mãos dadas, felizes e libertos
Descobrindo o Futuro nesse Dia.

FERNANDO PEIXOTO

Portugal, 18.05.2005

*********************************

NOTA: "EROS"/"DIONÍSIO" (FERNANDO PEIXOTO), e "CLIO" (SYLVIA COHIN),
foram pseudônimos usados pelos autores EM MUITAS PARCERIAS POÉTICAS.



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/05/um-novo-dia-fernando-peixoto-em.html

Eduardo Roseira
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