Chave da poesia

- 20Mar2010 21:51:00


« A Loucura do Poeta »


Fernando Peixoto & Sylvia Cohin



Que a voz do Poeta não se cale
Que os olhos do Poeta não se fechem

Deixe o mundo que o Poeta fale
Com palavras que n?alma remexem



Que os seus versos sejam a sirene
Que alerta toda a gente à sua volta

Que o seu canto seja voz perene
e ao ser humano empreste sua escolta



Que o poema seja o grito inconformado
Dos braços que se erguem na revolta

Que ecoa em retumbante desagrado
E obriga a injustiça à contravolta



Contra os braços curvados e a cerviz
Submissa ao peso da opressão.

Que acorde o direito a ser feliz
Oculto sob o peso da coação.



Que o poema seja sempre vertical
Um relâmpago enorme em noite escura.

O lume da palavra universal
Que rebenta o grilhão de toda agrura.



Que o Poema seja uma canção
E rasgue o medo em mil pedaços

Que seja um alento ao coração
Semente medrando nos regaços



Com versos de amor e de ternura
Espalhados por mil bocas e mil braços

Seja o Poema um Verbo de candura
E um elo de união em doces laços



Que o Poeta seja mais que um ser humano
E se transforme no fogo de Vulcano
E que tanja a lira do seu canto
Com a magia do maior encanto
Elevando a Poesia até ao céu.
Que ele seja da vida o menestrel
E que entregue aos homens o seu Fogo
Na coragem destemida de seu rogo
Assumindo o papel de Prometeu
Ao sabor do caminho que escolheu


Quando o Poeta escreve por Amor
A palavra torna-se a armadura

Que o defende da tragédia e do temor
E faz do verso um bálsamo que cura!



O Homem só vence a própria dor
E destrói o vírus da amargura,

Com a imensa força que é o Amor
mesclado co?a semente da Loucura



É louco, o Poeta? Deixem lá:
Loucura de Poeta é lucidez que não se tolhe!

Que a Poesia seja uma aventura
e que os versos saibam mergulhar
no mar da Verdade e da Loucura!
E o Poema seja a seara onde se colhe
o trigo da Justiça com fartura.

Fernando Peixoto
e Sylvia Cohin
Porto-Pt, 27.01.2005



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/03/loucura-do-poeta-fernando-peixoto.html

- 12Jan2010 18:50:00



« Quando o Silêncio Fala... »
Sylvia Cohin

Quando o silêncio fala, é isso...
Luz a fazer-se pensamento decantado e mudo.
Vasto como a solidão, nasce no imo e deságua em mim, clareza súbita a brotar da imensidão de minha galáxia.

Quando o Silêncio fala, ecoa.
Murmúrio impreciso, pleno de lampejos,
fala comigo no espanto de descobertas, enquanto
reverbera martelando em mim, os seus sinais.

Quando o silêncio devaneia...
É Lucidez a me atirar nos braços da Razão.
É bússola que me aponta o Norte, Mão que me arrasta, Chão que não me deixa despencar.

Quando o silêncio fala...
Aguça minha consciência e me estremece o coração.
Sua presença maciça me invade como onda em
quebra-mar, sua voz a latejar! Inúteis as mordaças.

Quando o silêncio fala... eu calo.
Deixo que me penetre sem opor resistência, e como um rio, abraço a afluência que me inunda, ou me encolho como água de barragem, contida na garganta das comportas...

E no Aceite de minhas incoerências, mansamente,
enquanto sorvo Respostas, escuto enfim!

Sylvia Cohin
Publicado em 12.01.2010


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2010/01/quando-o-silencio-fala.html

- 09Nov2009 16:50:00


« Homenagem a Fernando Peixoto »

Fernando, julgo que foi contigo e com o Zé Manel, que uma tarde lemos um texto de Victor Hugo, o Zé Manel havia desenhado uma bela capa para um livro que reunia textos do dramaturgo e pensador francês. Encontrei um apontamento de um texto de Hugo, o que se segue é uma paráfrase roubada nocturnamente ao poeta.

?¿A qué misteriosa llamada no ha podido resistir tu aun joven destino?

La noche no dejó que el alba diera a luz el día. El tiempo es corto entre la sonrisa de ayer, y tu mirada ausente.

Tu río, el que sigue cruzando tu calle día a día, no hallará nada de aquello que le prometían tus sueños: la caricia ruda de las rocas, los gestos suaves de las hierbas y las hojas, el galopar por la cumbre descendiendo la montaña, el paso rudo sobre los prados.
-Apenas nacido, el océano ya lo ha tragado.

Los que parten con la aurora nos dejan perdidos con el peso de nuestro cariño inútil. Nos dejan con esa ausencia de amor que nos tritura arrastrando sus cruces y pesares.

Y se nos dice:
«La vida sigue y sigue. Tenemos que seguir también con ella».
Pero sabemos, con la obstinación del que nada entiende al medio del fragor de un futuro aniquilado; ¡ Qué importa el camino que lleva hasta la tarde si hemos de marchar ahora solitarios!?

Roberto Merino M/Setembro de 2009

(tradução)

?A que misteriosa chamada não pôde resistir teu ainda jovem destino?

A noite não deixou que a alvorada desse à luz o dia. O tempo é curto entre o sorriso de ontem, e teu olhar ausente.

Teu rio, o que segue cruzando tua rua dia a dia, não encontrará nada daquilo que lhe prometiam teus sonhos: a carícia rude das rochas, os gestos suaves das ervas e as folhas, o galopar pelo cume descendo a montanha, o passo rude sobre os prados.
Apenas nascido, o oceano já o engoliu.

Os que partem com a aurora, nos deixam perdidos com o peso de nosso carinho inútil. Nos deixam com essa ausência de amor que nos tritura arrastando suas cruzes e pesares.

E nos diz:
«A vida segue e segue. Temos que seguir também com ela».
Mas sabemos, com a obstinação do que nada entende ao meio do fragor dum futuro aniquilado; Que importa o caminho que leva até a tarde se temos que marchar agora solitários!?

Roberto Merino M/Setembro de 2009

ROBERTO MERINO MERCADO (chileno - 1952, naturalizado português em 2000, está em Portugal desde Janeiro de 1975, tendo acompanhado a Revolução de Abril quase toda).
Na ESAP (Escola Superior Artística do Porto),
ocupa o cargo de Director do Curso Superior de Teatro desde 1982.
É professor de Interpretação, Direcção Teatral, encenação, teatro e Educação, e também Dramaturgo, quando lhe permitem as múltiplas atividades.





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/11/homenagem-fernando-peixoto-fernando.html

- 14Out2009 18:35:00

« Trabalho Infantil »

Fernando Peixoto

Tem apenas doze anos o miúdo!
Doze séculos, já, de frustração,
Doze séculos inteiros de absurdo
E poucos, muito poucos de ilusão.

Doze anos num rosto de graúdo
E tantos, já, na luta pelo pão!
Meu menino lindo a quem falta tudo!
Meu menino, meu filho, meu irmão!

Teu corpo frágil move-se na dança
Horripilante dum trabalho duro
C'o a música das máquinas por fundo.

As tuas mãos, pequenas, de criança,
Ganham calos brincando c'o Futuro
Enquanto esperas que melhore o mundo.

FERNANDO PEIXOTO



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/trabalho-infantil-fernando-peixoto-tem.html

- 14Out2009 17:40:00

« SILÊNCIO »
às nossas crianças...
Sylvia Cohin

Faz de conta que o tempo parou
Em sua tela há tantas crianças
São embrião das aventuranças
Soltas ao léu, são tempo que passou
Quimeras que a brisa esfuma
Fragmentos, alegres e tristonhos
Dessa vida gestante de sonhos
De devaneios perdidos na bruma...

Silêncio...
É hora de ajuntar pedaços,
Trazer de novo ao coração vazio
A criancinha que a estender os braços
Espera um colo por anos a fio

Silêncio!
Ouça-se o grito dessas crianças
Deixem-nas VIR A SER
Sob o olhar de tênues Esperanças
Nossas crianças pedem pra Viver!

SYLVIA COHIN





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/silencio-as-nossas-criancas.html

- 03Out2009 14:42:00

« Neste Céu Onde me Embalo »
Sylvia Cohin & Fernando Peixoto

Não imaginas ainda que te conte
o peso da saudade atormentando,
a falta que me faz um horizonte
sorrindo, braços abertos, chamando...

Mas sei que mesmo assim tu me adivinhas
pois és esse horizonte de que falo
que tento inutilmente ver em linhas...
que eu risco neste céu onde me embalo...


Eu sou um horizonte? Sou, talvez...
uma linha que se perde no espaço...
a linha que procuras e só vês
quando ela se esconde em teu regaço.

Eu sou aquela linha indefinida,
tímida, indecisa e recortada
por névoas constantes escondida
e apenas nos teus olhos revelada.

Mas eu quero ser mais que um horizonte:
eu quero ser o ponto de chegada
para tu beberes na minha fonte
a água do amor purificada.


SYLVIA COHIN & FERNANDO PEIXOTO
Portugal





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/neste-ceu-onde-me-embalo-sylvia-cohin.html

- 03Out2009 12:34:00

« O Passar do Tempo »

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin


Passa o tempo por nós e nem pensamos
que viramos a folha ao calendário,
nem mesmo nesse tempo que gastámos
correndo contra o tempo e sem horário.
Passa a vida correndo bem depressa,
tão ligeira que até nem percebemos,
quanta vida se queda na promessa!
Que valioso o tempo que perdemos!
Passa tudo tão depressa, voando...
Nem lembramos, sequer, que está passando!
Vendo o fio do tempo que se esvai,
erguemos no Passado a nossa História
retomando um caminho, que se vai
aliar no Futuro, c'o a Memória.

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin




Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/10/o-passar-do-tempo-fernando-peixoto.html

- 21Set2009 01:10:00

« Superação II »

Fernando Peixoto - Sylvia Cohin


O rio corre por si mesmo,
e as margens em que querem limitar-nos
são elas mesmas limitadas.
Jamais alguém pode aprisionar-nos...

Caminha o rio, inexorável...
Os escolhos contorna com destreza;
Entre margens, serpenteia confortável
como nós, faz o seu curso com firmeza...

Nós temos horizontes bem mais largos,
nós somos a espiral dessa vontade
que parte de nós e vai por aí fora,
escorre como leito vagabundo
para um mar de sonhos que se estende
pela Terra inteira.

Nós somos o desenho no infinito,
do Ontem, do Amanhã e do Agora
vontade que, tão forte, faz-se grito
e o outro alcança sem demora...
Um oceano sorrateiro que invade
essa aridez da realidade.

Nós somos a indómita vontade
que alguém jamais pode algemar,
nós somos essa liberdade
que ninguém pode aprisionar

Nos somos a coragem obstinada,
a nau do navegante que a remar,
vê um farol no vulto de sua amada
e em sua direção, enfrenta o mar

nós somos olhos bem abertos
que jamais alguém pode fechar,
nós somos neurónios bem despertos
que jamais alguém pode calar,
somos seres humanos, seres concretos
com o inegável direito de sonhar.

somos oásis no deserto,
teimosa esperança a verdejar,
somos o sonho mais concreto
que alguém jamais pôde imaginar,
e a ninguém é dado usar o veto
a esta liberdade basilar.

Nenhuma mágoa é já bastante
p'ra tirar-nos o direito de cantar
porque nós vemos sempre mais distante
do que os outros podem alcançar.

Nem é bastante a tristeza a cercear
os passos que nos levam adiante,
nem há vento que impeça o velejar
da nau desse sonho navegante!

Nosso canto é um grito que se estende,
um apelo, talvez, lançado ao vento...
Mas é superação de quem entende
que a vida é mais do que um momento
e que não se restringe ao sentimento
da mágoa por quem nunca nos entende...

Nosso canto se alastra em movimento,
rumo ao céu que nos acaricia
ora a rir de prazer, ora lamento,
enquanto nós vivemos a magia
de superar o anseio e a utopia,
e «eternizar» enfim, nosso momento...

Nós somos ainda a consciência
lúcida, desperta, irrefreável,
que nos dá, dia-a-dia, a coerência
pra seguirmos um rumo incontornável.

Nós somos, de dois, a pura essência,
o ardor de um querer inexorável
e seiva a sustentar essa existência
no enlace mais íntimo e inviolável!

Nós sabemos o que somos e o que queremos
mesmo quando choramos e sofremos,
mas somos, sobretudo seres humanos
donos de nós mesmos, soberanos!

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin
13.01.2005 - 01.02.2005



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/09/superacao-ii-fernando-peixoto-sylvia.html

- 09Ago2009 05:33:00

« SAUDADE »

Sylvia Cohin

Hoje havia uma saudade
fazendo pouco de mim
Daquelas que o peito invade
numa ousadia sem fim...

Me atiçava e se escondia
entre as bordas da memória
Vendo-me aflita, sorria,
com seu ar de grande glória!

Oh tirana, és impiedosa,
trituras meu coração,
Por quê insistes, tão teimosa,
em tanta perseguição?

Quero ao menos respirar
na ilusão de que partiste
E já não pairas no ar
com meus ais na mão em riste!

Prometo que te conservo
porque sei que ninguém há-de
Escapar de ser teu servo,
pois quem ama, tem saudade!

Na verdade eu te confesso,
não posso viver sem ti...
Porque na saudade eu meço,
todo amor que já vivi...

SYLVIA COHIN


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/08/saudade-sylvia-cohin-hoje-havia-uma.html

- 23Jul2009 21:25:00

« SEGREDANDO »

Fernando Peixoto

Sugo-te, sereia, o doce néctar,
o mel com que sempre me inebrias
e espalho no teu ventre esta saliva
que me escorre do sabor dos teus cabelos.
Teus olhos me iluminam
e fascinam
Teu hálito em meus lábios me segreda
volúpias que entontecem
e tuas mãos arpejam meus sentidos
como um eco de delícias nos ouvidos.
Vem, meu amor, vem de mansinho
passear teus pés na curva do caminho
onde deitado me quedo à tua espera.

FERNANDO PEIXOTO


Portugal, 05.01.2005


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/07/segredando-fernando-peixoto-sugo-te.html

- 23Jul2009 20:00:00

« DIVAGANDO »

Sylvia Cohin

Pelas mãos de Urano ungida
E abençoada por Geia,
Eu sigo o Aceno da Vida
Rumo à minha Odisseia...

Sob o enlevo da emoção
Que me arrepia de espanto,
Dispara meu coração
E embarga a voz o meu canto

Nos olhos reflito a lua
Dividida em hemisférios
Que sorrindo seminua,
Me assombra com seus mistérios

Os alísios que me embalam
Rumo ao Norte a flutuar,
Para o amor, alas me abram
Sobre o galeio do mar!

Na aflição que me domina,
Mal consigo esvoaçar
E entre bacante e menina,
Prossigo, quero avançar!

E assim tecido meu Céu,
O Arco-íris minha estrada
E essa coragem fiel,
Pelo Olimpo bem-fadada

Pra seguir como encantada,
Afinal, ao lado teu...
E o mundo não era nada.
Éramos nós... Tu e Eu!

Se foi sonho ou se vivi,
Na verdade pouco importa;
No arcobaleno eu me vi,
Quando o Amor abriu a porta.

SYLVIA COHIN

Brasil, 12.02.2004


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/07/divagando-sylvia-cohin-pelas-maos-de.html

- 18Mai2009 05:04:00

« UM NOVO DIA »

Fernando Peixoto


Em Portugal são 39 minutos do dia 18 de Maio de 2005. Há largos anos nascia algures, em terras brasileiras, Clio, a musa da História, mas também aquela que deu a volta à sempre apaixonada cabeça de Eros.
Mais tarde, Clio acabou por dedicar-se às Letras, tendo mesmo produzido alguns dos mais belos poemas de amor escritos na língua de Camões. A sua arte poética é tão ornada de efeitos literários e de tão intensas cargas emotivas, que o deus do Amor acabou mergulhando nas águas límpidas e cristalinas dos versos de Clio. Hoje é possível encontrá-los ambos, de mãos dadas nos jardins de Apolo, com os corpos inundados do hidromel da Poesia, cantando em uníssono fascinantes ditirambos ao mesmo tempo que saúdam o reencontro com a Vida !

Como dói este amar-te sem te ver,
Guardar-te, mesmo assim, no coração.
É duro desejar-te sem te ter
Calar no silêncio esta paixão.

Como é duro, Amor, ter de sofrer
Da presença de ti a privação,
Esforçando-me, Amor, por esquecer
As agruras de tanta solidão.

Moído de saudade, eu acalento
O sonho de viver esse momento
Em que há-de terminar a nostalgia.

Sonharemos, então, de olhos abertos,
De mãos dadas, felizes e libertos
Descobrindo o Futuro nesse Dia.

FERNANDO PEIXOTO

Portugal, 18.05.2005

*********************************

NOTA: "EROS"/"DIONÍSIO" (FERNANDO PEIXOTO), e "CLIO" (SYLVIA COHIN),
foram pseudônimos usados pelos autores EM MUITAS PARCERIAS POÉTICAS.



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/05/um-novo-dia-fernando-peixoto-em.html

- 08Mai2009 23:26:00


« Desta Mãe »

Sylvia Cohin,
« para seus filhos »


Os sonhos que sonhei desde menina
E o tempo em seu capricho esmaeceu,
Revivem nesse outono e na retina
Quando contemplo cada filho meu...

O tempo vai passando e revigora
Esta certeza que me leva além:
Se neles sigo, Eterna, vida fora,
Em mim, eles são Luz que me sustém.

Quando os estreito cheia de emoção
- não há outra palavra que defina -
São eles meu Altar de Adoração,
A chama que meus olhos ilumina

Escrevo então, meu verso mais singelo,
E embriagado desse amor intenso,
Maior que os sonhos, sinto aquele anelo
Que me faz Vida, quando neles penso.

Por eles me fiz nau que não soçobra
Singrei o mar no traço do destino...
Co'as fibras de um amor que se desdobra,
Eu fui Mulher e Mãe sem desatino.

O abraço que nos une, é como um Porto;
Escola sempiterna da aprendiz
Que sou, aqui confesso, e não me importo:
Meus filhos, grandes mestres, sou feliz!

SYLVIA COHIN


De acordo com a Lei do Direito Autoral 9.610, são proibidas alterações.
Cap.III, Art.28: Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor
da obra literária, artística ou científica.



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/05/desta-mae-sylvia-cohin-para-seus-filhos.html

- 12Abr2009 05:44:00


« ETÉREA »

Sylvia Cohin



Sou viajante que esvoaça ao vento,
De Zéfiro, frescor celestial
A navegar em rimas que eu invento
Em récitas pro Cosmos imparcial.

Vagueio livre na amplidão do espaço
De onde ponteio meu encantamento
E em sintonia, de mim me desfaço,
Só pra cantar contigo o teu lamento...

Faço-me brisa morna que te afaga
E entre volteios essa dor transpasso
Rindo da vida sempre tão aziaga,
Aqui e ali, ato e desato um laço...

Com paciência e muita simetria,
Vou escrevendo as páginas da saga
Colando risos sobre o que agonia,
Como se fora o sopro que embriaga.

Mas a verdade é esta afirmativa:
De ti sou parte, como já sabias,
E porque ando às vezes tão furtiva,
Fica somente o rastro das folias...

"Assim se vive" - como se adjetiva -
E pouco importa se pareço aérea!
Essa junção que sabe a compulsiva,
É nossa carne que se fez etérea.

SYLVIA COHIN
(28.02.2005.)




Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/04/eterea-sylvia-cohin-sou-viajante-que.html

- 12Mar2009 23:35:00

(diálogo poético)

« PAIXÃO »

Sylvia Cohin &

Fernando Peixoto

um tornado?
Sim, um furacão!
um vendaval?
Um ciclone imenso!
uma enchente?
Inundação!
uma avalanche?
Um derrame extenso!
um terremoto?
Um rasgar da terra!
um incêndio?
Uma fogueira enorme!
um tufão!
Que nos aterra!!!
ou uma erupção
De um vulcão sem nome!
a terra :
O TU, onde me deito
o cosmos
Da imensa poesia
as galáxias
Onde me deleito
o universo
Da palavra em melodia
um verso
Um segredo partilhado
um sopro
A emanar da tua boca
um calafrio
No meu peito afogueado
um pulsar...
Um calor que me sufoca
um suspiro
Prolongando estes instantes
o gozo
De ternos lábios amantes
um átimo
Um instante de ternura
o Nada
é maior que o próprio mundo,
o Tudo,
Desta nossa caminhada
fusão
dois seres que se amam tanto
alfa...
...O exacto momento do segundo
ômega...
O fim ansioso da jornada,

Aquecidos no fogo deste encanto
somos a lava do Amor, em combustão,
e a Terra, que estremece sob os pés,
festeja connosco esta Paixão.

Sylvia Cohin &
Fernando Peixoto
17.01.2005





Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/03/dialogo-poetico-paixao-sylvia-cohin.html

- 03Fev2009 21:37:00

« APELO »

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin

Somos feitos por Dias, Meses, Anos,
num percurso ignoto mas constante,
repleto de certezas e de enganos,
vencidos num Passado, já distante,
esperanças que agora semeamos
e nos vão testando, a cada instante.


Somos - do Tempo - a parte resultante,
Memória acumulada e sensitiva,
na trilha do Anseio inquietante,
buscando, como Planta Rediviva,
a Chuva do Deserto... tão mutante,
que Dessedenta o corpo, e a alma Aviva.


Que somos, afinal? A parte activa
que dia a dia vira o calendário.
Parcela de Utopia sempre viva,
sem tempo pra parar e sem horário,
Tempo nosso que ao Tempo não se esquiva
e escreve no Futuro o seu Diário.


Somos quem vai reinventar a ordem,
viver o Futuro antes do Passado...
antes que o Tempo e a Utopia acordem...
Seja o Presente o rumo desejado
e esqueça-se do Ontem a desordem
pra que o Sonho caminhe ao nosso lado.


FERNANDO PEIXOTO & SYLVIA COHIN
Porto, 2007


*Rosa de Jericó
Esta planta Revive ao contato com a água.
Depois de florescer, desfolha e os ramos lenhosos
retorcem-se em novelo.
O vento a desenterra, arranca, e fá-la rolar pelo
deserto, parecendo morta.
Com a chuva, "revive", abre ramos e solta os frutos.



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2009/02/apelo-fernando-peixoto-sylvia-cohin.html

- 31Dez2008 20:38:00

Meus amigos

Termina mais um ano com o Mundo em conflitos
que nos mostram quanto é pequeno o Planeta
para nossos sonhos,
e grande para abrigar tantas disputas...

Agradeço a partilha amiga e com um abraço terno,
almejo para vocês um Ano Novo bom de verdade.

A Fernando Peixoto, companheiro de alma,
dedico os dois presentes recebidos hoje,
aceno do "Tempo Novo" que juntos sonhamos...

Aos filhos adorados, dedico a certeza de que a Paz
nasce em nós e vale a pena lutar por ela sem trégua!

Reverencio o Ano que se vai,
convicta que o Tempo não erra
(mesmo sem entender muitas de suas lições).

Faço aqui este pedido em tom de súplica
por todos nós e... Feliz Ano Novo!

Sylvia Cohin
Em 31 de dezembro de 2008


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/12/meus-amigos-termina-mais-um-ano-com-o.html

- 23Dez2008 00:34:00


A obra de Fernando Peixoto
é um legado de amor à Vida e à Humanidade.
Externou sua preocupação com o mundo em peças literárias
preciosas com a frontalidade que lhe foi peculiar,
sendo ele próprio, exemplo de sobriedade na vida que viveu.
Em sua homenagem e memória neste natal,
este poema que não conclama à tristeza, mas à
'consciência universal', em meio a tantas discrepâncias.
Sylvia Cohin




PARA AMARMO-NOS

Fernando Peixoto

Que sirva sobretudo o nosso amor
para mudar o que anda à nossa volta,
porque eu não posso amar com tanta dor
que acende no meu peito esta revolta.


Não quero sublimar o meu prazer
olhando para o lado, em detrimento
do que vejo, do que me faz doer,
e me traz a náusea, o sofrimento.


Para amarmo-nos temos de sentir
e traçar claramente a nossa sorte.
Para amarmo-nos temos de partir
numa luta contínua contra a morte.


Só então teremos o direito
de olhar de frente o mundo em desafio
buscando um ser mais livre e mais perfeito
terminando com este desvario.


Teremos de vencer este cansaço
que empurra o nosso corpo à letargia
e darmos nossas mãos, o nosso abraço
para erguer no Futuro um Novo Dia.


Amando desta forma travaremos
o cruel apetite da cobiça
e só das nossas mãos suspenderemos
o fiel da balança da Justiça.


FERNANDO PEIXOTO

Vila Nova de Gaia,
PORTUGAL, em 06 de janeiro de 2008
Obra Protegida pela Lei de Direitos Autorais 9.610
Mantenha os Créditos


Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/12/obra-de-fernando-peixoto-um-legado-de.html

- 08Dez2008 01:25:00


« Confissão »

(Para a mulher que Amo, em 08 de março 2005)

Tanta coisa eu tinha p'ra dizer-te!
Tanta coisa que sempre desejei,
Falar deste modo de querer-te
Tão forte como nunca imaginei,

Palavras que em silêncio proferi.
Imagens de nós dois com que sonhei,
Que cioso guardei só para ti
No cofre dos segredos que fechei...

E se agora me atrevo a confessar
O segredo que sempre te escondi
É porque não suporto mais a dor

Do segredo que tinha que calar,
Do desejo de estar ao pé de ti
E de poder amar-te, meu Amor!

FERNANDO PEIXOTO
Vila Nova de Gaia - PT

(Publicado em 10.03.2005)



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/12/confisso-para-mulher-que-amo-em-08-de.html

- 19Nov2008 04:36:00

« DUETO »

Fernando Peixoto & Sylvia Cohin

Assunto: Escrevinhando
Sent: sexta-feira, 23 de março de 2007 22:13

Sinto-me tonto e nem sei bem porquê.
Ou talvez saiba
mas uma vez mais queira
amordaçar dentro de mim
aquele grito de aflição que teima
em morrer silencioso no meu peito.
Ontem foi um dia divino, uma noite memorável.
Lemos poesia, e voamos...
percebemos tanto elo da cadeia que nos une...
Mas o tempo não se renova
nem se repete
apenas se sucede no ritmo
infatigável do relógio insensível e estúpido.
Hoje quero apenas
beber
e tivesse eu a certeza que beber
me faria entrar numa outra atmosfera,
beberia sem parar...
depositando os lábios adormecidos
sobre a fonte de onde jorra o sonho...
Não, hoje não é daqueles dias
em que acordamos repletos de certezas,
mas apenas a hora
em que me apetece disparar por aí fora,
falar em voz alta no silêncio da noite
e dizer às estrelas: calai-vos que agora falo eu!
E a lua, sorrindo atrás de uma nuvem
parece ciciar-me um sopro de luz
que se confunde com a névoa que se evola do cigarro...
A cidade está quieta, como quem espera
o que virá no interior da noite
e só eu sei que o interior da noite
reserva a mesma solidão de todas as outras noites...
e só eu sei que tu me esperas
como farol de navegante
que não se cansa de esperar e de iluminar
as incógnitas nocturnas.
Escrevendo respiro,
cerrando os olhos acredito
que o Amor está ali,
à minha espera!

FERNANDO PEIXOTO

Subject: Escrevinhando
Sent: Friday, March 23, 2007 22:51 PM

Sinto-me sufocar em letargia.
Um nó me aperta a garganta,
o grito de minha alma esvai-se
e rasga o ar, nada o detém.
Dói-me o peito lacerado de tristeza;
Parada no tempo, no chão, no espaço,
tento conter a carne que treme,
o frio das mãos vazias a tatear,
o abraço que espera,
a boca sequiosa de calor.
Quero o regaço onde me encolho!
"Ontem" tão juntos, tão perto,
tão ternos e descontraídos...
Um espelho que nos refletia...
uma fileira de cadeiras...
alguém dizia alguma coisa, não lembro...
tenho apenas uma vaga lembrança...
Os miúdos a marulhar... (lembras?)
uma sande qualquer... um copo...
?tantos elos da cadeia que nos une? a gritar...
Tão próximos,
ao alcance do abraço incontido,
a magia dos olhares faiscando
o que pedia para estar entrelaçado,
unindo o que não vive separado...
Fel a escorrer da boca silenciosa da noite
que tudo abafa... e traga.
Soubesse eu que rompendo esses grilhões
abria todas as portas,
não esperava para ler novos poemas, voar,
nos braços deste amor que nos sustém
e mal cabe dentro do peito.
Gritava ao mundo: calai-vos que nada sabeis!
De nada valem vossas leis senão para
plantar tristeza, murchar o Amor,
assassinar a Liberdade!
E enquanto espero, sinalizo
inundando de luz nosso caminho,
braços abertos para te receber e
sempre que chegares, louco de saudades,
revivo em teu Amor, (nossa certeza),
ou morro dele, feliz de tanto amar...

SYLVIA COHIN



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/11/dueto-fernando-peixoto-sylvia-cohin.html

- 10Nov2008 01:32:00



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/11/blog-post.html

- 19Out2008 07:23:00

« QUANDO NOS "ENCANTAMOS" »

Sylvia Cohin

Tudo é estímulo e fica mais gostoso...
Caminhamos em nuvens coloridas de arco-íris,
sorriso no brilho dos olhos,
vontade de ficar sempre acordado
a repetir, a repetir a mesma imagem
fugidia gravada na retina...

A boca esboça beijos que permanecem
no sabor que não se esquece...
E a pele em arrepios,
- linguagem que só fala quem sente -
lateja na palma das mãos...
O encantamento entorpece,
invade o corpo em vertigem
e dança alucinando o pensamento...
Tudo é lembrança, é tudo Encanto!

Jeito mais estranho de ser cativo
nas asas da mais louca liberdade...

Quando nos Encantamos,
multiplica-se o vigor,
o colorido da vida,
e em tudo há mais sabor!
Um mundo novo em nós
enquanto o velho fica à margem,
não importa...
Os Encantados gravitam entre si,
têm sua própria distância
de outros corpos, e de outras gentes,
habitam um Universo sem fronteiras
mas tão restrito... inacessível!

Quando Encantados,
o corriqueiro perde a dimensão,
tudo é infinitamente menor
enquanto crescem a coragem,
o destemor, a ousadia;
fenece o egoísmo, o apego,
e a mesquinhez cede espaço
à grandeza de gestos
e sentimentos...

Quando nos Encantamos, não tiranizamos.
Somos libertários sem causa própria,
só por gozo e prazer.

Nosso olhar fica mais doce, aguçam-se os sentidos.
Somos donos de 'algo' que existe mas não nos pertence
(nem a mais ninguém)
apenas nos escolheu para se entregar...

Quando nos Encantamos,
alguns dizem que é paixão,
outros chamam de amor, atração, empatia, tesão...

Eu acho que é a mais perfeita alquimia.
Encaixe de elementos que se combinam,
simbiose na melhor dose!

Encantados,
somos bruxos, duendes, fadas ou feiticeiros,
prestidigitadores,
magos sedutores e seduzidos,
entregues ao enleio sublime e bacântico,
devasso e sagrado,
do mistério de um Secreto Encanto
que transcende o tempo
e o espaço, como dogma:

- A metade do segredo é toda tua;
A outra metade, eternamente minha...

SYLVIA COHIN
Republicado em 19.10.2008



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/10/quando-nos-encantamos-sylvia-cohin-tudo.html

- 03Out2008 22:30:00


Hoje o Chave da Poesia faz uma homenagem especial ao Historiador, Teatrólogo, Escritor, Professor e Poeta, Doutor Fernando Aníbal Costa Peixoto que partiu de nosso convívio, deixando aqui, a marca de uma Poesia inigualável, fragmentos de sua alma e de seus sentimentos. A este Grande Homem, Parceiro e Amigo, toda admiração.
Apresentamos seu último poema que aconchegado neste espaço, mantém Viva sua Lembrança e Eterniza a Saudade... Sylvia Cohin


« RE-PARTINDO... »

Fernando Peixoto



Sei que contigo vão partir

memórias de um tempo partilhado,

dias breves que hoje são passado

e podiam no entanto ser porvir.

Sei que levas na bagagem a lembrança

dos olhos nimbados de tristeza

mas também o brilho da bonança

que alimenta a tua natureza.

Mas se partes, apenas uma parte

vai contigo rasgando o mar e o vento:

que outra parte de ti já se reparte

na minha memória e pensamento.

24 de Agosto de 2008
FERNANDO PEIXOTO

* 25 de Julho de 1947
+03 de Outubro de 2008

Vila Nova de Gaia - Portugal




Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/10/hoje-o-chave-da-poesia-faz-uma.html

- 02Out2008 04:16:00

« AH, SE EU PUDESSE... »

Sylvia Cohin

Pegar nas mãos minha ternura por ti
e na concha de meus dedos dar-lhe forma...
Seria azul celestial...
aquele azul que veste o espaço sideral.
Morna seria...
nem muito quente ou muito fria...
morna seria o ideal...
E com um toque mínimo que fosse,
eu lhe daria um aroma divinal
que te envolvesse num afago doce,
quiçá, um tanto sensual...
Finalmente,
com um retoque magistral,
eu lhe daria o tom de magia
e a meiguice do brilho das estrelas,
condensava em gotas de cristal...
Assim, minha ternura tu verias
flutuando pro teu gozo e alegria,
aconchegante
e intemporal...

SYLVIA COHIN

Preserve o Direito Autoral
Mantenha o crédito de autoria



Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/10/ah-se-eu-pudesse.html

- 03Set2008 02:25:00

« NO PRELO da MEMÓRIA »

Fernando Peixoto

No prelo cerebral fica gravado
(Sem que ao menos possamos escolher)
Segredos dum percurso reservado
Que, por vezes, teimamos esconder

Aos nossos próprios olhos que já viram
Momentos de desgosto e de fraqueza
Com tal intensidade que sentiram
Como doem a mágoa e a tristeza.

Assim se escreve a Vida com lembranças
Quando o tempo se queda por instantes
E retira a poalha das heranças
Que nos restam dos tempos mais distantes.

Sai do prelo: surge então a História
Que escrevemos nas folhas da Memória.

FERNANDO PEIXOTO

Vila Nova de Gaia, 12 de Agosto de 2008
(Publicado em 02.09.2008)

Preserve os Direitos Autorais
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Fonte: http://chavedapoesia.blogspot.com/2008/09/no-prelo-da-memria-fernando-peixoto-no.html

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