Jose Anacleto e a Teosofia na Tertúlia de 20 de Março - 08Mar2010 09:27:00

Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2010/03/jose-anacleto-e-teosofia-na-tertulia-de.html
SEGREDO MAÇÒNICO: Texto Integral da Comunicaçao de RUI BANDEIRA - 28Fev2010 21:09:00

Muita da curiosidade, muito do combustível para os ataques aos maçons resulta, afinal, de se mitificar a essência, a natureza e a amplitude do segredo maçónico. Mitificação para que a Maçonaria e os maçons contribuíram, reconheço... Mitificação que, sendo um exagero, é um distorcer da verdade. E do torcer da verdade não resulta, normalmente, nada de bom...
A Maçonaria é uma instituição ancestral e que preza a Tradição. Mas, como todas as instituições ancestrais bem sucedidas, sabe preservar a Tradição, adaptando os seus usos e costumes ao evoluir dos tempos e das sociedades. Só assim evita ser anacrónica e mantém interesse e importância e valor, ao longo da passagem dos anos, décadas e séculos.
O século XXI lançou-nos a todos na voragem da Sociedade da Informação. As chamadas Novas Tecnologias permitem aceder a mananciais de informação que, ainda há poucas décadas - há poucos anos... - eram impensáveis. A Maçonaria não pode, não deve, obviamente, ser indiferente às consequências desta evolução. Não que tenha deixado de fazer sentido a subsistência do segredo maçónico. Mas a mitificação do mesmo, essa sim, não me parece que seja vantajosa, nem para os maçons, nem para os profanos.
A Maçonaria prossegue objetivos honrosos e louváveis. É frequentemente denegrida por quem, sendo-lhe hostil, a acusa de prosseguir propósitos menos recomendáveis e, sistematicamente, esgrime com o segredo maçónico como alegada prova dos tenebrosos propósitos da Maçonaria. Em época de acelerada circulação da informação, não basta à Maçonaria seguir o seu caminho, não ligando aos cães que ladram à passagem da caravana. Porque tanto ladrido de tanta canzoada acaba por impressionar quem o ouve. A Maçonaria deve continuar a prosseguir o seu caminho, apesar dos rafeiros e seus latidos. Mas, para bem de si própria e elucidação de todos, nestes tempos de abertura de informação, deve mostrar e informar para onde vai, porque vai e como vai. Assim todos verão qual o caminho e não se impressionarão com a barulheira dos canídeos, que todos poderão ver ser vã e sem motivo que a sustente.
O segredo maçónico é um dos objetos dos latidos. Pois bem, é tempo de mostrar, a quem estiver de boa fé, que esse vozear não tem razão de ser. Não abandonando o segredo maçónico ou traindo os compromissos assumidos. Mas explicando os limites, a natureza e as razões do dito segredo. Quem estiver de boa fé perceberá. Os outros... continuarão a ladrar, mas já impressionarão menos...
Na minha opinião, não há um segredo maçónico. Há dois. Um exotérico e outro esotérico. Quero com estes adjetivos significar duas diferentes realidades. No meu entendimento, o segredo maçónico exotérico é aquele que é constituído por matéria ou conhecimento que é suscetível de fácil apropriação por qualquer pessoa, que sem dificuldade de maior pode ser transmitido por quem o sabe a quem não o sabia. Inversamente, o segredo maçónico esotérico não comunga dessa facilidade de apreensão e de transmissão. O segredo maçónico exotérico só existe enquanto e na medida em que for preservado por todos aqueles que o detêm, os maçons, nos seus respetivos graus e qualidades. O segredo maçónico esotérico existe independentemente de qualquer esforço de preservação, porque o seu teor não é suscetível de ser adequada e completamente transmitido por quem atinge o seu conhecimento (apenas alguns, maçons ou não). Tem de ser descoberto, num esforço individual, mediante um percurso de autopreparação para o atingir e reconhecer, em que cada patamar atingido é condição necessária para poder conseguir-se chegar ao seguinte. Este segredo existe independentemente de qualquer propósito de preservação por quem o detém. Direi mesmo que existe apesar dos esforços e das tentativas de partilha por quem o descortinou.
Dito de outro modo: o segredo maçónico é composto por uma parte que não é sequer particularmente importante (o segredo exotérico) e subsiste graças e na medida dos cuidados dos maçons na sua subsistência; e existe também uma outra componente (o segredo esotérico) que existe independentemente da vontade e dos esforços e das tentativas dos seus detentores, por impossibilidade de sua adequada e completa transmissão, seja por via oral, seja por escrito. O acesso a este implica vivência, experiência, vontade, esforço. Não basta ouvir ou ler. Portanto, o segredo que se guarda não é especialmente importante e o que importa não se consegue transmitir...
O segredo maçónico exotérico é constituído por quatro aspetos:
1) Reserva da identidade dos maçons que não se hajam assumido publicamente como tal;
2) Reserva de divulgação das formas de reconhecimento entre os maçons;
3) Reserva de divulgação de rituais e de cerimónias;
4) Reserva de divulgação do teor concreto e específico dos trabalhos de qualquer reunião de Loja ritualmente realizada.
Talvez com exceção da última faceta, o segredo maçónico exotérico é um verdadeiro segredo de Polichinelo: só não o conhece quem não quiser. Basta um pouco de esforço e trabalho para apurar o seu conteúdo. Então com as possibilidades atualmente disponíveis com as Novas Tecnologias de Informação e os potentes motores de busca universalmente disponíveis, aceder a esse conhecimento é uma pura questão de perseverança, trabalho e alguma habilidade. Ao contrário do que vulgarmente se pensa, está tudo publicado. Só é preciso descobrir onde... E - esta será porventura a maior dificuldade - destrinçar entre o que verdadeiramente é e o que é falso ou imitado ou errada ou desajustada ou intempestivamente utilizado.
O objetivo primacial do segredo maçónico exotérico é permitir aos maçons saber, de uma forma exclusivamente a si acessível, quem é e quem não é maçon - e também que grau detém quem é maçon. Nos tempos de antanho, foi essencial. Hoje, nem por isso. Outras formas de saber, rápida e eficazmente, quem é e quem não é maçon existem. Hoje, a facilidade e rapidez das comunicações, particularmente das telecomunicações e da comunicação eletrónica, permite, em caso de necessidade, fácil e rapidamente verificar junto de uma Grande Loja ou de uma Loja se fulano é seu membro. Antigamente, era diferente. Daí que a importância do conhecimento da forma de obter essa informação, e a sua preservação, fosse nuclear. As realidades da vida, da evolução e do desenvolvimento em muito erodiram a necessidade e importância do segredo.
Sendo assim, porque continuam os maçons a preservar esse já não tão importante segredo? Por duas razões, uma acessória, outra essencial. A acessória é que, embora a necessidade de preservação das reservas de informação tenha diminuído, seja menos importante, não cessou completa e universalmente, não perdeu TODA a importância (ainda há locais onde é perigoso ser maçon). A essencial é que os maçons preservam o segredo maçónico PORQUE SE COMPROMETERAM, POR SUA HONRA, A FAZÊ-LO.
Sendo assim, porque se continua a exigir aos maçons esses compromisso de honra? Não já pela necessidade de antanho. Ou não já essencialmente. Nem também por um cego tributo à Tradição, o continuar a fazer agora assim porque dantes assim se fazia. Antes como um exercício permanente do que é na essência inerente à condição de maçon. Um maçon é um homem livre, apenas escravo da sua palavra; sério, sempre preservando a sua honra; cumpridor dos seus compromissos, apenas porque ele se obrigou a eles. A palavra de um maçon vale tanto ou mais do que um contrato escrito, é mais duradoura do que se tivesse sido gravada em pedra. Independentemente da importância do assunto. Um homem só é honrado e de confiança se o for nas pequenas como nas grandes coisas. A verdadeira palavra sagrada de um maçon é a sua palavra de honra.
É portanto em execução desse princípio inderrogável de que o maçon cumpre sempre a sua palavra, seja-lhe ou não conveniente, seja o assunto importante ou sem destaque particular, que este preserva o segredo maçónico. Porque se comprometeu a fazê-lo. Independentemente de ser ou não ser já importante fazê-lo. Mesmo que, por esse mundo fora, esse segredo, total ou parcialmente, tenha sido centenas ou milhares de vezes exposto. Se o não fizesse, sabia-se merecedor do opróbio e desprezo unânimes dos maçons. E um maçon só o é na medida em que seja reconhecido como tal pelos seus pares...
O maçon preserva o segredo maçónico porque se comprometeu a fazê-lo, e esse compromisso continua a ser exigido aos maçons como forma de exercício diário, constante, permanente, dos deveres inerentes a um homem honrado, livre e de bons costumes. Outros existem que, diz-se para aí, pontuam a sua pertença à organização em que buscam a excelência através do cilício, da mortificação do corpo. Os maçons buscam a excelência do caráter, do espírito, e portanto exercitam continuamente o caráter e o espírito. Uma das formas de o fazerem é honrando escrupulosamente os seus compromissos. Independentemente de serem importantes. Sem questionar a eficácia ou o interesse desse cumprimento. Sendo-lhes indiferente que outros, mais fracos ou imerecedores, porventura tenham falhado esse cumprimento.
RESERVA DA IDENTIDADE DOS MAÇONS QUE NÃO SE HAJAM ASSUMIDO PUBLICAMENTE COMO TAL
Mesmo nas sociedades mais abertas e com maior inserção social da Maçonaria, mesmo no Brasil, nos Estados Unidos ou em Inglaterra, existem preconceituosos contra a Maçonaria que, se tiverem o poder e a posição para tal, podem subrepticiamente prejudicar um maçon apenas por o ser - embora porventura ocultando o seu preconceito e usando uma qualquer outra desculpa ou justificação... Também nas sociedades mais abertas e com maior inserção social da Maçonaria se continua a justificar uma atitude prudente em relação aos preconceituosos e, portanto, o cumprimento do princípio de não revelar que alguém, que não tenha assumido publicamente essa condição, é maçon.
Uma outra razão justifica ainda o cumprimento deste princípio. A Fraternidade implica o reconhecimento da dignidade do outro em todas as circunstâncias. Implica o respeito pelo outro, pela sua inteligência, pelas suas escolhas. Se um maçon divulgasse que outrem tem essa qualidade, sem que o visado tivesse previamente assumido a mesma publicamente, estaria, sobretudo a desrespeitá-lo, a desrespeitar essa sua escolha. Se o visado não se tinha assumido publicamente como maçon, isso resultava de uma análise do mesmo, de uma escolha sua. Análise e escolha que era seu direito fazer e que só a ele competia fazer. Divulgar que esse que se não assumiu como maçon é maçon corresponde a substituir, a desvalorizar, a desconsiderar, o juízo por ele feito, em favor do juízo (ou da falta de juízo...) do próprio.
A decisão de cada um se assumir publicamente como maçon a cada um pertence. Não pode, não deve, ser apropriada por nenhum outro maçon. E não o é. Em nome do respeito pelo outro, pela sua inteligência, pela sua capacidade de análise, pelas suas escolhas, que é inerente ao elo que une todos os maçons: o elo da Fraternidade. Trair esse elo, mais do que trair o outro seria traição ao próprio e a todos.
RESERVA DE DIVULGAÇÃO DAS FORMAS DE RECONHECIMENTO ENTRE OS MAÇONS
Antigamente era, em muitos locais, perigoso ser maçon. Ainda hoje o é, em várias partes do globo. Os maçons tinham necessidade de se conseguirem reconhecer uns aos outros, sem necessidade de perguntar. Com efeito, se um maçon perguntasse a outrem se também era maçon e esse outrem não só não fosse maçon como denunciasse quem o inquirira, estava o caldo entornado... Havia, pois, que arranjar maneira de um maçon se poder assegurar que outro homem também tinha essa qualidade, de forma que, se assim fosse, o interrogado soubesse que tal interrogação lhe estava a ser feita e soubesse responder da mesma forma, mas que, se o interrogado não fosse maçon, não se apercebesse sequer da interrogação. Havia que criar uma forma de um maçon se dar a conhecer como tal, de maneira que só os maçons se apercebessem disso e só eles reconhecessem essa forma. Havia que poder testar se alguém que se arrogava de ser maçon efetivamente o era. E, sobretudo, havia que tudo isto fazer de forma discreta, apenas percetível por quem devesse perceber. E havia, obviamente que guardar segredo dessas formas de reconhecimento.
Antigamente,não havia as facilidades e rapidez de comunicações e de deslocação que há hoje. Os agregados populacionais eram fechados, muito mais isolados do que agora e, sobretudo, mais distantes, em termos de tempos de viagem. Ir de Lisboa a Londres demorava semanas. Ir de Lisboa ao Porto demorava dias. Ir da Europa à Ásia, a África ou à América demorava meses. Um viajante que chegava a um qualquer local era um desconhecido e desconhecia quase todas ou todas as pessoas desse local. Se se arrogava qualquer título ou condição, não havia meios de comunicação rápidos que permitissem verificar, em terras distantes, se o afirmado era verdade.
Viajar era demorado e perigoso. Os maçons em viagem podiam beneficiar do auxílio de seus Irmãos. Muitas vezes sendo - viajante e residente - desconhecidos um dos outro. Não bastava ao viajante dizer que era maçon. Tinha de comprovar essa qualidade.
Antigamente era, pois. essencial que existissem formas de reconhecimento discretas, eficazes e de conhecimento restrito aos maçons. Que deviam ser e eram avaramente guardadas em segredo.
Essas formas de reconhecimento eram e são constituídas por determinados sinais, por certas palavras, por específicos toques. Os sinais permitiam que os maçons se reconhecessem como tal no meio de uma multidão, se preciso fosse, sem que mais ninguém se apercebesse. As palavras permitiam confirmar esse reconhecimento, constituindo uma segunda forma de verificação, que confirmaria a identificação ou permitiria desmascarar impostor que, por conhecimento ou sorte, tivesse efetuado corretamente um sinal de identificação. Os toques, discretos, permitiam, além de uma fácil identificação mútua absolutamente discreta e insuscetível de ser detetada por estranhos, também desmascarar impostores, pois não bastava, nem basta, usar um certo toque: é preciso saber quando o usar, para quê e que deve suceder em seguida...
Sempre os sinais de reconhecimento foram objeto de curiosidade profana. Por quem perseguia a Maçonaria e os maçons, por razões evidentes. Por quem, não sendo maçon, gostaria de se infiltrar entre os maçons ou, viajando, beneficiar da ajuda que os maçons residentes davam aos maçons viajantes. Ou, simplesmente, por quem era curioso...
Milhares e milhares de maçons conhecem os sinais de reconhecimento. Ao longo do tempo, milhões de maçons acederam a esse conhecimento, nas quatro partidas do Mundo. Houve zangas. Houve dissensões. Houve abandonos. Houve traições. Houve inconfidências. Um segredo só é verdadeiramente secreto se for conhecido apenas por um - e, mesmo assim, se este não falar a dormir... Era inevitável que as formas de reconhecimento dos maçons fossem expostas. Existem livros. Existem filmes. Existem vídeos. Existem panfletos. Existem, hoje em dia, inúmeros suportes em que estão expostas aos profanos as formas de reconhecimento dos maçons. Mas também existem publicados nos mesmos suportes formas de reconhecimento falsas ou inventadas ou simplesmente ultrapassadas... Quem está de fora tem o magno problema de descobrir o que é verdadeiro e o que é falso, de distinguir o certo do inventado, de descortinar o que se mantém vigente e o que foi ultrapassado...
Por isso, ainda hoje, as formas de reconhecimento vigentes, apesar de conhecidas por milhões, apesar de repetidamente expostas, continuam a ser úteis e eficazes.
Mas, mesmo que algum profano consiga conhecer os sinais, palavras e toques certos e consiga descobrir quando os utilizar e como o fazer corretamente, ainda assim só logrará, quando muito, enganar alguns maçons durante algum tempo e acabará - porventura mais cedo do que mais tarde - por ser desmascarado como impostor. Porque não basta executar o sinal certo na hora precisa, pela forma correta, nem dizer a palavra adequada, pela forma prescrita, a quem deve ouvi-la, nem dar o toque acertado, no momento asado e sabendo o que se deve passar a seguir. Tudo isso já é suficientemente complicado - mas não basta. Tudo isso, ainda que porventura executado de forma atinada, constitui ainda uma determinada informação: que quem o fez tem um determinado nível de conhecimentos, uma certa postura e compostura, um exigível comportamento, um específico nível de desenvolvimento pessoal, social e espiritual. Ser maçon e ser reconhecido como maçon não é só conhecer e saber executar sinais, palavras e toques. Isso é o que menos importa. É, sobretudo, saber fazer um percurso, utilizar um método, avançar num caminho.
As formas de reconhecimento são apenas sinais exteriores básicos e nem sequer particularmente importantes. Isso também, mas sobretudo muito mais, é que faz com que um maçon seja reconhecido como tal pelos seus Irmãos.
Reservo o segredo dos sinais, palavras e toques que constituem as formas de reconhecimento dos maçons, porque a isso me comprometi. Mas digo e afirmo: podíamos divulgar, publicar, mostrar, explicar, exemplificar, ensinar, filmar e exibir o filme, executar todos os sinais, palavras e toques de reconhecimento; podíamos ensinar a toda a gente como e quando e por que forma utilizar cada um deles. Ainda assim, pouco tempo e apenas um razoável cuidado bastariam para reconhecer quem efetivamente é maçon e quem, ainda que perfeitamente executasse todos os sinais, palavras e toques, não o é!
Porque ser maçon é muito mais do que saber sinais, palavras e toques. Ser reconhecido como tal implica muito mais do que essas minudências, pois não basta saber sinais, palavras e toques para ser reconhecido maçon. É preciso efetivamente sê-lo e vivê-lo e praticá-lo.
Que nunca ninguém se esqueça disto. Seja profano ou tenha sido iniciado. Especialmente estes!
RESERVA DE DIVULGAÇÃO DE RITUAIS E DE CERIMÓNIAS
Os maçons estruturam o seu trabalho em Loja mediante rituais. A abertura e o encerramento dos trabalhos são sempre executados da mesma forma, a maneira como, durante os trabalhos, cada um fala ou se movimenta em Loja está tipificada, etc.. Os maçons assinalam também diversas situações, individuais ou coletivas, consideradas significativas com Cerimónias meticulosa e ritualmente executadas. Assim sucede com a Iniciação, a Passagem, a Elevação, a Instalação, a Consagração de Loja, etc..
A preservação do segredo sobre os rituais e cerimónias é uma das obrigações dos maçons. Quanto aos rituais, porque são parte integrante da identidade da instituição, que só fazem sentido no âmbito da mesma. A pior coisa que se pode fazer a um conceito, uma informação, uma declaração, é descontextualizá-la. A descontextualização atraiçoa o espírito, o propósito, o aspeto do conceito, da informação, da declaração. Torna-o, ou pode torná-lo, inentendível. Desvaloriza-o. Quiçá, submete-o a ridículo. No entanto, no seu devido contexto, os rituais maçónicos, não só são entendíveis, como são fonte de estudo e iluminação. Não só têm valor, como são fonte de união. Não só são seriamente tomados e executados, como são fonte de fortalecimento do espírito de grupo e da fraternidade entre os maçons.
Os rituais só fazem plenamente sentido se e quando executados no local e pela forma próprios, por e perante quem está apto a compreendê-los. Expô-los aos olhares profanos seria permitir que juízos turvados pela ignorância, obnubilados pelo preconceito, prejudicados pela distância, extraíssem conclusões erradas, perfunctórias, vãs.
Quanto às cerimónias, acresce ainda um outro motivo para o seu teor e o seu desenrolar ser reservado não apenas aos maçons, mas aos maçons do grau em que são executadas, ou superior. É que é importante preservar o fator surpresa, em relação àquele ou àqueles em benefício de quem cada cerimónia é executada. A Maçonaria destina-se a propiciar um terreno apto para o aperfeiçoamento moral e espiritual dos seus membros. Coloca ensinamentos, princípios, máximas, à disposição destes. Faseadamente. Um pouco de cada vez, para que os ensinamentos, os princípios possam ser detetados, descobertos e interiorizados pelos interessados. A Maçonaria nada ensina. Apenas possibilita que se aprenda. Mas essa aprendizagem não é efetuada apenas com o recurso à memória e ao elemento racional. Essa aprendizagem, essa melhoria, esse avanço, resulta também da marca deixada em cada um, através da respetiva inteligência emocional e seu desenvolvimento. Daí que as noções obtidas não sejam apenas adquiridas, mas realmente entranhadas. Daí que se dê valor ao tempo, ferramenta indispensável à construção da melhoria de cada um. Todo este processo se desencadeia através da disponibilidade de apreensão de algo que se desconhece. Daí a importância do fator surpresa. Muitas vezes o que se transmite não é novo. Já foi centenas de vezes lido, milhares de vezes visto. Mas nunca foi visto ASSIM, nunca foi contextualizado DESTA forma, nunca tinha sido introduzido COMO tal.
O maçon a quem uma cerimónia é dedicada é sempre o centro da mesma. Para que a viva e não apenas a ela assista. O objetivo é VIVER a cerimónia. Não revivê-la. Por isso a deve desconhecer antes de dela beneficiar. Por isso devem as cerimónias maçónicas permanecer secretas, de conhecimento reservado a quem o deve ter - e só a esses.
Mas há dezenas de versões de rituais publicados. através dos quais se pode ler o texto de diversas cerimónias. Qual então o interesse de continuar a preservar o sigilo sobre rituais e cerimónias? Duas razões avanço: em primeiro lugar, muito do que está publicado não é já atual. Pode ter semelhanças com o que atualmente se pratica, mas também tem diferenças, algumas significativas. Em segundo lugar, um ritual, uma cerimónia, não é - longe disso! - apenas um texto que se lê ou recita. É muito mais que isso. É movimento, é entoação, é gesto, é interpretação. Muito do que ritualmente é executado não está escrito. É aprendido pela observação, aperfeiçoado com o auxílio dos que antes aprenderam a executar. Por isso é importante o trabalho de aperfeiçoamento ritual de uma Loja. Como um meio. Nunca um fim em si mesmo.
Preservar o segredo quanto a rituais e cerimónias é preservar a essencialidade da cultura maçónica, da sua diferença em relação ao mundo profano. É preservar o método de transmissão e apreensão de conhecimentos. É, enfim, proteger o cerne da Maçonaria.
Os rituais e cerimónias maçónicos, sendo reservados aos maçons, não têm nada de especial, a não ser o cuidado em que sejam um meio eficaz de transmissão de noções, mais uma ferramenta do método maçónico de aperfeiçoamento. Nada têm de censurável ou perigoso. Em nada contendem com as normas do Estado ou com os princípios da Sociedade. Por isso, os maçons também preveem e organizam, de quando em vez, cerimónias a que chamam de brancas, ou seja, abertas a profanos, também executadas ritualmente, através das quais os profanos - e, em primeiro lugar, as profanas com quem partilhamos as nossas vidas... - podem aperceber-se de como decorre uma reunião maçónica. O princípio é sempre o mesmo: os maçons reservam para si o que só para si deve ser guardado, mas não têm qualquer problema em mostrar aos demais o que extravasa do núcleo estrito de reserva, nem em demonstrar como fazem.
Afinal de contas, num mundo ideal, todos seríamos maçons...
RESERVA DE DIVULGAÇÃO DO TEOR CONCRETO E ESPECÍFICO DOS TRABALHOS DE QUALQUER REUNIÃO DE LOJA RITUALMENTE REALIZADA
Os maçons comprometem-se finalmente a não divulgar o teor concreto dos trabalhos de uma reunião de Loja, ritualmente realizada. À primeira vista, isto parece excessivo. Sobretudo, se tivermos em conta que, de cada reunião, é elaborada uma ata que, depois de aprovada, é conservada na documentação e no arquivo da Loja. Por essa ata se alcança que assuntos foram tratados na reunião, que deliberações foram tomadas. E uma ata existe para ser consultada - senão, para quê fazê-la? Independentemente da delicadeza dos assuntos tratados, a ata é elaborada e preservada. Eu publiquei no blogue A Partir Pedra um documento histórico, uma ata que registou os trabalhos da sessão de 18 de setembro de 1835 da Loja brasileira Philantropia e Liberdade. Essa ata registou, nada mais, nada menos, do que a preparação e planificação de um movimento revolucionário, a Revolução Farroupilha!
Porquê então guardar sigilo sobre os sucessos de uma reunião, ao mesmo tempo que se regista, e se guarda escrupulosamente esse registo, o que se passou, elaborando-se uma ata formal? Se é certo que o acervo documental constituído pelas atas das reuniões das Lojas maçónicas pode constituir - e constitui! - precioso material de investigação histórica, nem sequer é esse o principal objetivo do registo em ata. Como acima escrevi, uma ata serve para ser consultada. Cem anos depois ou dois dias depois...
Esta aparente incongruência esclarece-se se tivermos a noção de que uma Loja maçónica é uma organização - que deve registar os seus eventos e deliberações mediante atas, até em obediência às leis civis e em cumprimento dos bons costumes sociais -, mas uma organização com uma característica bem distintiva: é uma fraternidade. Enquanto fraternidade, cultiva e desenvolve especialmente as relações de confiança mútua entre os seus elementos, em estrito espírito de igualdade, sem prejuízo dos graus e qualidades de cada um e dos particulares deveres e meios que cada grau ou qualidade confira a quem os detém.
Enquanto organização, uma Loja maçónica cumpre as regras civis e, portanto regista quem esteve em cada reunião, o que se tratou nela, o que ficou decidido. E guarda e preserva esse registo, que, a qualquer momento, pode ser necessário nos mesmos termos em que qualquer ata de qualquer reunião de qualquer associação ou sociedade pode ser necessária.
Enquanto grupo fraternal, procura-se que cada elemento se sinta, no interior do grupo, completa e absolutamente livre de expressar as suas ideias, opiniões, projetos, preocupações, sem constrangimentos de qualquer espécie. O espaço de uma Loja em reunião ritual é um espaço em que todos e cada um podem baixar completamente as suas defesas e guardas, em que não necessitam de manter a sua "máscara social", em que todos e cada um podem ser e comportar-se e aparecer como realmente todos e cada um são, com suas forças e fraquezas, virtudes e defeitos. Porque, naquele espaço, todos e cada um sabem que devem aos demais a mesma tolerância que dos demais recebem. Porque todos e cada um sabem que todas as opiniões, ideias, contribuições, são analisadas e consideradas pelo seu valor intrínseco, sem argumentos ad hominem, sem acrescentar ou retirar valia à opinião expressa em função de quem a expressa.
Enquanto grupo fraternal, cultiva-se a absoluta confiança mútua, a cooperação, o auxílio a todos na medida das possibilidades de cada um. Procura criar-se um laço forte e duradouro entre todos. Que por isso se consideram Irmãos. Ao criar-se um laço desta natureza, está-se a criar um espaço onde a crítica é aceite, porque a aceitação existe ainda que haja lugar a crítica. Preserva-se um espaço de cumplicidade imensa, em que cada um está à vontade junto dos demais, porque confia nos demais como nele mesmo.
Num espaço assim, de Fraternidade, pode desabrochar sem peias a Liberdade. A Liberdade de opinar, de arriscar testar uma ideia, sem medo de que ela seja apoucada por disparatada. Se o for, assim será considerada. Mas isso não diminui quem a teve. Porque se sabe que ela só foi expressa porque se estava à vontade e porque é em espaços assim que livremente se pode testar a real valia de ideias, opiniões, propósitos. E aperfeiçoar. E limar arestas. E - quantas vezes! - transformar uma balbuciante e hesitante ideia num projeto sólido e com mérito, através do contributo de todos. Um espaço assim é potencialmente um espaço de criatividade e cooperação sem paralelo - porque ninguém teme o juízo, ou a troça ou o apoucamento dos demais. Porque todos sabem que ninguém tem só excelentes ideias, que só expondo todas - as péssimas, as sofríveis, as regulares, as boazinhas, enfim, todas - é possível peneirar delas as que têm efetiva valia. Porque todos sabem que um bom projeto só raramente é produto do valor de apenas um qualquer iluminado, antes resulta da concatenação de ideias, que se acumulam e organizam e dão forma, muitas vezes diferente no final do que fora o lampejo inicial.
Num espaço assim não se tem medo de ser ridicularizado, apoucado, magoado. Mesmo que se use o direito ao disparate. Num espaço assim, sabe-se que o juízo sobre o valor de cada um não depende de uma excelente ou uma péssima ideia, antes resulta do Todo que cada um é e que os demais vão conhecendo, cuja evolução vão constatando.
Um espaço assim é um espaço de intimidade intelectual sem paralelo. E só subsiste porque blindado numa confiança mútua absoluta. O que se diz ali, fica ali. Seja a ideia do século, seja o mais profundo disparate. Quer uma, quer outro, são ali vistos na correta perspetiva, de procura de contribuição para a melhor decisão do grupo, de experimentação, de sugestão, sem reservas, sem cuidados, sem temores de ridículo ou de crítica.
Um espaço assim propicia a mais livre da Livre Expressão do Pensamento. Porque livre da necessidade da pior das censuras, a autocensura. Um espaço assim, baseado na confiança, na Fraternidade, só pode subsistir se todos e cada um souberem que o à vontade em que se expressam não é traído por juízos exteriores feitos por quem, descontextualizando o paradigma em que as ideias são expostas, possa vir a apoucar a ideia, o pensamento, a opinião.
É para preservar esse espaço intimista de Liberdade que se preserva o que de concreto se passa numa reunião maçónica. Porque cá fora julga-se segundo os critérios cá de fora, não se atendendo às condições que se criam para que todas as contribuições sejam bem-vindas. É preciso garantir que todos e cada um possam, no decorrer de uma reunião ritual de Loja, expressar sem quaisquer constrangimentos, de qualquer natureza, as suas ideias e convicções e opiniões. Para que essa Liberdade absoluta exista, mister é que todos e cada um saibam que o que se passa em Loja fica em Loja. E portanto, cada um guarda cuidadosamente para si o que em Loja se passou. Quem quiser saber e tenha o direito a saber... consulte a ata!
O SEGREDO MAÇÓNICO ESOTÉRICO: O VERDADEIRO SEGREDO MAÇÓNICO
Na minha opinião, já hoje aqui o disse, o verdadeiro segredo maçónico vai muito além da discrição sobre identidades, modos de reconhecimento, rituais, cerimónias e trabalhos efetuados. Na minha opinião, o verdadeiro segredo maçónico, o que importa, o que releva, existe, não porque os maçons o queiram preservar, mas porque não o conseguem revelar. Porque é insuscetível de plena transmissão. Chamo-lhe segredo maçónico esotérico. Também há quem o refira como a Palavra Perdida. Em bom rigor, nem sequer é exclusivo dos maçons. A Maçonaria ensina e pratica apenas um dos métodos para a ele se poder aceder. Outros porventura haverá, desde a vertente mística à que privilegia a meditação ou a busca do equilíbrio perfeito.
Talvez, como muitas vezes sucede, quem melhor conseguiu mostrar o que é o verdadeiro segredo maçónico, tenha sido um Poeta, no caso, o grande Fernando Pessoa, neste fantástico poema:
O verdadeiro Segredo Maçónico...
É um segredo de vida
E não de ritual
E do que se lhe relaciona.
Os Graus Maçónicos comunicam àqueles que os recebem,
Sabendo como recebê-los,
Um certo espírito,
Uma certa aceleração da vida
Do entendimento
E da intuição,
Que atua como uma espécie
De chave mágica dos próprios símbolos,
E dos símbolos
E rituais não maçónicos,
E da própria vida.
É um espírito,
Um sopro posto na Alma,
E, por conseguinte,
Pela sua natureza,
Incomunicável.
É realmente incomunicável. E obviamente não tenho a prosápia de desmentir o Poeta. Mas posso tentar apontar a sua natureza, indicar a direção em que cada um deve olhar, sugerir o rumo da busca.
O verdadeiro segredo maçónico, aquilo a que muitos chamam de Palavra Sagrada ou, muito simplesmente, de Luz, é aquilo que o maçon aprende através do contacto com seus Irmãos, do convívio e busca de entendimento dos elementos simbólicos que a maçonaria profusamente coloca à disposição dos seus elementos, do método de análise, de trabalho, de esforço, de meditação, de extenuada conquista, passo a passo, degrau a degrau, patamar a patamar, sobre si próprio, a pulso desbastando suas imperfeições, despojando-se do interesse sobre toda a ganga material que obnubila os nossos espíritos, indo-se cada vez mais longe em épica viagem, com começo e fim no fundo de si mesmo e aí descobrindo a resposta que procura.
Esta busca, esta viagem, esta procura, tem um começo e um fim, mas nem um nem outro serão porventura os esperados. O começo será sempre depois do meio dia, a hora a que os maçons iniciam os seus trabalhos, quando cada um está efetivamente apto a começar a trilhar o caminho sem marcos, bordas ou fronteiras, que conduzirá não sabe onde. O fim, esse, tem hora marcada, aquela a que os maçons pousam as suas ferramentas, a meia noite. Como em muito do que tem valor, tão importante é o resultado como o trabalho para o obter, tão atraente é o destino, como o caminho que a ele conduz. E muito raramente o caminho mais curto entre o ponto de partida e o de chegada será uma reta...
Em bom rigor, duvido mesmo que haja apenas um verdadeiro segredo maçónico, um único segredo esotérico. Nesta altura do meu entendimento, propendo a considerar que cada maçon atinge a sua própria Luz - a deste com mais brilho, a daquele mais baça, a daqueloutro, qual bruxuleante chama de longínqua vela, mal se vendo -, cada maçon encontra e resgata a sua própria e individual Palavra Perdida - a de um bela e cristalina, a de outro sonora e estentória, a de um terceiro suave e quase inaudível murmúrio.
Cada um encontra o que procura e o que trabalha e se esforça por encontrar. Cada um encontra Segredos, Luzes, Palavras diferentes ao longo da sua busca. Porque esta nunca termina. Cada resposta encontrada dá origem a novas perguntas, nascidas de mais lúcida compreensão, em perpétua evolução e aprofundamento de compreensão. É por isso que tenho para mim que eu não posso, não consigo, não sei, partilhar a minha Palavra, com mais ninguém, nem sequer com o meu mais chegado Irmão. Não só porque não consigo descrevê-la em toda a sua extensão e complexidade, como porque o mero enunciar do ponto do caminho em que me encontro me abre novos horizontes de busca, para lá dos quais nem sequer sei se não terei de pôr em causa e de reformular tudo ou parte do que me levou a percorrer esse preciso caminho, quer ainda porque cada viagem, mesmo a do meu mais mais chegado Irmão, seguiu rumos diversos dos meus, levando a linguagens distintas, a conceitos diferentes, a complexas variantes.
Cada um em cada momento encontra diferente Palavra, vê diversa Luz, preserva variado Segredo, porque cada um viaja para destinos diferentes: cada um viaja até ao fundo de si mesmo e cada um é todo um Universo diferente do parceiro do lado.
Nessa viagem, nesse trabalho, nessa busca, cada um procura coisa diversa. Eu só posso definir o que neste momento busco. Já me reconciliei - há muito! - com a finitude da vida neste plano de existência, já abandonei, por estulta e estéril, a busca do imenso porquê, a mim nunca me interessou particularmente interrogar-me sobre o cósmico como. Por agora, desde há muito e não sei até quando, concentro-me na busca do sentido da Vida e da Criação. Tenho uma ideia rude e imprecisa desse sentido. Busco o melhor ângulo para obter mais Luz. Espero que consiga obter o Brilho suficiente para, através do sentido da Criação, entrever o Criador... E tudo isto eu - neste momento - busco, em fantástica viagem, sem outro veículo que não eu próprio, não consumindo outro combustível senão tudo aquilo de que me interiormente despojo, sem outro destino e caminho senão o fundo de mim mesmo. Porque é o conhecimento de mim mesmo, em todas as complexas vertentes que condicionam o meu Eu, que me habilitará a conhecer o Outro, o Mundo e quem o criou e porquê e para quê e como. Eu sou a pergunta, a pergunta sem resposta, a pergunta buscando a resposta e, simultaneamente, a resposta contida na própria pergunta, que me levará a nova pergunta, que gerará nova resposta, em contínuo alargar de horizontes, que espero me permita entrever o que está para além do horizonte e contém todos os horizontes...
Algo já encontrei, algo já me ilumina, algo já consigo balbuciar. Mas não tenho ilusões: ainda não sei ler nem escrever, sei apenas soletrar...
Confuso, não é? Pois é! Eu bem avisei que o segredo maçónico esotérico é aquele que existe porque não se consegue transmitir... O Poeta bem o soube...
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2010/02/segredo-maconico-texto-integral-da.html
O segredo Maçónio por Rui Bandeira, Correio-Mor, orador convidado da Tertúlia de 20 de Fevereiro 2010 - 30Jan2010 16:26:00

Em que consiste?
Qual a sua justificação?
inscrições abertas, lotação limitada, contacto: bar-do.alem@gmail.com
Quem é Rui Bandeira?
A Mensagem de boas vindas
Grande Loja Legal de Portugal/GLRP
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Este espaço foi criado e é mantido com o propósito de proporcionar a todos os interessados informação básica sobre a Maçonaria Regular, a GLLP/GLRP, os seus princípios, atividades e projetos. Procuramos mantê-lo constantemente atualizado, sendo nosso objetivo uma revisão e atualização de conteúdos com uma periodicidade que não exceda um mês.
Toda a obra humana deve ser entendida como provisória e sujeita a aperfeiçoamentos, a evolução, a melhoria. Este sítio está, portanto, em constante renovação. Renovação que não implicará necessariamente a retirada de conteúdos e sua substituição por outros, mas que passará pela adição de novos conteúdos.
Na primavera de 2009, procedemos à renovação do sítio, quer em termos de imagem, quer de organização de conteúdos. Paulatinamente, vamos continuar a introduzir novos conteúdos.
Neste campo, a prioridade vai ser dada, naturalmente, à informação institucional: contactos atualizados, informação sobre as Lojas da Obediência e as demais Obediências Maçónicas Regulares com quem a GLLP/GLRP mantém relações de amizade e mútuo reconhecimento, calendário de eventos, etc..
Mas também haverá lugar à apresentação de trabalhos de obreiros desta Grande Loja. A elaboração de trabalhos, estudos, monografias, sobre os mais diversos assuntos e temas é uma tarefa corrente e realizada com gosto pelos maçons. Muitos desses trabalhos ficam arquivados, após terem sido levados ao conhecimento, por vezes de apenas um punhado de obreiros de uma particular Loja. Alguns deles serão certamente de utilidade para o público em geral e o sítio da Grande Loja (como os sítios das Lojas que também marcam presença no espaço virtual) é o local apropriado para os disponibilizar.
Enfim, a divulgação das iniciativas das Lojas e dos maçons tem também, claramente, lugar neste espaço.Como em tudo na vida, quando algo de novo se apresenta no horizonte, experimenta-se tímida e cuidadosamente. Só depois se ganha confiança para explorar e aproveitar as potencialidades do que de novo se nos apresenta. Assim ocorreu nos primeiros contactos da Maçonaria, instituição centenária e que preza a Tradição estabelecida pelos que nos antecederam, com o fantástico potencial das Novas Tecnologias. O tempo da timidez está passado. Confiantemente, este espaço será o repositório do essencial da informação relativa à GLLP/GLRP.
Porém, tal como Roma e Pavia não se fizeram num dia, os propósitos acima enunciados não se concretizam num piscar de olhos, de um dia para o outro. Ficam enunciados propósitos e caminho. Pede-se aos visitantes deste espaço a benevolência de acreditar que a viagem está em marcha, aceitar que os resultados se vejam mês a mês e ir espreitando periodicamente o que aqui vos deixamos.
Muito obrigado por aqui ter vindo. Volte sempre!
Rui Bandeira
A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP é a única organização maçónica portuguesa internacionalmente reconhecida como Regular. A Maçonaria Regular foi institucionalizada a partir de 1717. Nessa data, quatro Lojas maçónicas de Londres constituíram a Premier Grand Lodge.
A Maçonaria Regular rege-se por 12 Princípios, ou Landmarks Regulares, também conhecidos pelos 12 Pontos da Regularidade, que poderão ser consultados no espaço As 12 regras.Entre essas Regras da Regularidade avultam as de que apenas podem ser admitidos como maçons regulares homens livres e de bons costumes, crentes no Criador (mas cabendo à livre e íntima consciência de cada um a conceção individual do mesmo, a religião que professa e a forma como o faz) e a exclusão de qualquer controvérsia sobre Política ou Religião. Os trabalhos das Lojas Maçónicas Regulares são conduzidos à Glória do Grande Arquiteto do Universo (a denominação, abrangente a todas as crenças e religiões que os maçons utilizam para se referir ao Criador) e na presença das 3 grandes Luzes da Maçonaria: o Livro Sagrado (ou Livros Sagrados, se em assembleia houver elementos que, professando diferentes religiões, tenham diversos Livros Sagrados), o Esquadro e o Compasso.
A observância estrita destes princípios distingue a Maçonaria Regular de outras formas de entender e praticar o fenómeno, designadamente da Maçonaria dita Irregular ou Liberal, originada em diferente conceção, nascida em França. São diferentes a identidade e alguns princípios seguidos por estas duas formas de praticar e entender a Maçonaria.
Em contraposição a esta mencionada distinção de princípios, é comum a toda a boa prática da Maçonaria, seja Regular, seja Irregular ou Liberal, a existência de um específico método de aperfeiçoamento pessoal e moral (e, para a Maçonaria Regular, também espiritual), baseado no estudo do Simbolismo e na análise, compreensão, aplicação e relacionação do significado obtido dos símbolos estudados, na aquisição e consolidação de conhecimentos através de sucessivos patamares e na interiorização das lições recebidas através da sua absorção global, pela Razão e Emoção. Essenciais ao espírito e prática maçónicos são a contribuição do conhecimento e esforço individuais para o grupo em que o indivíduo se insere - a Loja -, correspondentemente retribuídos pelo papel do grupo no aperfeiçoamento individual.
Instituição buscadora da excelência, da Sabedoria, da Força e da Beleza, funcionando segundo os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a Maçonaria desde há séculos que transforma homens bons em homens melhores e, por essa via, contribui para a melhoria das sociedades em que se insere.
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Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2010/01/o-segredo-maconio-por-rui-bandeira.html
Cenários e Previsões para o ano de 2010 de Fernando Albuquerque, na Tertúlia do Bar do Além - 24Jan2010 10:03:00
Devido às peculiares características dos tempos em que vivemos, parece-me interessante iniciar as previsões para 2010, num enquadramento que nos reporta ainda ao ano de 1999, ou mais especificamente a 11 de Agosto, dia em que como estarão lembrados ocorreu um Eclipse Solar no Grau 18º do Signo de Leão ? e do qual derivou a Grande Cruz Fixa Cósmica.
Esse evento também é, referenciado nas Centúrias de Nostradamus, e como já tive oportunidade de o dizer em nalgumas Conferências públicas, é uma data claramente apontada como de Transcendente Importância, pelo Anjo de Portugal no ano de 1916, Anjo e ano, que antecederam as Aparições Marianas, que culminaram como é sabido, com o Milagre do Sol em 13 de Outubro de 1917.
Esse Milagre do Sol, é um devir? pois que o que aconteceu naquele dia, foi apenas um anuncio que aponta para uma outra data, que coincide com a das Profecias Maias; mas por ter ocorrido sob os auspícios da Senhora de Fátima ? é sem duvida Ela, que nos transmite essa Mensagem, que em si, constituirá um 4º Segredo? de Fátima.
As matrizes base, são constituídas por 4 e não por 3 elementos. 4, como o são as 4 divisões do nosso coração ? 4, como o são os pontos Solstíciais e Equinociais ? ora o Anjo anunciou-se num ponto Equinocial e a Senhora apontou para um ponto Solstícial (como o é o de 21 de Dezembro de 2012) e que está efectivamente relacionado com o Milagre do Sol.
Mesmo sem ainda entrar em questões astrológicas, poderíamos olhar para a data de 13 de Outubro de 1917, sob a perspectiva dos Arcanos do Taro:
Dessa data obteríamos a ?Roda da Morte? e a ?Estrela que Roda?, mas também o ?Imperador Mágico? e a ?Mágica Justiça?. Há sempre um duplo sentido nas coisas, apesar da nossa atenção se focalizar habitualmente numa só.
13 ? 10 ? 10 ? 17 = (Morte + Roda) e (Roda + Estrela)
Ou
4 ? 1 ? 1 ? 8 = (Imperador + Mago) e (Mago + Justiça)
A primeira decomposição leva-nos ?às voltas que a Morte dá? mas, também às ?voltas que com a Estrela ocorrem?.
Na sua base, o ano de 1917 é o mesmo que: 19 + 17 e por isso fala-nos do Sol da Estrela ou da Estrela do Sol ? essa Estrela numa outra perspectiva é na verdade um Planeta ? o Planeta Vénus mas, que na Tradição Portuguesa é designada pela Estrela da Manha ? ou Estrela dos Pastores, o que até por aí se liga aos ?Pastorinhos de Fátima?.
Essa Estrela ou Carta 17 ? contem em si o número do Biorritmo de Portugal. Será coincidência tudo isto? Poderia ser, mas o facto é que entre 11 de Agosto de 1999 e 21 de Dezembro de 2012, ocorrem exactamente 17 Conjunções entre o SOL e a referida ESTRELA SLIDE 2, sendo que em verdade desenham nos céus, essas mesmo Conjunções, um perfeito PENTAGRAMA ? figura geométrica que nas palavras do Mestre Lima de Freitas (in, 515 o Lugar do Espelho), é um representativo ou uma expressão ?DO ESPIRITO SANTO?.
Dum ponto de vista geométrico e simbólico, esse Pentagrama é a evolução natural do Quadrado ? então isso significa, que a Grande Cruz Cósmica ocorrida em 1999 evolui para o Grande Pentagrama Cósmico de 2012, o que em si constitui uma das Mensagens de Fátima e por outro lado anuncia um TEMPO ou MOMENTO de REDENÇÃO do HOMEM. Gostaria de explicar rapidamente porque:
A Senhora de Fátima disse aos Pastorinhos, ?não rezem a mim, mas à Senhora do Rosário?. Isso é muito curioso, porque entre 13 de Maio de 1917, data da primeira Aparição e 13 de Outubro data do Milagre do Sol, ocorrerem exactamente 153 dias.
153 é o número das Peças dum Rosário, inicialmente constituído por 150 (número do Salmos), mas, ao qual foram apostas mais três Ave-marias em honra do Deus Trino. Esses 153 são também o número dos peixes pescados por Simão Pedro, um dos Apóstolos e o primeiro Papa da Igreja, que segundo a Tradição é Crucificado em 13 de Outubro do ano de 64, a seu pedido numa Cruz Invertida, por não se sentir digno de morrer de igual forma, à do seu Mestre.
É interessante notar que esse 13 de Outubro, data da Crucificação de Simão Pedro vem a ser uma efeméride do Milagre do Sol ocorrido em Fátima e não deixa de ser também uma outra efeméride ligada à História dos Templários, pois que é em 13 de Outubro de 1307 que é iniciada a prisão desses Cavaleiros por toda a França e também de notar que é a 13 de Maio de 1310 que são queimados os primeiros Templários, data que fará a Efeméride dos 700 anos no próximo dia 13 de Maio e em que o Papa Bento XVI se encontrará em Fátima.
Falaremos do Papa mais tarde mas, para já note-se que por redução teosófica ou também designado por número secreto, 153 é o mesmo que 17 ? o que nos liga por um lado ao Biorritmo de Portugal e por outro à sequência de encontros ou Conjunções entre Sol e Vénus ? Vénus ou Estrela dos Pastores ? encontros que ocorrem entre 1999 e 2012.
Numa outra perspectiva, designemo-la por Cabalista, o número 17 corresponde à Letra Hebraica Pé e esta é representada por uma BOCA, por sua vez traduzida por REVELAÇÃO. O seu número é 5 (o que se liga inequivocamente ao Pentagrama) e o seu Planeta é Vénus ou aquele que com o Sol, desenha os 17 Encontros, para expressar a Manifestação Cósmica do Espírito Santo e o que significa num outro simbolismo, a Redenção do Homem.
SLIDE 3 Um Terço é em sentido literal 1/3 do Rosário. Num Terço vemos o Homem Caído ou um Pentagrama Invertido. Rezando o Terço ? o que pediu a Senhora de Fátima, rodamo-lo e ao rodar invertemo-lo e nesse Pentagrama rodado, já podemos ver o Homem Redimido e a posição efectiva dos 17 Encontros entre Sol e da Estrela dos Pastores que se realiza por três sequências ou 3 Terços.
Voltando ainda à data de 11 de Agosto de 1999 ? a data do Eclipse Total, veremos que ele sob a perspectiva do Taro anunciou destruição, porque é representado pela TORRE e também MORTE.
11.8.1999 = 2 + 8 + 10 + 18 = 38 ? 22 = 16 Torre
Mas também Morte, porque
11 + 8 + 20 + 18 = 57 ? 22 = 35 ? 22 = 13 Morte
Efectivamente o mundo toma a consciência da mudança com a ?destruição pela (TORRE) ou Torres Gémeas em Nova York? em 11.09.2001. Mas, esta data também nos leva à RODA o que significa efectivamente MUDANÇA. E ainda a 19 ou SOL.
11.09.2001 = 2 + 9 + 20 + 1 = 32 ? 22 = 10 a Roda
11 + 9 + 20 + 1 = 41 ? 22 = 19 SOL
A primeira, a do Eclipse, fala-nos da Torre e da Morte => o mesmo que destruição e morte.
A segunda, a das Torres Gémeas (e serem gémeas, também encerra um significado de duplicidade), que no fundo é o 1º acontecimento após o Eclipse, aquele que marca o inicio da consciência da mudança ? que como redução a 1 ? fala-nos do Mago como 10 da Roda ou da mudança e como 19 do Sol.
Na prática é como estejam a ocorrer dois tempo-acções em simultâneo, paralelo ou gemenidade ? que por síntese levam ao SOL ? tal como os gémeos da Carta XIX do Tarot.
No dia 11 de Setembro de 2001, ocorria nos céus uma Oposição Plutão ? Saturno e por curioso que pareça esse seria o 1º dos Aspectos astrológicos de grande significado, dos SETE que ocorreriam entre a anterior data do Eclipse Solar de 1999 e o posterior Solstício de Inverno de 2012, data esta apontada pela Profecias Maias ? como a de Finais de Tempo, que a meu ver deverá ser lida como Final dum Tempo ou Ciclo, e início de outro.
Quando falo em 7 estou a referir-me aos 7 ASPECTOS PRINCIPAIS, pois que naturalmente desses derivam ASPECTOS CONSEQUÊNCIA.
Desses 7 grandes eventos cósmicos ? temos 3 OPOSIÇÕES e 4 INGRESSOS PLANETÁRIOS.
Saturno ? Plutão = > Que correspondente a Nova York e às suas derivadas que se reflectiram no Afeganistão e Iraque
Saturno ? Neptuno => (2006) Intensificação das tensões Israelo-Árabes e a questão nuclear do Irão
Saturno ? Úrano => a actual fase que hoje transitamos iniciada em Novembro de 2008 e que se prolongará até Julho deste ano de 2010.
SLIDE 5 A tonalidade destas três Oposições poderia ser vista em analogia com a Simbólica Maçónica como os três golpes de Hiram Abiff, o Construtor do Templo de Salomão ? Templo cujas ruínas albergou os Templários em Jerusalém. Será por isso que a Bíblia em Apocalipse nos fala da construção dum novo Templo e duma nova Jerusalém? é uma questão para se meditar.
Olhemos por ora a ambiência dos 4 Ingressos Planetários.
A primeira delas foi a de Úrano Ingressando no Signo de Peixes no dia 11 de Março de 2003
- Sucedeu-lhe no dia 16 a Cimeira dos Açores, e
- No dia 20 a Invasão do Iraque ? logo, nove dias após o referido Ingresso.
(nota: há uma analogia astrológica desta data, com a da Batalha de S. Mamede ? 24/06/1128 ? por existirem configurações semelhantes)
Não se pode deixar de levar em consideração que quando Úrano Ingressou em Peixes, imediatamente se estabeleceu o que se designa tecnicamente de uma Mútua Recepção Planetária, Recepção essa com Neptuno, uma vez que este encontrava-se no Signo de Regência de Úrano, quando este ultimo entrou no seu Signo ou Casa de Neptuno. Na prática esse facto fala-nos dum intercâmbio entre Neptuno e Úrano ? curiosamente os Regentes de Portugal e o Regente da Nova Era, respectivamente.
Na verdade ? Portugal ? através da Cimeira dos Açores, integrou a questão do que viria a ser a Guerra do Iraque ? guerra, que chegou aos dias de hoje.
Numa outra perspectiva? a Mútua Recepção, também nos indica aqui um certo equilíbrio entre duas forças?
Neptuno é sem dúvida nesta vertente um representante do mundo árabe ? ele é dono da 12ª Casa Natural ou Peixes ? o que tem a ver com Água, daí por ventura a luz verde ter nascido numa Ilha (aquela que cercada por água) e se argumentasse a procura das ?Armas Químicas? que não deixam de ser uma representação dos líquidos ou da Água. A questão da 12ª Casa prende-se naturalmente com o 12ª Iman Mahdi ? o OCULTO ou ENCOBERTO da tradição Islâmica. Mas, também é verdade que estamos por ERA a sair da 12ª CASA ou PEIXES ? anunciando-se a aurora da ERA DE AQUÁRIO. Essa aurora, não é a Estrela dos Pastores que a anuncia? Ela que também é conhecida pela Estrela da Manhã.
Estará aqui oculto o mistério do ENCOBERTO português? Aquele que chegará numa manhã de nevoeiro?
Uma coisa é certa? este ano de 2010, inicia-se o terceiro dos 4 Ingressos ? já falarei do segundo, é só para não se perder a ideia.
Então em 2010 o mesmo Úrano que desencadeou com a sua entrada em Peixes, a procura das armas químicas, mas sob uma mútua recepção ou equilíbrio, ingressará este ano de 2010 no Signo de Carneiro desencadeando por certo a ?procura das armas do Fogo ou das armas nucleares?, desviando o alvo do Iraque para o Irão. Mas, agora esse equilíbrio da Mutua Recepção já não existe o que pode radicalizar as forças gerando por ventura uma grande tensão entre o Ocidente e o Mundo Árabe.
Antes de continuar vou então referir-me ao 2º Ingresso. Esse foi o de Plutão no Signo de Capricórnio. Reporta-se a finais de 2009 e o MUNDO DISSE? QUE A ECONOMIA MUNDIAL entrou em colapso, não podendo mais ser o que foi.
Então num quadro dessa natureza, anunciado por Plutão (crise generalizada) e numa alteração de fundo da Mutua Recepção que se desfaz ? enfrentaremos um 2010 que antes de mais por 20 + 10 nos fala do JULGAMENTO DA MUDANÇA.
SLIDE 6 Há duas Cartas astrológicas que chamam atenção neste ano de 2010. A primeira é naturalmente a do Solstício de Inverno do passado dia 21 de Dezembro 2009 ? essa Carta dá-nos em certa medida uma panorâmica global. Curiosamente e caso único entre 1999 e 2012, a Lunação de Agosto de 2010 ocorre sobre o Grau do Eclipse de 11 de Agosto de 1999, onde tudo começou. Isso significa, entre outras coisas que 2010 é um ano chave para a compreensão no biénio que antecede o 2012, altura em que todos estes ciclos se fecharão.
E para que se perceba a força das Mútuas Recepções, diga-se desde já que nessa época Plutão e Saturno estarão em Mútua Recepção, por Plutão em estar em Capricórnio e Saturno em Escorpião. Ou seja, cada deles, entra na casa do outro? é a pacificação entre aqueles que se opuseram em 11 de Setembro de 2001 ? para que o mundo visse a queda das Torres, anunciada pela TORRE o que simboliza o Eclipse da CRUZ FIXA. Até nesse sentido, o que foi iniciado? estará consumado.
Possivelmente o futuro dessa situação evoluirá entre Maio de 2010 e Março de 2011 quando após os Retrógrados, Úrano entrar definitivamente em Carneiro ? Signo de Fogo e militar por excelência, para posteriormente evoluir para uma Quadratura a Plutão. Nesta perspectiva o cenário prognosticável é claramente mais bélico do que pacifista.
Concomitantemente existem fortes Aspectos de tensão já iniciados, mas que se tornarão mais activos com esse Ingresso:
Sat Opp Ura entre 27 Apr 2010 e 26 Jul 2010
Sat Sqr Plu entre 31 Jan 2010 e 21 Aug 2010
Tecnicamente desenha-se assim uma chamada Quadratura em T, cujo ponto focal é Plutão ? a quem se atribuiu com o Ingresso em Capricórnio a crise económica mundial. Assim sendo é muito pouco crível que a referida crise ? tenha chegado ao fundo ? como se costuma dizer? mais parece que ela apenas se anunciou e se instalará de forma mais dramática na segunda metade de 2010.
Há razões para na primeira parte do ano se acreditar no contrário, essas razões prendem-se com o Mapa do Solstício no passado dia 21 de Dezembro de 2009. Entre outros aspectos relevantes, Júpiter e Neptuno estavam em Conjunção. Isso reflecte uma certa onda de esperança e optimismo, mas que eu diria nada ter de material. Será certamente lida pelos mais materialistas por uma fase de aparente recuperação que nesse sentido, apenas será uma onda apaziguadora do cenário anterior ? mas é como um balão que posteriormente rebenta, porque como atrás disse ? a sua essência é espiritual e não material.
Generalizando então as minhas previsões para 2010, diria:
Um primeiro Semestre onde surgirão soluções mais ou menos utópicas para a crise, e onde se pode manifestar um certo optimismo de mercados
Posteriormente um agravamento acentuado da mesma
Tendência para atentados e acentuado aumento de criminalidade generalizada
Tendência para manifestações públicas mais extremadas
Tendência para a emersão de notícias explosivas
Alto índice de acidentes tecnológicos (comunicações, transporte e nuclear), bem como acidentes de índole natural
Instabilidade climática acentuada
Instabilidade social
SLIDE 7
E interessante ainda verificar, que esse Grau 18, da Lunação de Agosto, é o mesmo que no passado Solstício de Inverno em 2009, Mapa base de previsões para o ano, tinha nessa mesmo posição zodiacal MARTE RETRÓGRADO ? Marte que retomará o sentido directo no próximo dia 11 de Março e passará ao Grau 18 de Leão de 13 para 14 de Maio de 2010.
É um Marte muito intrigante, porque na verdade no próximo 12 de Maio é iniciada uma Quadratura de Úrano no Mapa Natal de Bento XVI e esse Aspecto está ligado a acidentes, atentados, e operações cirúrgicas que no contexto da Carta astrológica de Ratzinger poderá supor o inicio dum processo terminal de vida. Essa Quadratura prevalece até Março de 2011.
Em conclusão:
2010 afigura-se como um ano charneira no sentido que levará a perceber pelo desfazer da Mutua Recepção Úrano ? Neptuno e o primeiro contacto de Úrano com Carneiro, se a tendência emerge ou não para características bélicas, motivadas agora pelo factor nuclear.
O aumento das tensões Israelo-Árabes parece ser um dado adquirido.
O efeito geral da ?crise económica? poderá acentuar-se na 2ª metade do ano.
A vinda de Bento XVI a Portugal, coincidente com o início de uma fase pessoal de muito alto risco, mas que no contexto geral ganha sentido se quisermos levar em linha de conta as Profecias de S. Malaquias.
Há efectivamente um clima geral de instabilidade que se repercute aos mais diversos níveis. Em contrapartida manifesta-se também uma ?emergência de significado?. Quero com isto dizer que as pessoas estarão mais propensas a encontrar a sua própria verdade, e tudo se tornará um tanto extremado quer no bom quer no mau sentido.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2010/01/devido-as-peculiares-caracteristicas.html
Astrologo Fernando Albuquerque reinicia Tertúlias dia 23 de Janeiro com previsões sobre ano 2010 - 01Jan2010 09:00:00
No ano de 2010 as tertúlias do Bar do ALém
reiniciam-se:
a 23 de Janeiro, com Fernando Albuquerque, Previsões...para 2010 sob o horizonte das predições Maias de 2012!
Apresentação:

De qualquer forma, em termos académicos, frequentei os Cursos de Filosofia e mais tarde de Direito, que não concluí, porque a vastidão de conhecimentos que ia adquirindo fora da Universidade, ultrapassou de tal modo as minhas espectativas, que hoje me posso intitular um investigador "Out".
Durante largo tempo da minha vida dediquei-me à informática, apesar dos aviões terem sido a minha primeira paixão. O conhecimento técnico adquirido, permite-me hoje dispor de alguns programas exclusivos que utilizo quer na prática, quer na pesquisa astrológica. Também trabalhei àreas de Parapsicologia, Taro e Medicinas Alternativas, nomeadamente Homeopatia e Iridiologia.
Aparentemente desconexos todos estes meios de conhecimento: Aeronáutica, Informática, Direito, Parapsicologia, Medicinas Alternativas e Astrologia, estão ligados por um elo comum; astrológicamente o mesmo regente: Úrano.
A Astrologia, é o resultado de um sonho de infância, sonho que teimou perseguir e influenciar a minha vida, até que eu pudesse descobrir o seu significado mais profundo através do Simbolismo Astrológico, e entender que afinal a Astrologia não era para mim um mero conhecimento, mas um "destino".
Assumir isso, foi talvez o passo mais importante, o resto foi acontecendo de formas tão incomuns, como inesperadas, que às vezes mais pareciam quadros mágicos, do que realidades. Lisboa, Porto e Rio de Janeiro, foram até hoje as cidades em que mais trabalhei e em cada caso, ainda me surpreendo e encanto com tudo o que a Astrologia pode oferecer. Por isso, não abdico do empenhamento que me envolve, num contínuo estudo e pesquisa (mais de vinte anos) e só posso enternecidamente agradecer a esse "destino".
Hoje, com 56 anos de idade, e uma vida dedicada à Astrologia, além das consultas individuais e empresariais, dedico-me à investigação, a softwares de pesquisa, organizo documentação, colaboro com algumas revistas da especialidade e disponho deste Site, que além de divulgatória que será certamente um meio de apoio para aqueles que pretendam entender estas áreas do conhecimento. 2008 - OnTime - Concretização testada. Ensaios derivados.2008 - Lisboa - Comunidade Portuguesa de Eubiose - Conferência - O Apocalipse Astrológico.2007 - Projecto de pesquisa "Magical Time" (Astrologia Gráfica).2006 - Stª Maria de Lamas - Centro "O Caminho da Montanha" - Conferência - Portugal e o Mundo - (actualizada e slides).2006 - Lisboa - Galeria Matos Ferreira - Conferência - Portugal e o Mundo - (actualizada e slides).2005 - Lisboa - Sociedade Teosófica de Portugal - Conferência - Portugal e o Mundo - (actualizada).2005 - Lisboa - Comunidade Portuguesa de Eubiose - Conferência - Portugal e o Mundo.2005 - Barcelona - Cyklos -Associação de Astrologia da Catalunha - Delegado em Portugal.2005 - Barcelona - Colaborador da Revista Astrológica - Mercúrio 32004 - Barcelona - Membro efectivo da Sociedade Espanhola de Astrologia (SEA).2004 - Valência - IX Jornadas Mundiais de Astrologia - 2004 - Buenos Aires - VIII Congresso de Astrologia - Gente da Astrologia (GeA) - Las Leyes de la Actualización Dinâmica en la Matriz Vivencial.2004 - Desenvolvimento de Software de Pesquisa na área da Astrologia Médica.2003 - Viana do Castelo - Seminário de Astrologia Horária.2003 - Mindelo - Conferência - Astrologia - Uma Ciência da Vida (apoio Santiago Golf Resort e Centro Cultural Português).2003 - Praia - Conferência - Astrologia - Uma Ciência da Vida (apoio Santiago Golf Resort e Centro Cultural Português).2003 - Cabo Verde - Consultas no ambito, pessoal, empresarial e politico, nas cidades da Praia e Mindelo.2002 - Índia, contacto com a Astrologia Védica e técnicas Ayur-védicas.2001 - Comentários mensais de Astrologia Mundial, desde 11 de Setembro.2001 - Ensaios sobre Consultas On_Line, com apoio da Sapo e Academia Global.2000 - Estoril - Conferência - Astrologia Empresarial.1999 - 2004 Formação de Astrologia em Lisboa, Porto e Aveiro.1999 - Lisboa - Conferência - Astrologia. Destino ou Lívre Arbítrio.1998 - Rio de Janeiro - Consultas e colaboração com o Site Meio do Céu - Cláudia Araújo.1994 - Lisboa - Consultas diárias na Oficina de Astrologia de Paulo Cardoso.1993 - Lisboa - Conferência - O Princípio da Sincronicidade - Sociedade Portuguesa de Naturologia.1982 - Lisboa - Início de actividade em Consultoria Astrológica.
Janeiro, 23, Horizontes astrológicos 2010 (Fernando de Albuquerque)
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2010/01/astrologo-fernando-albuquerque-reinicia.html
TUDO de BOM para o NATAL, TUDO DE BEM para o ANO 2010, São os votos para a Quadra Festiva! - 20Dez2009 21:39:00
(Contemporâneo)
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/12/tudo-de-bom-para-o-natal-tudo-de-bem.html
Texto e fotos da tertulia sobre a Magia em Fernando Pessoa com Pedro Basto de Almeida - 12Dez2009 19:14:00
Com a presença do Vice Presidente da Câmara Muncipal de Alenquer, Dr. João Hermínio, decorreu com o habitual sucesso e agrado geral a última Tertúlia no Bar do Além, do ano de 2009 num almoço debate com cerca de 50 participantes já em ambiente de Natal.
Fica aqui o registo das fotos e do texto de apoio de Pedro Basto de Almeida...
Tertúlia do Bar do Além
Fernando Pessoa e a Alta Magia
- subsídios para a história da Magia em Portugal -
Alenquer ? 12 de Dezembro de 2009
Apresentação:
Voltamos a ter o prazer de tomar parte, como oradores, numa sessão da Tertúlia do Bar do Além, pela terceira aqui vindo dar conta da evolução das nossas investigações acerca do percurso ocultista e esotérico de Fernando Pessoa.
De facto, já em 11 de Dezembro de 2004, a propósito dos contactos entre Pessoa e Crowley, e em 8 de Dezembro de 2006, sobre a biblioteca esotérica de Fernando Pessoa, beneficiámos do debate nesta tertúlia para fazer ponto de situação e obter contributos da maior utilidade para delinear os passos seguintes destes nossos estudos.
Gostaríamos de proporcionar, com esta nossa intervenção, um verdadeiro ambiente de tertúlia, pois pretendemos antes de mais lançar, na medida do possível, tópicos para debate entre todos os presentes, esperando que o tema que vos trazemos seja suficientemente motivador da discussão e, igualmente, que as vossas intervenções possam constituir estimulo e crítica para o nosso trabalho de investigação.
Para os que ainda não nos conhecem, importa que apresentemos o GIFI ? Associação Portuguesa para a Investigação. A nossa associação, que celebrou o seu trigésimo terceiro aniversário no passado mês de Dezembro de 2009, tem como missão o trabalho nas ?fronteiras da ciência?, no sentido de termos em vista a realização de investigação nos limites (ou para além do limite) dos conhecimentos científicos actuais. Também recorremos à expressão ?limites do conhecimento?, pelo facto de nos nossos estudos nos movermos em terrenos propícios à crença, quer num sentido religioso ou espiritual, quer no que costumamos definir como ?crença na ciência?.
Não se trata de pretendermos colocar em causa, criticar ou escrutinar crenças alheias que, antes de mais, respeitamos, mas sim de afastar, tanto quanto possível, as nossas próprias crenças individuais do processo de raciocínio desenvolvido durante investigação. É, certamente, uma vantagem para esse processo de objectivação de raciocínio o facto de no GIFI trabalharmos normalmente em grupo.
A investigação acerca de Fernando Pessoa, no entanto, tem sido essencialmente um esforço de carácter pessoal, razão adicional para me submeter ao espírito crítico, bem informado, dos membros desta tertúlia.
De outro ponto de vista, com os limites e a prudência adequados, as crenças em si próprias consideradas têm sido objecto relevante do nosso estudo. Já o combate à ?crença na ciência? e à ?pseudo-ciência? constitui um dos nossos objectivos principais, na medida em que nos parece ser actualmente uma das mais sérias violações do genuíno conhecimento humano. Manifestamo-nos, assim, contra a tentação positivista de procurar tudo explicar através da ciência, mesmo quando se deveria assumir, no mais puro espírito científico, a nossa ignorância, mas recusamos também todas as formas de proselitismo malevolamente encoberto por vestes académicas ou similares.
Magia
A palavra ?magia? desperta nas nossas mentes ocidentais, do início do século XXI, um conjunto quase-anárquico, de referenciais, da bruxa do meio rural aos feiticeiros dos contos para crianças, do ilusionista mediático aos sofisticados neo-paganistas, do espectador da ?magia do cinema? aos fiéis dos cultos sincréticos afro-brasileiros, do esoterista que procura tornar-se o ?Homem-Deus? ao necessitado que se encomenda ao Criador através dos ?ex-votos?.
É, de facto, muito difícil encontrar uma definição final e absoluta de magia. Talvez seja até melhor assim, pois parece que não haverá apenas uma magia, mas sim várias formas de culto, ritual, religião, espiritualidade, esoterismo, ocultismo que poderemos enquadrar ou cruzar com esta expressão.
Devemos, de toda a forma, adiantar algumas pistas.
Refere Mircea Eliade que no âmbito do Zoroastrismo os Magos eram a ?Classe de sacerdotes dos antigos Medos. Presidiam aos sacrifícios e expunham os cadáveres às aves de rapina e às intempéries. No mundo helenístico os Magos terão a reputação de serem depositários de uma sabedoria oculta?.
Para P. G. Maxwell-Stuart, numa tradução livre da nossa lavra, magia pode ser definida, de forma sumária como a ?crença em que os seres humanos são capazes de controlar, coagir e manipular as forças ocultas da criação, quaisquer que estas sejam, através de técnicas rituais.?, sublinhando ainda que os três principais objectivos da magia são ?contactar forças superiores, sejam estas divinas, naturais ou demoníacas; exercer poder para além do que as suas capacidades naturais poderiam usualmente possibilitar; e usar esse poder tanto em seu próprio benefício, como para benefício de outros ou ainda para satisfazer um impulso maligno, seja este próprio ou emanado de outra pessoa?.
Na colectânea de textos organizada pelo referido P. G. Maxwell-Stuart, da qual constam as passagens que acabámos de transcrever, é apresentado4 um excerto de uma obra do jesuíta e inquisidor português Benito Pereira (numa obra de 1591, ?Adversus Fallaces et Supertitiosas Artes?), na qual este distingue a ?Magia Natural, na qual maravilhas são criadas pelos artifícios individuais de certas pessoas, que fazem uso de coisas naturais.? e a ?Magia Não-Natural que invoca espíritos maus e usa o seu poder para as suas operações? a qual pode ser subdividida em ?Teurgia, Goetia e Necromancia?. Ainda na mesma obra, o compilador dos textos assiná-la, a nosso ver correctamente, que ?A feitiçaria é uma forma de magia e as feiticeiras são quem executa a feitiçaria.?. Repare-se, feitiçaria no sentido da palavra inglesa ?witchcraft?, que nos remete para a actualmente tão em voga ?wicca?.
Parece também claro que Magia e Kabbalah se encontram intimamente relacionadas, no âmbito do que poderemos definir como o esoterismo ocidental. A este propósito, sintetiza P. G. Maxwell-Stuart (em nossa tradução livre) ?A palavra ?Kabbalah? deriva do hebreu qabbalah significando ?tradição?. Há várias formas pelas quais pode ser soletrada: ?Cabala? é uma outra?. Kabbalah é a técnica de ler e interpretar a Bíblia, especialmente o Pentateuco...? ?... também envolve o conceito chave do que é conhecido como a ?Árvore da Vida?, uma estrutura simbólica constituída por dez emanações do divino, com dez nomes, atributos, poderes e diversos caminhos entre si, todos expressando uma noção de Deus em mundos ou planos sucessivamente mais elevados.
A contemplação destas emanações, ou Sephiroth, conduz não apenas a um maior entendimento da natureza de Deus, que, em contrapartida, conduz o Kabbalista cada vez mais perto de uma visão de Deus ele mesmo, mas também a um mais detalhado conhecimento das diferentes formas nas quais os poderes divinos operam através dos vários mundos. Este conhecimento pode ser utilizado pois os nomes que o sujeito encontra no decurso da sua contemplação são nomes de poder e a habilidade para reconhecer e manipular estes nomes concede uma imensa e potente autoridade à pessoa que tenha dominado esta técnica. A importância da Kabbalah para a magia, em consequência, dificilmente pode ser exageradamente afirmada.?.
Já para William Wynn Westcott, um dos fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Hermetic Order of the Golden Dawn), maçon dos mais ilustres, membro da Sociedade Teosófica e Mago Supremo da SRIA (Societas Rosacruciana in Anglia), ?A Alta Magia do verdadeiro rosa-cruz é o conhecimento de como perceber, com os poderes mentais do homem inferior, os reflexos irradiados pelo homem espiritual para guiá-lo e instruí-lo.? ou, em resumo ?... a Sabedoria Espiritual é a verdadeira Alta Magia...? .
De forma bem mais sumária e com refinado sentido de humor, Aleister Crowley no seu artigo ?The revival of Magick? refere-se à magia ? que denomina ?Magick? ? dizendo que a mesma ?... pode ser definida para o nosso presente propósito como a arte de comunicar sem meios óbvios.?
E Pessoa, nos seus múltiplos escritos e reflexos, muitos dos quais sobre matéria espiritual e esotérica, falou ele próprio acerca da magia ? Com base nas recolhas realizadas no espólio pessoano, Yvette K. Centeno transcreve a seguinte passagem do texto ?A Ordem do Subsolo? (espólio 54-97):
?Se esses ensinamentos occultos são verdadeiros, ou apenas especulações abstrusas, é outro problema. Se os hierophantes do occulto teem, na verdade, maior conhecimento da verdade pura do que nós profanos, que a buscamos, se a buscamos com a leitura, ou a meditação, ou a inteligência discursiva e dialéctica ? não o podemos nós saber. Tudo isso pode ser sinceramente criado pelos iniciados e ser falso. O occulto pode ter hallucinações próprias, enganos seus.
Seja como for, o certo é que os ensinamentos ministrados nos mysterios abrangem três ordens de coisas: 1) a verdadeira natureza da alma humana, da vida e da morte, 2) a verdadeira maneira de entrar em contacto com as forças secretas da natureza e manipulá-las, e 3) a verdadeira natureza de Deus ou dos Deuses e da creação do mundo. São, respectivamente, o segredo alchimico, o segredo magico, e o segredo mystico.?
A mesma autora dá-nos ainda a conhecer10 esta outra passagem (espólio 54-33/37): ?A obra de magia contém trez elementos, ou antes são trez as obras de magia: 1) o conhecimento e conversação do Santo Anjo da Guarda, 2) o conhecimento (atravez d?elle) dos Deuses acima d?elle, regentes do Seu mundo, 3) o uso ou auxílio d?esses Deuses nas operações sobre nós e sobre os outros.?
E, ainda numa citação com a mesma origem11, veja-se a seguinte reflexão do poeta acerca da iniciação (Espólio 54ª-52): ?There are three distinct types of initiation ? symbolic or outer, intellectual (outer of inner), and vital (inner). In the symbolic initiations, which reinforce the will and therefore lead to Magic as attainment, the candidate does not pass through stages of understanding, but through stages of intuition, so to speak; he is continually on the surface and appearance of things, and, though he attains the highest degree in whatever order or orders he goes through, that highest degree need not correspond (generally does not correspond) to anything like a parallel degree in any other of the inner initiations. In the intellectual initiations, which reinforce the intellect and therefore lead to Mysticism as attainment, the candidate passes through stages of understanding, but not through stages of life; he may know much, but he need not live that which he knows on the same level as he knows it. In the vital initiations, which reinforce the emotion and therefore lead to Alchemy as an attainment, the candidate lives that which he feels and knows.
(Is this right ? Do not rather these initiations differ on another score, whereas the difference between Magic, Mysticism and Alchemy (what of Gnosis ?) lies on another plane of interpretation ? Are not these initiations rather physical, etheric and astral ? (or, perhaps, etheric, astral and spiritual, or astral, mental and spiritual ?)
- Possibly there are three modes in which initiations can be interpreted: (1) the three ways of attainment, magical, mystical and Gnostic, (2) the three stages of attainment, Neophyte, Adept and Master, (3) the three degrees of attainment, astral, mental and spiritual.?
Fernando Pessoa, ocultismo, magia e Alta Magia
O génio de Fernando Pessoa e o facto de ter sido erigido ?poeta do regime?, após o 25 de Abril, suscitam uma enorme atenção e interesse relativamente a todos os pormenores da sua vida. Para tal atracção contribui decisivamente o enorme acervo de que dispomos relativamente ao poeta. Escritor impenitente, autentico habitante da palavra, Pessoa deixou milhares de escritos, em verso e em prosa, completos e fragmentários, sobre uma enorme diversidade de assuntos, todos desembocando, de alguma forma, em si próprio.
Estudar o espólio de Fernando Pessoa é tarefa fundamental para conhecer o poeta. Do ponto de vista em que nos colocamos, é uma via extremamente produtiva para encontrar fontes sólidas para conhecer a história do esoterismo em Portugal, nas primeiras três décadas e meia do século XX.
Pessoa era, sem margem para dúvidas, um apaixonado pelo ocultismo, para recorrermos à terminologia mais em voga na sua época. Mas, terá chegado a ser um ocultista ?
O nosso terreno é o da História, pelo que nos interessam acima de tudo os factos que possam contribuir para dar resposta a tal questão. Neste caso, factos que, antes de mais, nos são facultados pelo próprio Fernando Pessoa. Sabemos actualmente, sem margem para dúvidas, que Fernando Pessoa se dedicou à astrologia, em termos teóricos e práticos, bem como que manifestou apreço pela maçonaria ? indicando não lhe ter pertencido ? e tendo chegado a apresentar-se na sua nota biográfica de 1935 como ?cristão gnóstico?, com a seguinte ?Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal?.
Este é, porém, o final da história.
Tracemos um breve quadro cronológico acerca do trajecto de Pessoa nas vias do ocultismo, conferindo especial atenção à componente mágica, que aqui nos interessa particularmente.
Tendo nascido em Lisboa a 13 de Junho de 1888, assinala Yvette Centeno que logo em Setembro de 1906, num caderno do heterónimo ?Alexander Search? se encontram referências a bibliografia ocultista, concretamente de Berthelot, Papus e, numa outra nota, de Paulhan. No âmbito da correspondência de Fernando Pessoa, encontramos uma primeira nota com carácter potencialmente esotérico data de 8 de Setembro de 1914, tinha o poeta 25 anos, quando escreve a Sampaio Bruno, que não conhece, declarando o seu interesse pelo patriotismo e atracção pelo Sebastianismo, afirmando mesmo serem os livros de Bruno uma bússola que lhe manda fazer do autor o seu Norte.
Sabemos que Pessoa se interessou pelo espiritismo e pela teosofia. Está, aliás, actualmente demonstrado que se dedicou à escrita automática, com particular enfoque nos anos de 1916 e 1917. Pese embora o facto de ter colocado totalmente em causa o valor dessas comunicações, mostram as fontes disponíveis que voltou a recorrer a essa técnica, pelo menos até 1930.
Neste contexto Pessoa escreve a 6 de Dezembro de 1915 a Mário de Sá-Carneiro, referindo-se, em tom globalmente dubitativo e crítico, à Teosofia, pois muito embora a considere próxima do seu paganismo, repugna-lhe o ?? seu humanismo e apostolismo??.
Decisivamente, a espiritualismo esotérico sincrético ? Oriente / Ocidente ? não lhe agradava. Como refere Richard Zenith, Pessoa escreveu sobre teosofia considerando que se trata de uma ?detestável sub-imposturice indiana? e, assinando como Rafael Baldaia e de forma mais suave, dizendo ser ?apenas uma democratização do hermetismo. Se se quiser, é uma cristianização dele. Mais nada.? Mas a carta a Sá-Carneiro contém uma outra pista, porventura mais relevante para o nosso estudo. Nesse escrito, Fernando Pessoa compara a perturbação que a Teosofia lhe causou com aquela que resultou ?? há muito tempo com a leitura de um livro inglês sobre Os Ritos e os Mistérios dos Rosa-Cruz. A possibilidade de que ali, na teosofia, esteja a verdade real me ?hante?.?
Diga-se que ?hanté?, em francês, significa assombrado, no sentido fantasmagórico do termo. Parece certo que o livro referido possa ser o que consta da biblioteca pessoana com a entrada 0-12 Jennings, Hargrave, The rosicrucians, their rites and mysteries, 4th. ed. London: George Routleoge and Sons, New York: E. P. Dutton and Co., (1--?), 464 p. De acordo com as referências que encontrámos, o livro em causa é de 1870, pelo que a sequência temporal permanece ajustada.
Não haverá, que conheçamos, nenhuma forma de esclarecer em que altura, exactamente Pessoa leu, com tanto impacto, a obra em referência, cujo autor, do século XIX, é apontado como tendo pertencido a um ?certo ramo da Ordem Rosacruciana, por volta de 1860? e que teve amigos celebérrimos como Paschal Berverly Randolph, Eliphas Lévi ou Edward Bulwer-Lytton. O que é certo é que Pessoa leu esta obra com toda a atenção, pois há sinais claros, nos múltiplos sublinhados e notas que ali deixou, de a ter lido atentamente pelo menos em duas ocasiões.
Um indício desta leitura ter sido relativamente prematura, no trajecto de vida de Fernando Pessoa, é o de serem em grande número as anotações centradas em bibliografia citada na obra, que o poeta vai anotando a margem com a menção ?read? ou semelhante. Não encontrámos, até ao momento, situações similares noutras obras da biblioteca pessoal do poeta que estudámos, as quais são claramente posteriores, em termos cronológicos.
Em 24 de Junho de 1916, Pessoa escreve à sua tia Ana Luísa Nogueira, referindo-se amplamente à escrita automática, à sua mediunidade (?Aí por fins de Março (se não me engano) comecei a ser médium.?) e ao facto de ter passado a ter tendência para desenhar ?? sinais cabalísticos e maçónicos, símbolos do ocultismo e coisas assim que me perturbam um pouco.?.
É tentador relacionar-se este surto mediúnico com a morte de Mário de Sá-Carneiro, que se suicidou em Paris a 26 de Abril de 1916. A questão é que, conforme se anotou, é o próprio poeta quem situa o início do fenómeno cerca de um mês antes da morte do seu maior amigo.
Na mesma carta, é dito ainda que:
?As comunicações actuais são, por assim dizer, anónimas e sempre que pergunto ?quem é que fala?? faz-me desenhos ou escreve-me números.? E mais adiante:
?É singular que, apesar de eu não perceber nada de tais números, consultei um amigo meu, ocultista e magnetizador ?Explicou-me apenas que esse facto de eu escrever números era prova da autenticidade da minha escrita automática ? isto é, de que não era auto-sugestão, mas mediunidade legítima. Os espíritos ? diz ele ? fazem essas comunicações são, por isso mesmo, incompreensíveis ao médium, e de ordem que mesmo o inconsciente dele era incapaz de imaginar.?.
Manuela Parreira da Silva refere como hipóteses de identificação do ?amigo ocultista e magnetizador ? Fernando de Lacerda ou Mariano Santana24, citando, respectivamente, João Gaspar Simões, em ?Vida e Obra de Fernando Pessoa? e Eduardo Freitas da Costa. Fernando de Lacerda (1865 ? 1918) foi, de facto, um importante espírita português. No entanto, estaria a viver no Rio de Janeiro desde 1911, razão pela qual consideramos esta sugestão, pelo menos, muito duvidosa.
Já Mariano Santana era, segundo as nossas fontes, ?frequentador da tertúlia da Brasileira e amigo de Pessoa, que a ele se refere, por exemplo, em cartas para Ofélia Queirós.?. Pedro Teixeira da Mota refere-o entre aqueles com quem Pessoa manteria ?? conversa ocultista e espiritual??, sem outros detalhes. Não conseguimos obter, até ao momento outros dados relevantes sobre esta personagem. Seria, no entanto, interessante lograr desenvolver esta via de investigação, pois as referências de Pessoa aos resultados da sua mediunidade ? sem crermos exagerar ? lembram-nos bastante mais as comunicações através de signos e números referidas a propósito das evocações e invocações da Alta Magia, do que propriamente o que conhecemos da escrita automática dos espíritas Kardecistas.
Registe-se que em 1919 (ou 1918) Pessoa escreve ?Um Caso de Mediunidade? onde desconstrói e crítica fortemente o espiritismo e a mediunidade, qualificando-os como perturbações mentais, texto no qual também se refere, em conclusão, ao espiritismo, que considera dever ser ?proibido por lei?. No mesmo texto, num claro momento de rejeição do ocultismo, diz até ?O que Deus fez oculto (se Deus fez alguma coisa oculta) é para se conservar oculto. Se não, ele tê-lo-ia feito claro.? e para terminar, mais adiante, ?Graecia Mater, dirige-nos !?
A 6 de Março de 1917 Fernando Pessoa escreve a Frank Hollings (Londres), agradecendo o envio de catálogo de livros sobre o oculto e encomendando o ?Book 777?. Trata-se do Liber 777, presente na biblioteca do poeta sob a entrada 2-1 777: vel prolegomena symbolica ad systemam sceptico misticae viae explicandae ? fundamentum hieroglyphicum sauctissimorum scientiae summae?, London (etc.), The Walter Scott Publishing Co., 1910, 54 p..
O ?Liber 777? trata-se de um dicionário de correspondências de elementos mágicos, que Aleister Crowley pretendia constituir para o ocultismo o que ?... Webster or Murray is to English language.?. Neste volume Pessoa nada anotou de relevante, com excepção de um curto sublinhado no texto introdutório, onde Crowley sustenta que aprendeu a não usar os pontos de vista do céptico e do místico segundo a mútua tolerância dos sub-contrários, mas sim através afirmação dos contrários, o que, em seu entender, implica uma transcendência das leis do intelecto, que corresponde à loucura no homem comum e à genialidade no super-homem.
Muito embora, como se assinalou, o livro não identifique Crowley como seu autor, o facto é que o volume contém de forma absolutamente clara a indicação de se tratar de uma edição da A A (isto é, da ?Argenteum Astrum?, uma organização esotérica liderada pelo Mago inglês), a qual é ali expressamente definida (em tradução livre de nossa lavra) como ?... um conjunto de pessoas que conseguiram atingir a condição que tem sido várias vezes descrita como... ? a de ?santos?, ?mahatmas?, ?mestres?, ?adeptos? ?... e assim por diante, consoante os acidentes de tempo e de lugar.?. Em suma, pelo menos em 1917 já Pessoa tinha conhecimento da existência desta Ordem Mágica, da linha thelémica crowleyniana.
Em 26 de Maio de 1919 Fernando Pessoa escreve a Herbert Jenkins (Nottingham), referindo-se a um anúncio surgido no The Times de 11 de Maio de 1916, sobre o livro ?Secret Shakespearean Seals?, que não chegou a encomendar, mas sobre cuja disponibilidade para encomenda inquire. Trata-se do volume presente na biblioteca pessoana sob a entrada 8-481 Rosa-Cruz, Frades, Secret Shakespearean seals: revelations of Rosicrucian Arcana: discoveries in the Shakespeare plays, sonnets and works printed circa 1586-1740. Nottingham: J. Jenkins, 1916. VII, 88 p.
Mais tarde, a 20 de Junho de 1919, escreve também a Frank Woodward, respondendo a carta deste. Trata-se de um dos autores do livro que acabámos de indicar, que não terá gostado dos comentários de Pessoa ao facto do livro ser atribuído aos ?Irmãos Rosa Cruz?, que o poeta considera ?um exemplo de uma assumpção comum (embora impossível).?
De toda a forma, importará sublinhar que estas interessantes ? e plenas de humor ? referências à Rosa Cruz tem, em rigor, mais que ver com o interesse específico que Pessoa dedicou à questão de saber se a obra de Shakespeare seria, afinal, da autoria de Francis Bacon ou, até, de um grupo de pessoas. Essa será, em si própria, uma temática de estudo autónoma, que aqui não poderemos desenvolver.
A 29 de Novembro de 1920 escreve uma carta de ?fim de namoro? a Ofélia Queirós onde afirma ?O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existência a Ofelinha nem sabe, e está subordinada cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam.?. Será, prosaicamente, uma forma despeitada de justificar o fim da relação amorosa ou um momento de exacerbação, na qual revela em escrito algo que até então tinha mantido no seu intimo, sem revelar sequer à mulher amada ?
Prosseguindo no seu pertinaz interesse acerca da Rosa Cruz, a 24 de Setembro de 1924 escreve às Éditions Adyar, Paris, para encomendar a obra que consta da sua biblioteca como a entrada 0-24 Witemans, Fr., Histoire des Rose-Croix, Pref. W. H . Denier van der Gon, 3 ème ed., Paris: Adyar, 1925. 233 p.. Pela data de edição constante do volume, parece certo que a encomenda só teve resposta no ano subsequente, 1925.
Aproveitemos o ensejo para referir que a biblioteca de Fernando Pessoa, tal como se encontra preservada na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, é integrada por um total de 1055 volumes. Temos vindo a realizar, desde 2003, uma investigação sistemática acerca dos livros sobre esoterismo constantes do referido acervo, tomando como objecto de fundo do estudo as notas e sublinhados de Fernando Pessoa apostas nessas obras. Importa esclarecer que há outros volumes que integraram a biblioteca de Pessoa que não se encontram na Casa Fernando Pessoa, mas sim, ainda, na posse de familiares. Embora nos tenha sido manifestada disponibilidade para que acedêssemos a esse acervo, tal ainda não nos foi possível.
Uma primeira constatação, que nada espanta, é a de a área de formação e de vocação de Fernando Pessoa ? língua, linguística e literatura - congregar 56,11% dos volumes que integram a biblioteca. Em termos analíticos, no que se refere à temática da nossa recolha, verificamos a seguinte subdivisão de volumes, por classe: Classe 0 ? Generalidades, progresso, obras de referência, periódicos, organizações de carácter esotérico e semi-secreto: 17 em 24 volumes, isto é 70,83%.
É o que se esperaria, tendo em conta a menção expressa, na temática da classe, ao esoterismo, mas não deixa de ser relevante que a amplitude do interesse de Pessoa por este tipo de assuntos se revele de forma tão expressiva numa classe, ainda assim, integrada por temas muito diversificados.
Classe 1 ? Filosofia: 58 em 162 volumes, o que significa 35,80%.
Pese embora nos pareça discutível a integração nesta classe de vários volumes, que melhor caberiam, porventura, na classe anterior, pode-se tomar em linha de conta uma dupla observação, pois não só confirmamos pela análise da sua biblioteca o sério interesse que o poeta dedicou à filosofia, como também podemos qualificar, sem grandes hesitações, a filosofia esotérica como umas das áreas às quais dedicava especial atenção.
Classe 2 ? Religião, Teologia: 3 em 74 volumes, correspondendo a 4,05%.
Neste caso sentimos a necessidade de ser mais críticos: em rigor, nenhum dos três volumes considerados deveria, a nosso ver, estar integrados nesta classe, pois pareceria mais curial a sua integração numa das duas classes anteriores.
Classe 3 ? Ciências Sociais: 1 em 76 volumes (1,32%).
O volume único em apreço trata-se da Lei das Sociedades Secretas, de 21 de Maio de 1935, pelo que parece correcta a integração nesta classe, sendo igualmente óbvio o interesse que Fernando Pessoa dedicou ao assunto, como atesta o seu célebre artigo, publicado no ?Diário de Lisboa? a 4 de Fevereiro de 1935.
Classe 5 ? Matemática, ciências naturais: 1 em 33 volumes (3,03%).
Trata-se de um livro sobre astrologia, que por força do seu título foi claramente mal classificado, como se de um estudo acerca de astronomia se tratasse.
Classe 6 ? Ciências aplicadas, medicina, tecnologia: 0 em 11 volumes (0%).
Classe 7 ? Arte, desporto: 0 em 11 volumes (0%)
Classe 8 ? Língua, linguística, literatura: 7 em 592 volumes, o que significa 1,18%.
Os livros desta classe que integrámos na nossa listagem resultam de situações bastante particulares, justificativas da sua classificação na mesma: a ?autohagiografia? de Aleister Crowley; dois livros portugueses sobre a temática sebástica e do quinto império; dois livros sobre esoterismo na literatura; uma obra de Aldous Huxley cujo título corresponde a uma máxima de Aleister Crowley e, por fim, uma obra de Yeats, que é esotérico, pelo menos, ele próprio, nomeadamente pela sua documentada participação na Golden Dawn.
Classe 9 ? Geografia, biografia, história: 3 em 72 volumes, ou seja 4,16%.
A presença nesta classe de volumes integrados na temática esotérica não merece qualquer comentário particular, pelo que reservaremos a nossa atenção para os livros que aqui estão em causa, individualmente considerados.
São, portanto, 90 os livros registados na nossa listagem, o que nos permite quantificar a temática que nos importa neste estudo em 8,53% da biblioteca de Fernando Pessoa. No entanto, se realizarmos o cálculo sem considerar os livros constantes da classe 8, isto é, afastando por um momento a literatura do nosso campo de visão, concluímos que os livros sobre esoterismo e espiritualidade são 15,77% da biblioteca do poeta (73 em 463). Na listagem que elaborámos predominam os livros em língua inglesa (68), sendo 14 os volumes em língua francesa e apenas 8 os itens listados em português.
De entre as edições inglesas, registe-se a presença de 12 volumes editados pela ?Modern Astrology Office?, 6 pela ?Rider and Co.?, 5 da ?William Rider And Son?, 3 da ?W. Foulshan & Co.?, 2 da ?Kegan, Paul, Trench, Trubner and Co.?, 2 da ?The Teosophical Publishing Society?, 2 da ?Chatto and Windus? e 2 da ?A. Lewis?, todas editoras de Londres. Nas editoras francesas destacam-se, na nossa listagem, a Adyar (3 volumes) e a Daragon (2). Em Lisboa, merece referência especial para a Clássica Editora, origem de metade dos livros em língua portuguesa que acima referimos.
Quanto aos autores, a esmagadora maioria surge na listagem com apenas uma obra. São excepções:
Alan Leo, com 8;
Sepharial com 5;
Aleister Crowley com 3;
Arthur Edward Waite com 3;
H. S. Green com 3;
Edwin Raphael com 3;
George Wilde com 3;
A. Lida Churchill com 2;
C. W. Leadbeater com 2.
Dos 90 livros da listagem 36, isto é 40%, referem-se a astrologia (30) e a artes divinatórias (6), o que confirma a predilecção de Pessoa por esta temática. Tendo em conta a temática específica em que neste momento devemos centrar a nossa atenção, as sociedades iniciática e, especialmente, a magia, estão em causa 54 volumes da biblioteca de Pessoa.
Numa última anotação quantitativa, valerá a pena referir que encontramos na nossa listagem:
14 livros sobre temática maçónica;
10 sobre magia;
6 sobre temas que podemos sumariar integrando-se no ocultismo (inclui-se livros acerca do Graal, martinismo, antroposofia e a citada obra de Yeats);
5 relativos à Rosa Cruz;
5 acerca do espiritismo (incluindo-se volumes sobre a reincarnação);
2 sobre Kabbala;
Apenas 1 livro, directamente, sobre a Teosofia.
Quantos aos 10 livros sobre magia, podemos considerar verificar-se uma incidência elevada de livros com potencial prático:
1-23 Churchill, Lida A., The Magic Seven. 12 th. ed. London: L. N. Fowler and Co., 1911. 88 p.
1-24 Churchill, Lida A., The Magnet. Wimbledon: The Anglo-American Book Co., (1--?). 63p.
1-32 Conybeare, Fred Cornwallis, Myth, magic and horals: a study of christian origins. Ist. ed. London: Watts & Co. 1909. XVIII, 376 p.
1-67 Hartmann, Franz, Magic white and black on the science of finite and infinite life: containing practical hints for students of occultism. Ist. ed. London: Kegan Paul, Trench, Trübner & Co., 1904. 298 p.
1-70 Hubert, M. H., Étude sommaire de la représentation du temps dans la religion et la magie: avec un rapport sommaire sur les conferences de l?exercice 1904-1905 et le programme des conferences por l?exercice 1905-1906. Paris: École Pratique des Hautes Études, 1905. 67p.
1-76 (The) Kabbalah unveiled, transc. Macgregor Mathers, Knorr von Rosenroth, 4th. ed., London: Kegan, Paul Trench, Trobner and Co., 1926, XIII, 360 p.;
1-84 Le Breton, John, The white-magic book. London. C. Arthur Pearson, 1930. XXX, 100 p.
1-151 Master of Therion, Magic in theory and practice: being part III of book 4, Paris, Lecram Press, (19-?), XXIX, 122 p.;
1-139 Sepharial, The Kabala of numbers: a handbook of interpretation. London: William Rider and Son, 1911. 168 p. The New Thought Library. Magic, alchemy and occult science.
2-1 777: vel prolegomena symbolica ad systemam sceptico misticae viae explicandae ? fundamentum hieroglyphicum sauctissimorum scientiae summae?, London (etc.), The Walter Scott Publishing Co., 1910, 54 p..
Quanto às obras de Aleister Crowley, afinal o primeiro objecto das nossas investigações, apurámos que Fernando Pessoa possuiu as seguintes:
?The confessions of Aleister Crowley?, Volume I e Volume II, Mandrake Press, London, 1929;
?Liber 777?, The Walter Scott Publishing Co., Ltd., London, 1909;
The Master Therion, ?Magick in theory and practice (being part III of book 4)?, Lecram Press, 26 Rue d?H? (?), Paris, sem data.
Cumpre encerrar este (longo) parêntesis, dedicado a caracterizar a biblioteca esotérica de Fernando Pessoa, como acervo de fontes especialmente relevante para a nossa investigação, regressando à digressão cronológica que vínhamos empreendendo.
Depois de algum interregno nesta sequência factual cronológica, cerca de três anos durante os quais não identificamos referências factuais relevantes para o nosso estudo, verificamos que em 1928, sem data exacta, Pessoa escreve a David Davidson acerca do livro ?The Great Pyramid, Its Divine Message? e quatro outros panfletos. O livro não consta da nossa listagem, mas parece certo que está na Biblioteca Fernando Pessoa. Na carta é referido o envio de alguns excertos de textos publicados na imprensa portuguesa, que Pessoa explica terem que ver com a lenda do regresso de D. Sebastião. Trata-se, certamente, de uma minuta parcial de carta, que não terá sido remetida, pois o texto acaba abruptamente.
Igualmente sem data, mas ainda em 1928, Pessoa escreve a Teixeira de Pascoaes terminando com a curiosa frase ?Não duvido de que a emoção do poeta possa viver mais do que a arte do artista em outras esferas, noutros mundos, em outros planos, como dizem os ocultistas menores.?. Também neste caso parece que a carta não terá sido remetida. Já em 1929, mais exactamente a 9 de Outubro, Pessoa escreve a Ofélia Queiróz, dizendo a dado passo ?Preciso cada vez mais de ir para Cascais ? Boca do Inferno mas com dentes, cabeça para baixo, e fim, e pronto, e não há mais Íbis nenhum.?.
Assim se demonstra como a encenação do suicídio de Crowley na Boca do Inferno, quase exactamente um ano depois, não surgiu do repentinamente, antes correspondendo a pensamentos suicidários que já anteriormente atormentavam a mente do poeta. Sendo matéria amplamente conhecida, abordada em diversa bibliografia facilmente disponível ? muito embora de qualidade científica com enormes assimetrias ? dispensamo-nos de descrever aqui em pormenor a sequência factual dos contactos estabelecidos entre Fernando Pessoa e Aleister Crowley.
Sumariemos, portanto.
A história da relação entre Fernando Pessoa e Aleister Crowley iniciou-se quase um ano antes do célebre episódio da Boca do Inferno, com uma carta de 18 de Novembro de 1929 dirigida por Pessoa à ?The Mandrake Press?, cujo objectivo expresso era o de encomendar a autobiografia ? dita ?autohagiografia? ? ?The confessions of Aleister Crowley?. Fernando Pessoa mostra-se igualmente interessado por ?The Stratagem?, um pequeno volume contendo três histórias escritas por Crowley, esclarecendo que tem na sua biblioteca uma outra obra do Mago, o ?Liber 777?, que adianta ter adquirido sem conhecer a identidade do seu autor. Logo a 22 de Novembro de 1929, em resposta à sua carta, Pessoa recebe uma carta da editora informando do envio, em separado, do primeiro volume das ?Confessions?? ? o poeta receberá ainda, posteriormente, o segundo e último volume publicado, à época, da ?autohagiografia? de Crowley ? e do volume de ?The Stratagem?.
A 4 de Dezembro de 1929, um passo fulcral: Pessoa dirige nova carta à editora, onde entre outros assuntos arrisca lançar a ponte para o contacto com Crowley: ?Se tiverem, como provavelmente têm, oportunidade de comunicar com o Sr. Aleister Crowley, talvez possam informá-lo de que o seu horóscopo não está correcto e que, se ele admite que nasceu às 23h.6m.39s de 12 de Outubro de 1875, terá Carneiro 11 no seu meio-céu, com o correspondente ascendente e cúspides. Encontrará então as suas direcções mais exactas do que provavelmente as encontrou até agora. Isto é mera especulação, claro, e peço desculpa de vos maçar com esta intromissão puramente fantasista no que é, afinal de contas, apenas uma carta comercial.?
A ?The Mandrake Press? responde a 9 de Dezembro de 1929, comunicando o envio, por correio separado, do segundo volume das ?Confessions ...? e informando que a carta anterior de Pessoa foi passada a Crowley, que lhe responderá directamente, o que vem a ocorrer por carta de 11 de Dezembro de 1929 onde Crowley tece alguns comentários às anotações sobre astrologia que o português lhe tinha remetido, embora anotando que fazia ?... muito pouca astrologia, excepto simples natividades e trânsitos?.
Não será, porventura, esse o principal motivo de interesse desta carta. Ao contrário de Miguel Roza, não nos impressiona que Crowley use na carta, respectivamente no início e no final da mesma, a expressões ?Do what thou wilt shall be the whole of the law? e ?Love is the law, love under will?, que correspondem à síntese final do ?Liber Al vel Legis?, o ?Livro da Lei?, ditado (inspirado ?) a Crowley pela entidade Aiwass no Cairo, em Março de 1904, que para o esoterista e seus seguidores corresponde ao advento do Éon de Horus, a nova Idade de que Crowley pretende ser Santo e Profeta. Provavelmente, estranho seria a ausência na carta de tais expressões.
O que nos parece mais significativo é que Crowley trate, desde logo, Pessoa por ?Care Frate? (Caro Irmão) e que assine, sem qualquer hesitação (em grego, pelo seu punho) ?O Grande Thérion 666?. Acresce que Pessoa, logo desde a carta de 6 de Janeiro de 1930, se dirige a Crowley como ?Carissime Frater? (Caríssimo Irmão).
Estranha e a merecer investigação aprofundada é referência de Crowley a ?the Message?. Pelo seu punho, como post-scriptum, o Mago escreve a 22 de Dezembro de 1929 que considerou a recepção das poesias de Pessoa como uma verdadeira Mensagem, ?...que gostaria de explicar pessoalmente? e, na carta 14 de Janeiro de 1930 sublinha que ?O nosso encontro aí elucidaria alguns pontos confusos no meu pensamento acerca da Mensagem?. De facto, os dois homens manifestam reciprocamente, logo numa fase inicial do seu contacto epistolar, a vontade de se encontrarem, parecendo certo que houve intenção de fazer coincidir tal encontro com um equinócio, bem como que a localização do mesmo em Portugal acaba por decorrer da posição de Pessoa, que não teria possibilidade de custear a sua própria deslocação ao estrangeiro.
Quanto ao episódio da Boca do Inferno, é datado a 23 de Setembro de 1930, coincidindo exactamente com o equinócio de Outono, que supostamente ali ocorre o suicídio de Crowley. Os contactos entre Fernando Pessoa e Aleister Crowley tornaram-se públicos quando a 27 de Setembro de 1930 - um Sábado - o Diário de Notícias publicou a primeira notícia onde se coloca a hipótese de Aleister Crowley se ter suicidado na Boca do Inferno, em Cascais
Sabemos hoje que tudo não passou de uma encenação, orquestrada pelo próprio Crowley, desenhada, com um forte sentido novelesco, por Pessoa e protagonizada por um amigo do poeta, o jornalista Augusto Ferreira Gomes, que pretensamente se teria deslocado a Cascais, a 26 de Setembro de 1930, com o intuito de entrevistar Aleister Crowley. O jornalista ter-se-ia dirigido à Boca do Inferno, sem explicação racional, onde, no grande corte na rocha que se encontra ao lado esquerdo daquele acidente natural, teria encontrando uma cigarreira e, sob aquela, uma carta.
A cigarreira, que se sabe hoje ter pertencido a Fernando Pessoa, ostenta em ambas as faces símbolos egípcios. A carta, redigida em papel timbrado do ?Hotel de l?Éurope?, de Lisboa, está colocada num envelope, este com o timbre do Hotel Astoria, de Coimbra, encontrando-se endereçado a Miss Hanni L. Jaeger, à data a ?mulher escarlate? de Crowley, com nota para lhe ser entregue, rezando o seguinte:
? Ano 14, Sol em Balança, L.G.P. Não posso viver sem ti. A outra Boca do Infierno apanhar-me-á ? não será tão quente como a tua. Hisos!
TU
LI
YU
?
A interpretação da carta de suicídio e a identificação da data sua ocorrência não exige, sequer, esforço de investigação, pois foi o próprio Fernando Pessoa quem se encarregou de nos esclarecer tais mistérios, tanto em notas pessoais, como no artigo publicado por Augusto Ferreira Gomes no ?Notícias Ilustrado? de 5 de Outubro de 1930:
Ano 14 corresponde a 1930, na cronologia especial adoptada por Crowley;
L.G.P. seria o nome místico de Hanni Larissa Jaeger;
Hisos será uma palavra misteriosa de código, apenas conhecida por Crowley e Hanni Jaeger; Tu Li Yu, segundo o próprio Crowley teria explicado a Pessoa, foi um sábio Chinês, que viveu três mil anos antes de Cristo, de quem o Mago inglês seria a actual reincarnação; Sol em Balança, que Pessoa sublinha ser o ponto importante da carta, refere-se às 18 horas e 36 minutos do dia 23 de Setembro ? o Equinócio de Outono.
Miguel Roza publicou entretanto interessantíssimos documentos do espólio do poeta, que registam a preparação da elaboração do bilhete de suicídio, contendo as notas para a ?explicação? do seu conteúdo.
Claro está que o texto da carta, em si próprio considerado, indicia o suicídio de Crowley na Boca do Inferno, com toda a aparência de tal drástico acto ter sido motivado por razões amorosas: a recente e inopinada partida de Portugal de Miss Jaeger. Sabemos actualmente, através da já citada obra de Miguel Roza, que o objectivo final de Fernando Pessoa era o de editar uma ?novela policiária? denominada ?A Boca do Inferno?, cuja autoria seria atribuída a um detective de nacionalidade inglesa.
A correspondência entre Pessoa e o Mago inglês, iniciada nos termos acima referidos, mantêm-se durante 1930, antes e depois da vinda de Crowley a Portugal, a qual culmina com a encenação da Boca do Inferno, verificando-se posteriormente uma diluição de contactos, pois se bem que sejam conhecidas cartas datadas de 1931 e 1932, a verdade é que parece haver mais insistência de Crowley que disponibilidade de Pessoa, o qual, aliás, responde pela última vez ao Mago em Outubro de 1931. Anote-se, em todo o caso, que Pessoa manteve em paralelo, durante o período referido, correspondência com colaboradores de Crowley, nas organizações esotéricas por este lideradas, como é o caso de Francis Israel Regardie (secretário pessoal de Crowley) e Karl Germer (Mestre da Ordo Templi Orientis (O.T.O.).
Este facto é bem demonstrativo da profundidade que alcançaram os contactos do poeta com o universo crowleyano, pese embora a curta duração dos mesmos.
Num total, encontram-se identificadas e publicadas:
- 11 cartas dirigidas por Pessoa a Crowley;
- 15 cartas dirigidas por Crowley a Pessoa;
- 25 cartas de Pessoa para a ?The Mandrake Press?, Francis Israel Regardie e Karl Germer, sendo que patentemente parte dessas correspondência destinava-se ao próprio Aleister Crowley, contactado por interposta pessoa essencialmente enquanto se mantém publicamente o embuste do seu suicídio;
- 4 cartas da ?The Mandrake Press? para Fernando Pessoa;
- 3 cartas de Hanni Larissa Jaeger para Fernando Pessoa;
- 8 cartas de Francis Israel Regardie para Fernando Pessoa;
- 3 cartas de Karl Germer para Fernando Pessoa.
Sendo evidente a motivação esotérica destes contactos, não deixa de ser curioso que Pessoa e Crowley patenteiem igualmente o seu interesse em obter resultados económicos através de publicações a realizar, directa ou indirectamente, em parceria, o que nos conduz a admitir que uma das razões para a diminuição de interesse nestes contactos por parte de Fernando Pessoa seja o facto de, por um lado, se ter tornado evidente que não lograria, por esta via, publicar as suas obras e, por outro lado, por ter constatado que Crowley insistentemente lhe solicitava a angariação de verbas para determinados projectos e, diríamos nós, para a actividade das suas organizações. As dificuldades económicas e os estratagemas para as ultrapassar são, a partir de dada altura, uma constante da vida de Aleister Crowley.
Entretanto, fora da esfera de Crowley, a 30 de Abril de 1930 Pessoa escreve56 ao Conde de Keyserling uma longa carta sobre a Alma (mais exactamente sobre as três Almas) de Portugal. Trata-se de um texto fortemente sebástico, que assina como ?O.S., per?. Em nota de Manuela Parreira da Silva, O.S. é interpretada como a ordem referida noutros escritos do poeta como ?Ordo Solis?, ?Ordo Serpentis?, ?Ordo Sebástica? ou ?Ordo Sanctissimorum?.
Temos documentada a existência actual de organizações esotéricas, de cariz thelémico, que usam designações desse tipo, como por exemplo ?Ordo Serpentis Helicula? ? a Ordem da Serpente Espiralada -, de San Diego (Califórnia, EUA).
Será esta conexão admissível ? Nos fragmentos para uma obra que se denominaria ?O Caminho da Serpente?58, Pessoa escreve o seguinte:
? As Sete Ordens Iniciáticas
(Do Sol, do Signo, do Templo, da Serpente, do Sepulcro,
Sebástica e do Santíssimo)
Três ramos ascendentes, com ordens de subida em cada um. Ao todo são sete ordens, sendo três angulares, seis externas, uma interna. Considerar isto.
Na ordem externa inferior, Ordo Solis, a congregação dos infiéis, a quem só o Sol, realidade externa, é visível, actual ou simbolicamente. Na ordem externa inferior direita, Ordo Signi, a congregação dos fiéis externos, que aceitam não propugnar senão certos princípios abstractos e cristãos, cuja semelhança com outros não vêem. Na ordem interna-externa inferior, Ordo (?) a congregação dos ingressos, sub modo, na O. de C.. Na ordem média esquerda, Ordo Serpentis, a congregação dos iniciados da O. Solis. Na ordem média direita, Ordo Sepulchri, a congregação dos in____ Na ordem média central (a culta e sem exterior); Ordo Sebastica, a congregação Ordo Sanctissimorum.?
Mais tarde, a 16 de Outubro de 1930, Pessoa escreve uma carta a João Gaspar Simões, a exemplo de tantas outras referindo-se a matéria literária e editorial. Nesta, porém, referindo-se ao poema ?O Último Sortilégio?, que envia juntamente com a carta e explica ter escrito no dia anterior, para publicação na ?Presença?, escreve: ?Chamo a sua atenção para um pormenor que é preciso vigiar nas provas ? o qual pormenor é dois pormenores. Trata-se de não esquecer as aspas que marcam o poema como ?dramático?, isto é, falado por terceira pessoa, e de verificar que, como essa pessoa é mulher (e, digamos, bruxa), os adjectivos não saiam no masculino onde a pessoa falante se refere a si mesma. Uma advertência: este poema é uma interpretação dramática da ?magia de transgressão?. Se, por alguma circunstância, achar melhor não o publicar, não hesite em não o publicar.?
O ÚLTIMO SORTILÉGIO
Já repeti o antigo encantamento, E a grande Deusa aos olhos se negou. Já repeti, nas pausas do amplo vento, As orações cuja alma é um ser fecundo. Nada me o abismo deu ou o céu mostrou. Só o vento volta onde estou toda e só, E tudo dorme no confuso mundo.
Outrora meu condão fadava as sarças E a minha evocação do solo erguia Presenças concentradas das que esparsas Dormem nas formas naturais das coisas. Outrora a minha voz acontecia. Fadas e elfos, se eu chamasse, via, E as folhas da floresta eram lustrosas.
Minha varinha, com que da vontade Falava às existências essenciais, Já não conhece a minha realidade. Já, se o círculo traço, não há nada. Murmura o vento alheio extintos ais, E ao luar que sobe além dos matagais Não sou mais do que os bosques ou a estrada.
Já me falece o dom com que me amavam. Já me não torno a forma e o fim da vida A quantos que, buscando-os, me buscavam. Já, praia, o mar dos braços não me inunda. Nem já me vejo ao sol saudado erguida, Ou, em êxtase mágico perdida, Ao luar, à boca da caverna funda.
Já as sacras potências infernais, Que, dormentes sem deuses nem destino, À substância das coisas são iguais, Não ouvem minha voz ou os nomes seus, A música partiu-se do meu hino. Já meu furor astral não é divino Nem meu corpo pensado é já um deus.
E as longínquas deidades do atro poço, Que tantas vezes, pálida, evoquei Com a raiva de amar em alvoroço, Inevocadas hoje ante mim estão. Como, sem que as amasse, eu as chamei, Agora, que não amo, as tenho, e sei Que meu vendido ser consumirão.
Tu , porém, Sol, cujo ouro me foi presa, Tu, Lua, cuja prata converti Se já não podeis dar-me esta beleza Que tantas vezes tive por querer, Ao menos meu ser findo dividi - Meu ser essencial se perca em si, Só meu corpo sem mim fique alma e ser!
Converta-me a minha última magia Numa estátua de mim em corpo vivo! Morra quem sou, mas quem me fiz e havia, Anónima presença que se beija, Carne do meu abstracto amor cativo, Seja a morte de mim em que revivo; E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!
A 22 e 26 de Outubro de 1930 Pessoa volta a escrever cartas a João Gaspar Simões nas quais se refere a ?O Último Sortilégio?, a segunda das quais contendo pormenores bastante relevantes sobre a génese do poema e sua comparação com um outro poema, que Pessoa diz mais antigo, incompleto e ?que vai muito mais além deste na mesma geração - ?Lúcifer? ? e os cinco poemas denominados, em conjunto, ?Além-Deus?.
Lúcifer
Como quando o mortal, que a terra habita,
Aprende que esse céu todo estrelado
É cheio de outros mundos, na infinita
Pluralidade do criado,
E um abismo se lhe abre na consciência
E uma realidade invisível gela,
Seu sentimento de existência,
E um novo ser-de-tudo se revela,
Assim, pensando e, a meu modo, vendo
Na interna imensidão do espaço abstracto,
Fui como deuses vários conhecendo,
Todos eternos e infinitos sendo,
Os astros.
E vi que Deus, se é tudo para o mundo,
Se a substância e o ser do nosso ser
Não é o único Deus mais que profundo.
Há infinitos de infinitos.
Por isso, deus é eterno e infinito, e tudo,
Sim mesmo o tudo que é, Deus o transcende.
Porém muita ciência a mais ascende
Que a esse único Deus que a tudo excede.
Além do transcender-se que Deus é.
E ergui então a voz amargurada,
Porque o conhecimento transcendente
Deixa a alma exânime e gelada.
E clamei contra Deus o além-Deus,
Disse aos meus pares o segredo ominoso.
Eterno condenado, errarei sempre
Sempre maldito,
Porque este mundo (?)
Só sendo mais que Deus eu poderia
Transcender o infinito do infinito
E nascer para o inumerável dia ?
Como, banido, o arqueiro Filoctetes?
Sou só na alma porque vi o abismo.
Excluso eterno (?)
A pávida que cismo.
Sou morte, porque sei que o infinito,
É limitado, e assim, Deus morre em mim.
Deus sabe que é uno, um e infinito,
Mas eu sei que deus, sendo-o não o é.
Mais longe que Deus vai meu ser proscrito.
Além-Deus
I / ABISMO
OLHO O TEJO, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando ?
O que é ser-rio, e correr?
O que é está-lo eu a ver?
Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco ?
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo ? eu e o mundo em redor ?
Fica mais que exterior.
Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus...
E súbito encontro Deus.
II / PASSOU
Passou, fora de Quando,
De Porquê, e de Passando...,
Turbilhão de Ignorado,
Sem ter turbilhonado...,
Vasto por fora do Vasto
Sem ser, que a si se assombra...
O Universo é o seu rasto...
Deus é a sua sombra...
III/ A VOZ DE DEUS
Brilha uma voz na noute...
De dentro de Fora ouvi-a...
Ó Universo, eu sou-te...
Oh, o horror da alegria
Deste pavor, do archote
Se apagar, que me guia!
Cinzas de idéia e de nome
Em mim, e a voz: Ó mundo,
Sermente em ti eu sou-me...
Mero eco de mim, me inundo
De ondas de negro lume
Em que para Deus me afundo.
IV / A QUEDA
Da minha idéia do mundo
Caí... Vácuo além de profundo,
Sem ter Eu nem Ali...
Vácuo sem si-próprio, caos
De ser pensado como ser...
Escada absoluta sem degraus...
Visão que se não pode ver...
Além-Deus! Além-Deus! Negra calma...
Clarão de Desconhecido...
Tudo tem outro sentido, ó alma,
Mesmo o ter-um-sentido...
V / BRAÇO SEM CORPO BRANDINDO UM GLÁDIO
(Entre a árvore e o vê-la)
Entre a árvore e o vê-la
Onde está o sonho?
Que arco da ponte mais vela
Deus?... E eu fico tristonho
Por não saber se a curva da ponte
É a curva do horizonte...
Entre o que vive e a vida
Pra que lado corre o rio?
Árvore de folhas vestida ?
Entre isso e Árvore há fio?
Pombas voando ? o pombal
Está-lhes sempre à direita, ou é real?
Deus é um grande Intervalo,
Mas entre quê e quê?...
Entre o que digo e o que calo
Existo? Quem é que me vê?
Erro-me... E o pombal elevado
Está em torno na pomba, ou de lado?
É, pelo menos, interessante esta sequência, tendo em conta a proximidade temporal com o episódio da vinda a Portugal de Crowley. A 6 de Dezembro de 1930, Pessoa escreve uma outra vez a João Gaspar Simões, com quem à época mantinha contacto muito frequente, voltando a referir-se a ?O Último Sortilégio? e, neste caso, remetendo ?por simples curiosidade? o ?Hino a Pã?, de Crowley, que sublinha não ser para publicar, pois ?? seria preciso a autorização de Mestre Therion; e o Mestre Therion desapareceu, não se sabendo se se suicidou??.
Quanto ao ?Hino a Pã?, que na dita carta Pessoa qualifica como ?um ?poema mágico? a valer? integra a obra de Crowley, presente na biblioteca do poeta, 1-151 Master of Therion, Magic in theory and practice: being part III of book 4, Paris, Lecram Press, (19-?), XXIX, 122 p., que é, efectivamente, um manual de magia, contendo pormenorizadamente elementos sobre a sua teoria e prática.
A 4 de Janeiro de 1931 Pessoa escreve, uma vez mais, a João Gaspar Simões, dando explicações adicionais acerca de ?Hino a Pã? e do seu autor, correspondência essa que, sobre o mesmo tema, prossegue a 7 de Fevereiro de 1931, bem como, mais tarde, em 5 de Outubro de 1931, 1 de Novembro de 1931, 20 de Novembro de 1931 e 11 de Dezembro de 1931. Na carta de 4 de Janeiro Pessoa explica que ?O Hino a Pã é uma espécie de prefácio do trabalho intitulado Magick (Magia), que foi publicado em Paris, em quatro tomos. Crowley mandou vir de Inglaterra um tratado desses para mim; recebi-o, por sinal, já depois de o Crowley ter desaparecido de Lisboa em circunstâncias misteriosas.?
Já na carta de 5 de Outubro, com delicioso sentido de humor, Pessoa, perguntando quando será o poema publicado na ?Presença?, escreve ?O Crowley, que, depois de se suicidar, passou a residir na Alemanha, escreveu há dias e perguntou-me pela tradução ? ou, antes, pela publicação da tradução.? e, mais adiante, ?Veja lá, agora: não me deixe ficar mal com o Mago !? Fernando Pessoa não colocou no seu volume do ?Magick? qualquer anotação ou sublinhado, o que nos leva a colocar a hipótese, desde logo por comparação com os outros livros da sua biblioteca que analisámos, de que o poeta nem sequer o tenha lido. A explicação para tal facto pode decorrer exactamente de integrar o referido poema.
O ?Hymn to Pan?, foi traduzido para português por Pessoa e veio a ser publicado na revista ?Presença? nº 33, Julho-Outubro de 1931, podendo assim admitir-se que o poeta apenas tenha utilizado este volume para esse propósito específico.
HINO A PÃ
Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã!
Vem turbulento da noite a flux
De Pã ! Iô Pã !
Iô Pã ! Iô Pã ! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artemis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da âmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nós que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente ? do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera !
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte lião ?
Vem, está vazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
E a palavra do Louco e do Secreto,
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Io Pã ! Iô Pã ! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã ! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã !
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã! Iô Pã!
Novo interregno, na nossa sequência factual. A 20 de Outubro de 1933 Pessoa escreve à editora londrina Ridder & Co., solicitando informação acerca da publicação de uma obra de Arthur Edward Waite, The Secret Tradicion in Freemasonry, de cuja republicação qual refere ter visto indicação em nota constante da obra 0-22 Waite, Arthur Edward, Emblematic free masonry and the evolution of its deeper issues, London: William Rider and Son, 1925, 301 p.. Pede ainda informação acerca da The Occult Review, manifestando interesse num artigo sobre a existência de uma sociedade secreta no seio da Igreja Católica.
Refira-se que Arthur Edward Waite (1857 ? 1942) - autor de quem Pessoa possuía igualmente os livros 0-21 Waite, Arthur Edward, The brotherhood of the Rosycross: being records of the house of the holy spirit in its inward and outward history, London: William Rider and Son, 1924, XXIII, 649 p. e 1-158 Waite, Arthur Edward, The holy grail: its legends and symbolism, London: Rider and Co. (etc.), 1933, 624 p.; - foi membro da Ordem Hermética da Golden Dawn, da Societas Rosicrucian in Anglia e, mais tarde, após as cisões que desmantelaram a Golden Dawn, da ?Fellowship of the Rosy Cross. Já em 28 de Janeiro de 1934, Fernando Pessoa escreve uma carta ao jornal ?A Voz?, acerca de um artigo sobre ordem de dissolução das obediências maçónicas na Prússia. Assina como ?Um irregular do transepto?.
A 17 de Outubro de 1934 escreve uma carta a A. Allen, em inglês. Sendo o assunto da carta matéria comercial76, Pessoa escreve, com humor, que ?Não sendo Mágico, não as poderia ter carregado com qualquer poder mágico;? referindo-se às palavras ?concrete news? constante de uma sua missiva anterior. A 13 de Janeiro de 1935, em extensa carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, na qual se refere profusamente à génese e desenvolvimento dos heterónimos, responde por fim a perguntas do destinatário da carta sobre o seu interesse acerca do ocultismo, com pormenores do maior interesse. Trata-se da famosa carta acerca dos heterónimos de Pessoa, amplamente referida e comentada pelos investigadores pessoanos.
Escreve Fernando Pessoa:
?Falta responder à sua pergunta quanto ao ocultismo. Pergunta-me se creio no ocultismo. Feita assim, a pergunta não é bem clara; compreendo porém a intenção e a ela respondo. Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes nesses mundos, em existências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando-se até se chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente supremos, que hajam criado outros universos, e que esses universos co-existam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem Externa do ocultismo, ou seja a Maçonaria, evita (excepto a Maçonaria Anglo-Saxónica) a expressão «Deus», dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer «Grande Arquitecto do Universo», expressão que deixa em branco o problema de se ele é Criador ou simplesmente Governador, do mundo. Dadas essas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo, intelectualmente ao nível da bruxaria, que é magia também), caminho esse extremamente perigoso, em todos os sentidos; o caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros caminhos não têm. Quanto a «iniciação» ou não, posso dizer-lhe só isto, que não sei se responde à sua pergunta: não pertenço a Ordem Iniciática nenhuma. A citação, epígrafe ao meu poema Eros e Psyche, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente ? o que é facto ? que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência, desde cerca de 1888. se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do ritual, pois se não devem citar (indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho.?
É a seguinte a epígrafe a ?Eros e Psique?:
?? E assim vedes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito,
e aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto Menor,
são, ainda que opostas, a mesma verdade.
do RITUAL DO GRAU DE MESTRE DO ÁTRIO
NA ORDEM TEMPLÁRIA DE PORTUGAL?
Segue-se, em termos temporais, o célebre artigo publicado no ?Diário de Lisboa? a 4 de Fevereiro de 1935, visando o projecto legislativo cujo objecto era a proibição da actividade das associações secretas, usou de refinada ironia para demonstrar que aquela iniciativa legislativa da ditadura se destinava exclusivamente a atingir a Ordem Maçónica. Tal conclusão fundamentou-a Pessoa no facto de há data e em Portugal, que fosse do seu conhecimento, para além da maçonaria apenas funcionarem como organizações de cariz iniciático, ?... essa curiosa organização que, em um dos seus ramos, usa o nome profano de Companhia de Jesus...?, ?... uma ou outra possível Loja martinista ou semelhante...?, sendo ainda certo que a Carbonária se encontrava extinta e que há muito estava ?... em dormência a Ordem Templária de Portugal...?.
O dito projecto legislativo acabou por ver a luz, como a Lei das Sociedades Secretas, de 21 de Maio de 1935. A 10 de Outubro de 1935, escreve a Tomás Ribeiro Colaço, perguntando a dado passo porque se zangou tanto com o seu artigo em defesa da Maçonaria. Adoece e morre, mais tarde, a 30 de Novembro de 1935, aqui terminando a sua biografia.
Notas de Pessoa a um livro mágico:
Não havendo forma segura de o integrar na sequência cronológica, à falta de fontes que nos concedam elementos de referência, para além da data de publicação, há um livro que se nos afigura essencial, para a sequência do nosso raciocínio: 1-76 (The) Kabbalah unveiled, transc. Macgregor Mathers, Knorr von Rosenroth, 4th. ed., London: Kegan, Paul Trench, Trobner and Co., 1926, XIII, 360 p.; A análise da notas e sublinhados de Fernando Pessoa ao ?(The) Kabbalah unveiled? são inúmeras, demonstrando à saciedade o interesse que o poeta dedicou à leitura deste livro.
Claro está que a discussão pode (e deve) começar por se definir se este livro versa a temática da magia ou se é, estritamente, um livro sobre Cabala. É uma obra muito complexa acerca da Kabbalah, da qual consta um prefácio escrito pela mulher de Samuel Liddel Mathers, autor da tradução do livro nesta versão inglesa. Esclareça-se, muito brevemente, que Mathers nasceu em 8 de Janeiro de1854, na cidade de Londres. Tendo dedicado a maior parte da sua vida ao ocultismo, teve como mentores Woodman, Westcott e Anna Kingsford, com os quais viria a participar na ?Hermetic Order of The Golden Dawn?. Pese embora o facto de ter acolhido Aleister Crowley na ?Golden Dawn?, veio a gerar-se entre ambos uma terrível querela ? que o Crowley afirma textualmente ter implicado autênticos combates mágicos -, a qual se pode afirmar ter acabado por conduzir a extinção da Ordem, ao menos na sua feição original. Mathers morreu em 1918.
Chirstian Knorr von Rosenroth, autor da obra traduzida por Mathers, viveu no século XVII (1636 / 1689), tendo nascido na Silésia (Alemanha). Os seus estudos sobre ocultismo terão sido bastante influenciado por Jacob Boehme (1575 / 1624), filosofo místico alemão. A ?Kabbalah denudata? foi a primeira tradução do ?Zohar? do hebreu para o latim. Tratando-se, como se disse, de um complexo livro sobre Cabala, arriscamos relacioná-lo com o interesse do poeta pela magia tendo em conta, antes de mais, a pessoa e biografia do tradutor e autor do prefácio da edição inglesa. Conhecidas e amplamente documentadas as relações de Pessoa com Crowley, resulta evidente o contacto do poeta com a vertente do esoterismo europeu da sua época herdeiro directo da Golden Dawn original, pelo que se não foi por tais interesses que decidiu adquirir e estudar atentamente a ?Kabbalah denudata?, podemos colocar como séria hipótese alternativa que estas leituras sobre a cabala lhe tenham aberto as portas do complexo universo da Alta Magia.
Muito embora uma coisa não se reduza à outra, antes pelo contrário, a Cabala e a magia cabalística são elementos importantíssimos da Alta Magia, podendo citar-se a este propósito os estudos de Eliphas Levi, lado a lado com Mathers, Crowley e tantos outros. Como argumento contrário pode aduzir-se a hipótese do interesse de Fernando Pessoa pela Cabala se ter resumido à componente relacionada com as artes divinatórias, que já referimos terem constituído uma das motivações mais perenes e relevantes do poeta, no que ao esoterismo diz respeito. O que reiteramos é que, não a olhando de forma isolada, mas sim em termos sistemáticos, no que ao conjunto dos interesses de Pessoa diz respeito, a cabala surge estratégica e adequadamente como uma ponte entre as artes divinatórias e a magia, pelo que pensamos que o argumento pode ser acolhido na nossa investigação, sem carácter conflituante relativamente às hipóteses de trabalho para as quais temos vindo a apontar.
Está em causa um volume em formato aproximadamente B5, de capa dura, preto e com dizeres na lombada a dourado. O sentido essencial das notas e sublinhados do poeta, neste livro, é a marcação sequencial, de forma muito precisa e intensa, das explicações dadas no livro, passo a passo, acerca dos conceitos cabalísticos. Por outras palavras, trata-se de um sequência de leitura profunda, não de um assinalar de determinadas passagens muito específicas, pelo seu particular objecto ou, por exemplo, por referência a uma pessoa, local ou acontecimento. É um anotar de quem está a estudar, a procurar aprender, não de quem deixa notas esparsas tendo em vista facilitar a identificação de uma certa passagem ou referência, numa consulta futura do mesmo livro.
Mais do que outras referências, porventura incompreensíveis sem o recurso directo ao livro, propriamente dito, valerá talvez a pena transcrever aqui algumas passagens escritas pelo punho de Pessoa, no próprio volume. Na página 19, encontramos um traço a lápis, ao alto e no lado direito do texto, englobando:
?? connecting link, is required, and hence we arrive at the form which is called potential existence, will still scarcely admit of clear definition.?
À esquerda do texto apontado foi escrito à mão, a lápis, de forma bem legível:
?static?
Por seu turno, na página 20 e à esquerda do texto, foi escrito à mão, a lápis, de forma bem legível:
?Sem
Sem Fim
Sem Fim Luz?
Anote-se que o texto à margem do qual se escreveu segue, cabalisticamente, até ?... ain soph aur = the Limitless Light ...?
Na página 24, à esquerda e a lápis, encontra-se escrito:
?sabedoria
(ou saber)?
Nota: O texto em causa versa sobre a Sephira Chokmah, ?wisdom?.
E mais, adiante, na mesma página, surge anotado à esquerdo do texto, a lápis:
?entendimento
(comprehensão)?
Nota: O texto em causa versa sobre a terceira Sephira, Binah, ?... the understanding...?.
Na página 29, encontramos, antes de mais, uma anotação à mão, a lápis, à direita:
?elder gods ??
O texto que se encontra ao lado da anotação é o seguinte:
?These primordial worlds are called the ?kings of ancient time?, and the ?kings of Edom who reigned before the monarchs of Israel?.?
Na página 30 encontra-se uma anotação escrita a lápis, à margem, junto ao traço a lápis que enquadra o texto acima transcrito. Muito embora a leitura seja muito difícil arriscamos a seguinte transcrição:
?sense asiah
= hr.?
Repare-se que imediatamente antes da passagem que, acima, indicámos enquadra-se pelo traço vertical a lápis, encontra-se no texto a referência a ?olahm hr-qliphoth?, que é indicado como ?o mundo da matéria?.
Mas é nas três páginas da contracapa interior, que se encontra o resultado mais fascinante e prometedor do nosso estudo, no que à ?Kabbalah Denudata? diz respeito, sob a forma de extensas notas escritas a lápis por Fernando Pessoa, as quais são de leitura bastante difícil. Procuraremos respeitar escrupulosamente a apresentação e sequência exacta das anotações manuscritas a lápis.
1ª Página:
? Possuir o Verbo é filho, não de Deus
Pater mas do Espírito Santo, não
do corpo mas da alma de Deus
1st the sephirot corresp to Ain
2nd ? ? ? ? Ain Soph
3rd ? ? ? ? Ain Soph Aur
Malkuth corresp to Kether
the four world corresp to these 4
divisions.
Nota: ?corresp? é o que parece uma contracção ou abreviatura de ?corresponds?, palavra que aparece correctamente escrita, integralmente, logo no início da página seguinte.
2ª Página:
Malkuth, bride, corresponds to Binah,
Microprosopus, father, ? ? Chokmah
God creates first himself as creator.
Enquanto Deus manifestação de seffarad
(Aimh) D Creador do mundo é um; en-
quanto creador do mundo é
(Elohim) dois (Chokmah e Binah); en-
quanto Deus total, Nephesch ou
sanha ou trêz reis do seffarad
Deus é três; enquanto Elle e
o mundo, por crear e por ñ
Malkuth a soltar, é quatro (IHVH);
=
natureza enquanto
em
até ao dez com e por os 10
Sephirot.
todas as religiões certas, porque
se conformam com um ou
outro aspecto. até quem
diz que não há Deus tem ra-
zão pois verdadeiramente Deus é
o seffarad que não está no
mundo para o bem.
3ª Página:
P. 40 ? VI.(a) = S(?) of degrees in Order.
preexistence
forexistence
preexistence
antexistence
inexistence
+
negative existence ante-ser ser não
A pre-singular ser não poder ser
pretentious existence poder ser para ser
Seph
existence 10 1 ser
self-existence 9 2 singular ser-se
other-existence 8 3 outro ser
existences 4 serem
self-existences 5 plural serem-se
other-existences 6 ???
inexistences 7 não serem
self-inexistences 8 plurals não serem-se
other-inexistences 9 ???.
negative inexistence
inexistence 10 ? não ser
ante-inexistence Seffarad ? não poder ser não ser
nada corresponde em Malkuth ao Ain (: ante-se)
Relativamente à nota inicial desta terceira página, é evidente que corresponde a uma referência a uma passagem concreta do livro, que Fernando Pessoa identificou com página, parágrafo e alínea. Na tradução em português que possuímos, na qual a página é a 61, o texto em causa é:
Conclusão: As três primeiras Sephiroth formam o modo do pensamento; as três Sephiroth seguintes, o mundo da alma; e as quatro Sephiroth restantes, o mundo do corpo, correspondendo dessa maneira aos mundos intelectual, moral e material.
Fernando Pessoa assinalou esta passagem específica do livro, através de um traço vertical a lápis. O mais curioso é a ligação que Pessoa faz, na anotação escrita que vimos comentando, entre a referência do livro, agrupando os Sephiroth, relativamente aos graus da Ordem.
De facto, os graus iniciáticos da Argenteum Astrum, criada e liderada por Aleister Crowley, estavam organizados de acordo com a árvore da vida e com os 10 Sephiroth, exactamente como ocorria com a Golden Dawn original.
Crowley esclarece expressamente ser a Terceira Ordem a A.A., sendo a Primeira a G.D. (Golden Dawn) e a R.R. et A.C. (Roseae Rubeae et Aureae Crucis). Na fórmula utilizada por outros autores, a ordem encontrava-se subdividida em três ordens, a Golden Dawn, Rosy Cross e Silver Star, sendo esta última, na sua forma latina, a A.A.. Há portanto, em qualquer caso, uma divisão da sequência de iniciação em três níveis, agrupando-se em cada um parte dos graus de iniciação. Isto grosso modo, pois há graus de passagem, cuja função é fazer a ponte de uma ordem para a seguinte, cada ordem tem três graus. Esta matriz hierárquica que faz corresponder graus iniciáticos aos Sephiroth da Árvore da Vida, segundo alguns, terá como origem a Rosa Cruz de Ouro, alemã do século XVIII, tendo sido retomada pela Societas Rosicruciana in Anglia e, depois, pela Golden Dawn, através de W. Wynn Wescott e (exactamente) por S. L. MacGregor Mathers. A sequência é:
Ipissimus
Grau 10 = 1
Kether
Magister Templi Magus
Grau 8 = 3 Grau 9 = 2
Binah Chokmah
Adeptus Major Adeptus Exemptus
Grau 6 = 5 Grau 7 = 4
Geburah Chesed
Adeptus Minor
Grau 5 = 6
Tiphereth
Praticus Philosopus
Grau 3 = 8 Grau 4 = 7
Hod Netzach
Theoricus
Grau 2 = 9
Yesod
Zelator
Grau 1 = 10
Malkuth
Abaixo, temos ainda o grau 0 = 0 de Neófito.
Parece, portanto, certo que temos aqui uma prova concreta do conhecimento de Fernando Pessoa acerca das ordens esotéricas e iniciáticas organizadas com base nos 10 Sephiroth. Repare-se que escreveu na sua nota ?Order? e não ?orders?. Estava a pensar numa organização concreta e não, de uma forma genérica, neste tipo de organizações iniciáticas.
Os escritos pessoanos sobre ordens iniciáticas e iniciação.
Tendo em conta as interessantíssimas notas escritas de Fernando Pessoa acerca da estruturação e hierarquia das Ordens Iniciáticas, constantes do seu espólio, reveladas, entre outros, por Yvette K. Centeno, resultam dados exactíssimos acerca da estruturação das Ordens iniciáticas relacionadas (para simplificar) com a Golden Dawn. Do espólio (54-91), consta a seguinte transcrição, oriunda da obra que temos vindo a citar:
?Há, em ordens menores, ordem externa e ordem interna; formam a primeira os neophytos e zeladores, a segunda os practicos e philosophos; a primeira abrange app. E comp. Os simples iniciados (Neophytos) e os Mestres (Zeladores), e a segunda os graduados dos Altos Graus, e os graduados dos Graus de Passagem ? practicos e philosophos respectivamente.
Nas ordens maiores, há a ordem externa e a ordem interna também; a ordem externa consiste numa organização que parte do 1º e vae ao 10º grau, exactamente como está indicado; a ordem interna, visto que se trata de altas ordens (e a ordem interna é que é a verdadeira, sendo externa apparente), começa no Adepto Menor, que é o Neophyto da ordem interna. Segue o Adepto Maior que é o Zelador da Ordem Interna; no Adepto Exempto, que é o Pratico da ordem interna fora e o Philosopho da ordem interna dentro. O Mestre do Templo da Ordem Externa é o Adepto Menor da Ordem Interna; o Mago da Ordem Externa é o Adepto Maior da Ordem Interna; o Ipsissimo da Ordem Externa é o Adepto Exempto, fora, e o Mestre do Templo, dentro, da Ordem Interna.
Nestas disposições interpretativas se contém a explicação de todas as Ordens e de todas as maneiras de Ordens. Ellas se applicam, por egual, às Ordens que dirigem a Maçonaria, às que governam a Egreja, e às que animam os Livros, pois tudo é o mesmo, porque vem do mesmo, sim, do mesmo Ipsissimo (que quer dizer ?mesmo?) da Ordem Interna.
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Dos quatro sentidos do symbolo, a gradação é assim:
prof. sentido literal
N. ? sentido literal do symbolo
Z. ? sentido allegorico do symbolo Atrio (Pateo)
Pr. ? sentido moral do symbolo sent. Alleg.
Ph. ? sentido espiritual literal do symbolo
AMin. ? sentido espiritual allegorico do symbolo Claustro
AMaj. ? sentido espiritual moral do symbolo sent. Moral
AEx. ? sentido inteiramente espiritual do symbolo
AEX(dentro) ? sentido divino literal do symbolo Templo
M.T. ? sentido divino allegorico do symbolo sent.
Mago? - sentido divino moral do symbolo spirit.
Ipissimo ? sentido divino espiritual do symbolo
Assim, numa cadeia racional, tudo é um.?
Conclusões
Mais do que conclusões, nesta fase da nossa investigação haverá que falar em interrogações e em hipóteses de trabalho. Em todo o caso, para além do já anteriormente anotado, ao longo do nosso texto, pensamos estar em condições para podermos sublinhar o seguinte:
- É absolutamente certo que o interesse de Fernando Pessoa relativamente ao ocultismo foi muito profundo, abrangendo a totalidade da sua vida adulta.
Parece, por isso, artificiosa a ideia, difundida por exemplo por António Quadros, no sentido de que se poderiam identificar ter fases distintas, evolutivas, na vida do poeta, a primeira de carácter filosófico, a segunda paganista e a terceira gnóstica.
- Sendo evidente o interesse particularmente intenso de Pessoa pela astrologia, que praticou profusamente, a conexão de fundo que encontramos nas suas leituras é principalmente com a Rosa Cruz e com a Cabala.
A alquimia tem também um papel extremamente relevante para Pessoa, arriscamos dizer que com especial ênfase no final da sua vida e por força de algum desencanto relativamente à Magia, curiosamente sendo também nesses seus últimos anos que parece ampliar-se a sua admiração pela maçonaria.
- São repetidas as afirmações de Pessoa no sentido de não pertencer a nenhuma organização esotérica.
Acontece, no entanto, que boa parte dos seus escritos sobre ocultismo revelam conhecimentos profundos acerca da estrutura, modo de funcionamento e filosofia de certas organizações iniciáticas.
Até ao momento, não conseguimos encontrar conexão demonstrativa de que tais conhecimentos tivessem como base as suas leituras. Os textos de Fernando Pessoa sobre ocultismo relacionam-se muito claramente com as organizações esotéricas da filiação Golden Dawn, com evidente proximidade com as ordens thelémicas, o que se afigura natural dada a totalmente documentada relação com Aleister Crowley.
Parece, em todo o caso, de admitir que a iniciação de Pessoa ? pois é exactamente dessa hipótese que estamos a falar ? tenha ocorrido antes do seu primeiro contacto com Crowley, pois logo nas primeiras cartas tratam-se reciprocamente por frater.
- Escreveu Pessoa, para uma obra que se chamaria ?Átrio?, discorrendo acerca das Ordens do Átrio, do Claustro e do Templo, organizadas segundo o esquema do Templo de Salomão:
?As Ordens do Átrio, que servem para ministrar os primeiros conhecimentos do que está oculto ? Uma delas é a Maçonaria. Não direi qual é a outra. ?
Seguem-se, passado o Transepto ? ou regularmente, por iniciação plenária em qualquer das duas ordens citadas; ou irregularmente, por contacto directo com os Altos Iniciadores, e sem necessidade portanto de passar por qualquer dessas ordens ? as chamadas Ordens do Claustro, ou Altas Ordens. ??
Sabermos já que em Janeiro de 1934 assinou como ?irregular do transepto? ?O. S. per?. Cruzando os dados que o próprio Pessoa nos deixou, quer isto dizer que considerava encontrar-se no ponto de passagem entre as Ordens do Átrio e as Ordens do Claustro, como irregular, isto é, por contacto directo com os Altos Iniciadores. O. S. seria, portanto, a Ordo Serpentis, a congregação dos iniciados da O. Solis.
Pessoa diz ter sido iniciado na aparentemente extinta Ordem Templária de Portugal. Tudo considerado, arrisco dizer que o poeta integrou, iniciaticamente a Argenteum Astrum pois esta permite iniciações individuais, sem relação comunitária, ao contrário da outra grande organização thelémica, a Ordo Templi Orientis. Bem sei que há muito a quem repugne este nível de relação entre Pessoa e as organizações, à data, lideradas por Aleister Crowley, mas é para esta conclusão que todos os indícios apontam.
Terminemos, uma vez mais, com palavras de Fernando Pessoa:
?Tudo é um. O Satânico é tão-somente a materialização do divino. A magia é uma só; a magia negra não é mais que a magia branca feita materialmente. (...) Se conhecermos os processos da magia negra e os interpretarmos como símbolo, chegaremos ao conhecimento dos processos da magia branca.?
?Há muitas Cabalas e dificilmente acreditaremos ser possível obter a união com Deus, seja o que for que por tal se entenda, a menos que estejamos familiarizados com o alfabeto hebreu.
(?)
O facto, no entanto, é que, qualquer que seja o caminho tomado, não deve ser antes de que os graus preparatórios, os graus de neófito tenham sido atravessados. O Misticismo busca transcender o intelecto (por intuição). A Magia a transcender o intelecto pelo poder; a Gnose, a transcender o intelecto por um intelecto superior.
(?)
A vantagem do caminho gnóstico é haver menos tentação de atingir o intelecto superior sem passar pelo inferior ? já que ambos são intelecto e há uma diferença de quantidade entre um e outro ? do que nos caminhos místico e mágico, onde há uma diferença de qualidade, não de quantidade, entre emoções e intelecto, entre a vontade e o intelecto.?
Esta é, como se disse, uma investigação ainda em curso, acerca de um objecto particularmente difícil, dado o seu elevado grau de imprecisão, pese embora a diversidade de fontes disponíveis. Também nesse sentido, parece-nos notável a síntese de Richard Zenith, que qualifica o poeta, no que importa à nossa temática de hoje, como ?o esotérico ambíguo?.
Lisboa, 12 de Dezembro de 2009
Pedro Basto de Almeida
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/12/texto-e-fotos-da-tertulia-sobre-magia.html
A ALTA MAGIA E FERNANDO PESSOA na Tertúlia de 12 de Dezembro de 2009 no BAR do ALÉM - 21Nov2009 23:03:00
A Alta Magia em Fernando Pessoa,na última tertúlia do Bar do Além do ano 2009
Alenquer, EN nº 9, Km 94
com Pedro Basto de Almeida
dia 12 de Dezembro, sábado às 12h
inscrições limitadas e abertas desde já

Pedro Basto de Almeida, fundador e director da GIFI, Associação Portuguesa para a Investigação, como hoje se chama.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/11/alta-magia-e-fernando-pessoa-na.html
Astrologia Karmica no Bar do Alem com Dulce Regina foi no dia 21 de Novembro de 2009 - 03Nov2009 13:12:00
OBJETIVO DOS TRABALHOS REALIZADOS POR DULCE REGINA
Dentro de uma visão holística do ser humano, o seu objetivo é auxiliar na prevenção do STRESS, DEPRESSÃO, ALCOOLISMO, DROGAS, SÍNDROME DO PÂNICO dentre outros assuntos que serão abordados dentro de uma visão psicológica, astrológica e espiritualista.
Há a necessidade de conscientização da libertação de um passado repleto de culpas, mágoas, ressentimentos, sentimentos de inferioridade, medos, carências afetivas, sentimentos que perseguem o ser humano desde sempre, impedindo-o de sentir a felicidade plena e limitando-os no despertar de seus dons.
?AMPLIAR A CONSCIÊNCIA É SAIR DA IGNORÂNCIA, DA IMPOTÊNCIA, DA CARÊNCIA, SEJA ELA FÍSICA, FINANCEIRA, EMOCIONAL OU ESPIRITUAL, TORNANDO-SE ABSOLUTAMENTE RESPONSÁVEL PELO PRÓPRIO DESTINO, AMANDO-SE, RESPEITANDO-SE E FAZENDO DA PRÓPRIA EXISTÊNCIA UM ATO DE AMOR E DIGNIDADE.?

Neste livro, a autora estimula o leitor a refletir sobre a existência de uma Força Maior, capaz de transformar o padrão vibratório do planeta. Para isso, devemos nos preparar para a UNIÃO definitiva com nosso Complemento Divino, acreditando que merecemos o direito à felicidade e a plenitude.

Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/11/astrologia-karmica-no-bar-do-alem-com.html
Noite do Halloween, Noite das Bruxas, Noite do Espanta Espíritos no Bar do Além: letra da lengalenga ou ladainha da invocação - 02Nov2009 16:37:00

cerimónia de remota origem celta tradicional oral,
em português e em gallego, conhecida também por Espanta espíritos:
Conjuro Versión Original en Gallego:
I VERSÂO
Demos, trasnos e dianhos, espritos das enevoadas veigas.
Corvos, pintigas e meigas, feitizos das mencinheiras.
Pobres canhotas furadas, fogar dos vermes e alimanhas.
Lume das Santas Companhas, mal de ollo, negros meigallos,
cheiro dos mortos, tronos e raios.
Oubeo do can, pregon da morte, foucinho do satiro e pe do coello.
Pecadora lingua da mala muller casada cun home vello.
Averno de Satan e Belcebu, lume dos cadavres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes, peidos dos infernales cus,
muxido da mar embravescida.
Barriga inutil da muller solteira,
falar dos gatos que andan a xaneira,
guedella porra da cabra mal parida.
Con este fol levantarei as chamas deste lume que asemella ao do inferno,
e fuxiran as bruxas acabalo das sas escobas,
indose bañar na praia das areas gordas.
¡Oide, oide!
os ruxidos que dan as que non poden deixar de queimarse no agoardente,
quedando así purificadas.
E cando este brebaxe baixe polas nosas gorxas,
quedaremos libres dos males da nosa ialma e de todo embruxamento.
Forzas do ar, terra, mar e lume, a vos fago esta chamada:
si e verdade que tendes mais poder que a humana xente,
eiqui e agora, facede cos espritos dos amigos que estan fora,
participen con nos desta queimada.

II VERSÃO da Ladainha,
Sapos e bruxas, mochos e corujas,
demonios, diabretess e dianhos,
espíritos das enevoadas varzeas,
corvos, pegas e magas, feitiços das curandeiras,
lume andante dos pobres canhotos furados,
luzinha dos bichos andantes,
luz de mortos penantes,
mau olhado, negra inveja, ar de mortos,
trovões e raios,
uivar de cão, piar de mocho,
pecadora língua de má mulher casada com homem velho.
Vade retro, Satanás,
prás pedras cagadeiras!
Lume de cadáveres ardentes,
mutilados corpos dos indecentes peidos de infernais cus.
Barriga inútil de mulher solteira,
miar de gatos que andam à janeira,
guedelha porca de cabra mal parida!
Com esta colher levantarei labaredas deste lume, que se parece ao do Inferno.
Fugirão daqui as bruxas, por ciba de silvados e por baixo de carvalhais,
a cavalo nas suas vassouras de giesta,
para se juntarem nos campos de Gualdim.
para se banharem na fonte do areal do Pereira...
Ouvide! Ouvide:
- os rugidos das que estão a arder nesta caldeira de lume.
E quando esta mistela baixar pelas nossas goelas,
ficaremos livres dos males e de todo o embruxamento.
Forças do ar, terra, mar e lume, a vós requeiro esta chamada:
Se é verdade que tendes mais poder que as humanas gentes,
fazei que os spírtos ausentes dos amigos que andam fora participem connosco desta queimada!
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/11/noite-do-hallowween-noite-das-bruxas.html
Proximas Tertúlias do Bar do Além do ano de 2009/2010 - 31Out2009 04:32:00
Janeiro, 23, Horizontes astrológicos 2010 (Fernando de Albuquerque)
Fevereiro, 20, O segredo Maçónico (Rui Bandeira)
Março, 20, A Teosofia (Jose Anacleto)
Abril, 24, O ciclo de Portugal de 17 anos em 2012 (Manuel Gandra)
Maio, 22, O amor não plátonico em Platão (Jose Manuel Marques)
Junho, 26, Cerimónia Ritual do Solstício (Nandin de Carvalho)
Julho, 10, Coração -dimensão espiritual (Ferrero Marques)
Agosto...................mês de pausa..................................
Setembro, 25, A Atlântida e a Verdade (Re)velada, (José Manuel Freire)
Outubro, 16, Livros de Dan Brown vistos por um cristã, (Isabel Girão)
Novembro, 20, O hermetismo (João Susano)
Dezembro, 4, Artesanato Mágico (orador a indicar)
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/10/proximas-tertulias-do-bar-do-alem-do.html
Bem sucedidda tertúlia no Bar do Além no Sábado 31 de Outubro sobre Lojas Maçónicas - 03Out2009 20:10:00
- O que são as Lojas Maçónicas?
- Para que servem?
- Quais as suas funções?
- Onde se encontram?
- Que tipos há
- Que pessoas se encontram nas Lojas Maçónicas?
Pode dizer-se, de uma forma simplista, que a Maçonaria é uma fraternidade esotérica internacional, postulando uma via de evolução espiritualista não identificada com nenhuma confissão religiosa. Contudo, radica na tradição socioprofissional operativa dos grémios e corporações arquitectónicas da Antiguidade, da Idade Média e do Renascimento, expressa na proposta de cada um dos diversos Ritos que a constituem.
Para falar das Lojas, no tema hoje proposto, não podemos deixar de falar de Maçons e de Maçonaria. Tudo esta interligado.
?Os Maçons podem dividir-se em duas categorias: o Maçon que procura instruir-se e compreender e o Maçon indiferente.
Este último vê na Maçonaria um meio de promover-se e ser assistido. Para ele, a Maçonaria é uma sociedade como qualquer outra, mas mais prática.
O Maçon que procura instruir-se, pelo contrário, dá rapidamente conta que existem ensinamentos, que necessitam uma causa. Reflecte sobre tudo o que prende o seu olhar nas Lojas, nas palavras que ouve, no Ritual que se executa perante ele, e descobre então que deve existir uma ciência da Maçonaria, como existe uma ciência matemática que utiliza a álgebra.?
(Gerard-Vicent ENCAUSSE, químico francês, de nome simbólico PAPUS, no seu livro ?Ce que doit savoir un Maitre? e citado, também, pelo Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, em 1979 Luís Dias Amado na sua Mensagem anual à grande Dieta, o Parlamento Maçónico)
Fazendo um breve enquadramento histórico da Maçonaria no nosso país podemos afirmar que as mais antigas referências conhecidas sobre a existência das primeiras Lojas Maçónicas especulativas em território português, surgem-nos nos processos jurídico-inquisitoriais do Tribunal do Santo Oficio de Lisboa.
Quase dois séculos mais tarde, e por influência dos ingleses radicados em Portugal na sequência da assinatura do Tratado de Methuen, em 1703, a primeira Loja Maçónica especulativa portuguesa identificada, surge cerca de 1728, fundada em Lisboa, pelo empresário católico inglês William Dugood, aí estabelecido com a sua família, sendo registada pela Grande Loja de Inglaterra.
Esta Loja ? designada pelos Maçons católicos irlandeses como a Loja dos mercadores hereges ? era essencialmente composta por empresários ingleses anglicanos e escoceses presbiterianos, sobrevivendo apenas até 1755, aquando da destruição maciça de Lisboa pelo terramoto de 1 de Novembro.
Por outro lado, uma outra Loja existia, a Casa Real dos Pedreiros-Livres da Lusitânia, estritamente integrada por clérigos regulares dominicanos, militares e empresários católicos irlandeses (além do engenheiro militar húngaro Carlos Mardel, interveniente directo na planificação urbanística e volumétrica da reconstrução pombalina de Lisboa, posteriormente ao terramoto de 1755). Reuniam-se mensalmente num restaurante junto ao Cais do Sodré, reflectindo sobre temas instrutivos, recreativos e económicos.
O que é a Loja?
As Lojas não são os edifícios onde se reúnem os Maçons, mas constituem a sua própria organização.
A Loja é o local onde os Maçons se reúnem (o mesmo que Templo).
A sua entrada principal localiza-se, simbolicamente no Ocidente, enquanto que o Venerável Mestre (aquele que preside) tem assento no Oriente.
A sessão deve, sempre, ter lugar num local recatado da indiscrição dos não iniciados, devidamente fechado e vigiado.
A forma de trabalhar na Maçonaria é uma forma ritualista. Uma maneira de disciplinarmos um debate onde podemos ter diversas opiniões, sem que no final cheguemos a alguma conclusão. Portanto o Ritual é que une os Maçons.
O Ritual Maçónico é o conjunto de actos que, coerentemente com a linha do pensamento filosófico do Rito a que pertence a Loja, estabelece a maneira adequada de realizar os trabalhos.
Através do Ritual, desde que devidamente interpretado e vivenciado, é que os Maçons se aglutinam nas Lojas.
Um conjunto de, pelo menos, três Lojas constitui uma Obediência. As Lojas são compostas por um mínimo de sete Mestres Maçons ou tratando-se de Triângulos Maçónicos por, pelo menos, três Mestres Maçons, divididos pelos seguintes cargos:
-Venerável: que é o Presidente.
-Primeiro Vigilante: responsável pelos Companheiros.
-Segundo Vigilante: responsável pelos Aprendizes.
-Orador: representante da Lei Maçónica e que sintetiza as conclusões de cada reunião.
-Secretário: redige as actas e convoca os Irmãos.
-Tesoureiro: responsável pelas finanças da Loja.
-Experto: responsável por preparar os candidatos aquando das provas de iniciação.
-Mestre-de-Cerimónias: responsável pela organização simbólica dentro do Templo.
-Hospitaleiro: responsável por visitar os Irmãos doentes e familiares destes.
-Guarda Interno: é o responsável por verificar a entrada no Templo, podendo impedir a entrada de pessoas ou Irmãos não autorizadas.
Uma Loja Maçónica é um ?ser colectivo?. Um corpo de trabalhadores de simbolismo dedicados às mais variadas actividades, desde as litúrgicas às administrativas, como a apresentação e discussão de temas do nosso dia a dia, mas sempre tende por objectivo principal a Busca da verdade.
A Loja representa um Microcosmo dentro do Macrocosmo que é a Obediência em que está inserida.
As actividades da Loja desdobram-se em três planos igualmente importantes: Filosófico, Filantrópico e o Fraternal.
A Loja é o instrumento da Filosofia Maçónica para realizar seu objectivo de ?construir uma Humanidade melhor e mais esclarecida?.
Para isso, têm que se recrutar novos elementos do mundo profano que, pela sua sabedoria, julguemos capazes de absorver os conhecimentos simbólicos, interpretá-los e exercitá-los no seu aspecto administrativo, como o ritualista, como filantrópico para os formar Mestres Maçons.
Repito, não é em vão que os três graus Simbólicos são os de Aprendiz, Companheiro e Mestre.
O aspecto administrativo diz respeito à continuidade da vida do organismo físico.
O segundo aspecto é relativo ao trabalho ritualista em que o resultado final, como nós Maçons dizemos, é o ?desbastar da pedra bruta até chegar à pedra cúbica?. O debater questões para o aperfeiçoamento da humanidade.
Finalmente vem o terceiro aspecto, a finalidade verdadeira que deve ter uma Loja, a filantrópica. Nela um Maçon deverá ter uma intervenção activa na construção de um mundo melhor, mais Justo, Fraternal e mais Solidário.
O desenvolvimento equilibrado desses três aspectos tornará possível a realização dos seus objectivos, razão de ser da Loja.
A Loja deve estar organizada de forma a poder funcionar harmoniosamente, como uma verdadeira família e, como tal sujeita a percalços e vicissitudes, divergências e dissensões. Por que não? Afinal, todos ainda estamos no caminho, lapidando as próprias imperfeições com as ?ferramentas? que o Simbolismo nos oferece.
Procuramos aprender mas, ao mesmo tempo, a Organização pede-nos compromissos, tarefas, atitudes...
Já tivemos problemas no passado e temos no presente, que graças ao esforço de valorosos Irmãos foram devidamente superados ou não.
Mas, parafraseando um conhecido aforismo, ?o preço da nossa estabilidade é a eterna vigilância?.
Não se pode admitir que interesses puramente pessoais se sobreponham ao interesse comum, ultrapassando os objectivos maiores da Loja, mas no fundo a Maçonaria é composta por Homens e reflecte o espelho da nossa sociedade.
As Lojas nos dias de hoje:
- Nos dias de hoje existem, em termos filosóficos, três tipos de Lojas, as teístas, as deístas e as laicas.
Logo aqui se põe duas questões: sendo a Maçonaria anti-dogmática, como podem os Maçons estar a acreditar num Deus revelado? Então a Maçonaria só deverá ter Ateus? Pois o ser Agnóstico também é uma forma dogmática.
Não querendo aqui entrar nesta discussão que divide ao longo do tempo os Maçons só quero dizer que os Maçons devem ser Homens tolerantes e por isso as três correntes de Lojas devem conviver tranquilamente.
- Nas Lojas teístas, acredita-se num Deus revelado, chamam ao Altar do Compromissos Altar de Juramentos, tendo em cima deste uma Bíblia. Evocam nas Sessões o Grande Arquitecto do Universo e dizem nas mesmas, a celebre frase latina ?UNIVERSI TERRARUM ORBIS ARCHITECTORIS AD GLORIAM INGENTI? ? à Gloria do Grande Arquitecto do Universo. Ainda hoje existem Lojas em Portugal e não só que o evocam.
- Nas Lojas deístas tem uma postura filosófico-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a ideia do divino. Os deístas acreditam na possibilidade da existência de dimensões transcendentais. Contudo, não estão presos a nenhum tipo de mitologia mas com o dogma de Deus. Acreditam num Deus, mas não praticam nenhuma religião em particular.
- Nas Lojas Liberais, aparecem em 1872, quando se instaurou nas Lojas o princípio da Liberdade Absoluta de Consciência que não tem nada a ver com as teorias do liberalismo económico, mas foi nessa altura surgiu uma invocação, nas Sessões Maçónicas, o deixar de se invocar nas mesmas Sessões o Grande Arquitecto do Universo, o GADU e o ser ?Um Maçon livre numa Loja Livre?.
- As Constituições de Anderson de 1721, feitas por um pastor anglicano, ao que se consta não Maçon, e que hoje estão completamente desactualizadas, são uma espécie de princípios imutáveis da conduta de um Maçon, os chamados Landmarks.
Um dos Landmarks de Anderson, foi a de que só podiam entra homens na Maçonaria. Homens no género masculino.
Este, meus amigos, PARA MIM, não é o caminho, o caminho é só um, o das Lojas mistas (Masculinas e Femininas).
Por isso, PARA MIM, o grande combate das Lojas no século XXI é o de serem mistas
É inconcebível nos dias de hoje, em pleno Século XXI, em que a igualdade de género é uma realidade se possam ainda arranjar argumentos para essa separação e nos estarmos a reger por princípios do Século XXVIII.
- De qualquer modo, um Maçon, deve ter a liberdade de escolher uma Loja Masculina, Feminina, Mista, o Rito que quiser, deísta, teísta, laico, na Obediência que quiser.
Mas a relação entre Irmãos deverá sempre pautar-se pela divisa que ?todos somos Iniciados?.
- O ?Dura lex sed lex? é uma expressão latina cujo significado em português é "A lei é dura, porém é a lei". Mas a lei Maçónica é diferente, da do comum dos mortais e rege-se pelas divisas Fraternidade e Tolerância. Tolerância de saber ouvir aqueles que pensam diferente de nós.
Mesmo em organizações Profanas (que não são Maçónicas), os Maçons devem sempre reger-se por este princípio das Leis Maçónicas, mas deveríamos seguir aquele velho provérbio chinês de Confúcio, que nos diz: «Quando os teus inimigos te atacam, senta-te à beira do rio e espera que os cadáveres deles passem por ti».
Portanto a Inter-relação de Irmãos da mesma e de diversas Lojas e Obediências é fundamental
- Na minha experiência em Loja, com o nº 5 do PSD e seu director de informação à altura, outro, um Presbítero da Igreja Lusitana, que ao entrar para a Maçonaria em 1986, era membro do Partido Comunista e Padre da Igreja Lusitana, que escreveu uma carta a Álvaro Cunhal, a que este lhe respondeu, alegando a impossibilidade entre Comunismo e Maçonaria, outro ainda, um socialista convicto, outro de extrema esquerda e outros sem partidos.
Estes Maçons tinham diversas religiões, diversos partidos, mas puderam ?habitar? e trabalhar na mesma Loja, discutindo tudo e todos e manter relações Maçónicas e Profanas com Irmãos ditos Regulares e Obediências com que o Grande Oriente Lusitano não tinha relações
- Desmistificamos o mito que os Irmãos ditos irregulares não têm nenhuma relação com os ditos regulares.
Lembremo-nos que um grupo de Maçons no seio do Grande Oriente Lusitano procurou ganhar, sem sucesso, as eleições para o Grão-Mestrado em 1983, saindo inconformados da Obediência para fundar uma outra em Novembro do ano seguinte, a Grande Loja de Portugal, com o objectivo de adquirir o reconhecimento regular de funcionamento maçónico-institucional por parte das Obediências tradicionalistas já que o Grande Oriente Lusitano (que entretanto abandonara, em 1982, a designação de Unido) tinha relacionamentos diplomáticos apenas com as Obediências ditas liberais e mais politizadas, como a Grande Loja Unida de Inglaterra e a Grande Loja Nacional Francesa.
Mesmo acontecendo estes factos fizeram-se ?Fraternais?, por Irmãos de diversas Obediências e Potências, mantiveram-se contactos privilegiados?só assim faz sentido.
Na Politica a relações entre Maçons:
- Em Março de 1996, na cerimónia final do encontro entre líderes europeus e asiáticos, decorreu em Banguecoque, na Tailândia, chamou-se a atenção para o curioso aperto de mãos que uniu todos aqueles estadistas, no final dos trabalhos. Quem viu, reparou que todos deram a mão direita, por cima da esquerda, ao parceiro do lado esquerdo, e a mão esquerda, por baixo da direita, ao parceiro do lado direito. Este gesto simbólico dos Maçons, chama-se ?Cadeia de União? que é feita no final de cada Sessão. Entre outros estavam: o chanceler alemão HELMUT KHOLN, o primeiro-ministro chinês, LI PENG, o chanceler austríaco, FRANK VRANISKY, o primeiro-ministro português, ANTÓNIO GUTERRES?. Foi certamente um acto ?provocado? por Maçons, pois estes sempre estiveram nos actos mais importantes da História Mundial, como na:
- Constituição dos Estados Unidos que é Maçónica;
- A do Brasil também;
- A Constituição Portuguesa é também de inspiração Maçónica;
- Os princípios programáticos da ONU;
- Da constituição da CEE;
- Da Liga Internacional dos Direitos do Homem;
- Da Declaração Universal dos Direitos do Homem;
- Na Universidade Livre de Bruxelas;
- Nos Rotários;
- Formação da UNESCO;
- Formação da UNICEF;
- Da Cruz Vermelha, etc.
Entre Maçons:
Existe o:
- O ?G.I.T.E.? ? que é um Grupo Internacional de Ajuda Mútua no Turismo, que em 2008 tinha 2.221 membros repartidos por 55 países.
- A ?JEUNESSE FRATERNELLE ? PONT DE L?AMITIÉ? ? Amizade Fraternal de Jovens, numa Colónia de férias em Vichy, para filhos de Maçons.
- O ?CLIPSAS? - CENTRO DE LIGAÇÃO E DE INFORMAÇÃO DAS POTÊNCIAS SIGNATÁRIAS DO APELO DE ESTRASBURGO.
O CLIPSAS é numa organização internacional da Maçonaria liberal de todo o mundo. Aderindo à ética proposta pelos fundadores, de se submeterem com toda a fidelidade, de tolerância, de fraternidade e de união.
O Seu objectivo é congregar Maçons, homens e mulheres, que consideram que a LIBERDADE ABSOLUTA DE CONSCIÊNCIA que é a grande vitória da humanidade sobre ela mesma.
Casos pessoais com membros Regulares:
- Inácio Ludgero/Nadin de Carvalho em Maio de 1994 a propósito de Reportagem na Visão sobre a Grande Loja Regular de Portugal;
- Inácio Ludgero/Nuno Nazareth Fernandes/José Anes, em Maio de 1994, sobre Cerimónias de Elevação através do Grande Priorado Independente da Helvética (Rito Escocês Rectificado), nos Claustros do Convento de Cristo em Tomar;
- Inácio Ludgero/Nandin de Carvalho, em Janeiro de 1998, pedido de divulgação de notícias;
- Inácio Ludgero/José Anes, em 29 de Junho de 2001, no 10º aniversário da Loja Regular de Portugal, na Costa da Caparica, onde fui convidado para a cerimónia e banquete comemorativo.
Como um jornalista, Maçon, ateu, posso ter este convívio com Regulares e crentes em Deus?
Claro que sim, porque nos respeitamos que cada Irmão tenha a sua crença, o seu género, a sua raça, a sua orientação política ou sexual, que seja republicano ou monárquico. Todos somos Iniciados, todos somos Maçons, todos somos Irmãos.
- A Maçonaria é uma Ordem, à qual não podem pertencer senão Homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr em prática um ideal de paz.
- Lobby? Tráfico de Influências? Nada disso e como alguns exemplos temos:
- Sabe-se o que se passa nas reuniões de direcção de qualquer clube de futebol?
- Sabe-se o que se passa nas reuniões das administrações das empresas onde trabalhamos?
- Sabe-se o que se passa nas reuniões de conselho de ministros?
- Sabe-se o que se passou em casa, numa reunião de família de A, B, C ou D?
- Porque razões têm de vir para a opinião pública as reuniões de uma Loja Maçónica, que dentro dele ainda por cima nos tratamos por Irmãos?
- Alguém é nomeado ministro e escolhe para seu braço direito:
A- Aquele que é altamente competente, mas não tem a sua confiança.
B- Aquele que não é tão competente, mas tem a sua confiança total.
- Quando em qualquer posição que tenhamos, devemos escolher sempre gente da nossa confiança.
Vamos falar no verdadeiro Trabalho das Lojas:
No Estrangeiro:
- Da Loja Albert Camus, em Paris do Grande Oriente de França:
- Tem uma Organização chamada ?Université Sans Frontière?, que estabeleceu parcerias com diversas Associações e entidades regionais. A saber,
- Acções para as Colectividades Territoriais e Iniciativas Sociais, Desportivas, Culturais e Educativas;
- Agricultura Sem Fronteiras, com intervenções na Europa (França, Roménia, Moldávia e Kosovo); Médio Oriente (Líbano); África (Mali, Guiné-Bissau, Guiné-ConaKry, Burquina Faso, Nigéria, Senegal, Burundi, Togo, Níger, Madagáscar, Argélia, Mauritânia e Republica Democrática do Congo), na Ásia (China Vietname) e na América Central e do Sul (Honduras, Haiti, Nicarágua e Argentina).
- Associação Viver Solidariedade Internacional;
- ?Centraider?, Associação de Cooperação e Solidariedade Internacional;
- Associação para a Protecção do Ambiente e o desenvolvimento do Eco Turismo;
- Na Nigéria, a ONG - Bani Ba Haw: Organização para o desenvolvimento integrado (Saúde, educação e ambiente) que no passado Natal enviou num contentor com 4 toneladas de livros, 70 computadores, 50 impressoras uma sala completa de operações e diverso material médico e ainda o envio de dois camiões com livros e mobiliário.
- Na Costa do Marfim, a associação para o desenvolvimento económico da Região da cidade de Mankono, com a renovação das instalações sanitárias e administrativas no Hospital;
- No Mali ? Assembleia Regional da cidade de Mopti;
- No Mali ? Associação Malinesa para o Desenvolvimento conjunto;
- No Mali ? Associação dos Professores Malineses Emigrados de volta ao País.
- Com a colaboração da UNESCO, no Benim na análise da poluição aquática de iodo e na Tunísia na realização de projectos de mosaicos.
- A ORDEM de SHRINE, uma fraternidade Internacional com cerca de 1 milhão membros, com sede nos Estados Unidos, fundada pelo actor Billy Florence e pelo físico Walter Flaming em 1872 que tem como principal finalidade filantrópica a de proporcionar tratamento ortopédico gratuito às crianças em Los Angeles, até aos 18 anos. Actualmente patrocinou 19 hospitais ortopédicos (com 905 camas) e três institutos para queimados (90 camas). Os orçamentos dos hospitais da ORDEM de SHIRENE para o ano de 1998 excederam os 400 milhões de dólares, mais 1,25 milhões de dólares dia.
Até 1998 e nestas 22 unidades já receberam tratamento mais de 165.00 crianças.
Todos os tratamentos nestes hospitais são completamente gratuitos, não aceitando subsídios estatais para custear os tratamentos médicos nos actuais 22 hospitais e institutos (20 nos estados Unidos, um no México e outro no Canadá).
As receitas financeiras são obtidas através de diversas actividades pelos seus membros, voluntariado na organização de eventos, voluntariado nos hospitais ou transporte de doentes.
-Na ?Fundação Ara Solis? ? do Grande Oriente Ibérico e com sede na Corunha, dedica parte da sua actividade a colóquios e conferências donde obtém alguns fundos através de leilões venda de quadros entre Irmãos. Tem ligação com uma ONG da Nigéria de apoio às grávidas.
Também está a implementar que na recolha de fundos que é feita em todas as Sessões de Loja Maçónica, a partir da circulação do Tronco de Solidariedade, que circula no final de cada Sessão, em que o seu conteúdo reverterá para um fundo comum de Solidariedade. Essa tarefa feito pelo o Hospitaleiro de cada Loja, neste momento o GOI, quer alagar esta iniciativa a mais Orientes e Grandes Lojas.
Em Portugal:
- Chegam aos nossos dias, o Asilo de S. João, mais tarde denominado Internato de S. João, fundado pelo Maçon José Estêvão de Magalhães e outros, em 1862, para acolher crianças órfãs do sexo feminino, o Asilo de S. João, no Porto, fundado em 1891 para acolher rapazes órfãos e a Escola Oficina nº 1, fundada em 1912, que teve por origem a Sociedade Promotora de Escolas, que teve como fim o ensino elementar, a formação de carácter técnico específico, o que permitia que os alunos ao saírem, pudessem exercer uma profissão.
- Prémio anual ?Fernando Valle?, ao melhor aluno da Escola onde estudou este destacado médico, dado pelo Soberano Capítulo de Cavaleiros Rosa Cruz, Grande Capítulo Geral do Rito Francês em Portugal.
Na Política:
- A Maçonaria intervém na Guiné-Bissau em 1998 para mediar o conflito, a partir do contacto feito pela Junta Militar Guineense da altura, ao então Grão-Mestre da Maçonaria Regular, Nandin de Carvalho, o próprio, presente poderá falar disso.
- Em 1999 em Timor, depois do referendo de Agosto, a mudança de posição politica do presidente Bill Clinton, iniciado na Maçonaria através da Ordem De Mollay, com Ramos Horta e o Grão-Mestre da Grande Loja Regular dos Estados Unidos.
A posição sobre Timor (em 8 de Agosto de 1999) tomada na revista ?O Aprendiz? da Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal no seu número de Outubro de 1999.
- O Serviço Nacional de Saúde, foi discutido nas Lojas do Grande Oriente Lusitano em 1979, por António Arnaut, à época Ministro da Saúde.
- Cito agora para finalizar, Fernando Valle, médico em Coja (Arganil), que morreu com 104 anos e na altura, considerado o mais velho Maçon do mundo, com 81 anos de Maçonaria (iniciado em 1923), pois o seu exemplo cívico e fraterno é testemunhado por muitos Maçons mas também, por muitos milhares de profanos a quem ele assistiu como médico ao longo da sua vida, sem nunca ter cobrado deles um centavo. Aos pobres, muitas vezes, lhes dava dinheiro do seu bolso para mitigarem as suas necessidades. Estão vivos para o testemunharem: Maçons e profanos. Dizia Fernando Valle num poema de 28 de Janeiro de 1930:
?Creio no mundo da Justiça! Creio no triunfo da
Verdade! Creio na Liberdade, que é a garantia do
Espírito e da Inteligência, que é a própria Natureza
Humana.
Penso que a comunhão no sofrimento e na luta deve
aproximar todos os homens; sou democrata.
Sou assim, se isso é lícito dizer-se, um republicano
progressivo.
A sociedade humana avança e desenvolve-se gradualmente,
aproximando as condições dos homens,
distribuindo mais equitativamente a instrução,
problema capital entre nós, e a riqueza.
Os nossos males não provêem do facto de haver
idealismo a mais, vem exactamente do contrário, de
não haver nenhum.
Urge levantar o vigor moral deste povo atormentado
que continua sem pão para a boca, nem alimento para
o espírito, só, e abandonado às suas dores e à sua
ignorância.
Eu creio em absoluto na marcha progressiva da sociedade,
sou contra todas as formas políticas que possam,
ainda que por momentos,
entravar esse progresso.?
- E dizia-nos: ?A Maçonaria, é a Luz! A República o Caminho!?
Eu sou livre-pensador, ateu, penso; sou republicano, falo. Para mim ser Maçon é um motivo de orgulho.
Considero que jornalistas Maçons devem sempre respeitar as obrigações deontológicas e éticas do seu próprio código, assim como o compromisso de honra que assumem no dia da sua Iniciação, que o prestam de livre vontade, compromisso que não contém nada que ponha em causa a honestidade de ninguém, nem a deontologia de nenhuma profissão. Saber que à porta do jornal fica o jornal e à porta da Maçonaria fica a Maçonaria.
A Internet, os meus livros, os meus papeis, os meus Irmãos, me ajudaram neste trabalho que aqui hoje vos apresento, e como dizia Albert Camus, Prémio Nobel da Literatura em 1957,
?Não quero ser um génio. Já tenho problemas suficientes em tentar ser um homem?.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/10/tertulia-de-17-de-outubro-as-lojas.html
notícias da Tertúlia e almoço debate sobre a Maldição dos Templários - 01Out2009 10:51:00
Um documento, apreendido pelas tropas de Napoleão depois de terem invadido a cidade de Roma, em 1809 e referido por Gérard de Sede descrevia o testemunho de um templário, de nome Jean de Châlons aludindo a ?três carroças de palha puxadas por cinquenta cavalas que haviam saído, na quinta-feira, 12 de Outubro de 1307 (a véspera da prisão dos templários), do Templo de Paris, conduzidas por Hughes de Châlons, Gérard de Villers e cinquenta outros cavaleiros, transportando «totum thesaurum Hugonis Peraldi [Hugo de Pairaud, o grande Visitador de França]?.
O mesmo templário teria afirmado que o conteúdo das três carroças teria sido embarcado no porto templário de La Rochelle e seguido em 18 navios da armada dos templários com destino desconhecido, mas que, certamente seriam paragens mais amistosas para a Ordem do que as de França? Seria o porto de templário do Baleal (Peniche), aproveitando o bom acolhimento que Dom Dinis deu a tantos frades fugidos de França e a recusa sistemática que sempre deu à Santa Sé quando esta tentou estender a Portugal os processos que incendiavam França?
Seria este tesouro composto por mapas antigos, informações geográficas e documentos que puderam depois ser usados na ?Escola de Sagres? e no começo do processo dos Descobrimentos portugueses? Seriam estes documentos e ensinamentos perdidos o cerne da mensagem do ?Espirito Santo? que Dom Dinis depois se esforçou por disseminar e que iria até onde fossem todas as naus das Descobertas e da Expansão?
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/10/noticias-da-tertulia-e-almoco-debate.html
A Maldição dos Templários, e o eclipse da Ordem em 14/9/1309 - 10Ago2009 16:57:00

(anátema do último Grão-Mestre)
Caríssimas Tertulianas
CaríssimosTertulianos
Os textos de apoio já foram divulgados há muito e sei que o interesse de todos os tornou já avocados para esta nossa Tertúlia, pelo que me dispenso de os repetir, estando crente que muitos até os dispensariam dado que é inúmera a literatura desta temática.
Vamos assim reter a essência desta questão em poucas linhas:
Em 1291 perde-se São João de Acre (5 de Abril a 28 de Maio: 54 dias) e a polaridade da Ordem do Templo de França situa-se na Ilha de Chipre. Qualquer ?campanha? contra esta Ordem teria sempre êxito por se ter perdido a Terra Santa, para além do poder material da sua estrutura.
O Prior da Comenda de Monte Falcão, Sequin de Floryan, após ser expulso da Ordem, denuncia perante Jaime II de Aragão escândalos e corrupções, não merecendo do ?Aragonês?(dizia-se Salomão do Ocidente) qualquer atenção, pelo que toda a sua vingança é oferecida ao Rei de França, Filipe «o Belo», ávido por arranjar uma motivação credível que materializasse a sua arquitectura de consolidação do poder real e das finanças de sustentação.
A 14 de Setembro de 1307 chancela Filipe IV a Ordem de Prisão de todos os Templários, dirigida aos Oficiais Reais de todas as Regiões da França, para ser aberta apenas a 13 de Outubro desse ano. Dois anos mais tarde, a 14 de Setembro de 1309, os Templários franceses, ainda em liberdade e que não tinham seguido o exílio, entregam-se às prisões do Rei, em haraquiri sagrado. Todos tinham de ser ouvidos sobre as 11 acusações fabricadas por Nogaret.
Seja maldição ou não atribuída ao último Grão-Mestre da Ordem do Templo, certo é que até chegar «alguém» ao patíbulo de Luís XVI, em 1793, para dizer «Jaques de Molay estás vingado», ocorreram os seguintes factos:
Filipe IV morre em 1314, na noite de Santo André, extinguindo-se a sua linhagem em 1328 (200 anos após o Concílio de Troyes), por os seus 3 filhos, Luís X, Filipe V e Carlos IV, terem morrido sem deixar descendência, sendo apelidados de «reis malditos». O Papa «maldito» morre antes, a 20 de Abril de 1314.
A mesma maldição do Ramo dos Capetos se repete no dos Valois, com os 3 filhos de Henrique II, Francisco II, Carlos IX e Henrique III, bem como no dos Bourbons, nos 3 irmãos Luís XVI, Luís XVIII e Carlos X.
Com 22 Grão-Mestres da Ordem do Templo, em França, apenas existiram mais 22 reis, de Filipe IV ao guilhotinado Luís XVI. Para os querem contar 23 (o X ou Y dos 22 cromossomas ou Arcanos) então Luís XVII (17) morre num mistério trágico, como trágico era uma Ordem com 2 Grão-Mestres, com o «banido» Jean de Thierry (1184-1188), recusando-se pegar em armas contra o Saladino, em tempo do maior sanguinário e infâme Grão-Mestre Gérard Ridefort, quase auto-eleito em 1187, por intrigas, ambições e corrupção da Ordem.
Em 1315, em quase toda a Europa, as sucessivas chuvas torrenciais, durante 3 anos, originaram fome, desnutrição e ruína económica, culminando com a Peste Negra de 1348.
Filipe de Marigny, Arcebispo de Sens, que ordena o 1ª Fogueira a 13 de Maio de 1310, onde ardem 54 Templários, teve morte misteriosa.
Muito se tem escrito sobre os Templários, mas só se pode escrever o que se prova, em raciocínio académico. Sabem os verdadeiros Templários a verdade da CHAVE de uma missão por cumprir, incumbida a Portugal, sem revelação, mas revelada aos verdadeiros Iniciados desta Ordem que nunca deixaram de existir. Não se é médico por se ler livros de Medicina, mas jamais se será Templário se não for por Iniciação no Plano Imaterial.
Amadas Amigas e Amados Amigos desta Tertúlia:
Deixo ao vosso pensamento as seguintes questões que se acreditardes nos seus axiomas um dia tereis a REVELAÇÃO da Senhora da Iria, existente numa Igreja de Tomar, «vinda» do século IX, bastando para tal meditar na simbologia iconográfica existente na base da torre da Igreja de São João Baptista de Tomar, no Largo da Estátua a Mestre Gualdim Pais, tão idêntica nas ruínas do Palácio de Cnossos, na Antiga Grécia, ou na Bandeira do Tibete.
Os 3 Pastorinhos de Notre Dame (Veríssimo, Máxima e Júlia), apareceram em Lisboa, em 307 d.C., 1000 anos antes de 1307, figurando o seu historial na Igreja de Santos, junto da Embaixada de França, sendo seu Dia a data de 3 de Outubro, ocupado que está sempre o Dia Litúrgico de 13 de Outubro com o único Santo-Rei da Europa, São Eduardo de Inglaterra, o qual morreu em 1066, 600 anos antes do grande incêndio de Londres.
A Bula Papal Datum Omne Optimum, lavrada pelo Papa Inocêncio II, ratificando a Regra e a Ordem estabelecida 11 anos antes (22:2), no Concílio de Troyes, em 1128, teve lugar a 13 de Maio de 1139, ocorrendo a 1ª fogueira contra os Templários 171 (17 de Portugal) anos depois, neste dia.
Em 139 a.C. assassinam Viriato, em 1139 (dia de São Tiago) ocorre o «Milagre» de Ourique, em 1319 surge a Ordem de Cristo (Papa João XXII, após o 21º ser de Portugal)) e em 1913, em França, o Rito Escocês Rectificado, de raiz cristã, surge com seus Graus Templários.
Sendo todas as Bulas principais datadas dos dias 22 (NOV1307: Pastorales que legitima a prisão dos Templários; MAR1312: Vox Excelsis, Vox Clamentis segundo investigado, com notação de 3 de Abril, que «extingue» a Ordem do Templo; MAI1312 (1311?): Rex gloriam virtutem excomungando todos os novos Templários), bem as nomeações Papais de Bispos e Cardeais, chegando a ser lavrada a de 22DEC1313 que nomeia os 3 Cardeais (Nicolas de Fréauville, Arnaud de Auch e Arnaud Nouvel) para decidir dos Altos Dignitários presos, verificamos que a França e Portugal assenta em bases 22 evolutivas.
Que a Ordem do Templo é erigida após 66 (22x3) Patriarcas de Jerusalém, sendo ela Consagrada por Théoclètes, o 67º após o Apóstolo João.
As Aparições de Fátima, em 1917, vão de 13 de Maio a 13 de Outubro, após ser Ministro dos Negócios Estrangeiros o sucessor e descendente de Egas Moniz, de mesmo nome e «Nobel» da Medicina, com Rudolf Hess. Assim existia, para além de Martim Moniz, Febo Moniz e Botelho Moniz ao longo de 9 séculos.
A Exaltação da Santa Cruz (14SET335) sempre foi seguida por Filipe o Belo, quer na feitura da Ordem Secreta, a 14 de Setembro de 1307, quer na feitura da Ordem Directa, a 14 de Setembro de 1309, dizendo esta: ?d?árrêter tous les frères sans exception aucune, de les retenir prisonniers?de saisir leurs biens, meubles et immeubles,?dans tout le royaume de France?Dizia ainda a decisão real: les commissaires et l?inquisiteur doivent examiner la verité avec soin, par la torture s?il en est besoin? ils doivent être prévenus d?avoir à avouer ou être mis à mort. O Bispo de Sens que fez arder os primeiros 54 Templários a 13 de Maio era irmão do Tesoureiro do Rei, outro «maldito» de morte trágica, talvez violando o mesmo Arquétipo de l?or des róis celtes du Velay, cujo Guardião Eterno Templário é Arnulphe de Chapteuil, bem alusivo no filme de Indiana Jones, morrendo todos os que são ávidos de riqueza porque não procuram o GRAAL, dito que: le château de Tomar est-il le château du Graal, un édifice construit à l?image du Temple spirituel? Assim se pergunta ainda em França.
Qual será o verdadeiro SEGREDO DE FÀTIMA?
Bem-Hajam por me escutarem. João Santos Fernandes
Saliento, no entanto, o dia 14 de Setembro de 1309 como um marco final de «entrega» voluntária para julgamento dos Membros da Ordem do Templo, em França, Dia da Exaltação da Cruz, explicação que teremos oportunidade de melhor explicitar.
João Santos Fernandes
700 ANOS APÓS A QUEDA
1307-1309
Causas históricas
De 987 a 1328 a dinastia dos Capetos, com 14 Reis (o 1º Hugo, o Capeto) fizeram um esforço enorme para unificar a França, desmembrada no fim da dinastia anterior, a carolíngia (de Carlos Magno) em grandes terras feudais e eclesiásticas. Para a estratégia real de união, eliminar focos de independência e de riqueza a favor do poder do Rei seria melhor conseguida se tivesse o inicial apoio do Papa de Roma. Eliminando o poder do Sul de França, do Conde Toulouse, o rei Filipe Augusto (séc. XIII) com o Papa Inocêncio III, fazem a Cruzada contra os Albigenses (o extermínio dos Cátaros) e travam a Norte a guerra contra os Plantagenetas, inventando heresias e levantando fogueiras conta tudo o que era herético.
O engrandecimento da Ordem do Templo (criada em 1128, pelo Concílio de Troyes), começava a seduzir os Reis, até que Filipe, o Belo pede a sua matreira entrada nesta Ordem, a qual lhe emprestou enormes somas de dinheiro. Ao mesmo tempo cria o Rei os Estados-Gerais e uma nova classe de apoio, os Legistas (tudo o que servir o rei será lei), as bases do absolutismo, agora virado contra Roma (Papa Bonifácio VIII) e contra a rica Ordem do Templo, culminando o engrandecimento da monarquia com Luís XIV.
Causas enigmáticas
Quando uma Ordem espiritual, ou um Reino, viola as leis do Universo e se torna poderosa e material, definha porque esquece o ser humano. O poder templário e o absolutismo francês, em tempos diferentes, parecem cair de igual modo. O Rei Luís XVI (Revolução Francesa) condenado à morte pelo seu primo Filipe de Orleães, era o 22º sucessor de Filipe, o Belo. Jaques de Molay, era o 22º Grão-Mestre da Ordem do Templo e foi o último, queimado na fogueira. Para quem conte 23 Grão-Mestres (com Jean Terric), o 23º sucessor de Filipe, o Belo, o Delfim Luís XVII, desaparece em circunstâncias trágicas e de mistério. Diz-se que após Molay, de 1314 a 1804, mais 22 Grão-Mestres existiram, mas o que dá um fecho de ciclo iniciado em Toulouse, com o massacre dos Albigenses, é a ordem do Cardeal Richelieu, em 1632, para decapitar Henry II de Montmorency nesta cidade. Seria este o último Grão-Mestre da Ordem do Templo, secretamente reconstituída?
Coincidências da História ou talvez não
A Ordem do Templo era uma multinacional nos séculos XII e XIII. Em 1187, existiam 2 Grão-Mestres: Jean Terric (eleito em 1184) e Gérard Ridefort, eleito neste ano, por estratégias de poder. Em 1188 Jean Terric abdica, um caso raro. São 70 anos após 1118, o embrião da Ordem do Templo, em Jerusalém. Faltavam 118 anos para 1307, a prisão inicial dos Templários, a 13 de Outubro, Sexta-Feira, 22 anos depois de Filipe, o Belo, ter sido coroado Rei (1285), apenas com 17 anos. A Bula do Papa Clemente V (Vox in excelso) que irá abolir a Ordem do Templo, terá a data de 22 de Março de 1312.
Em Portugal e nos Reinos Ibéricos, tudo tem historial diferente, mas o Concílio de Salamanca que iliba os Templários aquém Pirenéus, é convocado para 13 de Outubro de 1318 (abre a 21) e a Ordem do Templo, sediada em Tomar, muda para Ordem de Cristo pela Bula do Papa João XXII (22), o prelado francês Jaques (nome de Molay) Duèse.
As origens das Cruzadas e a realidade Ibérica
Durante séculos, a partir das conquistas árabes, muçulmanos, judeus e cristãos, coexistiram na Península Ibérica, uma originalidade civilizacional de 711 a 1492. Mesmo em terras do Islão, o princípio da dhimma (protecção) durou 4 séculos (636-1078) e um dos mais poderosos Califas, Haroud-al-Raschid, enviou as Chaves do Santo Sepulcro ao Imperador Carlos Magno.
A causa primeira de todas as Cruzadas foi a aparição, no início do séc.XI, dos Turcos Selsjlúcidas que destruíram desde logo o Império Árabe de Bagdad e ameaçavam Constantinopla, por consequência a Europa. O último dia do Concílio de Clermont, em Auvergne, a 29 de Novembro de 1095, noite da Vigília de Santo André (e dia da morte de Filipe, o Belo) o Papa Urbano II dá a sua anuência ao pegar de armas para libertar o Santo Sepulcro. As Cruzadas iniciaram-se a 15 de Agosto de 1096, mas sem Reis ou Imperadores, pois estavam excomungados. O rei de França, então, se chamava Filipe.
Quando a Europa Central queimava heréticos nas fogueiras, o Rei Afonso X, o Sábio, avô do Rei D. Dinis, encorajava os trabalhos comuns das 3 religiões de Abraão. As Capelas Octogonais Templárias, como as de Eunate, Puy-en-Velay e Tomar, não foram cidadelas de guerra santa ou agências bancárias. As insígnias do Tosão de Ouro em Tomar, Ordem criada em 1431 para o casamento da filha de D. João I com o Duque da Borgonha, ano da morte dos Condestáveis de França (Joana d?Arc) e de Portugal (D. Nuno Álvares Pereira), números de 1314 na morte de Jaques de Molay, dão um cunho de espiritualidade Templária diferente de Jerusalém e depois patente nas Caravelas dos Descobrimentos, com a Cruz de Cristo.
O Ciclo Templário de 1307/1309 ao longo da História.
Quando o convertido Rei de França, Clóvis, em 507, ocupa o Reino de Toulouse, há 1500 anos, destronando o Rei Visigodo, Alarico, que aqui tinha convocado o Concílio de Agde, a 11 de Setembro de 506, unindo todos os cristãos, jamais houve paz e ainda hoje o problema Basco é disso fruto, pois apenas se soube resolver Andorra. Os que fugiram para aquém dos Pirenéus, precisam de estudar as suas origens. Vejamos o que passou, em efeméride, em 2007, para além dos 1500 anos após Clóvis:
800 anos após a excomunhão do Conde de Toulouse, Raymond VI, por aderir à causa dos Cátaros.
700 anos após a prisão dos Templários, os quais se acabam por entregar, sem resistência, na data de 14 de Setembro de 1309, segredo litúrgico.
500 anos após Lutero, com 24 anos, se ter insurgido contra as indulgências e a Inquisição.
400 anos após se ter criado a Nova França, no Canadá. Samuel Champlain, em 1608, fundará o Québec, pomo de discórdia da frase de De Gaulle: viva o Québec livre. Livre de quê?
300 anos após uma outra Ordem, a Companhia de Jesus, em França, ter iniciado a Cruzada contra os Jansenitas e em 1709 terem sido expulsas 22 idosas religiosas de Port-Royal des Champs. Uma repetição Cátara, com fogueiras e prisões, de tal modo que em 1715, ano da morte de Luís XIV, haver mais de 2000 pessoas presas. Como na Ordem do Templo, o Papa em 1773, abolia os Jesuítas, restaurando a sua Ordem, como em Portugal, onde está o seu primeiro Mosteiro, em Lisboa, na Mouraria.
200 anos após 1807, quando Napoleão ocupa o Vaticano e se proclama de Carlos Magno, herdeiro de São Pedro e Mestre Supremo de Roma.
Uma conclusão para meditar
Quando estamos a analisar a fuga da Corte para o Brasil, 200 anos após a prisão dos Templários ou falamos sobre o assassinato do Rei D. Carlos I esquecemo-nos de criar um verdadeiro Código da Vinci (e não a patranha que nos venderam) para grandes ciclos da História dos Povos e da Humanidade. Como foi selada, com rituais Templários, a Velha Aliança Portugal-Inglaterra, é preciso analisar que o assassinato do Rei Carlos I de Inglaterra deu origem à República Inglesa ou de Cromwell. Outrossim em Portugal, em 1910. Mas é o casamento da filha de D. João IV, negociado pelo Padre António Vieira, o Jesuíta da Profecia e do Delito de Opinião, que vai restabelecer a Monarquia Inglesa, com Carlos II.
Podemos não ser Templários ou de qualquer Ordem, pois Cristo não nos ensinou poderes ocultos. Através de São Paulo, o que perseguia cristãos e nem foi seu discípulo em vida, aprendemos que somos Deus (despertai o Cristo que está em vós) e que só precisamos de ver, claramente visto. Sabemos que é assim em todos os credos-de-fé, mas hoje é difícil despertar os Templários de Alá, os Fidâ?iyûn, como em 1090, em Alamut. Sabia Abrão, aos 99 anos chamado Abraão, que viriam os Cavaleiros Essénios para evoluir a Humanidade. Tomar é esse Arquétipo, por isso o rio Nabão dos Templários evoca os Nabateus, o povo do Templo de Petra.
Quando hoje muitos analisam o 11 de Setembro de 2001, se esquecem de um ciclo menor da Lua, de 28 anos, sobre o 11 de Setembro do Chile, ou 28 anos sobre as Torres de Hiroshima e Nagasaki. Assim viria a cair o Muro de Berlim, 28 anos após 1961.
Fechadura final
Por muito que se esgrima no plano teológico, filosófico ou de qualquer tese académica, a Iniciação nos Mistérios é tão simples que basta seguir duas Leis Básicas do Universo: tudo é acção-reacção, segundo Matrizes Universais e tudo o que está em Cima é como o que está em Baixo. Na Gruta de Belém estavam os Reis Magos.
João Santos Fernandes(*)
Textos de apoio-2
Réflexion d?un serviteur de Dieu,
Au Monde et à moi-même.
Joao Fernandes
Clef de l´énigme Templier en France
Pour des motifs peu connus Philippe le Bel demanda son affiliation à l?Ordre du Temple et fut le premier roi de France à pouvoir visiter la cité des Templiers, une vue de splendeur pour les appétits du roi dont les finances avaient été mises à mal par des guerres incessantes.
De 987 à 1328, la dynastie capétienne, avec 14 rois, travaillèrent d?un effort persévèrent à une même ?uvre qui fut considérable, l?unification de la France, moncelée en grands fiefs depuis la fin de la dynastie carolingienne (4 duché, 7 comté et 7 évêchés-comtés).
Le domaine royal, agrandi au Nord et à Ouest par la lutte contre les Plantagenets, s?étendit au Sud par la croisade des Albigeois. Le roi Philippe Auguste, avec le pape Innocent III, contre les hérétiques sujets du comte de Toulouse (l?un des plus puissants seigneurs du royaume) avait donné à Philippe le Bel une même rêve et son mariage avec la fille du comte de Champagne commença à déborder sur l?ancienne Lotharingie, comme Languedoc.
Pour achever l?unité du royaume, Philippe essaya d?enlever aux rois anglais leurs dernières possessions de France, et de soumettre des villes du comté de Flandres. Pour crier un autre pape Innocent III, en 1305, Philippe faisait élire pape l?archevêque de Bordeaux, Clément V. Le roi n?avait pas la piété de son grand-père, saint Louis, mais un politique peu scrupuleux comme Philippe Auguste.
À cause des luttes avec le pape Boniface VIII et après avec le procès des Templiers, Philippe le Bel avait crié des personnages nouveaux : les Ètats-Génèraux et les Légistes. Les premiers, ces assemblées, étaient composées, non pas de députés élus par les Français, mais de personnages notables, choisis et désignés par le roi lui-même parmi les nobles, les ecclésiastiques, les bourgeois, jamais le peuple. Ces notables étaient réunis, non pas pour délibérer et discuter avec le roi, mais pour entendre ses décisions, dire oui à tout ce qu?il demandait et rapporter dans les provinces les volontés du souverain.
Les Légistes posaient en principe que «ce qui plait à faire au roi doit être tenu pour la loi». C?est le principe de la monarchie absolue qui devait triompher en France trois cents ans plus tard et durer jusqu?à la Révolution. Louis XVI, condamnaient à mort par son cousin, Philippe d?Orléans, était le 22 ème successeur de Philippe le Bel. Jaques de Molay étaient, le 22 ème Grand Maîtres du Temple. Même avec 23 Grands Maîtres, non oubliant Jean de Terric, la malédiction reste «numérologiquement» valable, puisque le 23 ème descendant de Philippe le Bel était le Dauphin Louis XVII qui disparut dans circonstances mystérieuses et tragiques. On dit qui après 1314 jusqu?à 1804 une autre tranche de vingt-deux Grades-Maîtres avait lieu. Henry II de Montmorency, décapité à Toulouse sur l?ordre de Richelieu en 1632, était-il le dernier Grand-Maître de l?Ordre du Temple secrètement reconstitué ? .
En 1294, Philippe le Bel, ayant besoin d?argent, leva un impôt sur le clergé. En 1301 le pape, sans demander le consentement du roi, créa un nouvel évêché dans le royaume de France, à Pamiers. Le roi fit arrêter l?évêché, Bernard de Saisset, sous prétexte de haute trahison. L?accusation formulée par un légiste, Guillaume de Nogaret, était fausse. En 1303, le roi senti que l?appui de la nation lui était indispensable et, pour soulever la nation, publia une fausse bulle, où il exagérait les prétentions pontificales. Au mois d?avril 1303 le pape Boniface VIII excommuniait le roi de France.
La mort de Boniface, un mois après l?attentat d?Anagni, en 7 septembre 1303, commandé par Nogaret et la famille des Colonna en Italie, donnait la victoire au roi de France. Le nouveau pape Benoît XI leva l?excommunication lancée contre Philippe, mais refusa d?absoudre Nogaret. Nogaret le fit empoisonner. C?était très « dangereux » empoisonner le pape Boniface VIII, Benedetto Caetani, parce qu?il était Grand Initié de l?Etoile Glorieuse, un Ordre de trace mystérieuse et énigmatique, dans les Mystères de la Tradition Ogdoadique, avec influence dans l?architecture et le rituel de l?ancien Ordre du Temple. Après 500 ans (1807), dans une lettre, Napoléon rappelait l?arrestation de Boniface VIII par les agents de Philippe le Bel, ayant été communiqué au colonel de gendarmerie Radet (« Nogaret »), changé de l?organisation de la police en Italie. Le 6 juillet 1809, le jour de la bataille de Wagram, il entra par effraction au Quirinal et mi en arrestation le Pape. Pie VII refusa de donner l?investiture spirituelle aux évêques nommés par Napoléon.
En 1305, Philippe le Bel faisait élire pape l?archevêque de Bordeaux, Clément V qui finit par s?installer à Avignon (1309). Philippe arracha à Clément V l?abolition de l?Ordre des Templiers dont il convoitait les richesses. La bulle Vox in exelso, du 22 mars 1312, supprima l?Ordre mais le pape ne l?abolit pas. Bertrand de Goth, le pape, était l?un des rejetons de Bertrand de Blanquefort, l?un des grands administrateurs de l?Ordre, élu Grand Maître en 1156, mort en 1169 (13 ans). Sa famille s?unit aux De Goth, une grand lignée de Guyenne et Gascogne.
En 1306, menacé par une violente émeute populaire, préparé par le roi, Philippe se réfugia dans l?Enclos du Temple. C?est à sa demande, et à celle du pape qu?un an au paravent, Jaques de Molay quitta Chypre pour s?installer à Paris. Se liant d?amitié avec le Grand Maîtres du Temple, le roi lui demanda d?être le parrain de l?un de ses fils et, aux obsèques de la belle-s?ur du roi, c?est le Grand-Maîtres qui fint le cordon du poêle. Philippe le Bel utilisa l?or du Temple pour acheter l?île d?Oléron, et doter sa fille Isabelle de 500 000 livres, lons de son mariage avec le roi d?Angleterre. Philippe empruta aux Templiers 725 000 livres.
L?Ordre du Temple devint une véritable multinationale des XII ème et XIII ème siècles, ce qui suscita les pires jalousies de la parte des rois. Quelques Grand-Maîtres ne voulont que le pouvoir et la puissance temporelle, comme Gérard Ridefort, élu en 1187, puissant protecteur (avec Honorius, patriarche de Jérusalem) du comte Guy de Lusignan au comté de Jaffa et depuis au trône de Jérusalem, malgré l?opposition des Templiers. Il y avait en 1187 deux Grand-Maîtres : Ridefort et Jean de Terric, relu en 1184 il abdiqua en 1188. À cet an commença l?anathème du Temple, 70 ans après 1118 et 118 ans avant de 1307. Les Lusignan emmenèrent la chrétienté d?Orient à la catastrophe et à la mort.
Philippe le Bel, monté sur le trône à 17 ans, en 1285, procéda contre les Templiers comme on avait procédé contre le pape Boniface VIII. Le 13 octobre 1307 les Templiers furent arrêtes en masse par toute la France, 22 ans après le couronnement du roi et 100 ans après l?excommunication du comte de Toulouse, Raymond VI, par le pape Innocent III, par volonté et désire de Philippe Auguste, roi de France, pour acquis à la cause cathare. Contre les Templiers comme contre les Albigeois.
Il y avait, en effet, des Templiers dans les autres pays, mais les souverains n?étaient nullement décidés à imiter Philippe le Bel, comme Portugal. La branche portugaise de l?Ordre du Temple fut recrée en 1319, sous le nom d?Ordre du Christ, nommé tout d?abord Milities Christi, par la bulle du pape Jean XXII (22), le Français Jacques Duèse. Aux royaumes de la Péninsule Ibérique, les Templiers furent reconnus innocents à l?unanimité du concile de Salamanque, ouvert le 21 octobre 1318.
Pendant plusieurs siècles, à partir de la conquête arabe, musulmans, juifs et chrétiens ont coexistés dans la Péninsule Ibérique, une originalité de 711 à 1492. En terre d?islam, le principe de la dhimma (protection) avait fini après plus de 4 siècles (636-1078) et l?un des plus puissants des empereurs arabes, le Kalife Haroud-al-Raschid, avait même envoyé à Charlemagne les clefs du Saint Sépulcre.
La cause première de toutes les croisades est, en Orient, l?apparition, dans le cours du onzième siècle, d?un nouveau peuple musulman, les Turcs Seldjoucides. Les Turcs détruisirent l?empire arabe de Bagdad. Ils menaçaient Constantinople par conséquent l?Europe. Aux croisades, avec mise en route fixée par le pape français Urbain II, au 15 août 1096, pour la délivrance du Saint-Sépulcre, aucun roi ne prenait part. Le roi de France, Philippe, et l?empereur Henry IV était excommuniés. Malheureusement le peuple chrétien pour la délivrance de Jérusalem sera français, allemand et italien.
Le pape Urbain II, un Français, avait réuni un concile à Clermont, en Auvergne, pour s?occuper de la réforme du clergé de France. Le dernier jour du concile, le 29 de novembre 1095 (le jour de la mort de Philippe le Bel en 1314), nuit de la Vigile de saint André, fut une invocation aux armes pour la délivrance du Saint-Sépulcre. Obtenir le pardon des fautes et gagner une place en paradis sont paroles de tous les chefs pour des personnes pénétrées de cette croyance, en croisades de l?Histoire. Hier et aujourd?hui.
Un Grand Initié, Arnaud de Brescia, proche du philosophe et théologien Abélard (1079-1142), agitait Rome et France avec les vices et les abus du clergé. Le succès de ses sermons, a la fin des années 1130, inquiétant les autorités ecclésiastiques et surtout saint Bernard de Clairvaux. Au Concile de Sens (1141) Abélard fut condamné sous la pression de saint Bernard qui lui reprochait de soumettre la foi et l?Écriture à l?examen critique de la raison. Arnaud se trouvait aussi à Paris, mais il reprendre le chemin de l?exil. Il se rendit à Zurique. Saint Bernard l?apprit et alerta les autorités religieuses. En 1155 (10=55 et 55=11x5), arrêté par l?empereur Frédéric Barberousse (1152-1190) puis livré au pape Adrien IV, Arnaud de Brescia fut pendu, son cadavre brûlé et son cendres jetées au Tibre pour éviter tout culte populaire sur son tombeau. On peut dire qui Arnaud fut le précurseur des libertés démocratiques, la première victime officiel de la bûcher, avec la pression de saint Bernard et le l?Ordre du Temple en France et une espérance avant saint François d?Assise.
En 1314, avant l?heure de la bûcher de Jaques de Molay, le Grand-Maîtres déclara : je ne suis qu?un pauvre chevalier illettré. La vérité c?est qu?il existait une autre hiérarchie templier, inconnu. Certains historiens donnèrent à ces gouvernants le nom de Temple Noir. Je peu dire que les « inconnus » nous avons donner une leçon initiatique : après le suplice de Jaques de Molay, des compagnons et des chevaliers, vêtus en maçons libres s?approchèrent du bûcher pour en recueillir les cendres, les jetèrent en direction du palais du roi, et prononcent l?énigmatique macbenash. En 1431 (1000 ans après le concile de Éphèse qui a condamné Pélage), une année avec les mêmes nombres de 1314 (1000 ans après le concile de Arles, la « guerre » des évêques de Rome et Bretagne), avec le même procès des Templiers, qui est-ce qui a dit macbenash avec les cendres de Jeanne D?Arc qui les Anglais firent jeter à la Seine ? . La Filiation dite d?Aumont, de Beaujeu, de Larmenius, peut-être seulement par l?archange saint Michel qu?elle vit, au milieu d?une grand lumière en 1425 ?
Aujourd?hui, en 2007 :
· 800 ans après l?excommunication de Raymond VI, pour acquis à la cause cathare.
· 700 ans après l?arrestation des chevaliers dans toute la France. Bernard Gui est nommé inquisiteur à Toulouse. La justice royale de Philippe le Bel adopte la procédure inquisitoriale. Le système français est régi aujourd?hui par des procédures de l?Inquisition, et qui sont enracinées avec le Code d?instruction criminelle de Napoléon, en 1808, élaborée en 1807. La loi du 15 juin 2000 n?a pas rompu avec l?héritage de l?Inquisition.
· 600 ans après l?assassinat du duc d?Orléans, Louis, frère de Charles VI.
· 500 ans après Luther, avec 24 ans, s?élever contre l?abus des indulgences et la Inquisition. La bulle d?excommunication de Luther fut jeter par lui et les étudiants dans un bûcher à la place de l?église de Wittenberg. La crise provoquée par Luther, comme la crise de Arnaud de Brescia, eut un double résultat : un Concile à Trente, comme Troyes, et la création des ordres nouveaux, la plus remarquable la Compagnie de Jésus (?consacrer au service de Dieu, d?aller en Palestine pour y travailler à la conversion des musulmans et servir les pauvres, enfin d?obéir en tout aux directions du pape-le 15 août 1534- Ignace de Loyola, François-Xavier, trois Espagnols, un Portugais et un Savoyard) comme l?Ordre du Temple, sans armes.
· 400 ans après la Nouvelle France sur les rives du Saint-Laurent, au Canada. Samuel Champlain, un capitaine de la marine royale, fonda Québec en 1608.
· 300 ans après le recommencement de la persécution du Jansénisme ( le plus célèbre janséniste fut Arnauld), avec « l?épée » des Jésuites. Brûlées et emprisonnés beaucoup de fois, en 1709 vingt-deux vieilles religieuses établies à Port-Royal des Champs, en furent expulsées par le lieutenant général de police, assisté de 300 soldats. Quand le roi de France, Louis XIV- qui avait un Jésuite pour confesseur- mourut (1715) plus de deux milles personnes étaient emprisonnés par le zèle orthodoxe du roi et des Jésuites. Le pape, en 1773, abolit la Compagnie. François-Xavier savait pourquoi.
· 200 ans après « la revanche des Templiers » quand Napoléon, en 1807, fit d?abord occuper les États pontificaux. Napoléon se réclamait de Charlemagne, « Empereur des Français et son auguste prédécesseur », donateur du patrimoine de Saint-Pierre, par conséquent maître suprême de Rome.
· 100 ans après la renaissance du Rite Ecossais Rectifié par la main de Édouard de Ribaucourt (née à Suisse, en Payerne, le 8 décembre 1865) qui en 1910 fit renaître la Loge Le Centre d?Amis fondé sur le 2 février 1793 (10 jours après la mort de Louis XVI, avec absorptivité de la Loge Guillaume Tell), par la main de Alexandre Roettiers de Montaleau, fondateur du Grand Directoire de Neustrie, en 1807, donc l?Ordre des Chevaliers Bienfaisants de la cité Sainte existé, sains avoir confusion qui sont les nouveaux Frères Élus. Est-ce J.-B. Willermoz le savait ?. Il y a vraiment la Classe Secrète d?un Ordre Intérieur comme C.B.C.S., mais ni tous « voit » les Frères de l?Ordre de Chevalerie Céleste.
· 1 ans après la France (et l?ancien comté de Flandres) avoir dit Non a une nouvelle Europe, seulement avec les États-Généraux de Philippe le Bel et l?argent des nouveaux Templiers d?une autre Table Ronde. La Déesse Europe n?a besoin des Empereurs ni de sociétés secrètes à prétention initiatique. Pour être reçu au Chambre du Milieu, référence à un Royaume du Centre, on doit, seulement, avoir la connaissance de Dieu en nous et de nous en Dieu. Malheureusement, aujourd?hui, la famille n?est pas une école ésotérique. L?argent global, comme en 1307, a été la cause de la maladie.
La différence parmi Bagdad en 1107 et 2007 c?est nulle. L?occupation des Turcs et des Américains sont des cycles, même sains Templiers. La différence parmi les situations des Arméniens et des Kurdes en 2007 et 607 av.-C. c?est nulle. Une coalition des Babyloniens et des Médes, comme les Etats-Unis et Royaume-Unie, ruina l?empire assyrien et sa capitale.
Aujourd?hui, comme pendant les siècles, on cache la vérité aux populations. Nous avons besoin des Ordres Initiatiques. Il y a plusieurs, mais la plupart d?entre elles assument d?autres fonctions que la fonction Initiatique. Le « monde » encourage seulement celles-ci avec l?action sociale ou se rapprochent des clubs de service. L?Ordre du Temple, en France, a oublié :
Toute guerre gagnée est gagnée d?avance par la préparation qui a été faite. L?aide divine n?intervient jamais contre les mouvements de la volonté.
Le combat intérieur, appuyé sur le bâton et avançant à la lumière d?une lampe comme l?Hermite, symbolisée aussi au « Candélabre Neuvième ».
Le 13 octobre 1307, vendredi, plus que le double Treizième Arcane, du jour et de l?année, nous « voit » la Rose, avec 13 pétales, comme Notre Souverain Maître et ses Apôtres. Le vendredi 13 mai 1239, environ 180 hérétiques sont livrés aux flammes, en Champagne. Les bûchers de Robert le Brouge et du pape Grégoire IX n?avait pas être condamné par les Templiers de France. Aux royaumes de la péninsule Ibérique, beaucoup de fois, les fils des rois ont complété son éducation auprès des émirs et des écoles musulmanes. Quand l?autre Europe brûlait les hérétiques le roi de Castille Alphonse X le Sage encouragea les travaux communs des érudits juifs, chrétiens et musulmans. Son petit-fils, roi de Portugal, Dinis le Laboureur, avec ses Ordres, a recrée en 1319, la branche portugaise de l?Ordre du Temple, nommé Ordre du Christ.
Qui la France et L?Eglise de Rome et les Ordres Initiatiques d?aujourd?hui faisaient de son mieux pour entendre l?originalité de la péninsule Ibérique. Les chapelles templières octogonale à Eunate et Puy-en-Velay ou celle du château templier de Tomar, ne sont pas lieu ou citadelles de la guerre sainte ou des agences bancaires. Ici, comme au Saint-Sépulcre, est le lieu de la transformation spirituelle intérieur, de la nouvelle naissance. Les sculptures et insignes de la Toison d?Or à Tomar donnent un sens spirituel a l?épopée templière, non à Jérusalem mais aux caravelles, frappés de la croix templière. Cette spiritualité finie le Philippe le Bel de Portugal le roi Manuel I le Heureux. Heureux non par sa bonne fortune mais pour voir Le Vingt et unième Arcane, Le Monde, répandu par les Portugais autour du Monde et qui fini avec Afonso de Albuquerque après 1507.
Le pape Jules II se refuse à donner l?Inquisition au Portugal, malgré les invocations du roi portugais. Le Pape de la Renaissance, du vraiTraité de Tordesillas, de la Chapelle Sixtine (nom de son oncle, le pape), un Frère Élu comme Boniface VIII, savait qui après sa mort ne reste au Portugal et en Espagne qui la croisade contre les nouveaux hérétiques. L?Ordre du Christ avait « sa mort » avec l?empoisonnement du roi Jean II le Prince Parfait . C?est difficile de dire si la règne ou une jeune femme, comme pour le pape Benoît XI, ont lui donné des figues empoisonnées dans une corbeille. Qui est la main de Nogaret au Portugal le 25 octobre 1495 ?.
Derrière le Message de Fátima 1917 et ses jours Alpha et Omega de 13 mai et 13 octobre, un lieu aux environs de Tomar et de son église Vierge d?Iria, il y a un rébus Templier :
· Le complot pour assassiner Viriato est accompli en 139 av.-C.
· La bulle Omne Datum Optimum, qui confirma la règle templière élaborée durant le concile de Troyes, en 1128, est accompli le 13 mai 1139.
· Le Mythe d?Ourique et la vision du roi de Portugal a lieu le 25 juillet 1139.
· Comme en Champagne le 13 mai 1239 (100ans après 1139), le premier massacre templier est accompli le 13 mai 1310, sur ordre du nouvel archevêque de Sens, Philippe de Marigny, 54 templiers montent sur le bûcher.
· Le concile de Salamanque, ouvert le 21 octobre 1318, avait donné 8 jour auparavant pour l?arrivée des délégations, c?est-à-dire le 13 octobre.
· La bulle du pape français Jean XXII (22), Jacques Duèse, Ad ea ex quibus, a recréé en 1319 au Portugal l?Ordre du Temple sur le nom d?Ordre du Christ.
· En France, en 1913, Édouard de Ribaucourt, serait le premier Grand-Maitres de la G.L.N.I.R. ou le Rite Ecossais Rectifié, au racine chrétienne, donne la lumière à l?Ordre des Chevaliers Bienfaisants de la cité Sainte.
· Le pape Benoît XV à la fin du I Guerre Mondiale a canonisé les Connétables de France et Portugal (morts en 1431) et à la fin de la II Guerre Mondiale le pape a été donné le titille Docteur de l?Église à saint Antoine de Lisbonne et Padua.
L?Histoire du Monde et des peuples, comme la nôtre vie dans une famille, c?est très facile d?entendre, parce qu?il y a toujours une matrice d?autant plus complexe que somme globale et universel. Il n?y a pas des erreurs dans les Matrices et ses règles sont action-réaction devant la perfection des objectives évolutifs.
Je vous donne un exemple simple pour un templier et difficile pour un politique : la résolution du problème basque, en Espagne. En 507, il y a 1500 ans, le roi catholique des Francs, Clovis occupa le riche royaume de Toulouse. Son chrétien roi wisigoth Alaric II trouva la mort et sa mission de réconciliation entre chrétiens et catholiques est finis, malgré le désire du concile à Agde, le 11 septembre 506. Avec un peuple réfugié au deçà des Pyrénées, la situation attend siècles pour une résolution. Les croisades contre les Albigeois et « l?autre Alaric, le comte de Toulouse » et les croisades contre les Basques et « l?autre Alaric, Sabino Arana Goiri » ont-elles résolut l?erreur de Clovis ?
Aujourd?hui, en 2007, l?ETA, les Basques, le roi d?Espagne, les Français et son Président doivent expliquer les origines et trouver la solution, comme les pouvoirs anciens ont trouvé pour Andorre.
Le mur de Berlin fut une construction humaine, mais il a durée une petite oscillation lunaire de 28 ans. Aussitôt le même temps parmi Hiroshima/Nagasaki et le 11 septembre au Chili et à l?égal de 2001 aux Etats-Unis.
Que c?est qui le désespéré Adolphe Hitler voudrait trouver au Château Templier de Tomar pour sauver sa guerre qu?il a commencée le 11 mars avec l?occupation de l?Autriche (rends célèbre au filme Musique au C?ur) et changée de batterie le 11 septembre 1939 en Pologne ? .
Je pense les gouvernements et toutes les organisations du monde ni s?aperçoivent qu?il faut exécuter le pouvoir avec Foi, Science et Raison, au nom de tous et pour tous. La globalisation sans avoir ni feu ni lieu serait comme le pouvoir des Templiers en France et le pouvoir de Philippe le Bel, sans son peuple, seulement avec les Légistes et les États-Généraux.
Le pouvoir des humains c?est très bien expliqué à la Bible par Livre de Qohelet : l?illusion.
La force mental, astral et céleste doit être réveiller. Comme a dit saint Paul réveillait Le Christ qui est à vous. Le Monde est marqué par un cycle de confusion et des forces obscures, dont les combats ont lieu sur plusieurs plans. Nous n?avons besoins des Templiers pour l?action sociale ou pour des services qui le « monde » tolère et encourage aux Ordres Initiatiques, aux mains des chevaliers soumis ont ne savait bien à quoi. Nous n?avons besoin des Templiers qui combat entre eux e ses Ordres, comme ils ont fait en Palestine et en Europe. Nous n?avons besoin des financiers Templiers pour susciter les pires jalousies de la part des pouvoirs et des peuples. Nous avons besoin de croire qui Dieu est dans nous-même et il faut aider l?Humanité par le « pensée-forme » en suivant la devise : non pour nous, seigneur, nom pour nous mais pour la gloire de ton nom. Nous avons besoin des Ismaéliens, les « Templiers d?Allah », l?Ordre qui s?établi en Perse en 1090, avant de s?étendre en Irak et Syrie, en 1181 (année 1118 pour les Templiers), avec ses moines, les Fidâ?iyûn, à la forteresse d?Alamut.
Comme disait La Fontaine en tout chose il faut considérer la fin.
Quand je suis élève au lycée, j?ai étudié l?Histoire de France et du Monde aux livres de Albert Malet. En comparaison de les autres historiens, sa vision « m?a donnée » la vision analogique de l ?Histoire.
Pour tous que j?ai dit je termine avec analogie :
Le 13 octobre 1307 a lieu dans un jour qui pour la liturgie chrétien est à la dévotion de Édouard Le Confesseur, roi d ?Angleterre mort en 1066, l?unique et vrai Chevalier du Temple qui je cognai au Moyen Age, comme roi. Un saint sans Ordre du Temple.
Philippe le Bel a fait aux Templiers la même chose qui le roi Édouard I d?Angleterre avait fait aux Juifs en 1290, fit courir des rumeurs sur des prétendus rites pendant lesquels ils auraient crucifié des enfants ou profané des hosties. Les rois avaient besoin d?argent.
Après la mort du saint roi anglais, le « 13 octobre 1066 », depuis 600 ans, en 1666, le feu qui a brûlé Londres cela devait arriver.
Celui qui sème le vent moissonnera la tempête, en 1307 comme en 2007. Grand merci pour votre attention.
João Santos Fernandes (*)
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/01/maldicao-dos-templarios-e-o-eclipse-da.html
I feira do Oculto encerrou dia 2 de Agosto às 24h com votos de boas férias! Recomeça a 26 e 27 de Setembro. - 02Ago2009 09:14:00
Bons dias!
Terminou mais um ano de actividades da Tertúlia, como sempre com o patrocínio do Alenquer Camping e do Bar do Além, de que se destacam para além dos almoços debate, a realizaçao do ritual do Solsticio de Verão, a I feira do Oculto do Bar do Além no primeiro fim de semana de Agosto, e o apoio a várias provas desportivas e de lazer no novo estádio de areia de praia do camping, nomeadamente de andebol e futebol de praia, e de petanca e golfe de praia.
No período anual de 2009/2010 a Tertúlia do Bar do Além, o Bar do Além e o Alenquer Camping vão desenvolver outras inciativas, e desde logo um campeonato e competição permanente de jogos de cartas de salão (canasta e king) de acordo com as inscrições dos interessados, e com classificaçao por equipas ou individual, a distiguir de acordo com prémios a definir. Os interessados devem desde já realizar a sua pré inscrição, que é gratuita. (mail bar.do.alem@gmail.com, tel 934289375)
Entretanto, os mensais e tradicionais Almoços Debate da Tertúlia, recomeçam no sábado 26 de Setembro, às 12h com o orador Cor. João Fernandes, sobre o tema: a Maldição dos Templários. Oportunamente seguirá o mail de informação.
Recorda-se que os participantes nas actividades da Tertúlia gozam de preços especiais no alojamento nos bungalows do Camping, e podem também reservar aqueles espaços para as suas festas e iniciativas particulares.
Para seguirem as notícias do Blog da Tertúlia os interessados a inscreverem-se como seguidores no próprio web site do blog, na rubrica seguidores, podem colocar para receberem informações regulares, apenas o seu e-mail.
Boas férias pois, e votos de regressos com ideias e propostas para o programa da tertúlia, inclusive de novos endereços de outros interessados nas nossas actividades! Bem Hajam.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/08/i-feira-do-oculto-encerru-dia-2-de.html
I Feira do Oculto no Bar do Além de 31 de Julho a 2 de Agosto (Alenquer) - das 18h às 24h - 29Jul2009 08:44:00
COM:
Ana Pires(terapeuta vibracional)
Chetan Puri (guru orientador espiritual)
Isabel Gil ( tarologa)
Helena (runas )
Bancada de artigos HINDUS
mais informações em http://www.bardoalem.blogspot.com/
mail mailto:bar.do.-alem@gmail.com
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/07/i-feiar-do-oculto-no-bar-do-alem-de-31.html
I Open Nacional de Setas de Alenquer com apoio do Bar do Além (5 e 6 de Setembro 09) - 26Jul2009 22:57:00

Treinos e ensaios permanentes no Bar do Além,
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/07/i-open-nacional-de-setas-de-alenquer.html
Fotos da Cerimonia de evocação do Solsticio de verão de 2009 - 07Jul2009 11:59:00
o texto do ritual utilizado e uma referência a cerimónia realizada encontra-se no post anterior: As fotos agora incluídas representam uma imagem parcial da cerimónia, e devem-se à gentileza de Tereza Del Pilar.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/07/fotos-da-cerimonia-de-evocacao-do.html
Cerimónia de evocação do Solsticio do ano de 2009 a 27 de Junho (Midsummer Fest): Fotos e texto Ritual - 21Jun2009 12:49:00
Ritual de Evocação do solstício de Verão de 2009, dia 27 Junho, sábado
na Tertúlia do Bar do Além, Alenquer
(As fotos devem-se à gentileza de João firmino)
1) O texto ritual recriado pelo Secretário da Tertúlia do Bar do Além, Luis Nandin de Carvalho, teve por base recolhas feitas na Internet, elementos de tradição oral de diversas origens, e o livro Os solstícios História e Actualidade de Jean Mabire e Pierre Vial (ed. Hugin, 1995).
2) Este documento nada tem de secreto nem tem a pretensão de constituir nenhum repositório de natureza histórica, nem de constituir nenhum procedimento para qualquer tipo de iniciação, ou práticas de superstição visando a obtenção de resultados ocultos.
3) Os elementos constantes do ritual contêm factores de evocação de práticas ancestrais imputáveis a remota origem celta, bem como de costumes de origem tradicional associadas à noite mais curta do ano (São João 24/Junho), prenúncio portanto do dia mais longo.
4) A decisão de levar por diante a evocação do Solstício de 2009, teve como ponto de partida a tertúlia sobre a teorização dos solstícios, realizada em 6/6/09, disponível aos interessados neste blog, e o interesse de um conjunto de membros da Tertúlia do Bar do Além, em realizar um exercício prático de uma cerimónia de evocação solsticial dita de mid summer.
- Dia 27 sábado a partir das 20h, chegada dos participantes inscritos préviamente, (maioritáriamnete vestidos de branco) recepção e secretariado com entrega do ritual e de uma vela/tocha a cada um.
- 20.15h início de jantar de barbecue volante (ágape) na esplanada da nogueira velha.
- Após o por do sol, deslocação dos participantes em cortejo de fila silenciosa, para a plataforma da cerimónia, seguindo o Mestre-de-cerimónias com o seu archote.
- O Mestre Celebrante acompanhado de três Co-celebrantes assume a sua posição a Oriente ou nascente, (com uma mesa como altar) e os demais 3 nos outros pontos cardeais: Ocidente ou poente, Norte e Sul todos empunhando archotes. Forma-se assim um pentagrama com o Mestre de Cerimónias, com cinco pontas, no quadrado dos pontos cardeiais, inscrito no círculo dos participantes.
- A cerimónia de evocação do Solstício de Verão foi desenvolvida de acordo com o ritual abaixo, dado préviamente em versão perliminar aos participantes, ligeiramente diferente da versão definitiva agora reproduzida.
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RITUAL
ABERTURA
À chegada do cortejo dos participantes, conduzidos pelo Mestre de Cerimónias, com o seu archote aceso, estão já presentes revestidos por tunicas, e formando um quadrado (foi emitida música adequada, com trechos de Beethoven) :
O celebrante do oriente, a nascente, com o archote apagado frente a um altar/mesa com 3 velas : vermelha, azul e verde, e 4 recipientes com sal, incenso, mirra e resina)
O celebrante do ocidente, a poente (archote apagado)
O celebrante a Norte (idem)
O cebrante a Sul) (idem)
- Mestre de Cerimónias (coloca-se ao lado do ponto a ocidente)
(com o seu archote aceso, simbólicamente a partir de um fogo do ano anterior)
- Minhas Senhoras e Senhores, Meus Irmãos
Neste final de um dos dias mais longo do Ano, e prenúncio da noite mais curta do ano, encontramo-nos aqui livremente para celebrar a Festa Solsticial de Verão, atravès de um Fogo de São João, ao fim de um ano de trabalho de trabalhos esementeiras, e em vésperas de colheitas.
Peço-vos que cada um queira tomar a sua vela/tocha em ambas as mãos, que será oportunamente alumiada, com transmisão do fogo do meu archote, e que participem neste grande círculo, por detrás dos celebrantes situados nos quatro pontos cardeais, formando um quadrado, e a distância cautelar , a fim de se evitarem incidentes.
(Pausa para os participantes munidos de velas formarem o Circulo, que de seguida são acesas através do archote do Mestre de Cerimónias, uma a uma, sem que os participantes saiam dos seus lugares,formando assim um anel de fogo)
Logo que sejam solicitados, vão testemunhar e participar em 3 fases sucessivas :
Agradecemos a todos a vossa presença e a vossa participação interessada!
- Celebrante do Oriente - Como foi formada esta Fogueira ?
- Celebrante do Sul ? Foi com mãos humildes que recolheram da Mãe Terra os madeiros necessários a sua formação.
-C. do Oriente - Que dimensões tem a Fogueira ?
-C. do Norte -
-Três côvados de base,
- Quatro côvados de altura,
- Cinco côvados de diagonal
-C. do Oriente - Quem a protege?
-C. do Norte - Uma Imensa abóboda Celeste , cheia de estrelas!
-C. do Oriente -Está portanto sob protecção dos Espiritos Celestes ?
-C Norte- Assim é, eles são os seus verdadeiros Protectores !
-C. do Oriente -Quem a guarda?
-C Norte - Cinco Grandes Archotes colocados à distância justa e que figuram assim, as Cinco Pontas Sagradas da Estrela.
P-C. do Oriente- Porquê?
Celebrante do Sul- Para que as Leis Celestes se reflictam sobre a Terra nas Leis dos homens, afim que aquilo que está em Baixo seja como aquilo que está em Cima.
-C. do Oriente. Que assim seja, é por isso que o traçado desta Cerimónia, e segundo a Palavra, é como a abóbada celeste em todas as suas partes.
Celebrante do Ocidente - Assim é, a fim que a Humanidade receba a Paz, e que a gloria dos pensamentos dos Homens permaneça em Harmonia.
Pausa
-C. do Oriente - Que o Céu se reflicta então sobre a Terra e que assim, e que no horizonte do Oriente, seja alumiada o primeiro Archote, a Nascente!
Mestre de Cerimonias dirige-se e alumia o Oriente, e retoma o seu lugar, e depois de chamado, dirige-se para Norte
-C. do Norte - Que o Oriente e o Ocidente se unam, e que assim, no horizonte Norte, seja alumiada o segundo Archote, a Norte!
-Mestre de Cerimónias alumia o Norte, retoma o seu lugar
depois de chamado, dirige-se para Sul
-C. do Sul - Afim que tudo seja perfeito do Ocidente ao Oriente, que seja alumiada o terceiro Archote, ao meio dia, a Sul!
Mestre de Cerimonias alumia o Sul, retoma o seu lugar
depois de chamado, dirige-se para Ocidente
C. do Ocidente -Que o Céu e a Terra se unam, e que assim, seja alumiada a quarta Tocha no horizonte a poente!
Mestre de Cerimonias alumia o Ocidente, depois dirige-se para o seu lugar
C. do Oriente - Que o Ocidente e o Oriente se unam agora, e que assim, no horizonte, do nascente ao poente, e do norte ao sul, fique completa a estrela do firmamento celeste.
È o momento de evocarmos os votos propiciatórios das três velas no altar :
Que o Mestre de cerimónias acenda e consagre a vela vermelha !
- Que esta vela fique acesa em recordação de todos os mortos/
Que o Mestre de Cerimonias acenda e consagre a Vela Azul !
- Que esta vela fique acesa em testemunho e fidelidade/
que nao podem estar aqui connosco nesta noite/,
mas que partilham a nossa fé no eterno retorno à Luz
Que o Mestre de cerimónias acenda a vela Verde !
- Que esta vela fique acesa na esperança que todas as crianças/
C. Oriente -Que este simbolismo nos recorde o permanente combate diário da Luz sobre as Trevas.
C do Norte - Que esta nossa Noite não seja senão de Luz!
C do Oriente - No Inicio dos Tempos era a Lógica e a Lógica estava perto de Deus Criador, e a Logica éra o Criador. Estava no Início próximo do Criador.
Tudo foi feito por Ele, e nada do que foi criado foi feito sem Ele. Ele era a Vida, e a Vida era a Luz dos Homens.
E a Luz iluminava as Trevas, e as Trevas não a ocultavam.
C do Norte - Que todos aqui presentes e que nos circundam sejam animados, como nós assim estamos, de sentimentos fraternos, de uniao, de paz et de amor por todos os seres.
C do Sul- Que estes Archotes Misteriosos que vão embrasear-se neste Fogo, nos recordem que a Chama Espiritual que nos foi transmitida, nunca fique jamais extinta em nós !
C do Oriente - Que os Archotes nos iluminem na realização da nossa Obra comum
Demos, todos os celebrantes, um passo, com o pé direito, em direccção à fogueira !
Que estas Chamas nos inflamem de solidariedade no trabalho, pois que as Leis da Harmonia que regulam o Universo nos dão um tão admirável exemplo.
C do Norte -Que a Luz nos acompanhe !
C do Sul - Que a Alegria esteja nos corações!
C. do Oriente - Que a Fraternidade e a Solidariedade reinem para Sempre!
Todos juntos, queiram proclamar em alegria comigo:
Vivat, Vivat, semper Vivat
-Todos :
C. do Oriente Que acendamos a Fogueira !
,C. do Oriente, Norte, Sul, Ocidente e Mestre de Cerimónias, ateiam a fogueira e regressam aos seus lugares.
PAUSA :E logo que as chamas se ateiem na grande fogueira:
- C. do Oriente Que seja lançado o insenso, a resina e a mirra.
Mestre de Cerimónias deita (pausadamnte) o insenso, a resina e a mirra
C. do Oriente - Como desde os séculos dos séculos, desde o tempo dos santuários, o Fogo Sagrado flua perante o Senhor da Eternidade,
Que este Fogo, e estes perfumes olorosos purifiquem e envolvam todo o nosso ser!
Que as nossas inteligencias se desenvolvam, e que os espiritos dominem sem cessar em nós os impulsos materiais inferiores
Que as nossas alegrias sejam apenas as do SER e do ESPIRITO!
Que a todos nós seja possivel sermos tão felizes cá em Baixo, como tal seja possivel ao Homem desejar lá em Cima.
Mestre de Cerimónias -Que o Fogo receba também o Sal, simbolo da amizade duradoura, e da imortalidade!
Mestre de Cerimónias deita sal (grosso) na Fogueira
- Celebrante do Oriente:
Que as chamas dancem alto,
E reaqueçam os nosso corações
Que as centelhas irrompam,
E tragam luz ás nossas almas.
Que as crepitações nos despertem,
Que os nosso votos e desejos se realizem,
Que o fumo suba alto
Em direcção ao criador
No céu estrelado
Que as bençãos celestes recaiam sobre nós !
- Guardemos um minuto de silencio para contemplarmos as chamas interiores e exteriores que nos animam.
Mestre de Cerimónias - Que se aproximem todos os celebrantes e juntem a sua chama à de todos nós!
- Que cada um venha dos seus pontos cardeais juntar o seu lume, antes da benção da evocação final concedida, para que os desejos e os votos de todas as almas sejam admitidos.
Os celebrantes um a um, à excepção do Mestre de Cerimónias atiram ou colocam ordenamente os seus archotes na Fogueira, sendo o Ultimo o Celebrante do Oriente, que além do seu archote atira ou coloca a vela vermelha, a azul e a verde retirando-as do altar,
Mestre de cerimónias- que se aproximem todos os participantes e testemunhas juntem a sua chama a de todos nós!
Todos Os PARTICIPANTES DEITAM/depositam as suas velas sobre a Fogueira, (e formulam os eu voto ou desejo) e depois retomam o circulo por detras dos celebrantes.
Mestre de cerimónias : - Guardemos um minuto de silencio para contemplarmos as chamas interiores e exteriores que nos animam.
C. do Oriente Que estas brasas, antes de desaparecerem, deixem nos nossos corações o Fogo do seu poder e da sua Força !
(curta pausa)
Formemos a Cadeia de União !
Mestre de Cerimónias ( sempre com o archote aceso) :
conduz a formação de Uma Cadeia Longa ( de mãos dadas) que, liderada pelo Celebrante do Orientel, que como uma roda, dará tres voltas dextorsum, com epicentro na Fogueira, com início pelo Oriente, e retoma a este lugar, depois de passar pelos outros pontos cardeais.
Todos os celebrantes tomam parte nesta cadeia de união.
Evocação Final
Terminada a terceira volta, a cadeia fica estática, no seu ponto de partida, mantendo-se todos de mãos dadas
Mestre de cerimónias - Meus Irmãos.. e meus AMIGOS.., congratulemo-nos pela cerimonia que cumprimos lealmente.
Que o símbolo das chamas que fizemos reviver, nos conduza por cada um dos dias vindouros para a Perfeição do nosso Trabalho.
Fiquemos Fortalecidos nos nossos corações pelo Amor do nosso próximo, e pelo sentimento de cumprimento dos nossos Deveres, como nós nos devotamos ao serviço da Verdade.
Que as nosssas futuras Festas Solsticiais do Fogo de São João sejam cada vez mais afirmadas pela união, e pela vontade de sermos uteis aos nossos semelhantes.
Que sejam para sempre um espaço de Paz e de Harmonia, e que a Cadeia das nossas mãos seja, a partir de agora, tão forte entre nós que nada possa, nunca a quebrar.
PAUSA de Poucos instantes
Celebrante do Oriente Rompamos a Cadeia de União !
Acompanhem-me ao meu ritmo : largam as mãos, Levantam os 2 braços ao ceu, e depois deixam-nos cair ao longo do corpo com uma palmada seca
(curta pausa, mantendo-se a formação do círculo)
Celebrante do oriente : A que momento devem os fogos de São João estar findos?
C do Norte - É meia Noite ! O momento chegou !
Celebrante do Oriente - Porque assim é, antes de nos separarmos com ordem e harmonia, que ressoe uma ultima vez na noite, o nosso sinal de alegria:
Vivat, Vivat, semper Vivat
Todos :
No final.......................o mestre de cerimonias empunhando o seu archote aceso, forma, sob a música da ode à alegria de Beethoven, o cortejo dos celebrantes e participantes, para em coluna abandonarem em silencio a plataforma da cerimonia, e regressaram em fila à esplanada do agape.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/06/cerimonia-de-evocacao-do-solsticio-do.html
Conferência na Tertúlia sobre os Solstícios por Felicio Correia - 17Jun2009 08:29:00
Festa de religiosidade ancestral
Felício Correia
?A Igreja corrompeu as festas: é preciso ser grosseiro para não sentir que a presença de cristãos e de valores cristãos é uma opressão funesta contra tudo o que constitui a atmosfera moral de uma festa.
Uma festa comporta o orgulho, exuberância, alegria, a galhofa contra tudo o que é grave, burguês, uma divina afirmação do si nascida dum sentimento de plenitude e de perfeição animais - estados que um cristão não consegue admitir sinceramente. Toda a festa é pagã na sua essência? - Friedrich Nietzsche
De acordo com uma enciclopédia popular, ?Em astronomia, solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em dezembro e em junho. O dia e hora exactos variam de um ano para outro. Quando ocorre no verão significa que a duração do dia é a mais longa do ano. Analogamente, quando ocorre no inverno, significa que a duração da noite é a mais longa do ano. No hemisfério norte o solstício de verão ocorre por volta do dia 21 de junho e o solstício de inverno por volta do dia 21 de dezembro?.
Por outras palavras, o solstício de Verão é o maior dia do ano, dia em que se inicia a tendência decrescente, que culminará no solstício de Inverno, dia mais curto do ano. Em termos etimológicos, a palavra Solstício deriva da palavra latina Solstitium, a qual, por sua vez, é formada por duas outras: Sol (Sol) e stitium (paragem). É como se o Sol, no seu percurso ascendente, tendo atingido a altura máxima, parasse um pouco para iniciar a inversão do sentido da sua marcha. No solstício de inverno tudo se passa como se o ano fosse de novo começar, após uma morte aparente, partindo do mais pequeno dia do ano e crescendo até ao maior dia do ano. Porque o dia é o mais pequeno, é como se o ano fosse ainda bebé, é como que a própria Vida que renasce e se renova...
2 - O DEUS SOL
Bom, temos aqui então um fenómeno astronómico, que se explica cientificamente através de complicados cálculos trigonométricos? porém, não é essa a vertente que quero aqui explorar convosco, mas sim outra, a meu ver mais interessante.
É que, desde a mais remota antiguidade que o Sol tem sido objecto de culto, em homens e mulheres de várias latitudes, do Antigo Egipto à Europa Hiperbórea, da clássica Grécia à América Latina dos impérios azteca (de Moctezuma II), maia e inca (de Atahualpa), da Roma imperial aos povos pagãos da Europa Central, dos Celtas aos Vikings.
Vejamos alguns exemplos:
(durante o almoço debate)
Recordemos um pouco da mitologia do Antigo Egipto: de acordo com o mito elaborado pelos sacerdotes da cidade, no princípio existia apenas as águas de Nun, das quais emergiu a colina primordial. Nesta colina encontrava-se um deus que se tinha gerado a si próprio, Aton. Este deus deu origem a outras divindades, Chu (o ar) e Tefnut (a humidade). Esta casal procriará e dele surgem Geb (a terra) e Nut (o céu). Estes últimos geram quatro filhos: Osíris, Ísis, Set e Néftis.
No Antigo Egipto (mesmo nos primórdios, conhecidos como Império Antigo, que se estendeu até ?2300) a cidade mais importante era Iunu (mais tarde chamada Iunu-Ré ? em homenagem ao deus Ré (ou Rá), e que a Bíblia designa por On ou Un), a que os gregos mais tarde chamaram Heliópolis, em função da preponderância que tinha ali o deus Rá, divindade solar principal do conjunto de nove deuses (Eneáde) que governavam espiritualmente a cidade.
Por sua vez, Hermópolis (nome grego dado à cidade de Khemenu), era governada espiritualmente por um conjunto de oito deuses (Ogdóade), do qual sobressaía Amon, ?o oculto?. Este deus ganhou grande importância ao longo de Império Antigo, chegando-se a associá-lo a Rá (ou Ré): Amon-Rá. Uma nota curiosa: este deus tinha um secretário chamado Thot, verdadeiro poço de sabedoria, que dominava o oculto, a escrita, a aprendizagem, a magia, etc, e que se é representado por um escriba com a cabeça oculta sob a forma de uma Íbis, ave do tipo do flamingo. Os gregos identificaram-no com o seu Hermes Trismegisto, daí tendo chamado Hermópolis à cidade).
Este Amon, deus do oculto, do saber escondido, uma vez associado a Rá, deus solar, cresceu em preponderância durante mais de mil anos, suplantando o próprio Aton, o tal deus primordial que se criou a si próprio. Até Amen-hotep IV, faraó do Egipto da XVIII dinastia (1350-1334 aC), (que foi chamado Amenófis IV pelos gregos)
Tendo identificado o Sol com o poder do antigo deus Aton, como fonte de toda a vida, Amen-hotep (cujo nome significava ?Amon está satisfeito?) mudou o seu nome para Akhenaton (significando ?o espírito actuante de Aton?). (Ruptura gnoseológica importante). Akhenaton e a sua esposa Nefertiti, (famosa pela sua esplendorosa beleza, documentada em diversas pinturas da época) ficaram conhecidos como o ?Casal Solar?. Akhenaton instituiu essa nova religião adoradora do Sol enquanto única força criadora e geradora de vida, o grande arquitecto de todas as coisas vivas. Em largos espectros da Intelligenzia é considerado como tendo sido o primeiro a proclamar a existência de um único deus, ao invés da religiosidade vigente durante toda a Antiguidade, manifestamente politeista. Apenas oito séculos mais tarde viriam os Hebreus a proclamar a existência de um Deus único, criador do Céu e da Terra. Akhenaton teve seis filhas com a rainha Nefertiti e dois filhos com Kiya, a outra esposa real. Ao filho mais velho deu o nome de Smekhkare, e ao mais novo, nascido após a sua conversão a esta nova divindade, chamou Tutankh-Aton (?a imagem viva de Aton?). Como se sabe, ao subir ao trono, e não suportando muito mais as pressões exercidas pelos Sacerdotes do Egipto, Tutankh-Aton mudou o seu nome para TutankhAmon e encarregou-se de dissipar todos os vestígios dessa nova religião monoteísta.
(outro aspecto do almoço debate)
2.2 ? Na América Latina
São menos conhecidos os aspectos teográficos (ou hagiográficos) daqueles povos, porém uma constante os acompanhou a todos, desde os antiquíssimos Olmecas, aos posteriores Toltecas, mais tarde os Aztecas, os Incas, os Maias e os vários outros autóctones de relevância civilizacional mais diminuta: essa constante foi o culto solar, a adoração do Sol como a divindade máxima, que tornava possível a vida na terra. Conhecem-se as manifestações da espiritualidade desses povos, pelos testemunhos que nos deixaram:
Incas: O Templo do Sol do Lago Titicaca; também o Templo do Sol, em Cusco, Peru uma curiosidade quanto a este último: em 1950, um grande terramoto destruiu uma construção de padres dominicanos e expôs o Templo do Sol, de construção inca, mandado construir pelo imperador Pachacuti);
Aztecas: politeístas, os seus principais deuses estavam ligados ao ciclo solar e às colheitas. O disco e a roda representam o sol, e a serpente emplumada Quetzalcóatl representa as energias telúricas que ascendem. (Os maias retomaram Quetzalcóatl como Kukulcán). Os aztecas deixaram-nos vários vestígios de templos solares, nomeadamente em Tenochtitlán, actual cidade do México.
Maias: Chichén Itzá, Palenque, Tikal, etc, templos solares, alguns em forma de pirâmides. Os Maias foram um povo de excepcional nível de conhecimentos astronómicos, conhecendo perfeitamente os ciclos solares, lunares e de Vénus.
As complexas teogonias da Antiguidade Clássica Europeia (Grega e Romana) assemelham-se um tanto em termos do culto e da natureza dos respectivos deuses. Os romanos não eram tão dados à criatividade e especulação como os gregos, e acabaram mesmo por incorporar alguns dos deuses dos territórios que conquistavam.
Porém, em ambas as civilizações vemos lugar de destaque para um deus que representava o Sol, a Luz e a beleza masculina: Apolo na mitologia grega e Febo na romana. Igualmente identificamos um deus responsável pelo fogo criador: Hefesto para os gregos, Vulcano para os romanos. Havia uma deusa simbolizando o fogo eterno, e em ambos os casos este se fazia equivaler à família e ao lar, (lararium=atrium da casa, onde ardia uma lareira=lar): era Héstia para os gregos e Vesta para os romanos. Eram responsáveis por manter um fogo sempre aceso, equivalendo-se, no lar de cada um, à força da vida continuada que, no universo intemporal, era representada pelo Sol. Começamos a ver esta ligação muito forte entre o Sol e o Fogo, para a prossecução da vida, pelos finais do séc. III aC, quando o reinado pujante dos deuses começa, para algumas pessoas, a dar lugar à procura de religiões orientais de índole iniciática, ainda que misturada com aspectos mitológicos no início.
De resto, a intromissão de Alexandre o Grande por terras da Índia antiga promoveu a interpenetração de costumes, e para a antiga Grécia foi importada a divindade hindu (védica) Agni, que significava simultaneamente o Sol, a Luz e o Fogo, e que os romanos latinizaram como Ignis. Sendo simultaneamente o deus mensageiro de todos os outros deuses, todos os sacrifícios eram feitos em sua intenção, que ele depois os distribuia pelos restantes deuses conforme mais apropriado. Esta concepção antiquíssima de um deus mensageiro (sempre o da Luz, o do Sol) está também presente nas práticas sacrificiais que em todas as latitudes eram, quase sem excepção, feitas em honra do Sol.
Os povos do Norte da Europa desde tempos imemoriais têm uma espiritualidade intrinsecamente ligada à natureza, à vida do campo e às suas manifestações. Como divindades, adoravam o Sol, a Lua e a Terra, os ventos e o fogo, enfim, toda a força maior que possa ter influência sobre a sua vida quotidiana. A esse tipo de espiritualidade ou religiosidade directamente ligada ao campo chamou-se Paganismo (Pagan = habitante do pagus, o país. Pagan = paysan = paisagem; pays). Consequentemente, Paganismo não é, como chegou a ser veiculado pela Igreja, sinónimo de bruxaria ou de alguma doutrina adoradora dos demónios. Na justa medida em que se trata de uma atitude de reverência perante a natureza e as forças que a movem, podemos dizer que se trata da expressão religiosa mais antiga que se conhece e, nessa acepção, pode englobar toda a espiritualidade ancestral, anterior ao Cristianismo, ao Islamismo ou a qualquer outra religião monoteísta. Até mesmo as civilizações clássicas, grega e romana, como vimos, tinham um conjunto de divindades que superintendiam sobre os assuntos da terra e das colheitas.
Os antigos habitantes do norte da Europa, eram povos profundamente ligados à espiritualidade pagã, ou seja, da natureza, nomeadamente os celtas, bem como os antigos habitantes da Pomerânia, Lapónia, Jutlândia, conjunto de regiões, hoje pertencentes a vários países, mas que tiveram origens e povos comuns, independentemente das fronteiras que a força das armas historicamente foi instituindo.
Com a investida de Carlos Magno no final do séc VIII e princípio do séc. IX, foram caindo sob a força da espada e foram sendo coercivamente convertidos os povos mais convictamente pagãos, tais como os Lombardos (sob Desidério, duque da Toscânia) e os Saxões (sob Widukind, duque da Saxónia (Westfália)) a que se seguiram os bretões e quase todos os restantes povos da Europa. Mas uma conversão forçada, cuja alternativa é a morte (recordemos o Massacre de Verden, em que foram degolados 4.500 líderes saxões até que Widukind concordasse em converter-se) e outra coisa é uma convicção profunda, que vem da origem dos tempos e está completamente arreigada nos povos. Assim, os povos continuaram a honrar as suas tradições e a praticar os festejos tradicionais em honra das suas divindades, só que estas foram sendo camufladas de folclore até que a Igreja as ?cristianizou? sob outras roupagens ou pretextos.
Stonehenge
Restam actualmente as ruínas de um templo de adoração solar, no condado de Wiltshire, perto de Salisbury, (51º10?44.11? N; 1º49?34.79? W), o conhecidíssimo Stonehenge, construído por povos primitivos pré-celtas, cerca de 300 anos antes das Grandes Pirâmides do Egipto terem sido erigidas. Este templo é da idade da pedra, antes da invenção da escrita, e antes que a invenção da roda tivesse chegado àquelas paragens. Sobre Stonehenge já muito tem sido dito, mas ainda assim vale a pena referir três ou quatro aspectos fundamentais: No dia do solstício de verão, o Sol ao nascer enquadra-se rigorosamente entre os dois pilares verticais do trílito central (virado a Oriente), vai subindo sempre enquadrado por essas duas colunas e, chegando ao cimo, onde se encontra uma pedra redonda (certamente simbolizando o próprio Sol), a sua sombra é projectada directamente para o centro da ?pedra do altar?, a única pedra horizontal directamente assente no chão.
O arqueólogo inglês Parker Pearson, que estuda o fenómeno Stonehenge há vários anos, concluiu em 2007 uma coisa espantosa: Stonehenge era apenas metade de um vasto monumento regilioso, de culto solar: a dois quilómetros e meio de Stonehenge há vestígios de ter havido um outro templo em tudo igual a este, mas feito de madeira, chamado Durrington Walls, mais frequentemente conhecido por Woodhenge. Este templo de madeira é a cópia rigorosa de Stonehenge, e está igualmente alinhado com o Sol, mas virado a ocidente, de forma a que, quando o Sol se põe no dia do solstício de verão desce igualmente enquadrado pelas respectivas colunas, até desaparecer no solo. É como se, ao morrer, o Sol fecundasse a Mãe-Terra para renascer de novo. Como veremos, este facto astronómico tem toda uma simbologia mistérica associada.
Investigações aturadas levaram este arqueólogo a concluir (no que foi apoiado pela Royal Society, espécie de Academia das Ciências) que a antiga celebração do solstício de Verão começava em Stonehenge, com a homenagem ao Sol nascente e depois as pessoas caminhavam até ao rio Haven e dali até Durrington Walls, onde continuava a festa mundana, com comidas, bebidas, danças e rituais de acasalamento. A festa do sol no seu máximo esplendor tinha, no seu aspecto simbólico, correspondência com a pujança da vida. Porém, esta vida é transitória, o corpo é perecível, tal como a madeira, pelo que a festa da vida mundana prosseguia junto ao templo de madeira. Inversamente, no solstício de inverno o ritual começa em Woodhenge pouco antes do pôr do sol, terminando em Stonehenge com a morte do Sol. O templo de pedra simbolizando a morte como algo de definitivo, por contraposição ao templo de madeira, que simbolizava a vida terrena, transitória, perecível. Daí que aqueles bretões primitivos enterrassem os seus mortos junto a Stonehenge, o que durante muitos anos levou a que se pensasse em Stonehenge apenas como um monumento funerário.
Porém, o Sol como divindade ou força criadora tem características únicas, nascendo e morrendo em cada dia, para voltar a nascer no dia seguinte. Este espírito de Princípio e de Fim existe não apenas no decurso de um dia, mas igualmente no decurso de um ano, associado ao fenómeno dos Solstícios.
Janus, o deus das portas e passagens e também das iniciações. O seu principal templo no Forum romano tinha duas portas, uma virada a oriente e outra virada a ocidente, para o início e o fim do dia. No meio de ambas, a sua estátua, com duas faces, olhando em direcções opostas. De acordo com a mitologia romana, a oração de cada manhã era-lhe dirigida e antes do início de cada tarefa a sua assistência era evocada. Enquanto deus das iniciações, era publicamente invocado no primeiro dia de Janeiro. De resto, o próprio mês lhe deve o seu nome: Janeiro=Januarium, mês de Janus, mês do início do ano. Janus era igualmente invocado no início de cada guerra, durante a qual as portas do seu templo ficavam abertas. Janus possuía as chaves dos mistérios ligados à iniciação, e essas chaves fazem parte integrante da simbologia da sua imagem.
Por sua vez, São João Evangelista está ligado ao decair da vida terrena de Jesus, foi contemporâneo da sua morte física, porém assumiu a continuidade dessa Luz e da Sua Palavra, através da escritura do Evangelho. Na religião cristã a sua invocação coincide com o solstício de Inverno e festeja-se em 27 de Dezembro. Na astronomia encontra-se ligado ao ponto nadir da luz solar do ciclo natural anual.De resto, S.João Baptista e S.João Evangelista são como que ?padroeiros? de várias sociedades iniciáticas, tais como a Maçonaria, e a Fraternidade Rosacruz.
O costume da festa religiosa em finais de Dezembro tem, como já vimos, origens remotas; a Igreja de Roma apenas fez coincidir o nascimento de Jesus em 25 de Dezembro para, de certo modo, sacralizar os festejos pagãos pré-existentes, reformando toda a manifestação da Sabedoria contida nos Antigos Mistérios do ocidente e do norte da Europa, dos greco-romanos e dos orientais. A tradição do Natal, por conseguinte, não é propriedade exclusiva dos Cristãos, com a representação da Natividade do Menino Jesus, com o nascimento de um Menino-rei de uma Virgem. Já os antigos Druídas celtas celebravam o 25 de Dezembro com iluminações. Mitra, avatar oriundo da antiga Pérsia e adorado em todo o oriente e até mesmo em Roma, nascia de uma Virgem neste mesmo dia, assim como Horus, uma das figuras da antiga Trindade Egípcia. Igualmente entre os gregos nascia Baco e, entre os fenícios, Adonis; na Índia temos também o exemplo de Agni... Todos eles com o significado da representação ou manifestação do Deus-Sol entre a Humanidade. Todos eles personificações do ancestral Mito Solar Cósmico ? que considerava o Sol como a Fonte inesgotável de toda a existência e o Símbolo, por excelência, do Ser Divino e origem de toda a Criação, o Logos, a manifestação física do Verbo Inefável e Eterno ? todos eles festejavam o (re)nascimento do Astro após os longos meses de invernia. Era a vitória da Luz sobre as Trevas, era o nascimento do neófito para a luz, e foi exactamente no solstício de inverno que a Igreja Cristã fixou o nascimento do Restaurador das Religiões... Ciente desta simbologia de nascimento associada ao solstício de inverno e ao próprio dia 25 de Dezembro, o grande Carlos Magno fez questão de ser coroado imperador no dia 25 de Dezembro do ano 800.
Na obra poética ?Kalevala?, canto heróico finlandês, canta-se uma cerimónia em tudo similar ao conceito cristão do Natal: ?Ukko, o Grande Espírito, cuja moradia é em Yûmala (o Céu ou Paraíso), escolhe como veículo a Virgem Mariatta para se encarnar por meio dela em Homem-Deus. Ela concebe, colhendo e comendo uma baga vermelha (marja). Repudiada pelos pais, dá nascimento a um ?Filho Imortal? numa manjedoura de um estábulo.?
De facto, a Igreja não celebrava o nascimento de Jesus, até porque a data do seu nascimento não era conhecida. Avançavam-se datas como 8 de Janeiro, 12 de Março e outras tantas. Apenas no ano de 336 se celebrou o Natal pela primeira vez. Valeram os esforços, primeiro, do papa S.Silvestre, e depois do papa Júlio I para convencer as várias representações da Igreja da conveniência de estabelecer o nascimento de Jesus em 25 de Dezembro e aproveitar assim essa data, imensamente celebrada por todos, para assinalar o nascimento de Jesus. Não esqueçamos que nessa altura a Igreja andava em grandes guerras com a facção cristã-ariana. O Papa S.Silvestre acabaria por morrer em 335, já não vendo a primeira celebração do Natal, que ocorreu no ano seguinte.
A árvore de Natal ? Quando os primeiros cristãos chegaram ao norte da Europa, descobriram que os seus habitantes celebravam, em 25 de Dezembro, o nascimento de Frey, deus do Sol e da fertilidade, adornando uma árvore de verde perene. Esta árvore simbolizava a árvore do Universo, chamado Yggdrasil, em cujo cimo estaria Asgard (a morada dos deuses) o Valhalla (palácio de Odin, o deus dos deuses e principal divindade dos vikings) e em cujas raízes estaria o Helheim (o reino dos mortos). Daí que se colocasse no cimo da árvore uma qualquer figura em forma de disco solar ou de estrela, simbolizando a devoção a Odin. Essa árvore seria preferencialmente uma acácia jovem, um abeto ou um pinheiro, cuja verdura perene durasse todo o período dos festejos, isto é, cerca de 30 dias, desde 6 de Dezembro até 6 de Janeiro, com ponto alto por volta do solstício de inverno.
Noutras culturas, dos incas aos árabes pré-islâmicos, dos hindus aos bantus da África do Sul, do Budismo ao Bramanismo, sempre é a Acácia a árvore escolhida, árvore de culto também chamada ?Sempre-Verde?, a qual simboliza a vida que não se apaga com o solstício de inverno e que transporta essa vida para a entregar ao Sol, quando este renascer após a noite mais longa.
Entretanto, o que é que temos actualmente? Um Pai-Natal que de alguma forma se assemelha a S.Nicolau, que usa roupa de protecção ao clima nórdico, que é oriundo da Lapónia e que se desloca (pelo céu, é certo), mas num trenó puxado com renas. É a mistura completa. A propósito, já vimos acima que as festas pagãs do Solstício de Inverno duravam um mês: de 6 de Dezembro a 6 de Janeiro. Por acaso, o dia 6 de Dezembro é dia de S.Nicolau e o dia 6 de Janeiro é Dia de Reis. (Já veremos mais adiante).
Claro que a figura do Pai-Natal ganhou um impulso considerável quando o marketing americano se meteu no assunto: a empresa White Rock Beverages Corporation, de Whitestone, NY, estabelecida em 1871, lançou em 1915 um anúncio com o Pai-Natal para promover a sua água mineral, a propósito de ser tão fresca como a que nasce directamente nas fontes da Lapónia. Como o esquema pareceu funcionar e a empresa passou a vender mais, na década de 1930 a Coca-Cola apostou em força na sua imagem de marca através de um Pai-Natal com a configuração que lhe conhecemos hoje, dado que as suas roupas até são o vermelho e o branco, tal como as da Coca-Cola. Actualmente, é triste reconhecer que o dinheiro vale mais que a tradição, e em Demre, na Turquia, cidade-natal de S.Nicolau, o bispo de Myra, uma estátua do santo foi retirada para um canto sem importância à entrada de uma igreja, enquanto a praça principal de Demre ostenta uma estátua do Pai-Natal exactamente como é promovido pelos anúncios comerciais. Até já nem lhe chamam S.Nicolau, chamam-lhe Noel-Baba.
Já vimos que Stonehenge (e a sua correlativa Durrington Walls, vulgo Woodhenge) celebrava ambos os Solstícios. Vimos também que, enquanto o Solstício de Inverno simboliza a festa da família, das crianças, o recolhimento e um voto de ânimo ao novo ano que vai nascer, o Solstício de Verão é a festa do Sol na sua pujança máxima. É uma festa em tudo portadora de vigor, força, pujança. É o momento da juventude, dos homens e mulheres em idade reprodutora. O deus Sol, na sua máxima força, vai certamente garantir boa fertilidade tanto aos campos como às pessoas, às famílias. Já há 5.500 anos que na Suméria se praticava o acto sexual ritual, designado mais tarde pelos gregos por ?Hieros Gamos?, ou seja, acasalamento sagrado. Nos povos pagãos pré-cristãos, não havia tabus na prática do acto sexual em público, se fosse inserido numa cerimónia com a dignidade do Solstício de Verão. Fertilidade pressupõe a existência de sexo, logo, não havia qualquer mal nesse acto.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/06/conferencia-na-tertuulia-sobre-os.html
2 Novas iniciativas da Tertúlia do Bar do Alem 2 - 06Jun2009 07:53:00
dia 23 de Junho, 3F, no ACP , às 18h.

Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/06/2-novas-iniciativas-da-tertulia-do-bar.html
Tertúlia sobre os solstícios no dia 6 de Junho 2009 - 24Mai2009 07:34:00
A importância do circulo de woodhenge (inverno)


Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/05/tertulia-sobre-os-solsticios-no-dia-6.html
Pedro Teixeira da Mota esteve a 16 de Maio na tertúlia sobre HUMANISMO - 28Abr2009 10:14:00
Decorreu com grande profundidade e participação a intervenção de Pedro Teixeira da Mota na Tertúlia do Bar do Além no sábado 16 de Maio, sobre o tema Central do Humanismo depois de Erasmus. As fotografias dão uma pálida ideia deste bem sucedido evento da Tertúlia de Aleqnuer

Pedro Teixeira da Mota é membro da Tertúlia do Bar do Além e ja foi orador em ocasiões anteriores. Autor de vasta bibliografia de que se destaca:
Livro dos Descobrimentos do Oriente e do Ocidente
Capa mole. Editorial Minerva de Lisboa 2005.
ISBN 9725913477 / 972-591-347-7EAN 9789725913475
FERNANDO PESSOA - Moral, Regras de Vida e Condições de Iniciaçãode Pedro Teixeira da Mota
Idioma: Português
1ª edição (1988)
Formato: 15x21
N. Pág.: 234
Encadernação: Cartonada
Astavakra Gita - O Cântico da Consciência Supremade Autor desconhecido
ISBN: 978-989-95077-4-6
Idioma: Português (tradução de Pedro teixeira da Mota)
1ª edição (2007)
Formato: 24x17
N. Pág.: 218
Encadernação: Cartonada
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/04/pedro-teixeirada-mota-dia-16-de-maio-na.html
Tertúlia de 25 de Abril com Antonio Macedo e a Bíblia,o Dilúvio e as arcas de Noé - 26Abr2009 13:29:00
que todavia permitem detectar algums contradições sobre os mesmos factos, como precisamente se verificou na dimensão e duração do dilúviao, e na carga posta a bordo da arca de Noé, de que existem pelo menos duas verões distintas e quantitativamente diversas do mesmo facto.
A próxima sessão da Tertúlia tera lugar em 16 de Maio, sábado com Pedro Teixeira da Mota sobre Humanismo em Itália: Petrarca, Ficino e Pico, entre outros.
Erasmo, Vida, obra e ensinamentos. O Humanismo do centro de Europa, a Reforma.
Discípulos, amigos, Damião de Góis e outros portugueses.
A impulsão humanista e erasmiana nos nossos dias.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/04/tertulai-de-25-de-barilcom-antonio.html
Proxima Tertúlia, sábado, 25 de Abril com o ensaísta ANTONIO MACEDO - 24Mar2009 22:36:00

O tema será : "O mistério dos dois dilúvios de Noé".
A nível do ensaísmo, tem abordado as religiões comparadas, tradições esotéricas e a história da filosofia e da estética audio-visual. A nível da ficção, especializou-se na literatura fantástica e da ficção científica. Inclusivamente, foi um dos promotores dos Encontros Internacionais de Ficção Científica & Fantástico de Cascais, cuja primeira edição ocorreu em 1996, sendo um dos seus coordenadores.
[editar] Ensaios
1959 - A Evolução Estética do Cinema, vol. 1
1960 - A Evolução Estética do Cinema, vol. 2
1961 - Da Essência da Libertação
1999 - Instruções Iniciáticas
2002 - Laboratório Mágico
2003 - O Neoprofetismo e a Nova Gnose
2006 - Esoterismo da Bíblia
2006 - Textos Neo-Gnósticos
[editar] Ficção
1992 - O Limite de Rudzky (contos)
1993 - Contos de Androthélys (romance)
1995 - Sulphira e Lucyphur (romance)
1996 - A Sonata de Cristal (romance)
1998 - Erotosofia (romance)
2000 - O Cipreste Apaixonado (romance)
2004 - As Furtivas Pegadas da Serpente (romance)
2007 - A Conspiração dos Abandonados (contos)
Longas-metragens
1965 ? Domingo à Tarde
1967 ? Sete Balas para Selma
1970 ? Nojo aos Cães
1972 ? A Promessa
1975 - As Armas e o Povo - colectivo
1975 - O Rico, o Camelo e o Reino ou o Princípio da Sabedoria
1976 ? As Horas de Maria
1979 ? O Príncipe com Orelhas de Burro
1983 ? Os Abismos da Meia-Noite
1988 ? Os Emissários de Khalom
1989 ? A Maldição de Marialva
1993 ? Chá Forte com Limão
Texto de conferência anterior no Bar do Além: Somos todos Mágicos
Filósofo, escritor, professor e cineasta. Fellow de The Rosicrucian Fellowship
Pintura do filósofo, escritor e artista plástico brasileiro Macarlo, também conhecido como Frater Velado.
Publicada com a autorização do autor.
Within the armour is the butterfly and within the butterfly ? is the signal from another star.(Dentro da armadura está uma borboleta, e dentro da borboleta está o sinal duma outra estrela).Philip K. Dick, Man, Android and Machine
O que é a Magia?Sinceramente não sei lá muito bem, talvez porque seja possível considerá-la segundo diferentes perspectivas, variando correlativamente as respectivas definições? Aliás, não gosto muito de definir coisas, porque já dizia o antigo sábio, definir é limitar, e neste caso (e em minha humilde opinião), a Magia é ilimitada e ilimitável!Não sei se já repararam que o título desta despretenciosa conversa é uma pergunta. Ora, quem pergunta quer saber! Ou seja ? eu não sei, e gostava que me dessem alguma resposta! Será que somos todos mágicos? Todos, mesmo? Ou só alguns? Ou, quem sabe, talvez nenhum? Ou talvez apenas aqueles que tiraram o respectivo curso, como o Harry Potter na Escola de Feitiçaria de Hogwarts??Dizia eu há pouco que a Magia é ilimitada e ilimitável? Não acreditam? Ora comecemos por alguns exemplos:? a Magia dum pôr-de-Sol num mar de Verão;? a Magia dum sorriso de criança;? a Magia duma obra de arte que nos encanta?Que Magia é esta?Fascinação, graça, enlevo, sedução? ou feitiço!? Feitiço lembra feitiçaria? que é talvez uma forma de baixa magia, mas não percamos agora tempo a discutir isso. Os prosaico-pragmáticos dirão apenas: Oh! Não passa duma metáfora, a magia dum sorriso? Bom, metáfora ou não, um sorriso no momento certo tem um espantoso poder de cura ? não será isso Magia, e da melhor?Mas ainda há mais: vejamos uma outra espécie de Magia, e uma das não menos curiosas:? a Magia da Ciência.Que tal? Bom, já estou mesmo a ouvir os comentários: não pode ser! Ou é Magia, ou é Ciência!? Mas a verdade é que parece que por vezes, no espírito do ser humano contemporâneo, a Ciência tem a sua Magia, e uma Magia eficaz, que através da tecnologia produz os efeitos mais surpreendentes: a fissão nuclear, os computadores, os clones, as viagens espaciais, a engenharia genética, a VA [Vida Artificial]?E não só! Em geral associamos a Magia a um poder que produz efeitos visíveis por meio de forças invisíveis ? ora, a verdade é que estamos rodeados, para não dizer constantemente interpenetrados, por forças invisíveis (e nem sequer me refiro ao invisível da religião ou da mística, ou dos pressentimentos e dos sonhos), mas já que falámos em Ciência, e, por arrastamento, em Tecnologia, aí vai:? basta-nos referir o invisível electromagnético que «governa» as nossas vidas com surpreendentes efeitos visíveis e é tanto ou mais fantástico que os assombros e prodígios das histórias mágicas de bruxas e feiticeiras dos séculos passados: a electricidade, as ondas de rádio, o telemóvel, a TV, os raios-X, o ciberespaço, a ressonância magnética nuclear, a Internet, o comando a distância sob todas as suas formas, a RV [Realidade Virtual], os infravermelhos, as microondas, a electrónica em geral?Será esta a Nova Magia?¿Terá a ver com as novas modalidades em que a «velha Magia» se intercruza com as novas tecnologias? Por exemplo, os New Agers usam cristais sólidos (tal como as novas tecnologias usam cristais líquidos) para memorizar, armazenar e processar «espírito»; os praticantes de channelling e os adeptos de OVNIlogia transformam as «mensagens» recebidas em «informação viva». Por outro lado, muitos cristãos evangélicos acreditam que a tecnologia das comunicações, que leva a Palavra (o Verbo!) aos recantos mais remotos do planeta, é o rastilho que contribuirá para fazer acelerar o «fim dos tempos», tal como se lê no Novo Testamento: «E este evangelho do Reino será prègado em toda a orbe, para dar testemunho a todos os povos, e então virá o fim» (Mateus 24, 14). Alguns chegam ao ponto de afirmar que os Anjos do Apocalipse não são mais do que os satélites globais de comunicações.E quanto à velha Magia, já agora?A velha é muito velha, vem dos arcanos tempos dos Colégios de Magos ? do Egipto, da Caldeia, da Pérsia, donde teriam vindo os famosos Magos que seguiram a Estrela de Belém até ao Presépio onde havia nascido o Salvador do Mundo.Sem querer entrar em excessiva pormenorização histórica, para o que não tenho nem capacidade nem aqui o tempo, basta-nos adoptar a distinção que os antigos Gregos faziam entre os que se dedicavam às kryptai technai (lat. secretae artes), ou seja, uma distinção tripartida:De imediato vinha o que os Gregos chamavam o goês (pl. goêtes), o mágico vulgar, que se dedica a fazer «passes mágicos» e adivinhações populares, muitas vezes apenas ilusionistas, de tal modo que essa palavra acabou por ter a conotação de charlatão, bruxo, impostor. A magia praticada por esses, a Goêteia, já no tempo de Sócrates (séc. V a. C.) se identificava com superstição e impostura.Um bom degrau acima temos o magos (pl. magoi), de que o Evangelho de Mateus nos dá como exemplo os que vieram do Oriente em direcção a Belém da Judeia, seguindo a Estrela que os conduziu ao berço do Salvador. Os verdadeiros magoi eram uma classe iniciática e sacerdotal que proveio da Média e da Pérsia, e entraram em cena na Grécia no século VI a. C.Pelo testemunho de fontes tão diversificadas como Heródoto, por um lado, ou a Bíblia, por outro ? o sonho do Faraó (Gen 41, 8), o sonho de Nebuchadnezzar (Dan 2,2), etc. ? sabemos que os Magos invocavam o fogo do céu, propiciavam sacrifícios, interpretavam sonhos, augúrios e obravam prodígios. Mas, com o correr dos tempos, tão-pouco os magoi escaparam ao anátema: nos primeiros séculos da era cristã ? talvez por influência das acusações dos apologetas «ortodoxos» cristãos (p. ex. Justino o Mártir, Ireneu de Lião, etc.) ? também já eram acusados de pertencer a torpes sociedades secretas, e de praticar incesto, adoração de maus demónios, sacrifícios humanos, canibalismo, barbarismo, etc.Finalmente, a mais elevada classe de magoi era constituída pelo que os Gregos chamavam theios anêr, o «homem divino» (atenção!, «homem» varão, e não «homem» ser humano em geral!). O theios anêr era um deus ou um daimon disfarçado, percorrendo o mundo em um corpo aparentemente humano. O «homem divino» podia fazer tudo quanto o magos podia fazer, nomeadamente a prática do bem (embora também pudesse amaldiçoar os «maus»), mas era sobretudo capaz de realizar milagres e prodígios graças ao poder divino que tinha em si, sem precisar de rituais nem de incantações exteriores. Um exemplo de «homem divino» é-nos dado por Cristo Jesus: reparai que todos os «prodígios» ou «sinais» que Ele realizava, fazia-o sem precisar de palavras encantatórias, gestos rituais ou traçado mágicos, que eram imprescindíveis ao mágico vulgar como lemos nos manuais de Magia desses tempos.Um outro exemplo documentado de theios anêr é o do pitagórico Apolónio de Tyana, contemporâneo de Jesus, cuja exaustiva biografia, redigida por Filostrato a pedido da imperatriz romana Júlia Domna (sécs. II-III d. C.), contém muito material que os estudiosos consideram em parte verdadeiro, e em parte fantasioso, sendo que este útimo faria parte duma espécie de «encomenda» do Império romano para fazer dele um herói mítico do seu paganismo, por oposição à crescente e preocupante disseminação cristã.Seja como for, e quer se trate de «velha» Magia com as suas ramificações de Hermetismo, de Astrologia, de Alquimia, de Theo-Sophia (Mestre Eckhart, Paracelso, Giordano Bruno, Jacob Boehme, Eckartshausen, Swedenborg, Schelling, etc.), dos ocultismos do século XVI (Agrippa) ou do século XIX (Eliphas Lévi), do Teosofismo de Helena P. Blavatsky ou ainda da «recuperação» da tradição mágica da Wicca, ? ou da «nova» Magia da Ciência e das tecnologias de que falámos, os princípios são sempre os mesmos:? O universo é uma central global de força e energia;? Essa energia está em tudo e em todos ? é o princípio das correspondências;? Essa energia, ou essa força, pode ser concentrada e armazenada;? Essa energia, ou essa força, pode ser «programada» ou modulada com alteração da sua qualidade vibratória;? Essa energia modulada constitui um «poder» que pode ser dirigido com uma finalidade específica para exercer efeitos sobre determinado alvo ou função.A diferença entre a «velha», ocultista, e a «nova», tecnológica, está nos intrumentos utilizados: a velha utiliza varinhas, cristais, velas de diversas cores, óleos, palavras misteriosas, símbolos, incenso, cânticos, etc. e, sobretudo, o PODER INTERNO DO MAGO, ao passo que a nova utiliza fios eléctricos, microchips, circuitos integrados e outros utensílios e aparelhagens dependentes de leis da Física, da Química, da Matemática, etc. que podem ser manipulados «por fora», sem o concurso do poder interno do mago ? neste caso, entenda-se, do técnico ou do simples utente que saiba carregar nos respectivos botões.Mas mesmo sem entrar em tecnologias «mágicas» que são um dos grandes feitos da nossa época, penso que podemos dizer que de facto «somos todos mágicos», na linha do que descobriu o erudito padre dominicano André-Jean Festugière (1898-1982), estudioso das religiões antigas, das mitologias greco-romanas, do Hermetismo, do Cristianismo primitivo: ao analisar o Corpus Hermeticum, que ele traduziu na íntegra, Festugière julgou discernir nesse material uma clara diferença entre o que ele chamou um «Hermetismo popular» e um «Hermetismo erudito». No primeiro incluiu a Astrologia, a Alquimia e as Artes Ocultas, ao passo que o segundo seria uma Philo-Sophia gnóstica mais sofisticada que acentua o poder que o ser humano tem para descobrir dentro de si o conhecimento (Gnôsis) de Deus e do Cosmos ? ou seja, no fundo o ser humano é um daimon astral em disfarce corpóreo, capaz de recuperar os seus poderes cósmicos através da Gnose, ou da sua natural capacidade de iluminação mística.O próprio Cristo nos dá uma pista incontestável.Se Ele disse: «Aquele que crê em mim, as obras que eu faço, também ele as fará, e maiores do que estas fará» (João 14, 12) ? logo, somos todos mágicos, ou melhor: Magos!Mas será realmente assim? Na verdade, Jesus pronunciou esta afirmativa no Sermão da Ceia, não no Sermão da Montanha (ou da Planície!) ? o que significa que estava a dirigir-se aos «escolhidos», e não às multidões em geral?Não tenhamos receio: trata-se apenas de um ou outro degrau temporário! As multidões estão apenas num degrau abaixo na escadaria da Evolução (ou da Iniciação, para quem opte por entrar numa Escola de Mistérios), mas subirão um dia, porque a Evolução é ascendente.Nem podia ser de outro modo, o simples facto da vinda histórica de Cristo como Salvador e Redentor é a prova de que todos somos «escolhidos», pois Ele mesmo o disse: «Não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo» (João 12, 47). Bastaria que um só de nós se perdesse, e a Sua missão teria sido vã: logo, somos todos escolhidos, somente depende do nosso esforço ascendermos mais depressa ou mais devagar.Além disso, Ele foi muito explícito quando afirmou aos Seus discípulos em Cafarnaúm: «Em verdade vos digo, o que ligardes na terra será ligado nos céus, e o que desligardes na terra será desligado nos céus» (Mateus 18, 18).É um ensinamento importante, este de Jesus aos Seus discípulos: tudo quanto se ata ou desata cá em baixo, tudo quanto se tece ou destece, projecta-se para o alto e tem um efeito análogo nos reinos supra-sensíveis e por conseguinte no Banco Cósmico (Central de Energia Acumulada), além de que vai construindo ? ou desfazendo ? a nossa futura morada «nos céus».Quereis um exemplo da nossa magia, singelamente humana mas altamente eficaz?Quando, instintivamente, pousamos a mão sobre o ombro ou sobre a cabeça dum parente ou dum amigo que está a sofrer, para lhe transmitirmos ânimo e lhe darmos «apoio moral», no fundo estamos a repetir um gesto dum ritual mágico muito antigo, que encontramos reproduzido em grutas pré-históricas, em baixos-relevos egípcios ou expresso noutras culturas e civilizações, incluso no Cristianismo: a «imposição das mãos». Este rito é eficaz, de um ponto de vista do «Mago» (e não do goês, entenda-se!), porque primeiro o Mago ergueu a mão, ou ambas as mãos, de palmas para cima para receber o influxo benéfico da divindade (ou da Energia Cósmica), armazenando-o em si e podendo portanto transfundi-lo, através das mesmas mãos, a outrem.Até em simples jogos infanto-juvenis como «brincar às adivinhas», ou em jogos pré-adultos como queimar uma alcachofra ou atirar as meias por cima dos pés da cama, ao deitar, para «ver» qual o nome do/da namorado/a que as meias formaram ao cair, a tentação mágica subjaz em todos nós ? nem que seja com a desculpa da imaturidade.Mas mesmo depois, já mais velhinhos, quando preenchemos o boletim do Totoloto ou do Totobola, no fundo estamos, sem nos darmos conta, a «convocar» (para não dizer invocar) alguma misteriosa força invisível que nos transmita o dom da precognição e nos faça acertar nos resultados correctos. Até no acto ritual de apagar as velas dum bolo de aniversário, ou ao fazer um brinde tocando nos copos, emitindo votos de bons desejos, estamos a convocar as energias positivas para o bom sucesso dalguma coisa ? ou longa e feliz vida para o aniversariante, ou êxito na empresa, ou situação, que justificou o brinde.Por isso devemos ter o maior cuidado com o que pensamos, dizemos ou fazemos, pois todos somos receptores e emissores de energia, logo, cuidado! podemos estar a fazer magia negra sem o saber, basta um ressentimento, uma inveja, um dito rancoroso, um acto de vingança, uma projecção de ódio ? e as energias invisíveis desencadeadas dirigem-se para o alvo. O que é muito grave, por todas as razões, não só pelo prejuízo que tal atitude causa no nosso avanço espiritual, mas também por razões de mera segurança pessoal: se o alvo está protegido ? e muitas vezes basta ser uma pessoa boa sem maus sentimentos, ou correctamente devota, ou bem-fazeja, ou que esteja nesse momento a ter pensamentos amorosos e positivos ? dá-se o «choque de retorno», e o emissor de energias malévolas apanha com o ricochete daqulo que emitiu.O erro dos baixos mágicos é que usam e abusam das energias invisíveis, que buscam controlar para a obtenção de inconfessáveis proveitos pessoais. Cuidado, pois! Longe de nós a veleidade de pretender fazer-nos servir pelo sobrenatural ? e muito menos pelo divino. Até no emprego duma simples oração é preciso a maior cautela! A oração é uma poderosa invocação mágica, sem dúvida, e por isso nunca a devemos usar para mudar as coisas, a vontade ou a maneira de ser dos outros e muito menos os desígnios de Deus ? mas única e exclusivamente para louvá-Lo, render-Lhe adoração e agradecer-Lhe, ou, quando assuma a forma de súplica, para nos sabermos amoldar à Vontade Divina com aceitação compreensiva do que a razão não alcança ? e grato júbilo. Quando estou enfermo e rezo: «Meu Deus, cura-me!», devo logo acrescentar, seguindo o exemplo de Cristo: «Pai, que se não faça porém a minha vontade, e sim a Tua».E por aqui me fico, porque ficarmo-nos com a Vontade de Deus é compreender luminosamente que a Vontade de Deus é Boa, e que se eu souber amoldar a minha Vontade à Vontade Divina, estou de certeza a contribuir não só para o meu Bem, mas para o Bem de todos nós.António de Macedo
- Palestra proferida na Tertúlia do Bar-do-Além (almoço-debate), em 22 Fevereiro 2003, Alenquer.
Fonte: http://bardoalem.blogspot.com/2009/03/proxima-tertulia-sabado-25-de-abril-com.html































